QUARTA, 05 DE ABRIL DE 2006
 
   


VALOR ON LINE
05/04/2006 – 00:00h
Infraero dá prazo até amanhã para que companhia volte a pagar tarifas
De Brasília

O clima entre a Infraero e a Varig se deteriorou profundamente ontem. Pelo segundo dia seguido, a empresa aérea ignorou as cobranças da estatal e não pagou as tarifas exigidas para operar seus vôos, conforme acordo informal fechado na última sexta-feira. A diretoria da Infraero já decidiu: se a Varig não retomar os pagamentos até quinta-feira, os aviões da empresa só decolam após o pagamento das taxas de pouso, permanência e navegação aérea em cada aeroporto do país.
A companhia acumula uma dívida de R$ 492 milhões com a estatal, que administra as instalações aeroportuárias. Resguardada por uma liminar concedida pela Justiça do Rio, a Varig ficou desobrigada de pagar tarifas entre setembro do ano passado e 21 de março. Com a queda da liminar, a Infraero passou a exigir o pagamento diário das tarifas. Na semana passada, a Varig já havia ignorado as cobranças, mas se comprometeu na sexta-feira a retomar os depósitos diários a partir de segunda-feira. Como isso não ocorreu, a tensão aumentou.
"O meu limite é sexta-feira", avisou ontem o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, referindo-se a atitude de cobrar as tarifas antes das decolagens da Varig em cada aeroporto. Por dia, a empresa deve recolher R$ 900 mil à estatal. Pereira disse que a Infraero tem sido paciente demais, mas não pode contrariar a lei. Na segunda-feira, a Varig prometeu voltar a pagar a estatal, mas isso não aconteceu. "Estamos à beira da ilegalidade", afirmou o brigadeiro. "O Tribunal de Contas da União está com a corda no nosso pescoço e a situação aqui é muito tensa."
Pereira afirmou que levará a situação ao novo ministro da Defesa, Waldir Pires, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciente do impacto que a cobrança poderá causar, ele disse que buscará uma autorização do próprio presidente. Esse tipo de cobrança, nos aeroportos e somente em dinheiro, é uma atitude adotada pela estatal somente em casos extremos. Foi o que aconteceu, por exemplo, nos dias que precederam a paralisação das atividades da Vasp, em 2004.
Na assembléia de credores que ocorrerá hoje, no Rio, a Infraero deverá manter uma postura crítica ao plano de venda a ser apresentado aos credores. Executivos da estatal temem que a divisão da Varig em uma empresa "boa" e outra "ruim" signifique, na prática, o calote da dívida. Os credores estatais acreditam que a Varig tem postergado medidas mais duras de recuperação das suas finanças. (DR)

 

ESTADÃO
04/04/2006 - 20:59
Sem caixa, Varig pode parar amanhã
Janaina Vilella e Daniel Rittner
Do Rio e de Brasília


A juíza da 2ª Vara Empresarial do Rio, Márcia Cunha, uma das responsáveis pelo processo de recuperação judicial da Varig, disse ao Valor que a situação da empresa é "grave". "Sem caixa não tem jeito. Ou os credores aceitam a proposta de compra feita pela Varig Log ou o governo terá que acenar de alguma forma para colocar recursos na companhia".
A proposta da Varig Log foi mal recebida pelos credores e a solução para evitar a paralisação da Varig caiu mais uma vez no colo do governo federal. Na sexta-feira, o presidente da empresa, Marcelo Bottini, enviou correspondência ao presidente Lula alertando sobre a iminência de paralisação a partir de quinta-feira. "Nós precisamos salvar a Varig de qualquer jeito", disse Lula a um interlocutor.

 

JORNAL VALOR
Aviação
04/04/2006 - 20:59
Proposta de compra feita pelo fundo americano MatlinPatterson foi mal recebida pelos credores da aérea
Sem dinheiro em caixa, Varig pode paralisar operação

Janaina Vilella e Daniel Rittner Do Rio e de Brasília

Foto: Leo Pinheiro/Valor

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A juíza Márcia Cunha: "Ou os credores aceitam a proposta da VarigLog, ou o governo terá que acenar de alguma forma"

 

