RIO DE JANEIRO - 02 DE JULHO DE 2008

Jornal do Brasil
02/07/2008

Ativos da VarigLog são transferidos para exterior
Encomendas de novos equipamentos deixam patrimônio
Claudio Magnavita
Especial para o JB

O fundo norte-americano Matlin Patterson anunciou, ontem, a conclusão da aquisição de uma nova empresa de carga aérea nos Estados Unidos, a Arrow Cargo, que terá reflexo direto nos destinos da VarigLog. O mais grave é que o comunicado sinaliza a transferência de ativos da empresa brasileira, estimados hoje em US$ 90 milhões para a companhia americana.

O anúncio foi realizado pelo próprio empresário Lap Wai Chan, que aparece na nota oficial como managing partner do Matlin Patterson. Nela, Chan informa que a aquisição completa da Arrow Cargo e que no processo de renovação das aeronaves serão introduzidos Boeing 757 e, para 2010, os Airbus A330F. Para o leigo é uma informação trivial. Porém, quando o olho de especialista é colocado sobre o anúncio, descobre-se que serão os seis Airbus A330-F adquiridos pela VarigLog em 5 de abril de 2007, que vão seguir para a frota da concorrente.

O contrato entre a Airbus e a VarigLog foi celebrado no ano passado e foi assinado pelo então presidente da empresa João Luís Bernes de Sousa e rubricado pelos sócios brasileiros, além do próprio Lap Wai Chan. Não se trata de uma compra da Matlin Patterson ou de uma de suas empresas de leasing, mas a aquisição realizada pela própria VarigLog, que é dona das opções de compra e das posições do fabricante.

Ativo maior

Como se tratam de aviões novos, só o fato de possuir estas posições representa um ativo patrimonial por aeronave da ordem de US$ 15 milhões por aeronave, segundo especialistas do setor. Como a compra foi de seis, o valor total de receita que a VarigLog teria somaria US$ 90 milhões.

Os Boeing 757 que estão sendo anunciados para a frota da Arrow são os mesmos que estão voando com as cores da VarigLog e que serão transferidos para a empresa norte-americana, que opera vôos regulares de carga entre Miami e o Brasil, entre suas rotas.

Conforme o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil revelaram dia 18 de abril, o fundo Matlin Patterson já estava transferindo as operações internacionais que pertenciam a VarigLog para a sua nova empresa, inclusive colocando na gestão da brasileira executivos oriundos da nova companhia de carga.

A oficialização do negócio, realizada apenas nos Estados Unidos, e a sinalização da transferência das opções de compra dos Airbus A330-F para a Arrow, levou o acionista minoritário da VarigLog, a FRBPar Participações, a preparar ontem medidas jurídicas cabíveis contra a dilapidação de um dos maiores ativos da empresa. Para César Curi, presidente da Fundação Ruben Berta "não se poderá permitir que ativos da VarigLog continuem sendo transferidos para outras empresas da Matlin Patterson, sem que a empresa brasileira seja remunerada. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis".

Sobre a acusação de fraude da ata da eleição da nova diretoria da VarigLog, que levou a FRBPar Participações a entrar como parte do processo da 17ª Vara Cível em São Paulo, César Curi revela não entender a morosidade da justiça paulista.

– Parece que o assunto foi colocado de lado pela Justiça, que não deu a atenção devida que esta apuração merece – disse.

Na nota oficial distribuída nos Estados Unidos, a Arrow Cargo é apresentada como um empresa de nove aeronaves, com vôos para o Caribe, América Central e América do Sul e que passou 85% do seu controle para o terceiro fundo da Matlin Patterson. O valor final da transação não foi informado.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2008

Audi depõe amanhã com mais ataques a Teixeira
Empresário pediu uma hora e meia para falar sobre a compra da VarigLog e da Varig, antes de responder às perguntas dos senadores
Ricardo Grinbaum

O empresário Marco Antonio Audi, um dos três sócios brasileiros da VarigLog, vai depor amanhã na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. A confirmação foi feita pelo advogado de Audi, Marcello Panella, em carta enviada ontem à tarde ao presidente da comissão, Marconi Perillo (PSDB-GO).

