RIO DE JANEIRO - 03 DE JULHO DE 2008

Folha de São Paulo
03/07/2008

Dilma pressionou estatais, afirma Abreu
Ex-diretora da Anac acusa ministra de interferir na BR Distribuidora para que empresa não cobrasse combustível à vista da Varig
Segundo Abreu, pressão levou à saída de Rodolfo Landim do comando da estatal; executivo e Casa Civil não se manifestaram

Lula Marques - 11.jun.08/Folha Imagem

A ex-diretora da Anac Denise Abreu, que relata pressões de Dilma
JANAINA LAGE EM SÃO PAULO

A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu afirmou à Folha que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pressionou estatais como a BR Distribuidora e a Infraero para que agissem de forma a preservar a Varig.

Antes mesmo de a Varig entrar em recuperação judicial, durante o ano de 2004, os principais credores (Infraero, BR Distribuidora e Banco do Brasil) chegaram a discutir com o governo alternativas para o pagamento das dívidas da Varig. "O que se observava era um absoluto desconforto por parte dos três órgãos em aceitar qualquer postergação no pagamento de dívidas. Os administradores temiam, inclusive, a interposição de medidas judiciais de responsabilidade e improbidade contra eles, uma vez que esses órgãos não podiam abrir mão de dívidas", afirma a ex-diretora.

Abreu relaciona a saída do ex-presidente da BR Distribuidora Rodolfo Landim do cargo às pressões sofridas. Atualmente ele é diretor-presidente da OGX, uma das empresas de Eike Batista. "Ele havia sido indicado pela própria ministra Dilma Rousseff para o cargo quando ela ocupava a pasta de Minas e Energia. Exatamente no mesmo período ao qual me refiro sobre pressões da Casa Civil, ele pediu demissão num final de semana. Havia rumores de desgaste de sua atuação junto à ministra por ter negado à Varig um pedido de crédito de R$ 240 milhões", disse.

Landim sustentava a posição de que a BR não deveria dar um prazo de carência para a Varig porque ela não tinha garantias a oferecer. Antes disso, a empresa oferecia recebíveis de compras de passagens com cartão de crédito como lastro para a compra de combustível. Na época, a BR exigia pagamento à vista da Varig. As dívidas da companhia aérea com a distribuidora antes da entrada em recuperação judicial eram estimadas em cerca de R$ 57 milhões em 2006.

A Varig era citada como a única empresa entre os clientes da BR que tinha sua situação avaliada diretamente pelo Conselho de Administração da distribuidora, presidido pela ministra Dilma.

Na época, os credores haviam aprovado um plano de recuperação judicial que previa um período de 45 dias de caixa negativo, e a companhia aérea afirmava precisar de um prazo de carência da BR Distribuidora, da Infraero e das empresas de leasing, entre outros.

A Folha tentou entrar em contato com Landim por meio da assessoria de imprensa da OGX ao longo de dois dias, mas ele não estava disponível para comentar as declarações da ex-diretora da Anac. Procurada pela reportagem, a Casa Civil não respondeu até o fechamento desta edição.

A pressão sobre a BR Distribuidora não parou com a saída de Landim, segundo o relato da ex-diretora. Abreu afirma ter presenciado um telefonema da ministra Dilma para a sucessora de Landim na presidência da BR, Maria das Graças Foster, atualmente diretora da área de Gás da Petrobras.

"Estávamos em reunião na Casa Civil e houve um telefonema para Maria das Graças. Essa reunião ocorreu em maio de 2006. A ministra disse que, se ela não fizesse a liberação de crédito, a empresa ia parar e não ia chegar até o leilão. Disse que teria de ser decretada a falência e que, portanto, Maria das Graças teria de encontrar uma alternativa. O tom era imperativo, de cobrança", disse.

Em nota, a ex-presidente da BR afirmou que a ministra Dilma não ligou para tratar desse assunto. Afirmou ainda que durante sua gestão a BR cobrou à vista pelo combustível. Em 11 de maio de 2006, uma liminar judicial impediu a BR de manter a cobrança, que voltou a ser realizada em 22 de maio de 2006 após uma negociação comercial entre a Varig e a BR, intermediada pelo Judiciário.

Naquele mesmo mês, Foster afirmou que a BR não reajustava o combustível fornecido à Varig desde janeiro. Nos cálculos feitos pelo Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias), o querosene de aviação havia subido 15,4% em cinco meses. A decisão da Justiça que impediu a cobrança antecipada resultou em perdas da ordem de R$ 13 milhões, segundo declarações de Foster à época.

 

 

Folha de São Paulo
03/07/2008

Casa Civil é acusada de "barrar" AGU
EM SÃO PAULO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A ex-diretora da Anac Denise Abreu também afirmou que a agência buscou aconselhamento jurídico para o caso Varig com a AGU (Advocacia Geral da União).

Segundo Abreu, representantes da AGU discutiram o caso e afirmaram que era necessária a apresentação de mais documentos por parte dos sócios brasileiros da VarigLog, a mesma posição defendida por ela. De acordo com a ex-diretora, a avaliação não se transformou em um parecer por orientação da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.

"Houve uma reunião na sala da doutora Erenice Guerra com a participação de dois representantes da AGU em que foram debatidos tanto os requisitos e exigências contidas no ofício 058 da Anac com relação a capital estrangeiro, origem do capital, apresentação de Imposto de Renda e contrato de mútuo quanto à transformação de um bem público em ativos de uma empresa", disse, em referência à inclusão de autorizações de pouso e decolagem como ativos no leilão da Varig.

Segundo Abreu, a reunião ocorreu antes do leilão da Varig, entre os meses de abril e maio de 2006. Ao término do encontro, Guerra teria afirmado que a AGU não poderia transformar a avaliação em um parecer porque se trata de órgão de assessoramento do presidente. "Eles acompanharam o nosso entendimento, mas ela disse que aquilo não poderia ser transformado em um parecer porque a AGU é um órgão de assessoramento direto do presidente da República e só ele poderia pedir um parecer sobre a matéria. A AGU não poderia se manifestar espontaneamente porque temos uma procuradoria própria."

