Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Quinta-Feira, 21 de Março de 2019
20/03/2019

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eco.sapo.pt
20/03/2019

Certificação do Boeing 737 MAX 8 vai ser objeto de auditoria
Auditoria, que surge depois de dois acidentes, visa “reunir um histórico factual e objetivo sobre as ações que conduziram à certificação do 737 MAX 8”.

O Departamento dos Transportes do Governo dos EUA confirmou ter lançado uma auditoria à certificação do Boeing 737 MAX 8, aparelho ligado a duas tragédias, a mais recente em 10 de março na Etiópia.

Esta auditoria, ordenada pela secretária dos Transportes, Elaine Chao, visa “reunir um histórico factual e objetivo sobre as ações que conduziram à certificação do 737 MAX 8”, conforme comunicado do Departamento, que confirmou informações avançadas pela comunicação social.

O Departamento da Justiça, por sua parte, abriu um inquérito criminal sobre o desenvolvimento deste avião, segundo o Wall Street Journal.

“A segurança é a prioridade número um do Departamento e estamos muito entristecidos pelos dramas dos recentes acidentes de dois Boeing 737 MAX 8, na Indonésia e na Etiópia”, avançou o secretário da Justiça.

Um 737 MAX 8 da Etiópia Airlines despenhou-se em 10 de março a sudeste de Adis Abeba, provocando a morte dos 157 ocupantes.

Este foi o segundo acidente mortífero em menos de cinco meses deste avião, que entrou em serviço em maio de 2017, depois do que envolveu o aparelho da Lion Air, em outubro, que provocou 189 mortos, na Indonésia.

As similitudes entre os dois acidentes permitiram a especulação com a possibilidade de a Boeing ter tardado a corrigir um sistema de assistência ao voo conhecido pelo acrónimo de MCAS, destinado a impedir o avião de “desligar”, por falta de capacidade de carga suficiente.

Aquelas parecenças suscitaram interrogações sobre a certificação do avião, do qual só uma parte foi examinada, uma vez que o 737 MAX não é um avião totalmente novo, mas uma versão melhorada do 737 NG, o monocolor que é um sucesso de vendas da Boeing.

O dispositivo MCAS foi desenvolvido para o MAX devido aos motores mais pesados, que o fazem correr o risco de “desligar”.

A agência federal de aviação (FAA, na sigla em inglês) está sob pressão porque confiou a empregados da Boeing a tarefa de inspecionar e aprovar o avião.

“A Boeing solicitou uma emenda deste tipo de certificação em janeiro de 2012 e a agência federal da aviação concedeu-a em março de 2017”, detalhou o Departamento dos Transportes.

A auditoria vai ser entregue a uma autoridade independente, que pode transmitir as suas conclusões às autoridades judiciais

 

 

defesa.tv.br
20/03/2019

Vice-presidente da Embraer, Nelson Salgado, revela que acidentes não afetam negócio com a Boeing

O vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Embraer, Nelson Krahenbuhl Salgado, afirmou na manhã desta quinta-feira que os acidentes com o modelo 737 Max 8 da Boeing, que levaram uma série de países e companhias áreas a suspender voos com a aeronave, não têm conexão com as negociações em curso entre as duas companhias. “Não afeta a parceria estratégica com Boeing”, afirmou, em teleconferência com jornalistas. Ainda sobre a parceria, o executivo afirmou que a participação de 20% que a Embraer terá no negócio de aviação comercial, controlado pela Boeing, é relevante.

Quanto a potenciais reflexos na indústria como um todo, o executivo disse que é necessário aguardar os resultados das investigações para saber se haverá algum impacto. A Embraer encerrou 2018 com US$ 16,3 bilhões em pedidos em carteira, abaixo dos US$ 18,3 bilhões de 2017. Contudo, a carteira cresceu quase US$ 3 bilhões em relação ao terceiro trimestre, indicando “reversão do quadro de redução que vinha sendo registrado nos últimos anos”. Para Salgado, a parceria com a Boeing, que deve ser concluída até o fim do ano, trará “um valor muito grande” para clientes, acionistas e funcionários da Embraer, além de preservar os interesses estratégicos do governo brasileiro.

Os preparativos para consumar a operação, porém, terão reflexos no desempenho operacional da Embraer neste ano, afirmou o executivo, e a expectativa é a de os resultados fiquem no ponto de equilíbrio. A companhia já havia anunciado que espera atingir margem Ebit (resultado antes de juros e impostos) consolidada em torno de zero neste ano. “O ano de 2019 será atípico por causa da preparação da empresa para a parecia com a Boeing. Teremos de executar uma série de atividades que vão afetar os resultados operacionais”, afirmou Salgado. “O Ebit não será tão brilhante”.

