RIO DE JANEIRO - 01 DE SETEMBRO DE 2008

Tribuna da Imprensa
01 de Setembro de 2008

TODA A VERDADE SOBRE O MAIOR DESASTRE DA AVIAÇÃO
Coluna Pedro Porfírio

"Além da desorganização, em todos os níveis, o que assistimos hoje, na aviação civil brasileira, é o desrespeito, em grau máximo, aos cidadãos-contribuintes - que pagam caro pelos serviços que não recebem - e aos trabalhadores do nosso setor aéreo - cujos postos de trabalho têm sido paulatinamente ceifados ou aviltados, num processo de desmonte jamais visto anteriormente no país".
Comandante Marcelo Duarte, vice-presidente da Associação de Pilotos da Varig.


Comandante Marcelo Duarte mostrou as vísceras de uma
crise manipulada para servir os interesses estrangeiros.

A conspiração que levou ao sucateamento e desfiguração da Varig ainda vai dar muito que falar. Como tudo que se engendra de mentes alugadas, não se garante por muito tempo. Mais dia, menos dia, suas vísceras ficam à mostra, revelando toda a podridão que infecta seu organismo.

Na semana passada, coube ao comandante Marcelo Duarte demonstrar toda a extensão do crime cometido. Vice-Presidente da Associação dos Pilotos da Varig, ele expôs com a competência de um líder e a lucidez de um estudioso os subterrâneos dos interesses espúrios de forma tão didática que calou a boca do representante da Anac, presente no mesmo painel, realizado na Confederação Nacional do Comércio.

Por seu conteúdo incontestável, a exposição do comandante Marcelo Duarte deve ser reproduzida por todo este país de enganados e iludidos. Ela reflete o seu nível de compreensão transcendente, aperfeiçoado no exílio em que vive hoje, na sofrida Angola, onde foi oferecer o talento e a compet ência que as aves de rapina jamais conseguirão emascular.

O comandante Marcelo Duarte é um desses profissionais da aviação que pensa para além das nuvens carregadas. Sua luta na Varig é anterior ao desenlace que deu no patético leilão de 2006.

Antes mesmo desses dias sombrios, já era um perseguido político dentro da Varig, o que lhe valeu a demissão arbitrária, junto com um punhado de bravos que ousou enfrentar os desmandos de suas diretorias, enquanto as cúpulas dos sindicatos classistas roíam as unhas, como se estivessem ansiosas pela débâcle da Varig.

Uma aula que voa

O inteiro teor de sua palestra voa como um avião enfurecido pelas ondas da internet. Só eu recebi uma meia dúzia de cópias. É possível que por todo o mundo, onde quer que exista um profissional de aviação interessado, esteja sendo objeto de uma oportuna reflexão.

Suas incontestáveis verdades podem ser encontradas em alguns sites e blogs. Eu mesmo fiz questão de incluí-la no "Porfírio Urgente", já como reprodução do blog criado pelo incansável comissário apose ntado Paulo Resende.

É do mesmo autor e com a mesma pontaria certeira o artigo "O Crime de Lesa-Pátria na Varig", de cujo texto, publicado também no "Porfírio Urgente", retirei algumas boas verdades:

"No caso concreto da pseudo-recuperação judicial da Varig, nada mais se viu até aqui do que sucessivos atos inconstitucionais por parte dos diversos agentes envolvidos, haja vista que, não obstante a citada patologia da justificação impossível, e contrariamente aos imperativos sociais estampados na nossa Constituição, promoveu-se verdadeira e crassa violação dos direitos dos trabalhadores, demitidos sem suas indenizações, dispensados do mercado de trabalho, muitos exilado s economicamente do País, além dos vários milhares de aposentados, ex-beneficiários do fundo de pensão Aerus, condenados à miséria no correlato escândalo.

Tudo isso sob a pífia explicação impossível de uma recuperação que não ocorreu, como hoje se reconhece indiscutivelmente, e debaixo de inúmeros escândalos que começam a vir à tona, de empresas que burlaram a lei ao se constituir com o fito único de comprar a Varig na bacia das almas, de remessas de divisas para o exterior, da intervenção extemporânea e indevida no Aerus, entre outros.