Por meio de sua assessoria de imprensa, a AGU informou que "não há registro oficial quanto à participação de integrantes da instituição na referida reunião nem de eventual manifestação formal a cerca do tema [capital estrangeiro]".

Procurada, a Casa Civil não respondeu até o fechamento desta edição.

 

 

Folha de São Paulo
03/07/2008

Liminar impede Anac de cassar concessão da VarigLog
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Liminar concedida ontem pela Justiça Federal impede a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de cassar a concessão da VarigLog, sob suspeita de ter sido aprovada pela agência reguladora, em 2006, mediante pressão do governo.

O juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da 14ª Vara Federal do Distrito Federal, considerou que a agência reguladora não pode decidir os rumos da companhia aérea até que seja resolvida a briga judicial entre os seus sócios, os empresários brasileiros (Marco Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo) e o fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson.

A Anac decidiria o futuro da VarigLog na próxima segunda-feira, prazo final dado pela agência para a recomposição da sociedade.

Por decisão da Justiça Cível de São Paulo, os sócios brasileiros da VarigLog foram afastados em abril da companhia, que passou a ser controlada pelo fundo americano. Como a legislação brasileira impede que estrangeiros controlem o capital de companhias aéreas, a Anac exigiu em 30 dias a recomposição da sociedade. Caso contrário, a concessão seria cassada.

Na liminar de ontem, que atende a pedido dos sócios brasileiros, o juiz federal disse que a agência reguladora "não poderia ter tomado a decisão que tomou [a de exigir a recomposição societária]" sob pena de causar aos empresários "dano de dificílima reparação".

"A Anac não pode se antecipar em determinar providência ainda não definitivamente adotada pelo órgão estadual [a Justiça de São Paulo] que tem a competência de resolver os conflitos de interesse". (ALAN GRIPP e FERNANDA ODILLA)

 

 

Folha de São Paulo
03/07/2008

Velha Varig e VarigLog não chegam a acordo sobre dívida
DA SUCURSAL DO RIO

A audiência para discutir o encontro de contas entre a VarigLog e a velha Varig terminou ontem sem acordo. O pagamento dessas dívidas é uma das condições necessárias para que a Flex, novo nome da empresa, tenha condições de manter as operações, segundo relatório encaminhado aos credores em maio.

A velha Varig estima em R$ 53,2 milhões o valor do encontro de contas com a VarigLog e conseguiu a penhora on-line de R$ 37,8 milhões, mas não obteve ainda a liberação de recursos.

Segundo José Alexandre Meyer, advogado da Flex, a VarigLog alegou dificuldade de caixa para efetuar o pagamento. A velha Varig vai persistir na ação de cobrança.

 

 

Folha de São Paulo
03/07/2008
Audi deve poupar governo em depoimento no Senado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ainda não será desta vez que o empresário Marco Antonio Audi e o advogado Roberto Teixeira estarão frente a frente para discutir as suspeitas em torno da venda da VarigLog e da Varig. Teixeira avisou ontem à noite ao presidente da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), que não estará hoje, às 10h, na audiência sobre o negócio.

Os dois trocam acusações desde que o caso veio à tona. Audi, com presença confirmada, deixou claro que vai mirar suas acusações no advogado, mas ao mesmo tempo poupará o governo. "Essa é uma briga privada entre dois sócios e um advogado infiel [Teixeira]."

Afastado pela Justiça da VarigLog, ele sustenta ter pago mais de US$ 5 milhões a Teixeira para que removesse os obstáculos à venda da companhia aérea à Volo do Brasil, uma sociedade entre três empresários brasileiros e o fundo Matlin Patterson.

Em carta ao Senado, Teixeira afirma que não atenderá ao convite por já ter comparecido em 19 de junho, quando os sócios brasileiros faltaram alegando que estariam em audiência na Justiça de São Paulo. "Como se viu e já se sabia, tratou-se de uma alegação mentirosa." (AG)

 

 

Folha de São Paulo
03/07/2008

Taxa de embarque de vôos para a AL deve ser reduzida
Governo diz que objetivo é estimular rotas principalmente para Quito, La Paz e Lima
Ministro da Defesa diz que governo estuda subsidiar aviação regional para atender a cidades não servidas pelas grandes companhias

ANDREZA MATAIS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo pode fixar tarifas diferenciadas de taxa de embarque para vôos com destino à América Latina. O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse ontem que a medida tem como objetivo estimular os vôos para esses países, principalmente para as cidades de Quito, La Paz e Lima.

Segundo o ministro, a taxa pode até ser zerada, a depender do caso. O governo também estuda usar dinheiro do Orçamento para subsidiar a aviação regional para atender a rotas dentro do país não servidas pelas grandes companhias.

Três medidas conjugadas podem ser adotadas para estimular a aviação regional a oferecer vôos que liguem, por exemplo, cidades como Tabatinga (AM) e Manaus: barreiras de entrada (apenas uma empresa faria a linha), suplementação tarifária (subsídio na tarifa) e desoneração de impostos.

Uma das hipóteses é que a suplementação seja feita com recursos do Orçamento da União. Sobre se isso não significaria punir os brasileiros que não utilizarão essas rotas, o ministro disse que não cabe a ele discutir justiça social. Outra alternativa, afirmou, seria cobrar uma taxa da aviação nacional.

O ministro disse que apenas a Trip opera hoje na aviação regional e que é preciso estimular mais empresas. "Se há necessidade estratégica de uma cidade se ligar à capital e não há possibilidade econômica de a linha ter resultado, pode haver suplementação tarifária pela União. Se o país deseja e fixa como estratégica sua decisão, seria mais adequado utilizar verba do Tesouro", afirmou.