A solução para evitar a paralisação da Varig caiu mais uma vez no colo do governo. A proposta de compra da companhia aérea feita ontem pela VarigLog, ex-subsidiária de transporte de cargas e logística da Varig, foi mal recebida pelos credores e a Justiça do Rio de Janeiro já admite a possibilidade de a empresa parar até amanhã, por falta de caixa.
A companhia não tem honrado o pagamento às empresas de leasing e à VEM, ex-subsidiária de manutenção, vendida para a portuguesa TAP, assim como descumpriu o acordo informal fechado no fim da semana passada com a Infraero. Hoje a estatal vai dar um ultimato à Varig. Se ela continuar ignorando a cobrança de R$ 900 mil por dia, a Infraero exigirá o depósito das tarifas em cada aeroporto, à vista e em dinheiro, para autorizar os vôos.
O novo agravamento da crise acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tomou conhecimento da situação. "Nós precisamos salvar a Varig de qualquer jeito", disse o presidente, repetidamente e em tom de advertência, a pelo menos uma das pessoas que estiveram em seu gabinete, na segunda-feira.
Segundo interlocutores de Lula, o presidente da empresa, Marcelo Bottini, enviou uma correspondência à cúpula do governo, na última sexta-feira, alertando para a iminente paralisação da Varig a partir de amanhã, se o quadro não for revertido. A assessoria de imprensa da companhia nega o envio da carta.
A juíza da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Márcia Cunha, uma das responsáveis pelo processo de recuperação judicial da Varig, afirmou ao Valor que a situação da aérea é "grave". "Sem caixa, a empresa não tem jeito", afirmou Márcia. "Ou os credores aceitam a proposta da VarigLog, ou o governo terá que acenar de alguma forma para colocar recursos na companhia. O Judiciário não pode fazer nada."
A proposta apresentada ontem aos credores pela VarigLog prevê um corte significativo do número de funcionários, redução da frota e a criação de uma empresa sem dívidas. Pela proposta, a "nova" Varig ficaria nas mãos da VarigLog, hoje controlada pela Volo do Brasil, que tem como sócios o fundo americano de investimentos MatlinPatterson e os brasileiros Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo.
O passivo da empresa, de cerca de US$ 7 bilhões, ficaria concentrado na "antiga" Varig. Segundo um dos credores presentes ao encontro, os representantes da VarigLog não indicaram uma solução para o problema. O fundo também pede a prorrogação das concessões da Varig por 20 anos.
O mercado desconfia que a Volo seja efetivamente controlada pela MatlinPatterson, o que faria a operação esbarrar no limite constitucional de 20% para o controle de empresas aéreas por estrangeiros. Há quem defenda uma flexibilização dessa exigência. "O importante é que ela (Varig) funcione bem, preserve os seus slots (horários de pousos e decolagens nos aeroportos) e encontre um bom comprador, desde que seja uma empresa constituída no país, não importa se com capital estrangeiro", afirmou o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Para o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, a proposta prejudica todos os credores, principalmente os trabalhistas, na medida em que metade dos dez mil funcionários seriam demitidos. A frota da Varig também encolheria de 71 aeronaves para 48 aviões.
O presidente do fundo de pensão Aerus, Odilon Junqueira, já adiantou que a oferta da VarigLog não será aceita. "A Varig tem um plano de recuperação aprovado e que precisa ser seguido. Essa oferta da VarigLog deixa o Aerus no deserto.", disse Junqueira.
O representante do MatlinPatterson, Lap Chan, afirmou ontem que dos US$ 350 milhões oferecidos pela VarigLog para a compra da Varig, US$ 200 milhões seriam destinados para gastos correntes, US$ 100 milhões para manutenção dos aviões e outros US$ 50 milhões para rescisões trabalhistas.
Hoje os credores se reúnem em assembléia para definir o gestor do Fundo de Investimentos em Participação (FIP-Controle). Uma fonte que acompanha as negociações, no entanto, lembrou que a viabilidade do plano está ameaçada pela falta de caixa da aérea.

 

JORNAL DO BRASIL - ECONOMIA
05/04/2006 - 01:00h
Porta fechada para VarigLog
Credores da Varig vetam oferta de compra apresentada pela empresa de carga