Crime de Lesa-Pátria

Para piorar este quadro, em agosto de 2006, pelos cálculos da própria Varig, seriam necessários 650 milhões de reais só para fazer as rescisões trabalhistas. Hoje, a 1ª vara empresarial do Rio de Janeiro faz questão de desconsiderar mais de 80% do valor efetivamente devido aos trabalhadores, cujo total ultrapassa 1 bilhão e meio de reais, acrescidos de mais de 3 bilhões devidos ao Fundo de Pensão Aerus.

Sob falsos argumentos, muitos trabalhadores do grupo Varig, no desespero, estão sendo levados a pensar que, em breve, terão seus problemas financeiros resolvidos com o recebimento de uma mísera parcela daquilo que efetivamente teriam direito, caso de fato houvesse uma recuperação judicial.

Achar que ratear R$ 30 milhões por cerca de 10 mil trabalhadores é fazer Justiça, e que a lei de Recuperação Judicial foi um sucesso no Caso Varig, é mais do que um acinte à inteligência. É a volta da barbárie, desta feita praticada contra milhares de famílias.

Por força do artigo 114 da Constituição da República Federativa do Brasil, é da Justiça do Trabalho a competência para processar e julgar ações oriundas das relações de trabalho, na forma da lei, incidindo, no aspecto, a regra específica prevista nos artigos 10 e 448 da CLT. Sob as mesmas justificativas que cada vez menos se sustentam ("vamos recuperar a Varig"), o Juízo da Vara 1 ª Empresarial do Rio de Janeiro tem praticado e permitido que se pratiquem atos que esbulham direitos trabalhistas consagrados sob uma pretensa autorização da Lei de Recuperação de Empresas e Falência, autorização essa que não existe - como reza seu próprio artigo 6º- ou, se existisse, como visto, seria inconstitucional.

A Constituição Federal é a nossa lei maior e nenhuma outra lei está acima dela. E para que se espanquem quaisquer dúvidas que insistem em se apresentar (tanto quanto aquelas explicações esdrúxulas) é que parte da Lei de Recuperação já está sendo contestada pela Ação Direta de Inconstitucionalidade 3934, impetrada pelo PDT.

O que está sendo imposto aos trabalhadores, verdadeira barbárie no plano pessoal e crime de lesa-pátria no plano institucional, implica em milhares de trabalhadores deixarem de receber seus salários atrasados e indenizações trabalhistas, sem qualquer contrapartida real de empregabilidade (esta utilizada maliciosamente como moeda em t roca pelo silêncio, veja-se o teor do Edital de venda da Varig para a VarigLog), afastando-se qualquer dúvida quanto ao manifesto erro valorativo e normativo-hierárquico perpetrado pelo juízo que presidiu a ação de recuperação judicial da Varig".

 

 

Folha de São Paulo
01/09/2008

Passagens aéreas sobem 40% neste ano
Tarifas das principais rotas do país aumentam entre 40% e 59% até julho; na ponte aérea Rio-São Paulo, alta é de 56%
Aumento do querosene, demanda forte e grande concentração do mercado são apontados como principais motivos para alta

JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO

Algumas das principais rotas aéreas do país tiveram alta superior a 40% nos primeiros sete meses deste ano. A forte alta do querosene de aviação e a grande concentração do mercado brasileiro são apontados como principais motivos.

A ponte aérea Rio-São Paulo, o filé mignon do mercado doméstico para as companhias aéreas, já subiu 55,7% de janeiro a julho deste ano. De acordo com as informações prestadas à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) pelas empresas, a tarifa média passou de R$ 343,26 em janeiro para R$ 534,50 em julho, ida e volta.

Os dados da agência incluem ainda vôos de Congonhas (SP) para Brasília, Curitiba e Porto Alegre e do Tom Jobim (RJ) para Brasília, sempre considerando passagem para ida e volta.

Já de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), o preço das passagens aéreas em todo o país subiu 16,26% de janeiro a julho e 44,65% nos 12 meses encerrados em julho. Os dados de agosto, até o dia 20, mostravam um aumento de 0,66%. O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 4,19% de janeiro a julho. Em 12 meses acumulados até julho, a alta foi de 6,37%.

Segundo especialistas, as companhias conseguem repassar reajustes nessas rotas com mais facilidade, porque o passageiro típico viaja a trabalho e não pode cancelar a viagem. E, em muitos casos, quem arca com os custos são empresas.

A variação dos preços não reflete só aspectos sazonais, como alta e baixa temporada. A comparação com julho do ano passado, por exemplo, mostra um aumento de 40% no preço da ponte aérea Rio-SP. No acumulado do ano, o maior aumento foi registrado para o vôo Congonhas/Porto Alegre/ Congonhas: 58,6% -de R$ 373,16 para R$ 591,97.