Sobre os vôos para a América Latina, o ministro afirmou que hoje a taxa de embarque é de US$ 36, valor alto na comparação com as passagens cobradas para determinados países. Ele não soube informar quanto o governo perderia com a redução da taxa de embarque -50% da arrecadação vai para o Tesouro, e o restante é dividido entre Infraero e fundos. "Queremos fixar tarifas diferenciadas, até um valor mínimo. E o mínimo pode ser zero."

As medidas foram discutidas ontem na reunião do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), que contou com a participação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Jobim disse que não há prazo para que sejam implementadas. Na reunião, ele informou que irá encaminhar para o presidente Lula na próxima semana projeto de lei que obrigará as empresas aéreas a indenizarem passageiros por atrasos em vôos. Ele não adiantou os termos do projetos.

O ministério informou que os atrasos vêm diminuindo. Em maio de 2008, foram registrados atrasos de 60 minutos em 6,1% dos vôos nacionais; em dezembro, o índice chegou a 14,5%. Os atrasos de 30 minutos somaram 18% em maio; em dezembro, quando a malha aérea passou por mudanças, foi de 30%.
Com relação aos aeroportos, com base em estudos comparativos, o governo pretende fazer reformas para adequá-los a padrões internacionais. A maior diferença entre os aeroportos brasileiros e estrangeiros não é o tamanho da pista, mas as saídas rápidas e o número de pátios. Nos aeroportos internacionais, as saídas rápidas são em maior número e ângulo. Ajustes que devem ser feitos nos terminais do país.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

Anac rejeita mais um recurso da VarigLog
Empresa tentou, pela segunda vez, manter controle nas mãos do fundo americano Matlin Patterson
Isabel Sobral e Alberto Komatsu

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) negou ontem, pela segunda vez, uma tentativa do escritório de advocacia de Roberto Teixeira de tentar manter o controle da empresa de cargas VarigLog nas mãos do fundo de investimentos americano Matlin Patterson.

A Anac havia dado o prazo até o dia 7 para que a VarigLog se enquadrasse na lei que proíbe uma companhia aérea de ser controlada por estrangeiros. Hoje, o Matlin é o controlador da empresa, uma vez que os sócios brasileiros foram afastados por decisão judicial.

Os advogados da VarigLog tentaram evitar a perda da concessão com a alegação de que não é necessário comprovar que os controladores da empresa são brasileiros.

“Nós entendemos que hoje uma empresa brasileira, independentemente de quem sejam os seus acionistas, pode ser proprietária de uma companhia aérea. O outro fundamento é que essa exigência de recomposição acionária não está se dando na concessionária, mas na holding. A nosso ver, a questão da holding não está sob fiscalização da Anac porque não é a concessionária”, afirmou o advogado Cristiano Martins, genro de Roberto Teixeira.

A diretoria da Anac analisou o pedido e entendeu que esse tipo de decisão cabe exclusivamente à agência, sem possibilidade de recurso ao Ministério da Defesa, como pediam os advogados. A justificativa da Anac é que a agência é independente para tomar decisões.

A disputa pela VarigLog teve outra decisão importante ontem. O juiz da 14ª Vara Federal do Distrito Federal, Jamil Rosa de Jesus Oliveira, concedeu uma liminar aos sócios brasileiros da VarigLog - Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo -, que disputam o controle da empresa com o fundo Matlin Patterson. A liminar estabelece que mesmo se a VarigLog não se enquadrar às exigências da Anac, a agência não poderá cassar sua concessão.

O receio dos sócios brasileiros, segundo o advogado Alexandre Thiollier, é que o Matlin Patterson estivesse fazendo apenas uma cortina de fumaça ao tentar manter a VarigLog nas mãos de estrangeiros. “Eles sabem que isso não é possível”, diz Thiollier. “O verdadeiro objetivo deles era ganhar tempo, eles têm interesse na perda da concessão.”

O argumento do advogado é que se a VarigLog perder a autorização para voar, o Matlin Patterson poderá sacar da empresa o dinheiro que está em caixa - incluindo parte do pagamento da compra da Varig pela Gol - e transferir parte dos aviões para outra empresa aérea de cargas que o Matlin Patterson controla nos Estados Unidos.

Com a decisão de ontem na Justiça, a Anac terá de buscar outra solução caso a VarigLog não se enquadre à lei que proíbe o controle de uma companhia aérea por estrangeiros. Nos últimos dias, os representantes do Matlin Patterson têm dito que podem apresentar novos sócios brasileiros para adequar a empresa às exigências da Anac.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

Audi depõe e deve confirmar valor pago a Teixeira
Rosa Costa

Está previsto para hoje de manhã o depoimento de Marco Antonio Audi, um dos ex-sócios da VarigLog, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado (CIE). Ele falará sobre as denúncias de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria pressionado a Agência Nacional de Aviação (Anac) a facilitar a compra da empresa.

O advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recusou-se a comparecer pela segunda vez. Em carta ao presidente da CIE, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), ele argumenta que já se manifestou por meio do documento que encaminhado aos parlamentares no dia 19, quando esteve na Comissão. Naquele dia, a audiência foi cancelada.

Teixeira se vale de quatro linhas da carta para desqualificar seus ex-clientes, Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo, que se associaram ao fundo Matlin Patterson para formar a Volo e comprar a VarigLog. Diz ele ser “interessante este momento da vida do País, (quando) pessoas moralmente desqualificadas, que ocupam o banco dos réus pela prática dos mais diversos crimes - de sonegação fiscal e participação na morte de centenas de pessoas - foram erigidas a acusadores e até mesmo julgadores'.

Audi deve confirmar a informação dada ao ‘Estado’ de que pagou US$ 5 milhões a Teixeira para aprovar a composição acionária da VarigLog.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

Governo vai ajudar aviação regional
São estudadas medidas como o subsídio às passagens e a criação de reserva de mercado para as empresas
Luciana Nunes Leal

O governo federal estuda mudanças para incentivar o crescimento da aviação regional no País e aumentar os vôos domésticos entre cidades de médio e também entre essas cidades e as capitais. Uma das fórmulas em estudo é a suplementação tarifária, em que a União usa recursos do Orçamento para subsidiar as passagens, “se houver necessidade estratégica de ligar uma capital a determinada cidade”, segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim. A suplementação está em discussão no governo desde 2003. “Vamos discutir casos concretos”, afirmou Jobim, depois de presidir a reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), na sede do Ministério.

