RIO DE JANEIRO - 07 DE JULHO DE 2008

Folha de São Paulo
07/06/2008

Lap Chan quer irmã no controle da VarigLog
Chan Lup Wai Ohira, de nacionalidade brasileira e que trabalha no mercado financeiro, diz que investirá US$ 800 mil e não será laranja
Anac ameaça cassar concessão da empresa caso ela continue sob controle de um fundo estrangeiro, o Matlin Patterson

MÔNICA BERGAMO - COLUNISTA DA FOLHA

Os advogados da empresa Volo do Brasil, que controla a VarigLog, devem protocolar amanhã, na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), pedido de autorização para a transferência de controle acionário da companhia. E apresentar a nova sócia da empresa: Chan Lup Wai Ohira, 53. Ela é irmã do chinês Lap Wai Chan, que representa o fundo americano Matlin Patterson, detentor hoje da maior parte das ações da VarigLog.

A Anac ameaça cassar a concessão da empresa por ela estar sob controle acionário de um fundo americano, o que contraria o Código Brasileiro de Aeronáutica -que limita a 20% a participação estrangeira. Há três meses, Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel, os três sócios brasileiros que até então detinham 80% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa, foram afastados por decisão judicial. Com isso, a VarigLog ficou em situação irregular.

Com a entrada de Chan Lup, o problema, acreditam os advogados, será contornado: embora tenha nascido em Guangzhou (Cantão), na China, ela foi naturalizada aos 12 anos e é cidadã brasileira. "E bem brasileira: tenho marido e filhos nascidos aqui", diz Chan Lup, irmã mais velha de Lap.

Há 40 anos, os dois se mudaram com os pais, de Hong Kong para São Paulo. Lap Chan não foi naturalizado porque, segundo ela, "foi estudar nos EUA".

Chan Lup diz estar investindo recursos próprios para comprar 51% das ações da empresa, que eram dos brasileiros. Vai desembolsar US$ 800 mil. Ela afirma que, para entrar na VarigLog, está deixando uma carreira de 31 anos no mercado financeiro -e um emprego no BNB Paribas, onde trabalha há 11 anos, 6 deles como ""head" da área de recursos humanos". Formada em administração de empresas pela PUC-SP e em direito pela Unip, ela informa no currículo que já trabalhou em bancos como Comind, ING Barings e Icatu.

Os outros 29% das ações dos brasileiros, informa a assessoria da VarigLog, serão adquiridos por Peter Miller, executivo de finanças que mora em Nova York e tem dupla cidadania -americana e brasileira.

A VarigLog voltou ao centro do noticiário há um mês, quando a ex-diretora da Anac Denise Abreu deu entrevistas afirmando que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, pressionara a agência para não investigar a origem do capital dos brasileiros que estavam comprando a empresa em sociedade com Lap Chan, que representava o fundo Matlin Patterson. Suspeitava-se de que eles não tinham recursos próprios para investir no negócio, atuando como laranjas de Lap Chan.

Chan Lup nega ser laranja do irmão e diz ter como provar que está tirando dinheiro do próprio bolso para colocar no negócio. "Estou entrando na VarigLog porque gosto de desafios."

Frases

As pessoas que são inteligentes e entendem de negócios vão perceber que eu estou deixando 31 anos de mercado para entrar num outro segmento com o meu próprio dinheiro. Isso não pode ser caracterizado como laranja. Normalmente laranja é uma pessoa da esquina, desconhecida

Com a minha experiência e reputação, tenho certeza de que vou conseguir renegociar, alongar dívidas, trazer novos investimentos, fazer parcerias
CHAN LUP WAI OHIRA
administradora de empresas, que pode adquirir o controle da VarigLog

 

 

Folha de São Paulo
07/06/2008

"Laranja é pessoa da esquina, desconhecida"
Irmã de Lap Chan diz que vai tirar dinheiro que tem aplicado em "renda fixa e variável" para adquirir o controle da VarigLog
Chan Lup afirma que entrará na empresa devido a sua experiência e reputação no mercado financeiro e vê "risco e oportunidade" no negócio

DA COLUNISTA DA FOLHA

Chan Lup Wai Ohira diz que vai tirar dinheiro que tem aplicado "em renda fixa e variável" para adquirir o controle da VarigLog. Na entrevista exclusiva que deu à Folha, disse que o irmão, Lap Chan, não mandará na empresa e afirmou que não é laranja dele. "Laranja é uma pessoa da esquina, desconhecida." A seguir, os principais trechos da entrevista.

