Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Segunda-Feira, 15 de Outubro de 2018
13/07/2010

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Valor Econômico
13/07/2010

Marina defende concurso para setor aéreo

Em visita a São José dos Campos (SP), a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse ontem que a realização de concurso público para a contratação de engenheiros e técnicos é fundamental para se evitar um apagão de recursos humanos no setor aeroespacial brasileiro. "Muitas pessoas estão para se aposentar. O concurso público também é uma alternativa para os profissionais que perderam o emprego na Embraer", disse Marina durante entrevista coletiva, logo após uma visita institucional à fábrica da Embraer.

Segundo a assessoria de imprensa da candidata, a direção da Embraer apresentou um programa de recuperação gradual do pessoal que foi demitido em fevereiro do ano passado, quando a companhia reduziu em 20% seu número de funcionários, cerca de 4 mil pessoas. Marina, que também visitou o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), conheceu os números do déficit de vagas na carreira de ciência e tecnologia da instituição.

Segundo o diretor do IAE, brigadeiro Francisco Carlos Melo Pantoja, o déficit atual de funcionários na área de Ciência e Tecnologia no DCTA é da ordem de 1039. " Mostramos para a senadora Marina Silva quais as dificuldades que enfrentamos hoje para a contratação de pessoal , que leva vários anos para se formar. Se nada for feito os problemas tendem a se agravar", disse Pantoja. A candidata do PV, segundo ele, se mostrou bastante sensibilizada com a situação e prometeu trabalhar para tornar regular o ingresso de profissionais especializados no IAE, responsável hoje pelo programa de desenvolvimento do foguete VLS, entre outros projetos.

No IAE, Marina visitou o laboratório de montagem do VLS , onde teve a oportunidade de conhecer uma maquete em tamanho real do foguete. "O Brasil carece de centros de excelência como o DCTA, IAE e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a nossa ideia é continuar apoiando as linhas de pesquisa que são desenvolvidas ali, através de incentivos à inovação e ao desenvolvimento tecnológico".

A visita da candidata do PV à Embraer, que foi recebida pelo presidente da empresa, Frederico Fleury Curado, durou três horas. Marina chegou a São José dos Campos por volta das 10h30, acompanhada do seu candidato a vice-presidente, Guilherme Leal e pelo candidato ao senado pelo PV, Fábio Feldman, que concorre ao governo paulista pelo mesmo partido.

Na empresa a candidata também conheceu o hangar de montagem final dos jatos Embraer e o Centro de Realidade Virtual (CRV), que permite acompanhar o desenvolvimento dos aviões, realizando simulações para avaliar a configuracão ideal, nas mais diversas fases da produção. "A Embraer está no topo do desenvolvimento tecnológico e nós temos um interesse estratégico de incentivar a empresa a investir nesses projetos, entre eles, o de aviões menos poluentes e que consomem menos combustíveis", comentou.

 

 

Valor Econômico
13/07/2010

Agenda fraca e sem temas polêmicos marca cúpula Brasil-União Europeia

Dois acordos na área de aviação civil que beneficiarão a Embraer e empresas europeias de aviação e um acordo de cooperação para incentivar biocombustíveis em Moçambique darão o tom otimista no encontro de cúpula Brasil-União Europeia, que se inicia amanhã, em Brasília, acompanhado de um encontro empresarial de executivos. O temor de que por questões burocráticas esses acordos não fossem assinados foi superado, segundo diplomatas envolvidos nas negociações. A parceria de biocombustíveis, contudo, ficará restrita a Moçambique - o Quênia ficou de fora. Serão tratados mais reservadamente temas delicados, como as preocupações europeias em relação a Argentina, Honduras, Cuba e Venezuela, e a preocupação brasileira com o peso do ajuste econômico em países europeus.

Os acordos do setor aéreo permitirão o reconhecimento de certificação de aeronaves expedidas no Brasil, facilitando o ingresso da Embraer no mercado europeu. Também estenderão a toda a União Europeia os tratados bilaterais de aviação comercial mantidos pelo Brasil com a maioria dos países do continente, permitindo a empresas da Europa aproveitarem permissões de operação no Brasil não usadas integralmente por alguns desses países.

Os europeus pretendem pedir que o Brasil atue discretamente para conter as medidas informais protecionistas na Argentina, que chegou a deter sem justificativas carregamentos alimentos europeus no início do ano. Também estão preocupados com a situação em Honduras, onde o presidente eleito após um golpe de Estado, Porfírio Lobo, tem enfrentado pressões da linha dura local. O reconhecimento do governo Lobo facilitaria a transição para a democracia, na visão europeia. O Brasil deverá repetir que, antes de reconhecer o governo, será necessário a apresentação de medidas de conciliação, como a anistia do presidente deposto, Manuel Zelaya.