Rafael Rosas

Os credores da Varig rechaçaram em bloco ontem a oferta de compra feita pela VarigLog, que se comprometia a injetar US$ 350 milhões em dinheiro novo na companhia aérea. A reunião para apresentação da proposta, na sede da Varig, durou mais de três horas e contou com a presença do presidente da companhia aérea, Marcelo Bottini. A apresentação da proposta ficou a cargo de Lap Chan, representante do fundo americano Matlin Patterson no comando da Volo do Brasil, atual dona da VarigLog.
De acordo com credores que participaram do encontro, Chan propôs a criação de duas empresas distintas. A ''Nova Varig'' concentraria as operações e ficaria responsável por toda a frota da empresa, que seria reduzida para 48 aeronaves. A ''Velha Varig'' não voaria e concentraria as dívidas anteriores ao pedido de recuperação judicial, feito em 17 de junho do ano passado.
Dos US$ 350 milhões previstos na oferta da VarigLog, US$ 50 milhões seriam destinados ao pagamento das rescisões contratuais dos 6.400 funcionários que seriam demitidos, enquanto outros 4.900 seriam aproveitados na ''Nova Varig''. Os US$ 300 milhões restantes serviriam para investimentos em novas configurações, pagamento de dívidas correntes (taxas aeroportuárias, leasing de aeronaves e combustíveis) e outros investimentos internos.
O resultado foi uma forte indignação por parte dos credores, principalmente os trabalhistas.
- Não foi uma apresentação, foi um filme de terror. O discurso ainda foi no velho estilo de que ''ou os credores aceitam isso, ou a Varig quebra'' - criticou Selma Balbino, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários.
Para Márcio Marsillac, coordenador do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que engloba as associações de funcionários da companhia aérea, a proposta é ''desequilibrada''.
- Se o Matlin Patterson (que tem participação de 20% no capital da Volo do Brasil) quer investir na Varig, que não seja com um calote nos credores. A oferta é inaceitável - afirmou.
Odilon Junqueira, diretor-presidente do fundo de pensão Aerus - principal credor privado da Varig, com créditos a receber superiores a R$ 1 bilhão - ressaltou que para a instituição é ''impossível'' aprovar a proposta.
- Foi aprovado um detalhamento jurídico do plano de recuperação, o que foi homologado pela Justiça. Neste plano está previsto o pagamento de R$ 9 milhões mensais ao Aerus. Se eu aceitasse a oferta da Variglog, estaria trocando R$ 9 milhões por zero. Não posso, extrajudicialmente, fazer algo tão pior para o Aerus - disse Junqueira.
A exposição do plano da Volo do Brasil serviu para que os credores fechassem posição a respeito da Assembléia de Credores de hoje, na qual será designado o gestor do FIP Controle, que será o responsável por organizar a entrada de novos investidores na Varig.
- A VarigLog conseguiu algo até então inédito: unir as três classes de credores. Amanhã (hoje) o banco Brascan será aprovado como gestor do FIP Controle e espero que comece logo a reestruturação ao lado da consultoria Alvarez & Marsal - explicou Junqueira.

 

O GLOBO – ECONOMIA
05/04/2006 - 00:00h
VarigLog propõe repartir Varig em duas, demitir e reduzir frota
Erica Ribeiro

A VarigLog propôs ontem aos credores da Varig criar uma nova empresa, sem dívidas e sem compromisso com o passivo anterior. Mas a oferta da ex-subsidiária da Varig foi recebida com preocupação pelos principais credores. A gestão operacional da companhia aérea seria adquirida por US$ 350 milhões pela VarigLog, que tem como acionistas empresários brasileiros e o fundo americano Matlin Patterson.

A proposta foi apresentada a representantes de credores de governo, trabalhadores, empresas de leasing e do fundo de pensão da empresa. Segundo eles, seriam cortados 6.100 dos 11 mil postos de trabalho. Mas a VarigLog nega a informação e diz que o corte seria de cinco mil, já incluindo as adesões aos planos de incentivo a demissão e aposentadoria em andamento na empresa. Além disso, a empresa reduziria a frota dos atuais 63 aviões para 48.

Dos US$ 350 milhões, US$ 200 milhões seriam usados para pagamento de dívidas e despesas correntes da companhia, US$ 100 milhões, para a manutenção e reformulação dos aviões e US$ 50 milhões, para indenizar os demitidos.

Segundo uma fonte que participou do encontro, os executivos da VarigLog sugerem que o plano de recuperação judicial seja alterado, abolindo a criação dos fundos de investimentos e participações (FIP), que seriam os mecanismos para captação de investidores.

A criação dos fundos será o assunto da assembléia marcada para hoje na sede da Fundação Ruben Berta (FRB), na Ilha do Governador. Para a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, o plano da VarigLog só prejudica os trabalhadores:

— O dono da VarigLog (Lap Chan, executivo do fundo Matlin Patterson) não está preocupado com o que vai acontecer com a parte da empresa que ficar com toda a dívida. Isso inclui os trabalhadores, que têm créditos a receber. Sem contar as demissões.