A tarifa média é uma combinação dos diversos preços praticados pelas empresas, que variam de acordo com fatores como horário da viagem e antecedência na compra. Para quem compra em cima da hora, o preço pode ser bem mais salgado.

Segundo Leonel Rossi, diretor de Assuntos Internacionais da Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagens), o valor médio das passagens em geral saltou de R$ 380 em 2007 para pouco mais de R$ 500 neste ano. Ele destaca, no entanto, que apesar da alta, o valor dos bilhetes no país já foi muito mais elevado. "O aumento ainda não mexeu com a demanda, mas o consumidor já começa a pesquisar mais os preços."

De acordo com dados da Anac, a demanda cresceu 10% nos primeiros sete meses do ano. Em 2007, a alta foi de 11,9%. O principal argumento das companhias para justificar os aumentos é a alta do combustível. O querosene de aviação subiu 36,38% até agosto, diz o Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias).

O combustível representa até 40% dos custos de uma companhia. A mudança no patamar de preços já suscitou pressões para a Petrobras oferecer subsídio ao querosene. O diretor da Anac Ronaldo Seroa da Motta afirmou que o Ministério da Defesa discute um acordo entre as companhias e a Petrobras.

O diretor afirmou ainda que as empresas já conseguiram obter isenção de PIS/Cofins para o querosene usado em vôos internacionais. "O setor carece de uma política industrial própria", disse. Já o presidente do Snea, José Márcio Mollo, afirma que as empresas estão pedindo a revisão do cálculo usado pela Petrobras para definir o valor do combustível.
Segundo André Castellini, da consultoria Bain & Company, a alta nos preços veio para ficar. "O consenso que emerge no mercado é que o viajar está sendo reprecificado por conta da alta do petróleo", disse.

Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços ao Consumidor da FGV, a concentração do mercado ajuda a explicar a alta de preços. TAM e Gol representam cerca de 90% do mercado doméstico. "Em qualquer segmento da economia, quando poucas empresas exploram determinada atividade, há espaço para aumento de preços. Fomentar a entrada de empresas novas é bom para acirrar a concorrência. A dica é pesquisar e comprar com muita antecedência", disse.

As empresas atuam hoje em regime de liberdade tarifária. Especialistas destacam que o cumprimento de metas relacionadas a pontualidade e regularidade também costuma aumentar os custos da empresa, o que pode acabar chegando ao consumidor. Nesse caso, exigências de aumento da qualidade do serviço e as restrições em Congonhas poderiam levar, ainda que indiretamente, a aumento no preço da tarifa.

Sem interferir no preço, as vias indiretas para estimular a concorrência e as tarifas mais baixas são o incentivo à entrada de novas empresas e a flexibilização do uso dos aeroportos. A Anac estuda até o fim do ano lançar consulta pública para flexibilizar a utilização do Aeroporto Santos Dumont no Rio, hoje usado principalmente para a ponte aérea. A Azul, nova empresa aérea, tenta antecipar o início de suas operações para o fim deste ano.

 

 

Folha de São Paulo
01/09/2008

Tarifas são menores do que em 2006, diz TAM; empresas trazem mais aviões
DA SUCURSAL DO RIO

A TAM afirma que, mesmo com os aumentos realizados pela empresa neste ano, as tarifas ainda encerrarão o ano abaixo do valor vigente em 2006, em termos nominais.

A companhia aérea diz que aumentou em 13,7% o "yield" (preço pago pelo cliente por quilômetro voado) doméstico no primeiro semestre em relação a igual período de 2007.

A companhia destaca que o "yield" internacional caiu 18,7% de janeiro a junho deste ano em reais. A estimativa da TAM é que o aumento acumulado no ano fique em 7% nos vôos domésticos e em 5% nos internacionais.

O cenário de petróleo em alta estimula também a busca por aeronaves mais eficientes no consumo de combustível. Antes mesmo de o petróleo bater em US$ 140 (hoje está perto de US$ 115), as duas principais companhias brasileiras, TAM e Gol, já haviam feito grande volume de encomendas à Airbus e à Boeing, prevendo aumento vigoroso da demanda nacional.

A TAM diz que receberá nos próximos anos encomendas de 22 A350 XWB, quatro A330-200 e 20 da família A320, que têm valor de lista de aproximadamente US$ 6,9 bilhões. As aeronaves são incorporadas por meio de arrendamento.

