Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Sábado, 20 de Julho de 2019
19/09/2010

<< Início   < Voltar  | |  Avançar >   Última >>

Folha de São Paulo
19/09/2010

Agências lançam consórcio para venda de passagens

A Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens) lança no mês que vem o programa Viaja Fácil Brasil para reagir à competição acirrada com a venda de bilhetes aéreos em supermercados e redes de varejo.
Nos últimos anos, o segmento enfrenta um cenário de aumento das vendas diretas pela internet e de redução das comissões pagas pelas companhias aéreas.
O programa visa atrair a classe C com parcelamento em até 36 vezes, sem juros, por meio de um boleto gerado pela administradora de consórcios Gazin.
"Se o agente não souber vender para esse consumidor, que tem necessidades e hábitos diferenciados, seremos atravessados, como já está ocorrendo", diz Carlos Alberto Amorim Ferreira, presidente da Abav.
A oferta de parcelamento das passagens é uma estratégia amplamente adotada pelas empresas. O Voe Fácil, da Gol, já conta com uma base de 2 milhões de clientes.
A rival Azul lançou neste ano o Azul Crédito, que permite pagamento com boleto bancário ou parcelado no cartão de crédito.
Para o ministro do Turismo, Luiz Barretto, a indústria de turismo precisa desenvolver produtos específicos para a nova classe média.
"A indústria automobilística criou uma série de produtos que dialogam, em condições de preço e hábito, com esse consumidor, como carro popular, feirão e parcelamento em até 72 vezes", diz.
"A indústria de alimentos criou produtos, embalagens econômicas, diversificou pontos de venda. O turismo precisa desenvolver novas estratégias", afirma Barretto.
No turismo de lazer, ele cita que já há iniciativas para atender a nova classe média -caso dos cruzeiros.
A oferta de vagas passou de 500 mil, na temporada de 2008/2009, para 800 mil, na de 2009/2010, após a opção de parcelar todos os custos da viagem em até 24 vezes.
No turismo de negócios, o ministro diz que ainda faltam projetos. "O pequeno empreendedor ou profissional da classe C que já trocou o ônibus pelo avião na viagem de negócios ainda não encontra um número significativo de hotéis que ofereçam um bom preço."

 

 

Folha de São Paulo
19/09/2010

66% dos novos viajantes são da classe C
Sete milhões de pessoas dessa fatia devem viajar de avião pela 1ª vez nos próximos 12 meses, diz pesquisa
JANAINA LAGE / CLAUDIA ROLLI

Seis a cada dez brasileiros que planejam viajar de avião pela primeira vez nos próximos 12 meses são da classe C (com renda de três a dez salários mínimos).
É o que mostra levantamento feito pelo instituto Data Popular com 5.000 consumidores de todo o país durante o primeiro semestre.
O crescimento da participação da nova classe média no setor aéreo deve pressionar ainda mais a infraestrutura aeroportuária, que já enfrenta os desafios impostos pela Copa do Mundo de 2014.
"O impacto é muito maior que o de uma Copa", afirma Renato Meirelles, sócio do Data Popular, especializado em baixa renda.
O Ministério do Turismo estima que 600 mil estrangeiros e 3 milhões de brasileiros circularão pelo país durante a competição.
Nos próximos 12 meses, 10,7 milhões de pessoas devem fazer sua primeira viagem de avião. Do total, 7 milhões são da classe C e 1,7 milhão da classe D.
A projeção indica uma expansão mais rápida do que a dos últimos sete anos, em que o percentual de passageiros da classe C cresceu 29%. Apesar disso, o Brasil ainda tem uma proporção de passageiros entre os habitantes equivalente a 20% da média dos mercados maduros, como EUA e Espanha.
Para Juliano Norman, superintendente de Regulação Econômica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o mercado tem potencial para triplicar em 15 anos, desde que o país supere os gargalos de infraestrutura.
Estudo feito pela consultoria McKinsey mostra que os 20 principais aeroportos já apresentavam no ano passado algum tipo de gargalo em pista, pátio ou terminal.
"Há gargalos no chão e no céu, ineficiências em aeroportos e no controle de tráfego aéreo", resume Gianfranco Beting, diretor de comunicação e marketing da Azul.