Audi pediu ao presidente da comissão uma hora e meia para falar sobre a compra da VarigLog e da Varig, antes de responder às perguntas dos senadores. Segundo pessoas ligadas ao empresário, Audi deve não só repetir as denúncias contra o advogado Roberto Teixeira, como levantar novas questões sobre o caso Varig.

Teixeira, por sua vez, ainda não confirmou se vai atender o convite para prestar depoimento. Ele também foi convidado para a sessão de amanhã da Comissão de Infra-Estrutura, mas segundo sua assessoria de imprensa ainda não decidiu se vai falar. Há duas semanas, o advogado se apresentou ao Congresso, mas seu depoimento foi cancelado a pedido dos senadores.

Em seu depoimento de amanhã, Audi deve apresentar novas questões sobre o interesse de Teixeira na VarigLog. Nas últimas semanas, Audi fez uma série de denúncias sobre a atuação do advogado. Disse que sua influência no governo foi decisiva para aprovar a venda da VarigLog na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Audi também contou que Teixeira recebeu US$ 5 milhões para cuidar do caso, um valor bem mais alto do que o cobrado por bancas tradicionais de advocacia.

Em seu depoimento, Audi deve apresentar os documentos que comprovam os pagamentos de US$ 5 milhões e contar como os interesses de Teixeira estão entrelaçados com os de Lap Chan, sócio do fundo de investimentos americano Matlin Patterson, dono da maior parte do capital da VarigLog.

Audi lembrará que a filha de Roberto Teixeira, Larissa Teixeira, é diretora, junto com Lap Chan, de duas empresas de São Paulo cuja atividade principal é a administração de imóveis. Larissa divide com Lap Chan a administração das empresas Aliança Participações S.A. e Belenos Participações Empreendimentos S.A., como informou o Estado em reportagem no dia 14 de junho. Larissa trabalha e é sócia do pai no escritório Teixeira, Martins & Advogados.

Outra ligação que será lembrada por Audi é a nomeação de dois conselheiros da VarigLog por Roberto Teixeira. Segundo reportagem do jornal Gazeta Mercantil, os empresários Paulo de Tarso Vianna Silveira e Ricardo Vastella Junior são ligados a Teixeira e aparecem em processos relacionados à própria VarigLog e à Transbrasil - Teixeira também foi advogado da Transbrasil.

Segundo pessoas ligadas a Audi, ele vai falar ainda sobre a atuação de Teixeira na tentativa de transferir os recursos da VarigLog para o fundo Matlin Patterson. Logo depois de assumir, por ordem judicial, o controle da VarigLog, o fundo tentou transferir cerca de US$ 90 milhões que estavam num banco na Suíça para sua conta nos EUA. O fax enviado ao banco na Suíça partiu do escritório de Teixeira.

Como a tentativa de transferência contrariava uma ordem da Justiça paulista que proibia a operação, o juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, pediu à Polícia Federal que investigasse os sócios da VarigLog - e o escritório de Roberto Teixeira - por formação de quadrilha.

As críticas de Audi deverão se concentrar em Teixeira. Audi tem evitado falar sobre o governo federal, a ministra Dilma Rousseff ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2008

VarigLog e mais 9 aéreas podem ter combinado preços
SDE está investigando a formação de cartel no transporte de cargas
Isabel Sobral, BRASÍLIA

A Varig Logística (VarigLog), empresa de transporte de cargas e ex-proprietária da Varig, está no centro de uma investigação da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça por participação em um suposto cartel formado ainda por outras nove companhias aéreas de cargas. A acusação é que as dez empresas teriam acertado, entre 2003 e 2005, o repasse para os preços dos fretes na mesma data e no mesmo porcentual de um adicional de combustível, uma espécie de taxa de serviço existente no transporte de cargas. Essa taxa tinha um teto definido pelo antigo Departamento de Aviação Civil (DAC).

A SDE informou ontem que o caso está “em análise” e a abertura da investigação ocorreu em 24 de abril de 2008, pois, até então, o suposto cartel era objeto de averiguação preliminar. Estão sendo investigadas também a Deutsche Lufthansa, Lufthansa Cargo, Swiss International Airlines, American Airlines, KLM, Air France, ABSA Aerolíneas Brasileiras, Alitalia e United Airlines e 15 dirigentes dessas empresas. A SDE abriu prazo de 30 dias para defesa prévia das empresas. A VarigLog, nesse período, detinha 25% do mercado de transporte de cargas no País.