A Gol diz que a tarifa média do primeiro semestre ficou em R$ 210,02. O valor inclui Gol e Varig. No primeiro trimestre, o "yield" doméstico e internacional da empresa cresceu 10%. No segundo trimestre, 7,7%.

Para Alípio Camanzano, presidente da Decolar.com no Brasil, o mercado segue muito aquecido e o consumidor pode driblar a alta de preços por meio de tarifas promocionais ou horários mais em conta. "O segmento de vendas on-line cresce bastante porque as pessoas querem usar a matriz de comparação de preços." (JL)

 

 

Folha de São Paulo
01/09/2008

Consumidor agora alterna viagens de avião e de ônibus
DA SUCURSAL DO RIO

A alta no preço dos bilhetes da ponte aérea já alterou a rotina de Alfredo Werner, 42, gerente comercial de empresa de tecnologia em São Paulo. Ele começou a trabalhar em São Paulo há dois anos, mas todos os finais de semana volta para o Rio para encontrar a família.

"O aumento de preços foi uma coisa bárbara e sem sentido. Quando vim para São Paulo, conseguia ir toda semana. Agora, preciso alternar as idas de avião com as de ônibus", disse.

Segundo ele, outros colegas que optaram por trabalhar na capital paulista passam pelo mesmo problema. "É horrível, porque você não aproveita direito o final de semana. Se antes a hora do "Fantástico" já era trágica, porque estava perto da segunda-feira, agora é pior, porque a gente sabe que está na hora de enfrentar uma viagem de seis horas", disse.

Werner afirma que está encontrando mais dificuldade para comprar bilhetes promocionais. "Na semana passada, tentei comprar, mas o preço era o mesmo para quase todos os horários." (JL)

 

 

Site Brasilturis
01/09/2008

Seminário amanhã na FECOMÉRCIO

A Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio reúne as maiores autoridades e especialistas do setor aéreo para debater mudanças recentes e novas tendências de mercado. O objetivo do encontro será discutir e formular uma nova proposta de política nacional para a aviação civil que será encaminhada ao governo Federal.

Amanhã (2) das 9 às 17 horas, na sede da Fecomércio, em São Paulo, participam do seminário o Comandante João Flávio Pedrosa, presidente do Movimento Asas da Paz, Sergio Camargo, superintendente do DAESP – Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, Brigadeiro Mauro José Miranda Grandra, presidente da Associação Nacional das Empresas Concessionárias dos Aeroportos Brasileiros, Apostole Lázaro Chrysssafidis , presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional, Rui Thomaz de Aquino, presidente da Associação Brasileira de Aviação Regional. Comandante Allemander Pereira Filho, ex-diretor da Anac e Luiz Brito Filho, de Relações Internacionais da Turis-Rio. O economista Paulo Rabelo de Castro fará uma análise do Caso Varig.

Os temas a serem apresentados: “A Aviação Regional no Estado de São Paulo e seus reflexos no Brasil”; “A Visão do Turismo em Face dos Problemas da Aviação”; “A Lei Geral do Turismo e as Necessidades da Aviação”; “O Caso Varig e as Repercussões Econômicas”; “Planejamento e Desenvolvimento da Aviação no Estado de São Paulo” e “Ações do Controle do Espaço Aéreo no Estado de São Paulo”.

 

 

Valor Econômico
01/09/2008

Credores aprovam o plano da BRA
Roberta Campassi, de São Paulo

Os credores da BRA aprovaram o plano de recuperação judicial da companhia aérea na sexta-feira, numa das últimas tentativas de evitar a falência. A empresa se propôs a operar vôos fretados para o mercado de viagens a lazer e também oferecer pacotes turísticos, fazendo uso de três hotéis na Bahia que pertencem ao sócio Walter Folegatti.

Desta vez, o plano levado à assembléia foi considerado factível pelos credores, especialmente porque a BRA nasceu como uma empresa de vôos fretados e era considerada bem sucedida enquanto se manteve com essa estratégia. Folegatti assumirá a administração da aérea. Seu irmão Humberto Folegatti, que junto com Walter detém 58% da BRA, afastou-se da companhia recentemente. A Brazilian Air Partners (BAP), união de seis fundos estrangeiros e mais o brasileiro Gávea, detentora de 42% das ações da BRA, já estava afastada da companhia desde o início da crise.