O presidente do fundo de pensão Aerus, Odilon Junqueira, disse que a proposta sequer inclui a dívida da Varig com o fundo, no valor de R$ 1 bilhão. O fundo ainda não recebeu os R$ 18 milhões referentes a duas parcelas da renegociação da dívida com a Varig, vencidas em fevereiro e março.

 

ESTADÃO
04 de abril de 2006 - 20:59
Varig pede socorro a Lula com agravamento da crise
A Infraero ameaça passar a cobrar os valores das tarifas de operação à vista, nos aeroportos, no início de cada vôo da Varig

Isabel Sobral, Odail Figueiredo e Vânia Cristino

Brasília - Pressionada pelo agravamento das dificuldades financeiras, a diretoria da Varig voltou a recorrer ao governo em busca de uma tábua de salvação. Segundo fontes, o presidente da companhia, Marcelo Bottini, encaminhou na segunda mensagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando uma audiência com urgência para relatar a situação da empresa. Na mensagem, segundo as fontes, Bottini alerta que a Varig corre o risco de paralisar suas operações "nas próximas horas."
Nesta terça, a Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros, deu um ultimato à Varig: se a companhia aérea não retomar os pagamentos diários das tarifas de operação nos aeroportos até o final desta semana, a estatal ameaça passar a cobrar os valores à vista nos aeroportos, no início de cada vôo da empresa. Com isso, várias rotas podem deixar de ser operadas e os clientes desses vôos poderão saber disso somente momentos antes da decolagem. A Varig deve R$ 116 milhões à Infraero.
Na correspondência encaminha formalmente à Varig, a estatal afirma que "houve uma quebra de compromisso" por parte da companhia aérea, que acertou na última sexta-feira que retomaria o pagamento diário das tarifas aeroportuárias na segunda-feira passada, mas não o fez. A Varig deve recolher em média R$ 900 mil por dia ao governo para poder usar as instalações dos aeroportos para pousos e decolagens.
De acordo com fontes da Infraero, a inadimplência da Varig foi tratada nesta terça pela diretoria da estatal, que preferiu não fixar uma data-limite para início das cobranças à vista. No entanto, um tempo considerado "razoável" é até o final desta semana. "A estatal tentou evitar a todo custo essa medida (cobrança à vista), que é dura e pode agravar ainda mais a situação da Varig. Mas a Infraero também não pode se furtar aos seus deveres" comentou uma fonte do governo. A Infraero não descarta a possibilidade de apresentar à justiça uma nova ação de cobrança contra a Varig.

Dívida

A dívida da Varig com a Infraero se refere ao período de 1º de setembro de 2005 a 14 de março de 2006, quando vigorou uma liminar da Justiça Federal do Rio de Janeiro impedindo a cobrança diária das tarifas de operação. A decisão judicial, no entanto, foi derrubada no dia 23 de março pelo Tribunal Regional Federal do Rio. A companhia quer que a Infraero espere até a publicação do acórdão (decisão final) da derrubada da liminar no Diário de Justiça para retomar a cobrança diária. A estatal aceita esperar a publicação para renegociar o débito passado, mas quer o pagamento do fluxo diário imediatamente.
O governo também já começa a analisar um plano de contingência para o caso de suspensão de vôos da Varig. Normalmente, as linhas que deixam de operar são redistribuídas entre outras companhias. Hoje, dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) receberam representantes da TAM e o presidente da Gol, Constantino Jr. A diretora Denise Aires de Abreu, da Anac, informou que foram "visitas de cortesia".

 

ESTADÃO
04 de abril de 2006 - 18:44
Aeronautas rejeitam proposta da VarigLog para compra da Varig
Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato, a VarigLog está agindo com "oportunismo muito grande, interessada em ganhar dinheiro e comprar na bacia das almas"