FOLHA - Qual vai ser a sua participação na empresa?
CHAN LUP WAI OHIRA - Eu vou ter 51% dos 80% que pertenciam aos três sócios brasileiros [Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel]. Os outros 29% serão comprados pelo Peter Miller [economista]. Estou entrando na empresa devido a minha experiência no mercado financeiro, de 31 anos. Porque a VarigLog hoje não tem um problema técnico-operacional. Ela tem um problema de gestão. E isso eu sei fazer.

FOLHA - Como surgiu essa idéia?
CHAN LUP - Em razão da situação da VarigLog, estava se buscando uma pessoa com esse meu perfil e também que tivesse credibilidade no mercado. Com a minha experiência e reputação, tenho certeza de que vou conseguir renegociar, alongar dívidas, trazer novos investimentos, fazer parcerias.

FOLHA - Você vai ter que investir quase US$ 1 milhão na compra das ações. Tem esse dinheiro?
CHAN LUP - Esse é o valor que a Justiça definiu para os 80% de ações que pertenciam aos três sócios brasileiros [ao afastar os brasileiros da sociedade da Volo do Brasil, que controla a VarigLog, a Justiça determinou que o fundo Matlin Patterson pagasse US$ 428 mil a cada um deles, ou US$ 1,28 milhão]. Vou entrar com 51% desse valor, cerca de US$ 800 mil.

FOLHA - É um empréstimo de seu irmão para você?
CHAN LUP - Não, é dinheiro meu. Eu acho que, com 31 anos de mercado financeiro, tive condições de acumular certa reserva, né?

FOLHA - É um dinheiro que está investido e que você vai tirar da caderneta de poupança, vamos dizer assim, para integralizar na empresa?
CHAN LUP - Exatamente. Exatamente. O dinheiro não está em caderneta de poupança, e sim em renda fixa, em renda variável. E logicamente eu vou ter que desaplicar esse dinheiro para aplicar na empresa.

FOLHA - O seu irmão está te emprestando alguma coisa?
CHAN LUP - Não é necessário.

FOLHA - Você tem condição de comprovar que esse dinheiro é seu?
CHAN LUP - Absoluta.

FOLHA - E por que apostar fichas numa empresa envolvida em disputas judiciais, que tem dívidas e está no centro de um turbilhão político?
CHAN LUP - Primeiro é que, dentro da minha característica, gosto muito de projetos. No meu histórico de 31 anos de mercado financeiro, apareceram vários projetos de que participei, com sucesso. Em segundo lugar, o chinês diz: onde tem risco tem uma oportunidade.

FOLHA - Então não é só por amor ao seu irmão?
CHAN LUP - [rindo] Não. Também. Mas o mais importante é isso: onde tem risco tem oportunidade. Lógico, desde que você tenha capacidade, competência e interesse de fazer.

FOLHA - As pessoas vão perguntar a você o que perguntaram anteriormente aos três sócios brasileiros: você é laranja do seu irmão?
CHAN LUP - As pessoas que são inteligentes e entendem de negócios vão perceber que eu estou deixando 31 anos de mercado para entrar num outro segmento com o meu próprio dinheiro. Isso não pode ser caracterizado como laranja. Normalmente laranja é uma pessoa da esquina, desconhecida.

FOLHA - E os outros, eram laranjas?
CHAN LUP - É o que você vê, a Justiça fala, né?

FOLHA - Que eles são laranjas...
CHAN LUP - É o que todo mundo acha. Mas os três não são laranjas, não.

FOLHA - Vocês vão fazer algum acordo para que o Lap Chan tenha o real comando da empresa?
CHAN LUP - Não. O comando vai ser meu.

FOLHA - É que o natural é que as pessoas imaginem que você está entrando na empresa, mas que quem vai mandar, de fato, é seu irmão...
CHAN LUP - Com 51% das ações, eu vou mandar. Eu posso citar o Jeffrey Pfeffer, uma das autoridades de Stanford: para que a gente tenha sucesso, tem que ter vontade de fazer, capacidade de fazer e o poder de fazer.

FOLHA - Que tipo de influência o Lap Chan vai ter?
CHAN LUP - Na elaboração de "business plan", como um acionista de 20%.