Uma segunda alternativa para a suplementação seria a criação de uma nova taxa na aviação comercial nacional. “Mas é a hipótese mais difícil, porque os passageiros da aviação nacional pagariam para terceiros”, comentou o ministro.

Outra medida em estudo é a criação de barreiras que garantam exclusividade de algumas linhas domésticas para empresas da aviação regional, o que impediria que empresas nacionais explorassem trechos iguais. “Tivemos um caso na Amazônia em que uma empresa nacional entrou em uma linha, a empresa regional deixou de voar e depois a nacional se retirou. O trecho deixou de existir”, disse o ministro. “Com as barreiras, pode-se assegurar (uma linha) a apenas uma empresa. A abertura (das linhas regionais para empresas nacionais) provocou uma redução brutal da aviação regional.”

A terceira forma de estímulo para criação de linhas domésticas regionais depende dos governos estaduais. Jobim propôs uma discussão da União com Estados para redução de impostos pagos pelas empresas regionais, principalmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço) dos combustíveis das aeronaves.

AMÉRICA LATINA

O governo também vai tomar medidas para reduzir as taxas de embarque cobradas para vôos do Brasil para outros países da América Latina, hoje fixadas em US$ 36 (cerca de R$ 57,60). Com isso, pretende ampliar os vôos já existentes e estimular a criação de novas rotas no continente. “Podemos pensar até em taxa zero”, afirmou Jobim. Segundo ele, a redução das taxas será discutida entre os ministérios, não depende de votação no Congresso e nem precisará de discussão prévia com as empresas aéreas.

“Vamos fazer um levantamento para revisão do sistema tarifário na América Latina. A idéia é fixar taxas de embarque diferenciadas. Hoje, o preço das passagens varia de US$ 100 a US$ 250, o que significa que, no caso da tarifa mais baixa, a taxa de embarque é 36% do valor da passagem”, disse Jobim. Segundo ele, serão estudadas medidas para ampliação de vôos diretos do Brasil para Lima, La Paz e Quito. Além disso, o governo vai discutir com a Argentina o aumento da freqüência de vôos para Buenos Aires.

A redução das tarifas deverá ser discutida pela Defesa e a Casa Civil com os ministérios da área econômica, já que implica em abrir mão de recursos para a União. Segundo o ministro, metade da receita das taxas de embarque cobradas no País vai para o Tesouro. Cerca de 40% vão para a Infraero, a estatal que administra os aeroportos, e o restante tem destinos diversos, como fundos setoriais.

OPÇÕES EM ESTUDO

Subsídio: O governo discute subsidiar passagens em trechos ou criar uma taxa, cobrada na aviação comercial nacional, para suplementar as tarifas locais

Barreiras: Alguns trechos podem ficar restritos a empresas de aviação local

ICMS: Os governos estaduais podem reduzir impostos como incentivo

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

Ações da Embraer caem 50% em 2008
Alta do petróleo ameaça clientes da empresa
Beth Moreira e Alberto Komatsu

A Embraer não deve escapar ilesa da crise das empresas aéreas internacionais. A percepção de especialistas em aviação é que a empresa poderá ter parte das suas encomendas adiadas ou até mesmo canceladas. Por enquanto, o impacto da escalada do preço do petróleo está sendo sentido somente em suas ações, que até ontem acumulavam queda de 50% no ano.

Para o analista do setor aeroespacial da Raymond James, Eduardo Puzzielo, quem está sofrendo mais com a alta petróleo são a Airbus e a Boeing. Estima-se que as duas empresas poderão enfrentar um corte de um terço em suas encomendas de aviões de grande porte.

“A Embraer não teve ainda cancelamento de entregas. Mas, indiretamente, pode haver impacto no negócio da empresa”, afirma Puzzielo. Ele lembra que uma das empresas que deverá reduzir suas encomendas com a Airbus, a americana JetBlue, é cliente da Embraer. A JetBlue encomendou 101 jatos da família 190 para serem entregues até 2011.

O analista do setor aéreo do Santander, Caio Dias, considera que ainda é cedo para saber o impacto da alta do petróleo. “A situação é ruim para todo o setor com o petróleo nesse nível. Mas a Embraer está numa situação menos desconfortável porque tem aviões menores, que representam menor risco.”

Analistas do banco Goldman Sachs dizem que a queda das ações reflete três preocupações: forte valorização do real frente ao dólar; cumprimento das entregas neste ano e os efeitos do preço do petróleo.

O consultor aeronáutico Paulo Sampaio diz que a Embraer está bem posicionada no mercado de jatos de 70 a 120 lugares, mas ressalta que esse cenário pode mudar com a entrada de novos concorrentes nos próximos anos, como a chinesa Aviation Industry Corporation (AVIC), a russa Sukhoi, o consórcio japonês formado pela Mitsubishi, Kawasaki e Mitsui Heavy Industry, além da canadense Bombardier.

“É crucial que a Embraer consiga manter sua carteira de pedidos intacta nos próximos meses ”, avalia Sampaio. A previsão é que os jatos japoneses e canadenses comecem a ser entregues entre 2011 e 2013. Já os russos e chineses estão em testes.

O presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, diz que a pressão do petróleo sobre as companhias aéreas ainda não prejudicou as vendas da empresa. “Mas é claro que estamos preocupados, pois na medida em que o preço do petróleo sobe, aumenta o peso de um componente de custos importante para as aéreas.”