Nilson Brandão Junior

RIO DE JANEIRO - Representantes dos aeronautas, aeroviários e do fundo de pensão Aerus rejeitaram a proposta apresentada hoje à tarde pela VarigLog para a compra da Varig. O presidente do Aerus, Odilon Junqueira, disse que vê a alternativa "com muita preocupação". Ele explica que a Varig vem participando de um plano de recuperação, que foi aprovado ano passado pelos credores, que prevê o pagamento das dívidas com o fundo de pensão e afirma que a proposta apresentada "deixa no deserto o Aerus". "É consenso que os credores não devem aceitar", afirmou.
Ele diz que é preciso acelerar o plano inicialmente aprovado, com a definição, amanhã mesmo, do gestor do FIP-Controle, o que será votado durante assembléia prevista para a manhã desta quarta-feira. Ele também afirmou que está na hora de o governo enxergar o problema da Varig e buscar uma solução conjunta.
Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato, a VarigLog está agindo com "oportunismo muito grande, interessada em ganhar dinheiro e comprar na bacia das almas".
Um representante de um grande credor disse que para a venda em separado da Varig seria necessário que isso estivesse previsto inicialmente no plano de recuperação e que, portanto, isso exigirá nova votação em assembléia sobre o assunto. Um outro representante de credor privado indicou que a proposta não deve agradar boa parte das empresas de arrendamento de aviões, por conta da redução da frota e não reconhecimento de dívidas passadas.
Proposta
A proposta apresentada pela VarigLog para compra da Varig previa um forte enxugamento da empresa, com corte de pessoal, redução da frota e a criação de uma nova empresa sem dívidas. O endividamento da empresa, que gira ao redor de US$ 7 bilhões, ficaria isolado numa outra empresa e os representantes da VarigLog não indicaram uma solução para o problema.
As informações foram passadas por três representantes de credores que participaram do encontro com representantes da VarigLog, realizado na tarde de hoje. A apresentação da proposta foi feita pelo executivo chinês Lap Chan, investidor do Matlin Patterson, fundo americano acionista da Volo Brasil, que controla a VarigLog.

 

ESTADÃO
04 de abril de 2006 - 17:31
´Varig botou o pé na terra´ , diz Mares Guia
No mesmo dia em que o ministro fez o comentário, a VarigLog apresenta para a diretoria e o conselho de administração da Varig o projeto de compra por US$ 350 milhões da parte operacional da empresa

Isabel Sobral e Nilson Brandão Junior

BRASÍLIA e RIO DE JANEIRO - O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, disse, nesta terça-feira, que "a Varig botou o pé na terra" ao comentar a implementação do processo de reestruturação da companhia aérea, que poderá demitir funcionários e está reduzindo o número de rotas aéreas.
Desde o início da semana, a companhia aérea está em negociação com seus credores para facilitar o pagamento de dívidas correntes, além de discutir a necessidade de mais um corte de pessoal.
As propostas de possível venda de parte da companhia para empresários estrangeiros foi vista com naturalidade pelo ministro. "Sendo respeitadas as regras da legislação, o fato de haver capital estrangeiro na empresa não importa desde que ela funcione e que todo o faturamento dela fique aqui", afirmou ele, ao comentar as notícias de que a ex-subsidiária VarigLog - vendida a um consórcio do qual faz parte o fundo americano Matlin Paterson - estaria disposta a comprar a parte operacional da companhia aérea.
Projeto
Executivos da VarigLog apresentaram para a diretoria e o conselho de administração da Varig, no início da tarde desta terça-feira, o projeto de compra por US$ 350 milhões da parte operacional da empresa. Por volta das 14h30, começou a reunião da VarigLog com um grupo de credores da empresa para apresentar a mesma proposta, na sede da Varig.
A informação, não confirmada pela assessoria da VarigLog, é de que o executivo chinês Lap Chan, investidor do fundo americano Matlin Paterson, está na empresa aérea, apresentando a proposta de compra.
Segundo a assessoria da VarigLog, o Matlin detém menos de 20% do capital votante da Volo Brasil, que controla a VarigLog. A Varig não comentou o assunto. Já a VarigLog havia informado, na última segunda-feira, que apenas nesta terça, depois das reuniões, falaria para a imprensa, o que ainda não foi confirmado.

 

VALOR ON LINE
Assembléia deve votar em 15 dias oferta da VarigLog pela Varig
Reuters
20:08 04/04