A investigação começou no final de 2006, após condenações em outros países, como Estados Unidos, das multinacionais do setor por acerto de preços. A SDE suspeitou que o cartel poderia ser internacional. Uma das investigadas, cujo nome é mantido em sigilo, assinou acordo com o governo e os Ministérios Públicos Federal e de São Paulo se comprometendo a ajudar nas investigações em troca de punição mais leve.

Entre os documentos entregues por essa companhia estão trechos de mensagens eletrônicas entre funcionários das empresas em que são acertados os preços. Embora a taxa adicional tivesse um teto fixado pelo DAC, o temor das companhias era que, se não houvesse acordo prévio, poderia haver empresas cobrando menos ou repassando o custo em momentos diferentes. Segundo os relatos, houve várias reuniões antes e depois de a taxa adicional ter sido autorizada pelo DAC para que fossem acertadas as condições de implementação do valor pelas empresas aos clientes transportadores de cargas. A investigação da SDE não tem prazo para ser concluída.

 

 

O Estado de São Paulo
02/07/2008

Preço do petróleo em alta desvaloriza a Gol
AÇÃO DO DIA

Gol PN teve forte queda de 7,31% ontem. As ações da companhia reagiram à alta do petróleo, importante item do seu custo. Ontem passou a vigorar o reajuste de 3,6% nos preços do querosene de aviação.

 

 

Folha de São Paulo
02/07/2008

Governo apura cartel no transporte aéreo de carga
Ministério investiga atuação de dez empresas
ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Dez companhias aéreas nacionais e internacionais e 15 funcionários delas são investigados pela SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça por suspeita de formação de cartel para estipular as tarifas de transporte de carga entre 2003 e 2005.

As investigações começaram em 2006, mas só em abril deste ano a SDE abriu processo. As principais provas contra as empresas são e-mails em que representantes supostamente combinam percentuais e datas de aplicação de reajustes das tarifas, como mostrou ontem o jornal "Valor Econômico".

EUA, Canadá, África do Sul, Austrália, Coréia do Sul, Nova Zelândia e Suíça, além da Comissão Européia, apuram denúncias semelhantes.

No Brasil, a investigação ganhou fôlego depois que uma das empresas confessou ter atuado em conluio com concorrentes. A companhia, sob sigilo, assinou uma espécie de delação premiada oferecida em troca de redução de pena.

São citadas as brasileiras VarigLog -que à época tinha 25% do mercado nacional- e Absa Cargo e oito multinacionais: American Airlines, Air France, Swiss, KLM, Lufthansa Cargo, Deutsche Lufthansa, Alitalia e United Airlines. As dez empresas detinham 78% do mercado no período, segundo a SDE.

A prática de cartel teria acontecido na cobrança do chamado adicional de combustível. Trata-se de um repasse à tarifa final dos custos com os aumentos nos preços internacionais.

O adicional foi instituído pelo antigo Departamento de Aviação Civil em 2003, com acréscimo máximo de US$ 0,10 por quilo do produto transportado. Após pressões, esse limite foi a US$ 0,60 em 2005 -o que chegou a representar mais de 50% do valor médio das tarifas.

À medida que o DAC aumentava o limite, as companhias combinavam os reajustes, indicam os e-mails. "A AF (Air France) Cargo e a KLM Cargo vão aderir a (sic) cobrança de USD 0,45 p/Kg como autorizado pelo DAC. Temos como data de implementação deste ajuste o dia 1º de setembro (de 2005)", informa uma gerente a cinco companhias.

Numa correspondência, um executivo divide tarefas: "Eu fasso (sic) pressão nas (empresas) européias e vc (você) nas americanas!!!". Outra revela a busca de adesões: "Seria importante envolver também CO (Continental Airlines Cargo), UA (United Airlines Cargo), JJ (TAM) e DL (Delta Airlines Cargo), que para nós representam concorrência direta".

A SDE deu 30 dias para que cada empresa apresente defesa por escrito. Ao fim da investigação, fará um parecer e o caso será julgado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Os processos podem resultar em multas. Nos EUA, foram fechados acordos para o pagamento de US$ 1,2 bilhão.

A Agência Nacional de Aviação Civil, que substituiu o DAC em 2006, anunciou ontem que acabará com o adicional de combustível em dois meses.