Para Curado, a crise do setor aéreo está mais concentrada nos EUA. Ele diz que a Embraer reduziu sua dependência dos clientes americanos, de 80% das encomendas no passado, para 40% hoje. Além disso, a crise pode trazer uma oportunidade para a Embraer, pois aviões maiores e antigos, que consomem muito combustível, devem ser trocados.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

Ex-presidente da Airbus é acusado na França

O ex-presidente da Airbus, Gustav Humbert, foi acusado ontem por suposto uso de informação privilegiada na investigação das vendas em massa de ações do grupo EADS, controlador da fabricante de aviões. A venda de ações foi feita em 2005 e 2006 por diretores da companhia, antes que fossem anunciados os atrasos no projeto do avião A380, conhecido como superjumbo.

Segundo fontes ligadas ao caso, o alemão Humbert, que havia sido detido na segunda-feira, pagou fiança de 350 mil e ficou em liberdade judicial. Ele é acusado de vender 160 mil ações, com lucro de mais de 1,6 milhão de euros, segundo relatório da autoridade do mercado financeiro francês.

Trata-se do terceiro ex-diretor do grupo acusado de uso de informação privilegiada. Os outros dois são os franceses Noel Forgeard, ex-co-presidente do grupo, e Jean-Paul Gut, ex-diretor-geral delegado da EADS.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008
American Airlines pode demitir 7 mil

A AMR Corp., dona da American Airlines, informou aos funcionários que espera cortar sua força de trabalho em todo o mundo em 8%, o que representa 7 mil pessoas, até o fim deste ano, segundo o New York Times. A American já havia confirmado ter enviado um alerta aos seus 900 comissários de bordo, informando que eles podem ser demitidos.

 

 

O Estado de São Paulo
03/07/2008

British Airways compra a L’Avion

A British Airways anunciou que chegou a um acordo para comprar a empresa aérea francesa L’Avion por £ 54 milhões (US$ 107,6 milhões). A L’Avion opera dois aviões Boeing 757 entre o aeroporto de Orly, em Paris, e o de Newark, em Nova York. A L’Avion deve ser integrada à OpenSkies, nova subsidiária da companhia britânica.

 

 

Jornal do Brasil
03/07/2008

Juiz proíbe Anac de cassar licença
Procedimento seria adotado se empresa não resolver questão societária até segunda-feira
Claudio Magnavita
especial para o jb

O juiz Jamil de Oliveira, da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília, concedeu, ontem, liminar que proíbe a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de cassar a licença de operação da VarigLog na próxima segunda-feira, dia 7. Este é prazo dado pela agência reguladora para que a companhia regularize sua situação societária – pela lei, a empresa de carga aérea não pode ser administrada por estrangeiros, hoje representados pelo Fundo Matlin Patterson, dos Estados Unidos.

A liminar atendeu a solicitação dos sócios brasileiros afastados do comando da empresa, Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo. Segundo Audi, a decisão revela a disposição dos três de manter a VarigLog viva.

– Enquanto os advogados do Matlin Patterson faziam jogo de cena, defendendo uma tese jurídica que já havia sido rechaçada pelo poder concedente, a VarigLog ficava a beira do precipício. É como eles quisessem um fim igual ao da outra companhia do fundo, a ATA,que quebrou nos Estados Unidos – afirma.

A VarigLog, na opinião de Audi, estava presa em um paradoxo jurídico.

– A nossa vitória na Justiça Federal revela o quanto a companhia está sendo penalizada por uma parte da Justiça de São Paulo – disse. – Ficamos em situação irregular na Anac, mediante uma decisão de primeira estância, de um juiz auxiliar que afastou de forma intempestiva os três sócios. Entramos na justiça pedindo o afastamento do fundo norte-americano Matlin Patterson, a quem acusamos de sabotagem empresarial e asfixia da companhia, retirando aviões, bloqueando nossas reservas e quebrando a empresa. O juiz fez o contrario e tirou a gente (Audi, Marco Haftel e Eduardo Gallo).

Rede de coincidências

O empresário comenta a existência de uma rede de coincidências que liga o juiz auxiliar José Magano aos advogados da outra parte, a Matlin Patterson.

– Nós somos os legítimos donos da VarigLog e não assistiríamos de braços cruzados a Anac cassar a licença de operação de uma empresa, pois a própria agência nos reconheceu como proprietários – acrescentou.

Marco Antonio Audi vai ao Senado hoje às 10 horas com o objetivo de revelar toda a atuação do advogado Roberto Teixeira, amigo e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no processo de negociação da VarigLog com o fundo de investimentos dos Estados Unidos.

Nome de Lula

– Ele usou o nome do presidente Lula para assustar o terceiro escalão. Não há nada que comprometa o presidente da Republica e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) – garantiu. – Entretanto, Teixeira tem agido como Deus, abusando da sua amizade com o presidente Lula para assustar os ocupantes dos gabinetes por onde passa. Esse é um negócio de muitos milhões. São US$ 86 milhões depositados na Suíça, R$ 140 milhões em ações da Gol, e U$ 100 milhões de ativos da VarigLog, que estão sendo transferidos para a nova empresa aérea da Matlin Patterson. Além dos 5 milhões de dólares dos honorários pago a ele.

A Anac publica hoje, no Diário Oficial da União, a decisão da sua diretoria que nega o recurso da VarigLog, dirigido ao Ministro Nelson Jobim – mas que foi protocolado na própria agência pelo escritório de advocacia Teixeira & Martins – solicitando a revisão da decisão da própria agência, que considerou ilegal o fato de uma empresa norte-americana estar no comando de uma empresa aérea. O prazo se estende até o próximo dia 7 para regularização, sob pena de suspensão da autorização de operações – decisão suspensa pela liminar obtida pelos três sócios brasileiros, que foram afastados da VarigLog.

A tese defendida pelo escritório do advogado Roberto Teixeira é que o artigo 181 do Código Aeronáutico Brasileiro – que proíbe que estrangeiros tenham mais de 20% do comando de empresas aéreas – caducou com a reforma constitucional, que deu uma nova definição para empresa brasileira.

A Anac, por lei, não é subordinada ao Ministério da Defesa. Trata-se de uma agência autônoma e as suas decisões só poderão ser revistas na Justiça, tornando-se inócuo o apelo dirigido ao ministro Nelson Jobim. Marco Antonio Audi, excluído por decisão da 17ª Vara Cível de São Paulo da sociedade da empresa, vai depor no Senado acompanhado de cinco advogados.