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A proposta apresentada pela VarigLog para a compra da operação da Varig dificilmente será aceita, segundo credores presentes à reunião desta terça-feira na sede da empresa, no Rio de Janeiro, e que se reúnem em assembléia em cerca de 15 para votação sobre a oferta.
Para a presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziella Baggio, a nova proposta "é um verdadeiro desastre".
Depois de adquirir em janeiro a VarigLog por 46 milhões de dólares, o grupo Volo, composto por empresários brasileiros e o fundo de investimentos norte-americano Matlin Paterson, ofereceu 70 milhões de dólares para pagar a demissão de 4,6 mil funcionários e pela marca da companhia, informou um dos participantes da reunião.
"A idéia é separar a Varig boa da Varig ruim, e colocar novos recursos apenas na primeira...isso vai ser votado em assembléia dentro de 15 dias, é uma proposta que tem que ser analisada", informou a fonte que preferiu não ser identificada.
Com a separação, a pesada dívida de mais de 7 bilhões de reais da Varig ficaria com a Fundação Ruben Berta, controladora da empresa, enquanto a Volo aportaria cerca de 300 milhões de dólares na nova Varig para recuperar seus aviões e pagar alguns fornecedores imediatos, garantindo a operação da empresa.
A frota cairia dos atuais 71 aviões --sendo 15 parados-- para 48, segundo a fonte, e o quadro ficaria em torno dos 4.900 empregados. O pedido ao governo seria de uma concessão por 20 anos.
"Essa proposta causaria um caos social, 48 aviões não atendem à necessidade do mercado, seria um calote generalizado nos credores, duvido que seja aprovada", avaliou Graziella.
Ela se disse muito mais confiante na continuidade do plano de recuperação judicial, em andamento. Na quarta-feira, uma assembléia elege um gestor para administrar os fundos de investimentos que serão criados para capitalizar a companhia. Segundo a aeronauta, o Banco Brascan deverá ser o escolhido.
"Estamos há nove meses trabalhando nesse plano de recuperação e vem essa oferta querendo atropelar o processo. Foi um momento impróprio", afirmou.
Ela admitiu que a situação da Varig é cada vez mais crítica, mas se disse otimista em relação ao trabalho do gestor para captar recursos e salvar a Varig.
"Estou otimista, há um consenso entre os credores e voltei a falar com (o presidente) Lula, (o ministro da Defesa) Waldir Pires e (a ministra da casa Civil) a Dilma (Rousseff). Todos querem que a Varig continue", informou Graziella.
As ações da terceira companhia aérea do mercado, líder até meados de 2003, subiram 5,83 por cento no pregão desta terça-feira, contra 0,22 por cento do Ibovespa, embaladas pelas notícias de um novo interessado na companhia.
A aérea portuguesa Tap, que adquiriu a VEM no ano passado, também já manifestou intenção de ficar com a empresa brasileira e deve vir em breve ao Brasil negociar com a diretoria e a Alvarez & Marsal, consultoria que reestruturou a US Airways e foi contratada para implantar a recuperação da Varig.

 

ULTIMO SEGUNDO
04/04/2006 19:31:00
Proposta de compra da Varig prevê demissão de 6,3 mil funcionários

Brasília - Credores da Varig e diretores da empresa reuniram-se nesta terça-feira para discutir a proposta do fundo norte-americano Matlin Patterson, dono da companhia de logística VarigLog, que ofereceu US$ 350 milhões pela companhia aérea. O encontro concluiu que, caso a proposta seja aceita, a Varig terá de demitir em torno de 6,3 mil funcionários.
A proposta do fundo irá implicar na divisão da Varig em duas empresas, a nova Varig - que ficaria com a VarigLog - e a antiga Varig - que continuaria endividada - problema que só poderia ser solucionado com o plano de recuperação judicial da companhia.
De acordo com o projeto apresentado pelos empresários, apenas 4,9 mil dos 10,3 mil trabalhadores da Varig permaneceriam no emprego. Ainda segundo a proposta, o foco da nova empresa seria o mercado internacional, sendo que somente 48 das 63 aeronaves continuassem operando. A proposta também prevê que US$ 50 milhões serão usados em indenizações aos funcionários que forem demitidos. (Da Redação do Terra)

 

Fundo de pensão da Varig rejeita proposta de compra
Agência Estado
19:15 04/04


Representantes dos aeronautas, aeroviários e do fundo de pensão Aerus rejeitaram a proposta apresentada hoje à tarde pela VarigLog para a compra da Varig. O presidente do Aerus, Odilon Junqueira, disse que vê a alternativa "com muita preocupação". Ele explica que a Varig vem participando de um plano de recuperação, que foi aprovado ano passado pelos credores, que prevê o pagamento das dívidas com o fundo de pensão e afirma que a proposta apresentada "deixa no deserto o Aerus". "É consenso que os credores não devem aceitar", afirmou.