A BRA pretende levantar R$ 7,5 milhões e alugar duas aeronaves Boeing 737 para fazer os vôos já a partir do início do ano que vem - e não dentro de um ano e meio, como o Valor publicou equivocadamente na quinta-feira. "Esse novo plano deixou de lado a aventura dos vôos regulares", afirma Thomas Felsberg, advogado que trabalha para a BRA. A companhia, fundada em 1999, passou a fazer vôos regulares em 2005 mas não se adaptou ao segmento e paralisou totalmente as operações em novembro de 2007.

Os credores aceitaram um desconto sobre o valor da dívida da companhia que pode variar de 50% a 70%. Para fazer os pagamentos, a BRA emitirá debêntures que poderão ser convertidas em ações da empresa. Segundo Felsberg, a situação da BRA não permitiria pagamentos maiores.

Há pouco mais de um mês, a aérea cogitava pedir falência porque não havia conseguido aprovar planos anteriores, que previam a retomada dos vôos regulares. Para um advogado que representa um banco credor da BRA, a falência teria sido pior pois reduziria a quase zero as chances de a maioria dos credores recuperar seus créditos.

A dívida total da BRA é de R$ 220 milhões, sendo a maior parte com instituições financeiras. No início da recuperação, explica o advogado, os credores esperavam que os sócios da BRA se dispusessem a discutir e quitar as dívidas. Mas tanto os irmãos Folegatti quanto a BAP, segundo ele, nunca se dispuseram a negociar com os credores.

 

 

O Globo
01/09/2008

 

 

O Estado de São Paulo
31/08/2008

Monomotor bate em prédio do Campo de Marte
Alline Dauroiz e Edison Veiga

Foi só um susto. No início da tarde de ontem um monomotor Embraer 710 C Carioca chocou-se com um portão do prédio administrativo da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), no Campo de Marte, zona norte de São Paulo. Uma das asas do avião foi arrancada. O piloto, identificado apenas como Hamilton, de 63 anos, e o passageiro - seu genro, de 39 - passaram pelo Hospital São Luiz com ferimentos leves.

O acidente ocorreu em terra firme. O piloto conduzia a aeronave de um hangar de manutenção até o aeroclube. “Não percorreu nem 30 metros”, conta o diretor do hangar, Valter de Paula. “Foi imperícia do piloto. Tinha acabado de tirar brevê.”

As operações no aeroporto não foram afetadas. O caso será apurado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Quando não há danos a patrimônio ou terceiros, é comum o piloto ficar sem punição.

TRÂNSITO

No centro de Guarulhos, uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas num acidente às 6h30 de ontem na Avenida Salgado Filho. O motorista bateu num poste após perder o controle, quando voltavam de um show. Em Santo Amaro, zona sul, quatro pessoas foram atropeladas por um veículo desgovernado anteontem, em frente ao terminal de ônibus.

 

 

Folha de São Paulo
30/08/2008

Com dívida de US$ 1,7 bi, Alitalia pede concordata
Após mudança na lei pelo governo Berlusconi, parte lucrativa deve ficar com italianos
Companhia aérea estatal deverá ser dividida em duas; as divisões não-lucrativas serão vendidas ou liquidadas

DA REDAÇÃO

A Alitalia declarou estar insolvente e pediu concordata, dando o sinal de largada para o plano patrocinado pelo governo italiano de vender a empresa aérea estatal. Depois de dois anos procurando um comprador, a empresa deverá ser dividida em duas, com a parte lucrativa ficando com um grupo de investidores italianos.

Segundo o plano, as divisões não-lucrativas da Alitalia serão vendidas ou liquidadas e a divisão de viação aérea será fundida com a Air One, sua principal concorrente nacional, criando uma empresa aérea isenta de dívidas com domínio de 65% do mercado italiano. Um grupo de investidores, encabeçados por Roberto Colaninno, presidente do conselho administrativo da Piaggio, vai gastar cerca de 1 bilhão (US$ 1,46 bilhão) na compra e no custeio da nova companhia aérea.

A companhia aérea, que não registra lucro desde 1999, vem perdendo cerca de US$ 3 milhões por dia -prejudicada pela competição com empresas de aviação de baixo custo, pelos altos preços do combustível e por greves dos trabalhadores.

Segundo nota divulgada ontem, a dívida da empresa era de US$ 1,73 bilhão no final do mês passado, mas o montante não inclui o empréstimo de quase US$ 450 milhões dado pelo governo em abril para garantir que ela continuasse operando.