Pagamento de dívida

Em audiência realizada na 1ª Vara Empresarial do Rio, o genro do Roberto Teixeira, Cristiano Martins compareceu como representante da VarigLog para fazer uma proposta do pagamento da divida da companhia com a Varig original, hoje batizada de Flex. Diante do juiz Luiz Roberto Ayoub e do administrador judicial da Flex, Martins ofereceu para o pagamento da divida contabilizada de R$ 37 milhões a importância de R$ 5 milhões divididos em 24 pagamentos iguais. A proposta irritou o juiz Ayoub que repreendeu de forma os representes da companhia.

Hoje será a vez de Henrique Constantino Junior, diretor e acionista da Gol comparecer ao Fórum do Rio para acertar a divida da empresa coma antiga Varig. A prorrogação da recuperação judicial da Varig depende dessas decisões.

 

 

Jornal do Brasil
03/07/2008

Sócio brasileiro presta depoimento no Senado
Márcio Falcão
brasília

Sem muito alarde, as denúncias de que a cúpula do governo interferiu na venda da Varig a favor do fundo americano de investimento Matlin Patterson voltam hoje à pauta de discussões do Senado. Os senadores ouvem hoje na Comissão de Infra-Estrutura o empresário Marco Antônio Audi, um dos três sócios brasileiros que se associou ao fundo para comprar a VarigLog e, posteriormente, a Varig. Também está marcado o depoimento do deputado estadual do Rio, Paulo Ramos (PDT). O parlamentar presidiu a CPI da Assembléia Legislativa do Rio que investigou a venda da companhia aérea.

Audi fez exigências para comparecer ao Senado. Pediu para falar por pelo menos uma hora e meia sem ser interrompido pelos parlamentares. Pretende apresentar um resumo de todos os aspectos relativos aos três ex-sócios do fundo – os outros sócios são Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel e não devem comparecer na audiência.

Senadores da base governista e da oposição são cautelosos ao tratar do caso. Avaliam que as acusações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, de que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria pedido para que o órgão regulador não verificasse se os brasileiros teriam condições financeiras para participar da negociação e emitisse aval para a venda da Varig.

Peça chave

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), Audi é peça chave dessa investigação e será decisivo para a definição dos próximos passos da investigação. Na audiência do mês passado, Agripino pediu o cancelamento do depoimento de Teixeira alegando que a ausência dos três sócios brasileiros deixaria os esclarecimentos do compadre de Lula sem valor. Desta vez, quem não deve comparecer é Teixeira.

– Vamos esperar o que ele (Audi) tem a dizer – declara Agripino. – Não vamos fazer um circo em cima do depoimento. Se houver fatos novos, que responsabilizem este ou aquele vamos tomar as medidas cabíveis.

A oposição também lança esperanças quanto ao depoimento do deputado fluminense Paulo Ramos (PDT). O relatório da CPI da Alerj que investigou o caso afirma entre outros pontos que há sinais de que a VarigLog foi beneficiada no processo de compra da Varig em leilão, em julho de 2006. Uma das evidências citadas no texto é o adiantamento de US$ 20 milhões pelo representante do Matlin Patterson no Brasil, Lap Chan, para impedir que a empresa falisse. Na prática, na época, antes do leilão, Chan chegou a fazer vários adiantamentos com base em recebíveis, que são vendas de passagens com cartão de crédito.

 

 

Valor Econômico
03/07/2008

Corte de vôos nos EUA atinge viajantes que planejaram cedo
Matt Phillips, The Wall Street Journal

Quem comprou passagem aérea para o fim do ano, principalmente de empresas americanas, deve verificar se o vôo ainda está marcado.

Com os cortes feitos por companhias aéreas dos Estados Unidos, muitos viajantes que marcaram bilhete para viajar de setembro em diante - de casais em lua-de-mel a famílias em férias - estão se vendo com assentos em vôos que não existem mais.

Como o aumento do petróleo está empurrando o preço dos combustíveis cada vez mais para cima, as empresas argumentam não ter escolha a não ser cortar rotas e vôos. Isso além das recentes medidas de economia de custos feitas por várias delas, como cobrar uma tarifa pela primeira bagagem despachada e acabar com bebidas e lanchinhos de graça nos vôos.

As companhias aéreas garantem estar fazendo tudo o que podem para notificar os clientes sobre as interrupções de vôos e acomodar mudanças. Mas alguns viajantes dizem que as opções que lhes são oferecidas podem ser inconvenientes, levando-os a mudar o período de férias ou pagar diferença na estadia em hotéis.

Mesmo alterações mínimas, como o atraso no horário de partida de um vôo, podem resultar na perda de conexões, mais horas de viagem e mais custos. E boa sorte para conseguir que sua empresa aérea pague por essas despesas.

Como a maioria das alterações nos vôos deve passar a valer nos últimos meses do ano, elas devem afetar principalmente quem segue o conselho das empresas do setor para que se planejem as viagens. Este ano, passageiros de vôos domésticos nos EUA compraram passagens para viajar no verão em média oito semanas antes da data de partida, segundo estatísticas do site de viagens Travelocity. Outros, como os que planejam viagem para casamento ou lua-de-mel, fazem isso com antecedência bem maior.

O engenheiro de software Milton Yang, de 27 anos, viu desmoronar os planos para sua lua-de-mel na América do Sul, em outubro, quando a Delta Air Lines mudou o vôo que ele tinha marcado de Atlanta para Quito. Na nova data, o casal não chegaria a tempo para embarcar num cruzeiro pelas Ilhas Galápagos. A Delta lhe ofereceu então lugar num vôo que sai no dia 20 de outubro, mas ele e a noiva prefeririam partir depois disso, a fim de passar mais tempo com parentes que vão viajar para o casamento deles em Phoenix, no dia 18 de outubro.