 

 

Folha de São Paulo
02/07/2008

Empresas preferem não se pronunciar
DA REPORTAGEM LOCAL

A maioria das companhias aéreas contra as quais a Secretaria de Direito Econômico abriu processo por suposta formação de cartel para fixar preços no transporte de cargas não se pronunciou. A reportagem tentou falar com a assessoria de imprensa da Absa, mas não conseguiu contato. A United Airlines afirmou, por meio de nota divulgada por sua assessoria de imprensa, que vai cooperar com as investigações. "A United Airlines cooperará e assume seu compromisso de cumprir inteiramente com todas as leis internacionais e domésticas."

 

 

Valor Econômico
02/07/2008

Gol reduz velocidade de vôo e compra combustível em Minas Gerais e Rio
Roberta Campassi

Quando o barril de petróleo custava US$ 73, um ano atrás, medidas secundárias de redução do uso de combustível nas companhias aéreas não faziam sentido. O custo de colocá-las em prática superava as economias obtidas. Agora, no entanto, com o petróleo custando o dobro e sem perspectivas de queda, pequenas ações ganharam importância. Entre reduzir a velocidade de vôo e abastecer os aviões onde o combustível é mais barato, vale tudo para não perder dinheiro à toa.

No caso da Gol Linhas Aéreas, que reúne a Gol e a Varig, a medida de maior impacto na economia de combustível foi tomada, embora não esteja completa: ter uma frota jovem e econômica. Até o fim deste ano, a companhia vai substituir todos os seus Boeings 737-300 e 767-300, que compõem um terço da frota, por aviões de "nova geração", mais eficientes. Outras ações essenciais, tomadas por várias empresas no mundo, incluem corte de vôos deficitários - a Varig eliminou rotas internacionais de longa distância e a Gol reduziu operações no interior de São Paulo - e a elevação de tarifas (ver abaixo).

A Gol, entretanto, reconhecida por uma política rígida de baixos custos, também refinou uma série de detalhes em suas operações desde que a escalada do petróleo teve início, há cerca de nove meses. "São as migalhas que vão ficando pelo chão e que hoje vamos recolhendo e juntando para fazer um pãozinho", define o comandante Fernando Rockert de Magalhães, vice-presidente técnico da companhia. No mundo, o querosene de aviação (QAV), combustível do setor, subiu nos mesmos níveis do petróleo. No Brasil, ele subiu menos porque o real se valorizou frente ao dólar, mas mesmo assim acumula alta de 35,3% entre janeiro e julho deste ano.

Entre as medidas secundárias adotadas pela Gol, uma das mais importantes é a redução da velocidade dos vôos, cerca de cinco ou seis quilômetros por hora a menos na velocidade de cruzeiro - parâmetro de quando o motor tem o melhor desempenho. A diminuição faz com que, num vôo entre Rio e São Paulo, que em geral dura 40 minutos, a viagem aumente dois minutos e o consumo de combustível caia cerca de 0,5%. A desaceleração, segundo Rockert, também reduz a temperatura dos motores, o que traz uma pequena vantagem em custo de manutenção.

Outras duas medidas de economia se concentram nas asas das aeronaves. Em primeiro lugar, a Gol acelerou a instalação dos chamados "winglets" na sua frota - as peças colocadas nas pontas das asas que dão a impressão de que foram entortadas para cima e que servem para reduzir o atrito do avião com o ar. As peças reduzem o consumo de combustível em até 3%. Todas as aeronaves novas da empresa já vêm com "winglets" e, nas mais antigas, eles estão sendo aplicados. "Estamos implantando mesmo nos aviões cujo contrato de leasing (aluguel) termina em até dois anos", diz Rockert. Ele conta que a Gol fez um acordo com as empresas de leasing em que o custo dos "winglets" é divido e cada parte paga metade. O investimento nas asas demora perto de 20 meses para retornar à companhia, mas, à medida que o preço do combustível sobe, o tempo do retorno diminui, observa Rockert.

A segunda ação focada nas asas é a regulagem mais freqüente de todas as peças que a compõem para que o atrito com o ar, mais uma vez, seja reduzido. O processo é chamado de rigagem. "Os componentes da asa são como as portas de um armário que, com o tempo, já não fecham direito e interferem na aerodinâmica", compara Rockert. "Antes, ninguém pensava em fazer rigagem mais vezes porque o custo disso não compensava."