A separação da empresa em duas é mais uma tentativa do governo italiano de vender a Alitalia, em que é dono de 49,9% das ações. Anteontem, o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi modificou a principal lei de falência do país, que foi ajustada para o pedido de concordata da companhia de aviação.

A ajuda para a Alitalia se tornou uma das prioridades de Berlusconi desde que ele retornou ao poder, após a vitória nas eleições em abril. Desde então, o premiê disse várias vezes que pretendia que a empresa continuasse em mãos italianas -o que impediu o prosseguimento das negociações com a Air France-KLM.

Colaninno, que deve se tornar o presidente do conselho da Alitalia, afirmou que é "indispensável" um parceiro estrangeiro para a companhia italiana e disse que está negociando com a Air France-KLM e a Lufthansa. O consórcio franco-holandês disse que pretende "continuar sendo um parceiro estratégico" da companhia italiana. A Lufthansa não se manifestou.

 

 

Folha de São Paulo
30/08/2008

NÚMERO DE ASSENTOS VAI CAIR 7% NO 4º TRI, AFIRMA EMPRESA

A crise no setor de aviação vai provocar uma queda de 7% no número de assentos disponíveis no quarto trimestre em vôos em todo o mundo, segundo a empresa especializada na área Official Airline Guide. De acordo com a consultoria, serão 59,7 milhões menos assentos que no mesmo período de 2007. As empresas aéreas em todo o mundo vêm enfrentando problemas devido à alta dos combustíveis.

 

 

Coluna Claúdio Humberto
30/08/2008 - 15:12h

O 'crime de lesa-pátria' na Varig

A recuperação judicial da empresa aérea mais admirada do Brasil "foi uma fraude, uma crime de lesa-pátria", escreve aqui o vice-presidente da Associação de Pilotos da Varig Marcelo Duarte, para quem houve "sucessivos atos inconstitucionais por parte dos diversos agentes envolvidos. Do outro lado estão centenas de trabalhadores demitidos sem indenização, dispensados do mercado de trabalho e aposentados condenados à miséria".

Começo de história

Está em Porto Alegre o primeiro avião da Azul. Fabricado pela Embraer, o 190 foi arrendado nos EUA, saiu de Orlando e fez escala em Boa Vista (RR). Será usado para certificar a Azul como companhia aérea brasileira.

 

 

O Estado de São Paulo
30/08/2008

Embraer mantém previsões de entrega

Um dia depois de divulgar seus resultados financeiros, a Embraer reiterou ontem que manterá as projeções de entrega de aviões para 2008 e 2009, apesar das dificuldades financeiras em que se encontram muitas companhias aéreas, afetadas pela alta do preço do petróleo. A companhia prevê entregar entre 195 e 200 jatos em 2008. A programação inclui ainda a entrega de 10 a 15 jatos executivos modelo Phenom 100 neste ano. Para 2009, a previsão é igual, além de 120 a 150 modelos da família Phenom.

 

 

Jornal do Comércio Online
29.08.2008, às 21h13

Com aviões mais vazios, Gol mima agentes de viagens

Com a taxa de ocupação de seus aviões em queda, o grupo Gol/Varig anunciou na quinta-feira (28) um "mimo" para os agentes de viagem. A empresa, que até então pagava 7% de comissão, ante 10% da rival TAM, começou a pagar 12%, promoção que se estenderá até o final de setembro. A partir de 1º de outubro, a empresa passará a aplicar os mesmos valores da TAM. Para o diretor da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav), Leonel Rossi, a comissão de 12% é sinal de "baixa temporada". "É temporada de liquidação", disse.

O aumento nas comissões representa uma grande mudança no relacionamento da Gol com os agentes de viagem. Em janeiro do ano passado, a Gol chegou a sofrer boicote de mais de 6 mil agentes de todo o País ao anunciar uma redução de 10% para 7% na comissão para vôos domésticos.

Em seu modelo de negócios original, a Gol apostava todas as suas fichas na venda direta pela internet, e inovou ao introduzir o bilhete eletrônico. "Mas logo perceberam que, sem os agentes, não existe estrutura para vender", afirma o diretor da Abav.