Apesar de divergências pontuais, o clima na reunião deve ser de comemoração pelos entendimentos entre o Brasil e o bloco europeu, que discutirão, ainda, como garantir o avanço das discussões contra o aquecimento global.

O governo brasileiro e os dirigentes da comissão europeia tratarão, ainda, das medidas para enfrentar a crise financeira e pretendem trocar impressões sobre as melhores maneiras de evitar a retirada prematura dos estímulos ao crescimento. Os europeus acreditam que poderão convencer os brasileiros de que as medidas de austeridade postas em prática por todos os países da região fortalecerão a economia global sem criar uma temida contração global.

Os brasileiros vinham negociando nos últimos dias a inclusão de um ponto sobre o Irã, na declaração final as ser assinada. Aparentemente, há consenso em fazer referências ao direito iraniano a perseguir um programa nuclear pacífico e o reconhecimento, como importante ponto de partida para a negociação, do acordo firmado entre Irã, Brasil e Turquia, prevendo mecanismos de troca de urânio para enriquecimento fora do território iraniano. O encontro vem sendo visto pelos dirigentes de Brasil e UE como oportunidade para fazer um balanço da "parceria estratégica" firmada em 2007.

 

 

Valor Econômico
13/07/2010

Air France tenta se livrar de processo

A Air France KLM e sua subsidiária holandesa Martinair chegaram a acordo para pagar US$ 87 milhões, em troca do encerramento de processos pedindo indenização por manipulação de preço em suas operações de transporte de carga entre 2000 e 2006.

O acordo precisa ser aprovado em tribunais nos Estados Unidos e é o mais recente em uma série de multas e penalizações pagas pelas empresas aéreas internacionais, após investigações de autoridades reguladoras do setor terem revelado uma associação criminosa no transporte de carga mundial.

Em certo ponto, até 30 empresas aéreas chegaram a estar sob investigação e várias pessoas físicas também se depararam com processos criminais. O Departamento de Justiça dos EUA impôs, só em 2009, multas de mais de US$ 1,6 bilhão como resultado da investigação, iniciada em 2006.

Cathay Pacific, British Airways, Korean Air, Qantas e Japan Airlines já pagaram multas significativas nos últimos anos por causa dessas investigações. A alemã Lufthansa apenas conseguiu escapar porque se apresentou para cooperar.

Segundo autoridades americanas, as empresas aéreas envolvidas criaram uma série de cartéis mundiais de transporte de carga, discutindo preços em rotas específicas de cargas e monitorando as tarifas cobradas para garantir que o valor concordado fosse cumprido.

A Air France KLM foi uma das mais atingidas, ao assumir a culpa das acusações nos EUA e pagar multa de US$ 350 milhões, na ocasião, a segunda maior multa criminal aplicada pela divisão de concorrência do Departamento de Justiça dos EUA.

Franciscus Johannes de Jong, também conhecido como Frank de Jong, cidadão holandês, ex-vice-presidente de vendas de transporte de cargas na Europa da Martinair, chegou a um acordo para cumprir pena de oito meses de prisão e pagar multa de US$ 20 mil. Esses acordos desencadearam uma onda de processos de responsabilidade civil por danos de antigos clientes da Air France KLM e de suas subsidiárias. Em troca pelo pagamento dos US$ 87 milhões, a serem pagos com as provisões contabilizadas pela empresa aérea em 2008, a companhia será eximida desses processos.

O dinheiro obtido nesse acordo, no entanto, será usado para pagar os clientes que transportaram cargas diretamente com a Air France-KLM. Os clientes indiretos, que usaram terceiros para transportar suas cargas, foram excluídos do acordo nos EUA, segundo a Hausfeld & Co. e a Claims Funding International, representantes de um grupo de requerentes europeus. Dessa forma, empresas como a Volvo Car serão indenizadas apenas em parte de suas reclamações.

"É um acordo importante e um grande passo à frente", afirmou Michael Hausfeld, um dos advogados que encabeçou o caso nos EUA, ressaltando que sua equipe jurídica tentará iniciar procedimentos contra a Air France KLM na Holanda, para conseguir reparações para os clientes indiretos.

O Departamento de Justiça dos EUA informou que a investigação antitruste continua uma "questão aberta", enquanto a Air France KLM divulgou em comunicado que a investigação da Comissão Europeia ainda está pendente, o que aumenta as chances de mais multas e indenizações pela frente.

Acredita-se que a investigação das autoridades reguladoras da União Europeia esteja em seu estágio final, mas as discussões quanto às possíveis multas vêm sendo particularmente acirradas - inclusive por causa do atual estado financeiro do setor de empresas aéreas.

Parece improvável que qualquer anúncio sobre o caso seja feito antes do recesso do verão setentrional em Bruxelas.

 

 


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