Limpar a fuselagem das aeronaves mais vezes, num processo de lavagem a seco, também ajuda a reduzir o atrito, embora a redução do uso de combustível resultante disso seja mínima. "Mas, quando você faz isso em 110 aviões que voam 350 mil horas por ano, obtém alguma economia".

Por fim, a Gol reviu nos últimos meses a sua estratégia de abastecimento para aproveitar melhor a diferença do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) cobrado sobre o QAV em diferentes estados. Minas Gerais e Rio de Janeiro são os Estados mais econômicos e onde a empresa busca abastecer mais vezes - nessas praças, o combustível fica 23% e 26% mais barato em relação a São Paulo.

A decisão sobre o abastecimento, porém, está atrelados a questões de segurança. A extensão da pista em que o avião vai pousar determina o peso que ele poderá ter e, por conseqüência, a quantidade de combustível que carrega. Rockert explica que, num vôo entre Belo Horizonte e Congonhas, em São Paulo, a companhia não pode colocar mais do que uma determinada quantidade de combustível porque a pista do aeroporto paulistano é mais curta.

No fim das contas, quanto todas essas pequenas ações representam de economia? "Com todas elas, reduzimos em 0,4% os custos do combustível", diz Rockert. Segundo o executivo, a proporção é pequena, mas o volume de dinheiro é relevante. Com base nos números do primeiro trimestre deste ano, a economia seria de R$ 2,65 milhões, sobre gastos de combustível de R$ 664,1 milhões. Os dois valores são 84% maiores do que os registrados no mesmo período de 2007. No ano passado todo, a Gol teria economizado perto de R$ 8 milhões.

 

 

Valor Econômico
02/07/2008

Preço da passagem deve subir mais ainda neste ano
De São Paulo

Entre companhias brasileiras e sul-americanas, a principal medida para compensar a alta do combustível deve ser a elevação de tarifas. Boa parte das grandes empresas já tem uma frota moderna e um controle de custos eficiente. Ao mesmo tempo, o ambiente competitivo não inviabiliza os reajustes. Por enquanto, contudo, não há sinais claros de que as passagens aumentaram.

No caso brasileiro, a TAM já anunciou que haverá um reajuste de cerca de 7% no preço que cada cliente paga por quilômetro ("yield", no jargão) e 5% nas tarifas internacionais até o fim do ano. A Gol ainda não fez uma projeção. "Tudo vai depender de como a demanda vai reagir frente a aumentos, mas até agora ela teve um crescimento forte que permite reajustes", afirma Paulo Bittencourt Sampaio, consultor de aviação. Ele ressalta que a situação no Brasil é diferente do que nos Estados Unidos, por exemplo, porque, além da demanda crescente por aqui, há menos competição já que TAM e Gol têm 96% do mercado.

Segundo Renato Pascowitch, diretor comercial da OceanAir, as empresas do setor repassaram aumento de 18% a 20% no valor da "tarifa cheia", a mais cara existente, mas pouco aplicada. "Nas outras classes de tarifa, o reajuste é menor do que isso, em torno de 5%, 6%", diz. A OceanAir tem perto de 3,5% do mercado doméstico. Segundo o IBGE, as passagens subiram, 3,4% entre janeiro e maio deste ano.

Na América do Sul, algumas empresas já reajustaram as passagens, como é o caso da Aeroméxico. Segundo Lucio Yamashitafuji, administrador da empresa no Brasil, a média de aumento foi de 5% em maio. Além disso, a empresa está cobrando US$ 56 como sobretaxa de combustível nos vôos ida e volta entre Brasil e México. A peruana Taca, por sua vez, afirma que ainda não elevou seus preços, apesar de ter ocupação alta, de 80%, nos seus vôos para o Brasil. A empresa tem duas operações diárias entre São Paulo e Lima e vai inaugurar quatro vôos semanais entre a capital do Peru e o Rio. A expansão no país é um movimento oposto ao que a companhia fez em outras regiões. Na América do Norte, ela cancelou vôos extras para a alta temporada devido à redução da demanda. Na América Central, juntou diferentes vôos num só para economizar em combustível, conta Ian Gillespie, diretor da empresa no Brasil. (RC)

 

 

O Globo
02/07/2008

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