"Só quero minha lua-de-mel", diz Yang. "Só isso." Depois de enviar uma carta à Delta, ele aposta todas as fichas em que eles ofereçam uma solução melhor.

A porta-voz Betsy Talton diz que a Delta faz todos os esforços para entrar em contato com os clientes cujos vôos foram cancelados e acomodá-los em outros vôos.

Outro noivo, a gerente de desenvolvimento de negócios Kimberly Kelly, de 30 anos, teve de cancelar seus planos de lua-de-mel em Santa Lúcia, em setembro, depois de saber que o primeiro trecho da sua viagem, um vôo da American Airlines de Newark, em New Jersey, para San Juan, em Porto Rico, seria cancelado no início de setembro. Depois de marcar o vôo ainda no primeiro trimestre, o serviço de reservas de passagens online Expedia avisou-a no fim de maio que o itinerário dela havia sido mudado.

A Expedia informou que o vôo agora parte de Miami, em vez de Newark. "Nós teríamos de chegar a Miami de alguma forma", diz Kelly, que mora em Montclair, New Jersey. "Eles ainda tinham de achar um jeito de nos tirar de Newark." A passageira acabou cancelando o vôo e recebeu um reembolso.

As empresas aéreas decidiram cortar vôos depois do pico das férias de verão nos EUA em parte para diminuir o impacto sobre os passageiros e dar-lhes tempo de buscar alternativas. "Poucos, bem poucos clientes serão afetados", diz Tim Wagner, porta-voz da American Airlines, da AMR Corp. A primeira rodada dos recentes cortes de vôos anunciados pela American - que incluem vôos domésticos, como de Boston a San Diago, e internacionais, como de Chicago a Buenos Aires - vai vigorar a partir de 3 de setembro.

 

 

Valor Econômico
03/07/2008

VarigLog

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) negou novo recurso dos advogados dos controladores da VarigLog contra o prazo de 30 dias fixado pela agência para que a composição societária da empresa aérea de cargas seja adequada à lei brasileira, que limita a participação de capital estrangeiro em empresas aéreas nacionais em 20%. O prazo terminará na segunda-feira.

 

 

O Globo
03/07/2008

 

 

COLUNA CLAUDIO HUMBERTO
03/07/2008 - 08:42h
Audi diz que Teixeira é "amigo da onça" que fez de Lula refém

O empresário Marco Antônio Audi, que se encontra em Brasília para depor às 10h nesta quinta-feira na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, disse ontem que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, é um autêntico "amio da onça" que fez de Lula refém de sua suposta amizade. Mesmo tendo sido prejudicado pelo alegado tráfico de influência de Teixeira no governo, por meio de "carteiradas", Audi vai reafirmar que Lula a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) não tiveram qualquer participação no caso VarigLog, nem favoreceram os interesses do chinês Lap Chan, defendido pelo compadre do presidente.

 

 

COLUNA CLAUDIO HUMBERTO
03/07/2008 - 08:23h
Compadre de Lula depõe no Senado
Orlando Brito

Advogado Roberto TeixeiraA Comissão de Infra-Estrutura do Senado espera ouvir hoje os depoimentos do compadre do presidente Lula, o advogado Roberto Teixeira, e os ex-sócios brasileiros da Volo do Brasil - Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo – para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de favorecimento do fundo americano Matlin Patterson pela Casa Civil na compra da Varig/VarigLog. Também comparecerá á audiência o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), relator da CPI da Varig na Assembléia do Rio de Janeiro.

 

 

COLUNA CLAUDIO HUMBERTO
02/07/2008 - 22:18h

Juiz proíbe Anac de cassar VarigLog e de excluir os sócios brasileiros
Calé/IstoÉ Dinheiro

O juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da 14ª Vara Federal de Brasília, concedeu liminar esta noite aos sócios brasileiros a VarigLoga proibindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de cassar a autorização de funcionamento da empresa aérea e também de excluir da sociedade os parceiros brasileiros do fundo americano Matlin Paterson. O empresário Marco Antônio Audi explicou que entrou com a liminar ao perceber que o fundo e o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula que defende os interesses do chinês Lap Chan, estavam sinalizando a intenção de deixar que a Anac cassasse a licença para a VarigLog operar, colocando em risco cerca e 4.500 empregos e a sorte de cercade trezentos franqueados em todo o País. O ministro Nelson Jobim (Defesa) havia fixado o prazo de 7 de julho para que o fundo Matlin Paterson entregasse o controle da empresa a sócios brasileiros, porque a legislação proíbe que uma empreesa aérea no Brasil seja controlada por estrangeiros - no caso, o fundo liderado pelo chinês Lap Chan.

 

 

Agência Senado
02/07/2008 - 20h10

Roberto Teixeira recusa convite para depor no Senado sobre venda da Varig

O gabinete do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), presidente da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI), informou na tarde desta quarta-feira (2) que o advogado Roberto Teixeira recusou o convite para prestar esclarecimentos ao colegiado sobre a denúncia de favorecimento do fundo norte-americano Matlin Patterson, pela Casa Civil, na compra da Varig. Em fax encaminhado a Perillo, o advogado afirma que responderá por escrito aos questionamentos dos senadores. A audiência está marcada parta esta quinta-feira (3), às 10h.

Roberto Teixeira chegou a comparecer ao Senado para ser ouvido, no dia 18 de junho, mas, na ocasião, a oitiva foi adiada em razão da ausência dos outros depoentes convidados: os ex-sócios brasileiros da Volo do Brasil - Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo, que alegaram a necessidade de comparecer a um julgamento sobre o mesmo caso em São Paulo. Na ocasião, os senadores acharam mais conveniente ouvir todos os depoentes no mesmo dia. No fax encaminhado ao Senado, Roberto Teixeira diz que não havia nenhuma audiência a que eles devessem comparecer e qualificou a alegação dos três sócios como "mentirosa".

"Evidentemente, é de se repudiar o tratamento desrespeitoso aos membros do Congresso Nacional", afirma o advogado, referindo-se á ausência dos três sócios.