Os agentes de viagem são responsáveis por 85% das vendas da TAM e por 70% das vendas da Gol/Varig. Na época do boicote à Gol, há um ano e meio, 80% das vendas da TAM eram feitas por intermédio de agentes de viagem, ante 73% da Gol. Já a venda pela internet representa 12% para a TAM e 18% para a Gol/Varig.

"O incentivo deve levar a um aumento da venda de passagens da Gol e da Varig pelos agentes de viagem", avalia Rossi. "Há espaço para tudo, venda direta e via agentes. A única coisa que o agente não quer é vender sem ser comissionado."

A Gol confirma o aumento na comissão, mas nenhum executivo estava disponível para dar entrevistas. O aumento na comissão tem por objetivo reverter uma tendência de queda na taxa de ocupação das aeronaves e perda de participação de mercado. De junho para julho deste ano, a taxa de ocupação nos vôos da Gol caiu de 68% para 63%, enquanto na Varig caiu de 62% para 58%. Em contrapartida, a TAM viu a ocupação de seus aviões subir de 67% para 70% no período.

Para o presidente do Instituto de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo, Respício do Espírito Santo Junior, a queda na ocupação dos vôos da Gol e da Varig está relacionada com o fim dos vôos internacionais de longo curso da Varig. "A Varig tinha um tráfego de alimentação para os vôos internacionais que ela perdeu."

Além do fim dos vôos de longo curso, Respício acredita que o grupo Gol/Varig esteja sofrendo com o avanço de empresas menores, como a Webjet. "A CVC (dona da Webjet) está investindo pesado e a Webjet começa a comer pelas bordas", afirma. "Dois anos atrás, a Webjet não conseguia crescer por falta de aviões. Agora, está sobrando 737-300 barato no mercado e a empresa já fala em uma frota de 10 aviões até o final do ano."

Quando comprou a Varig, em março de 2007, a Gol estava em franco crescimento e a diferença de participação das duas em relação à TAM era inferior a três pontos porcentuais. Em julho deste ano, porém, a diferença chegou a quase 10%. A TAM tinha 51,09%, ante 41,77% da Gol/Varig. Dados extra-oficiais colhidos até o dia 28 de agosto mostram que essa diferença pode passar de 13 pontos este mês.

 

 

O Dia
29/08/2008 - 17:15h

Vôos entre Brasil e América do Sul terão liberdade tarifária a partir de segunda-feira

Brasília – A partir de segunda-feira, as empresas aéreas terão total liberdade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para conceder descontos nas tarifas aéreas para vôos entre Brasil e outros países da América do Sul. Entra em vigor a liberdade tarifária, que derruba totalmente o limite de 30% de descontos que era utilizado no Brasil até fevereiro de 2008.

Os demais países do continente já praticam a liberdade tarifária nos vôos internacionais. Para vôos domésticos, as tarifas no país são liberadas desde 2005, por meio da Lei de criação da ANAC, de nº 11.182.

Em 2007, após sete anos, a América do Sul voltou a ser o continente que mais recebe passageiros vindos de vôos com origem no Brasil, superando a Europa. No ano passado, mais de 2 milhões de pessoas viajaram do Brasil para os países da América do Sul, um crescimento de 20,5% em relação a 2006.

Na última década, este crescimento foi de 52,7%. Para a Europa, saíram do Brasil em 2007 mais de 1,96 milhões de passageiros, apenas 3,5% a mais do que em 2006, mas 74% de aumento em relação ao movimento de dez anos atrás.

Os descontos não são obrigatórios e caberá a cada companhia aplicar as tarifas que achar conveniente, de acordo com suas políticas de vendas e promoções. A expectativa da ANAC é que o aumento da concorrência estimule a queda nos preços finais ao consumidor, principalmente durante a baixa temporada.

Para que as companhias aéreas pudessem se preparar, a medida da Anac foi gradual: em 1º de março foi autorizado desconto de até 50% - aplicado sobre o valor de referência da Associação Internacional de Transporte Aéreo, a Iata (International Air Transport Association). Em 1º de junho passou a vigorar o limite de 80% de desconto e, em 1º de setembro, não há mais limite para descontos.

A nova regra é válida para companhias nacionais e estrangeiras, em vôos que saem do Brasil com destino aos 12 países da América do Sul: Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

Essa liberação tarifária atende à Resolução nº 07 de 2007 do Conselho Nacional de Aviação – Conac, que recomendou ao órgão regulador que buscasse maior integração com a América do Sul, e é aplicada em um momento em que o Brasil também amplia a possibilidade de vôos para o continente.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br