Ele diz que é preciso acelerar o plano inicialmente aprovado, com a definição, amanhã mesmo, do gestor do FIP-Controle, o que será votado durante assembléia prevista para a manhã desta quarta-feira. Ele também afirmou que está na hora de o governo enxergar o problema da Varig e buscar uma solução conjunta. Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato, a VarigLog está agindo com "oportunismo muito grande, interessada em ganhar dinheiro e comprar na bacia das almas".
Um representante de um grande credor disse que, para a venda em separado da Varig, seria necessário que isso estivesse previsto inicialmente no plano de recuperação e que, portanto, isso exigirá nova votação em assembléia sobre o assunto. Um outro representante de credor privado indicou que a proposta não deve agradar boa parte das empresas de arrendamento de aviões, por conta da redução da frota e do não reconhecimento de dívidas passadas.
A proposta era de compra da parte operacional da companhia aérea, por US$ 350 milhões, o equivalente a R$ 770 milhões.
A VarigLog é uma empresa de logística que pertencia à Varig e foi vendida em dezembro do ano passado, por US$ 48,2 milhões, o equivalente a R$ 106 milhões, à Volo Brasil, consórcio do qual o fundo norte-americano Matlin Paterson detém participação acionária junto a três empresários brasileiros: Marco Antonio Audi, Marco Hapfel e Luiz Gallo.

 

Varig: ações sobem 5% com expectativa de corte de mais da metade dos funcionários
InfoMoney
19:02 04/04

SÃO PAULO - Apresentado nesta terça-feira aos credores, o plano da VarigLog, ex-subsidiária da Varig e maior operadora de logística do Brasil, para assumir o controle da Varig prevê a demissão de 5,1 mil funcionários da companhia aérea, mais do que a metade dos atuais 10 mil.Os cortes se distribuiriam em quase todas as áreas da empresa, incluindo pilotos, comissários de bordo e pessoal em terra.

Além disso, a frota da companhia também seria reduzida, de 70 para 48 aeronaves, sendo todas elas pertencentes a uma mesma família, o que reduziria os custos de manutenção.

Com a proposta, dos US$ 350 milhões oferecidos pela VarigLog para a aquisição da companhia aérea, pelo menos US$ 50 milhões seriam utilizados para custear as demissões.

Investidores recebem bem a proposta

O plano da VarigLog parece ter sido bem recebido pelos investidores, uma vez que as ações preferenciais da Varig aérea avançaram 5,83% nesta terça-feira, encerrando a sessão cotadas a R$ 1,27.

 

Valor on line
Presidente da Aerus critica proposta da Varig Log para Varig
Por Valor Online - 04/04/2006 - 20:03:29

SÃO PAULO - A proposta de controle da Varig com aporte de US$ 350 milhões feita pela Varig Log tem poucas chances de ser aprovada pelos credores da empresa, avalia Odilon Coutinho, presidente da Aerus, fundo de pensão das companhias aéreas. O plano, apresentado hoje em reunião com os credores, envolve a criação de uma segunda empresa financeiramente viável, mas deixa as dívidas da companhia com a Varig atual.

"A proposta é comprar a parte operacional da Varig, criar uma nova Varig com as concessões que a empresa tem e deixar uma Varig velha, como um esqueleto, sem aviões, sem linhas, apenas com dívidas", diz. Segundo o dirigente, boa parte dos credores presentes à reunião descartam a possibilidade de aceitar a proposta, tendo em vista a dificuldade que teriam em receber o que a Varig deve a eles se o plano fosse aceito.

De acordo com Coutinho, a proposta foi feita por Lap Chan, executivo do fundo de investimento americano Matlin Patterson - que adquiriu a Varig Log no fim de 2005. O plano prevê também o corte de mais da metade do atual quadro de funcionários da Varig, que passaria de algo em torno de 11 mil, para 4,9 mil pessoas, segundo o presidente da Aerus.

Coutinho avalia que, na prática, a Varig Log desembolsaria US$ 50 milhões com rescisões contratuais e os US$ 300 milhões restantes seriam usados para modernizar a nova empresa, não para pagar dívidas.

A assessoria da Varig Log informou que a proposta será avaliada ao longo de uma semana pelo conselho deliberativo da empresa, e diz que o controle da Varig envolveria o acerto das dívidas da empresa com a Infraero e com outros fornecedores, bem como o pagamento de leasings de aeronaves que estão em atraso, reforma e modernização da frota.

Nem a Varig, nem a Varig Log confirmam a hipótese de criação de uma segunda companhia. A assessoria da Varig, inclusive, nega que a proposta seja de controle e reitera que se trata apenas de um aporte de capital da Varig Log.

No que diz respeito às demissões, a Varig Log não confirma o número relatado por Odilon Coutinho, de cerca de 5 mil baixas. A empresa admite que continua em estudo a redução do quadro de funcionários, mas diz considerar a possibilidade de corte em torno de 2 mil dos 11 mil funcionários da companhia aérea.