NOVOS SERVIÇOS
Apesar da restrição de infraestrutura, as empresas se dedicam a conquistar o novo cliente com mais canais de venda, parcelamento e material didático, após a guerra de tarifas do ano passado.
Para Paulo Castello Branco, vice-presidente da TAM, preço e modo de pagamento são decisivos. A TAM passou a vender bilhetes nas Casas Bahia de São Paulo, parcelados a partir de R$ 20.
"Venda presencial é importante. Há um esforço para que as pessoas se sintam à vontade para viajar." Os destinos preferidos são o Nordeste e a América do Sul.
A Azul negocia com o Magazine Luiza a venda de passagens. A Gol planeja abrir mais lojas do programa de parcelamento Voe Fácil.
"Ainda há um descompasso entre o ritmo de crescimento da classe C e as iniciativas das empresas", diz o consultor do Data Popular.
Uma das ideias que as companhias poderiam explorar, segundo ele, é criar vendas de bilhetes aéreos integradas com passagens de empresas rodoviárias.
O passageiro que mora em Feira de Santana (BA), por exemplo, compraria o voo a Salvador já integrado com o ônibus para sua cidade. "O consumidor de baixa renda quer uma solução completa. Como tem menos dinheiro no bolso, é mais exigente."

 

 

Folha de São Paulo
19/09/2010

Anac estuda abrir aeroportos de madrugada durante a Copa
Empresas desenvolvem estratégias como adotar horários alternativos e aviões maiores em rotas mais movimentadas

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) estuda estender horários de operação dos aeroportos ligados às 12 cidades-sede da Copa durante a madrugada para atender o aumento da demanda.
Isso deve ocorrer caso os investimentos em infraestrutura necessários não sejam viabilizados a tempo. Outra alternativa que a agência chegou a cogitar foi a abertura de algumas bases militares, como o Campo dos Afonsos (RJ), para a aviação geral (voos não regulares), hipótese considerada improvável.
A agência pretende contratar pessoal por meio de concurso público e investir em tecnologia. A Anac planeja usar um software para determinar a alocação de espaços de pouso e decolagem em aeroportos mais saturados.
A Infraero afirma que investirá R$ 5,55 bilhões para atender a demanda projetada em 13 aeroportos. Grande parte das obras só ficará pronta em meados de 2013.
Doze aeroportos receberão estruturas provisórias. O maior investimento será feito em Cumbica (SP), de R$ 1,223 bilhão, que inclui obras no pátio, na pista e no terminal.
O ministro do Turismo, Luiz Barretto, afirma que outros países já adotaram as estruturas temporárias como solução, como Canadá, Portugal e EUA. "Não é demérito, é o caminho para melhorar a qualidade dos terminais até a Copa", disse.

ALTERNATIVAS
Enquanto os investimentos ainda estão em andamento, as companhias têm usado alternativas para atender o aumento da demanda.
A TAM oferece tarifas mais baixas fora de horários de pico do passageiro corporativo (início da manhã e da noite).
"A ascensão das classes C e D está ligada ao bom desempenho da economia, mas a infraestrutura ficou carente de investimentos. A solução é investir em mais pátio e terminal de passageiros", afirmou Paulo Castello Branco, da TAM.
A Gol afirma que em mercados específicos trocou aeronaves com capacidade para 144 passageiros por outras que comportam 184 assentos. Além disso, tem procurado trabalhar com centros de distribuição de voos em aeroportos com mais capacidade de crescimento.
Nas contas da empresa, o país tem mais 100 milhões de pessoas com potencial para passar a viajar de avião.
As empresas aéreas já fazem também pequenas distinções em serviços como o de alimentação entre os diferentes tipos de voo.
A Gol, por exemplo, oferece um serviço padrão em voos domésticos com biscoitos e amendoim. Na ponte aérea, lanches e saladas. Em outros 50 voos, há venda de sanduíches a bordo.
Como resume o ministro do Turismo, é preciso ter diversidade: "Tem de ter o Fasano para a classe A, mas também pode ter um bom sanduíche para a classe C".
(JANAÍNA LAGE e CLAUDIA ROLLI)

 

 


<< Início   < Voltar  | |  Avançar >   Última >>

Página Principal