Além de Roberto Teixeira, não devem comparecer os sócios Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo. Ambos, segundo a assessoria de Perillo, afirmaram que serão representados pelo outro sócio, Marco Antônio Audi. O Comandante Elnio Borges Malheiros, presidente da Associação dos Pilotos da Varig, também não comparecerá em razão de viagem ao exterior. Dessa forma, confirmaram presença apenas Marco Antonio Audi e o deputado estadual do Rio de Janeiro Paulo Ramos (PDT), que presidiu a CPI da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro sobre a venda da Varig.
Moisés de Oliveira Nazário / Agência Senado

 

 

Invertia
Quarta, 2 de julho de 2008, 19h58

Caso Varig: Roberto Teixeira diz que não irá ao Senado
Fonte: Redação Terra

O advogado e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Teixeira, informou, por meio de fax enviado ao senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que não vai comparecer à reunião da Comissão de Infra-estrutura do Senado amanhã. Ele era esperado para prestar mais esclarecimentos sobre um suposto favorecimento na venda da Varig e da VarigLog.

No fax, Teixeira afirmou que compareceu à comissão no dia 19 de junho, "enfrentando recomendações médicas", após ter sido submetido, uma semana antes, a uma angioplastia.

"Para minha surpresa, houve nova deliberação com o objetivo de cancelar o convite sob o fundamento de que os demais convidados - os Srs. Marco Antônio Audi, Marcos Michel Haftel e Luiz Eduardo Gallo - estariam presentes a uma audiência no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo", afirmou.

Segundo o advogado, ele continuará respondendo aos ataques. "(...) como sempre fiz ao longo da minha vida profissional".

Ele aproveitou para se defender das acusações que sofreu por atuar no caso. "A propósito, se alguém tem alguma dúvida legítima quanto à minha atuação profissional no chamado 'caso Varig', deve recorrer aos autos dos mais de 300 processos judiciais em que atuei ou atuo em defesa da minha constituinte, a VarigLog, nos mais diversos Tribunais e órgãos judiciários", escreveu Teixeira, ressaltando que não comparecerá ao depoimento marcado para amanhã.

Os senadores da comissão investigam o caso desde que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu deu uma entrevista denunciando suposto favorecimento na venda da Varig. Abreu falou ainda sobre a suposta interferência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no processo.

Os sócios brasileiros Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo, são acusados de serem "laranjas" do fundo americano Matlin Patterson na compra da VarigLog e da Varig. O fundo se associou aos três para se adequar à legislação, que limita em 20% a participação estrangeira em empresas aéreas. Teixeira atuou no caso defendendo os compradores das empresas.

 

 

Site Rondonoticias.com.br
02/07/08 14:25h

Asas da corrupção
por Valdemir Caldas

Depois de mentir reiteradas vezes sobre sua participação na negociata da Varig, o advogado Roberto Teixeira jogou a toalha, ou seja, admitiu ter usado a influência do amigo do peito e compadre presidente Lula para ajudar o fundo de investimento que adquiriu o espólio da empresa.

Inicialmente, quando o escândalo ocupou as páginas da imprensa, Teixeira afirmou ter embolsado trezentos e cinqüenta mil dólares. Depois, a quantia pulou para três milhões e duzentos mil dólares, chegando, hoje, finalmente, a bagatela dos cinco milhões de dólares.

Ao comentar o assunto, o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) disse à revista Veja que Roberto Teixeira “dizia ter recebido trezentos e cinqüenta mil dólares. Hoje, fala-se em cinco milhões. Logo, o compadre de Lula vai aparecer com dinheiro para comprar a Varig. E sozinho”. É mole?

É por isso que muitas pessoas, ao deixarem o serviço público, saem com os bolsos abarrotados, criminosamente, com dinheiro sujo, proveniente de falcatruas.

Como de resto, o rombo acaba sempre espetado na conta do contribuinte, que vê o resultado de impostos, taxas e sobretaxas, extraídos do seu sacrifício, parar nas contas bancárias de parasitas e ratazanas gulosas.

Verdadeiramente, a imoralidade atingiu tamanha proporção que, ao contrário de antigamente, quando se procurava separar o joio do trigo, para não se cometer injustiças, hoje, fica a dúvida se há trigo dentro de tanto joio.

As freqüentes denúncias envolvendo amigos e figuras próximas ao presidente revelam a grave crise de caráter na qual está imersa o seu governo, a ensejar a deterioração da inteligência e do princípio de que todos são iguais perante a lei.

A sirene da moralidade pública está pedindo passagem para levar o governo petista para um tratamento de choque na UTI na honestidade, da decência e da seriedade.

O presidente precisa mudar o discurso. Essa história de que não sabia de nada, acaba passando a impressão de quem compactua com toda essa engrenagem viciada e que tem redundado em malefícios à sociedade.

Ontem, foram os aloprados. Depois, vieram os mensaleiros. Agora, é um amigão do presidente que aparece como protagonista de um escândalo de proporções áreas. A população já fica na expectativa para saber qual será a trapalhada da próxima semana.

Depois, os petistas ficam indignados, quando são colocados contra a parede, por conta de aberrações dessa natureza. Confundem opinião pessoal com partidarismo, ideologia ou sectarismo.

Em vez disso, “os companheiros” deveriam ter coragem e humildade (que é sinal de grandeza a que nem todos estão acostumados) para banir os que assim procedem dos quadros públicos e partidários, uma vez que só contribuem para enodoar a administração pública com suas presenças nefastas.

O lulismo precisa analisar com cautela a dimensão do escândalo da Varig, sob pena de repetir os mesmos vícios de governos anteriores, que serviram apenas para macular a imagem do país no exterior e, sobretudo, colocar em dúvida a autoridade do dirigente de plantão.

O caso Varig é mais um a engrossar a extensa lista de maracuatais de que se têm noticia no governo do presidente Lula e, por isso, precisa ser acompanhada com lupa, independente de o mentor do imbróglio ser um dos amigos do rei.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br