Desde janeiro a Varig colocou à disposição dos funcionários um plano de demissão e aposentadoria voluntária, além de um plano de licença não remunerada, cuja adesão ainda não foi computada.

O Globo
04/04/2006 - 21h11m
Proposta de fundo prevê criação de nova Varig, corte de até 6,1 mil funcionários e redução da frota
Erica Ribeiro

RIO - Os principais credores da Varig estiveram nesta terça-feira na sede da empresa, no Rio, ouvindo a proposta da VarigLog, ex-subsidiária da Varig, que hoje pertence à Volo Brasil, empresa formada por investidores brasileiros e o fundo americano Matlin Patterson. A proposta prevê a injeção de US$ 350 milhões na companhia, porém dividindo-a em duas: a nova Varig, que ficaria nas mãos dos donos da VarigLog, e a antiga Varig, que permaneceria com as dívidas contraídas ao longo do tempo e que são previstas para ser equacionadas dentro do plano de recuperação judicial aprovado em janeiro.

Na avaliação dos credores, a proposta da VarigLog, que prevê corte de pessoal e redução de frota, preocupa. Segundo os credores, a VarigLog falou em um corte de 6,1 mil empregados mas, segundo a assessoria de imprensa da ex-subsidiária, serão cinco mil demissões, já incluindo as adesões aos planos de incentivo à aposentadoria, demissão incentivada e licença sem remuneração.

Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, a proposta prejudica a todos os credores, mas principalmente a classe de trabalhadores, devido à perspectiva de cortes anunciada pelo empresário Lap Chan. Na apresentação feita nesta terça-feira, Chan disse que o foco da nova Varig seria o mercado internacional e que a empresa ficaria com 48 aeronaves para operar. A frota atual é de 63 aeronaves. Ele prometeu ainda US$ 50 milhões para indenizar os funcionários demitidos.

Segundo Selma, Chan comentou também que a administração da nova Varig não teria interesse pelas dívidas passadas da empresa - que ficariam na Varig antiga - e que se responsabilizaria apenas pelas despesas correntes da nova Varig.

O presidente do fundo de pensão Aerus, Odilon Junqueira, também rechaçou a proposta do fundo americano. Segundo ele, a tendência é de que todos os credores digam não à oferta feita pelos donos da VarigLog para que seja mantido o curso normal, ou seja, a criação dos fundos de investimento e participações previstos no plano de recuperação judicial e que estarão na pauta da assembléia de credores marcada para a manhã desta quarta-feira.

Junqueira também ficou surpreso com o fato de Chan não ter considerado em sua proposta a situação do fundo de pensão. A Varig renegociou sua dívida de cerca de R$ 1 bilhão com o Aerus para pagamento mensal de R$ 9 milhões até 2022, mas o empresário não soube dizer como ficaria o pagamento da dívida do fundo dentro da nova Varig.

- A Varig tem um plano aprovado e ele precisa ser seguido. A proposta de Chan deixou o Aerus deserto. Tenho por mim que a proposta não será aceita. O que a Varig precisa é acelerar a criação dos fundos e eleger uma administração profissional para cuidar da companhia - disse Junqueira.

Até o momento o Aerus ainda não recebeu os R$ 18 milhões que a Varig deve ao fundo referente às parcelas de fevereiro e março da renegociação que ainda não foram pagas. A direção do Aerus vai se reunir no próximo dia 6 para discutir que providências tomar caso a companhia não acerte a sua dívida.

 

04/04/2006 - 18h59
VarigLog diz que proposta à Varig prevê corte de 2.000
CLARICE SPITZ da Folha Online, no Rio

A VarigLog negou, por meio de sua assessoria, que o plano apresentado hoje a credores da Varig contenha a demissão de 5.100 funcionários da companhia.

De acordo com a assessoria da ex-subsidiária da Varig, o plano de recuperação foi apresentado por Lap Chan, funcionário da área financeira da Matlin Patterson, fundo norte-americano sócio da Varig Log que detém 20% da Volo, controladora da companhia e prevê o corte de 2.000 postos de trabalho dos atuais 10 mil funcionários.

A VarigLog informou ainda que os recursos para financiar a aquisição da Varig virão em parte de seu próprio caixa e o restante será captado no mercado.

No começo deste ano, a VarigLog foi vendida à Volo do Brasil, formada pelo fundo norte-americano Matlin Patterson e por investidores nacionais.

Segundo a assessoria de imprensa da VarigLog, o acionista controlador da empresa é o brasileiro Marco Antonio Audi, dono de empresas do setor químico e de helicópteros.

   
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