Conforme Salgado, o grande resultado a ser alcançado pela companhia em 2019 é o fechamento da transação com a Boeing, o pagamento de cerca de US$ 1,6 bilhão em dividendos aos acionistas e a posição de caixa líquido de aproximadamente US$ 1 bilhão ao fim do ano. “Esses são os grandes resultados e foco de toda a nossa atenção ao longo de 2019”, acrescentou. A parceria estratégica, conforme a Embraer passou a se referir ao acordo que prevê a venda da divisão de aviação comercial para a fabricante de aeronaves americana e a constituição de uma joint venture em defesa, envolvendo inicialmente o cargueiro militar KC-390, já foi aprovada pela maioria dos acionistas e pelo governo brasileiro e, agora, depende da aprovação de órgãos antitruste e cumprimento de certas condições precedentes até o fim deste ano.

A joint venture também deve abrir mercados internacionais antes inacessíveis à Embraer, segundo Salgado. “Isso vai trazer resultados muito positivos para a companhia e para as atividades industriais no Brasil no futuro”, afirmou. O KC-390 recebeu no ano passado a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a primeira entrega está programada para 2019. Conforme Salgado, o KC-390 está mudando de fase, do desenvolvimento de produto que demandou esforços na última década para a fase de produção seriada. “Isso é muito importante, uma vez que haverá entregas regulares a partir deste ano”, observou.

Em relação aos Super Tucanos, o executivo comentou que foram realizadas nove entregas em 2018. Embora o modelo não esteja inicialmente contemplado na joint venture de defesa com a Boeing, se houver interesse no futuro, o assunto poderá ser analisado, acrescentou. No quarto trimestre, a Embraer realizou uma baixa contábil de R$ 238,2 milhões em aviação executiva, mas Salgado mencionou dois eventos extraordinários: o acidente com o KC-390 em maio do ano passado, cujo impacto já era conhecido, e uma perda de US$ 61,3 milhões referente ao Linage, cujas perdas vêm desacelerando nos últimos anos. “Fizemos a amortização de recursos direcionados a desenvolvimento”, explicou.

 

 

g1.globo.com
20/03/2019

Piloto 'de folga' evitou queda de Boeing 737 MAX um dia antes de acidente na Indonésia, diz agência
Avião caiu no dia seguinte, matando 189 pessoas. Modelo é o mesmo de aeronave que sofreu acidente na Etiópia.

Um piloto de folga "evitou" a queda de um Boeing 737 Max 8 da companhia aérea Lion Air. Um dia depois, a mesma aeronave caiu na Indonésia, matando 189 pessoas. O avião também é do mesmo tipo do que sofreu acidente em 10 de março na Etiópia, quando 157 morreram. A informação foi divulgada nesta terça-feira (18) pela agência norte-americana Bloomberg.

Segundo investigadores indonésios, um defeito no sistema fez o avião a se inclinar para o alto, aumentando as chances de uma estolagem (perda de sustentação aerodinâmica) da aeronave –-problema semelhante ao ocorrido no voo da Lion Air que caiu.

Então, um piloto da companhia que estava de folga no assento extra do cockpit – a cabine onde fica o comandante – instruiu os colegas a cortar um dos motores, o que fez o nariz do avião abaixar e, por sua vez, o controle da aeronave ser retomado.

O voo ligava a cidade de Bali à capital da Indonésia, Jacarta, e pousou normalmente. O problema relatado chegou a ser divulgado pelas autoridades indonésias, entretanto, sem entrar nos detalhes sobre o piloto de folga. Nem a Boeing nem o comitê de segurança de aviação do país asiático quiseram comentar o caso.

Boeing 737 MAX

Por causa dos acidentes na Indonésia e na Etiópia em cerca de cinco meses, governos e companhias aéreas de dezenas de países suspenderam as operações com o Boeing 737 MAX. Depois, a própria Boeing recomendou que os aviões do modelo – tanto da série 8 quanto da 9 – permanecessem em solo.

No centro das investigações está o MCAS – sigla em inglês para Sistema de Aumento de Características de Manobra. A Boeing desenvolveu esse mecanismo especificamente para o 737 MAX 8 e para o 737 MAX 9.

Ao detectar perda de sustentação por causa de subida em ângulo muito vertical e sem velocidade, o sistema automaticamente move o estabilizador para puxar o nariz do avião para baixo. É uma forma de o MCAS evitar a estolagem – ou seja, quando o avião fica sem sustentação e cai. No caso da Indonésia, os investigadores descobriram que o MCAS começou a funcionar quando não deveria.

Suspeita-se que o mesmo problema tenha afetado o 737 MAX 8 da Ethiopian. Afinal, a Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos informou que há semelhanças entre os dois acidentes, sem especificar quais. Há uma semana, a caixa preta seguiu para análise em Paris, na França.

No Brasil, o modelo é operado pela GOL, que suspendeu as operações com esse tipo de aeronave por tempo indeterminado. A Boeing continua a produzir os 737 MAX, mas interrompeu as entregas enquanto o caso não estiver solucionado.

 

 


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