FOLHA - Em 2007, o Lap Chan tentou comprar as ações dos três sócios brasileiros por meio da Voloex, empresa tida como de fachada e da qual você era sócia. Não é a mesma coisa agora?
CHAN LUP - Eu tinha a intenção de assumir a empresa, mas achei que não era ainda o momento. Agora, estou decidida a enfrentar o desafio.

FOLHA - Não é barato comprar a VarigLog por US$ 800 mil?
CHAN LUP - Como eu disse, foi um valor determinado pelo juiz. E não é pouco, de jeito nenhum. A empresa está com capital negativo.

FOLHA - Qual é a dívida?
CHAN LUP - Não tenho... só sei que está bem descapitalizada.

FOLHA - Vai ter demissão?
CHAN LUP - Enquanto não tivermos o real quadro da empresa, seria leviano da minha parte dizer que tem de demitir.

FOLHA - A empresa tinha 19 aviões há um ano, hoje tem 7. Houve demissões, atrasos nos pagamentos a prestadores de serviços...
CHAN LUP - Tenho certeza de que vou conseguir administrar. É um pouco de mim dizer: se o propósito é para o bem, o universo conspira a favor.

FOLHA - Os advogados da VarigLog vão contestar na Justiça a obrigação de uma empresa aérea ser controlada por brasileiros. Se eles vencerem essa questão, e a empresa puder ser controlada por um estrangeiro, pretende devolver as ações para seu irmão?
CHAN LUP - Se estou entrando no negócio, não é para pensar em vender lá na frente. É para ter sucesso e continuar.

FOLHA - De acordo com Marco Antonio Audi, um dos sócios brasileiros afastados, o advogado Roberto Teixeira [compadre de Lula] "faz chover" no governo. Ele continuará advogando para a empresa?
CHAN LUP - Eu conheço o profissionalismo, a competência dele. É um advogado que administra 300 processos judiciais. Não tem o que questionar.

FOLHA - Você conhece o presidente Lula?
CHAN LUP - Não, mas gostaria muito de conhecê-lo um dia.

 

 

O Globo
06/07/2008

 

 

O Globo
06/07/2008

 

 

Coluna Claudio Humberto
06/07/2008

O mistério do Legacy continua

Quase dois anos após o choque do Boeing da Gol com o jato Legacy, que matou 155 pessoas na Amazônia, alguns detalhes ainda intrigam “arapongas” militares: o transponder desligado, que os pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paladino não souberam explicar, porque talvez espionassem a suspeita dos Estados Unidos da possível reativação do poço de Cachimbo (PA) para testes nucleares.

CIA no meio

Sobre a proteção aos pilotos, um araponga afirma que “nenhum governo defende estrepolias de nacionais no exterior, exceto se forem espiões”.

Sina

Com a derrota na Justiça americana, que se recusa a julgar o caso, os familiares das vítimas do desastre da GOL estão à mercê da empresa.

 

 

Jornal do Brasil
06/07/2008

Ex-diretor do Pão de Açúcar assume Azul

O ex-diretor do Grupo Pão de Açúcar Pedro Janot assumirá, na segunda-feira, a presidência da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, de propriedade de David Neeleman, fundador da americana JetBlue. Janot é formado em administração de empresas pela Universidade Candido Mendes, com pós-graduação em recursos humanos pela PUC do Rio e MBA pelo Ibmec. Além da rede de supermercados, ele já passou por Mesbla, Americanas, Richard's e Zara.

 

 

Jornal do Brasil
06/07/2008

Anac apóia maior limite de participação

A presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Solange Paiva, afirmou ontem que é favorável à alteração do limite de participação de empresas estrangeiras no capital de companhias aéreas nacionais para 49%. Segundo ela, há um consenso de que a abertura para o capital estrangeiro melhora a vida das empresas e do consumidor, além de abrir espaço para a entrada de novas companhias. Segundo ela, a alteração não exigiria mais atenção por parte do órgão regulador.

 

 

O Estado de São Paulo
05/07/2008

Voloex foi investigada por golpe
Policiais do Deic suspeitaram que empresa havia praticado estelionato
Marcelo Godoy

A Voloex Participações e Investimentos Ltda. foi alvo de outra investigação feita pela polícia de São Paulo. Constituída para que o empresário chinês Lap Chan e o fundo de investimentos Matlin Patterson exercessem a opção de compra das ações dos então sócios brasileiros da Variglog, a Voloex esteve na mira dos policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Os policiais verificavam se a empresa não fazia parte de um golpe, um estelionato, feito para garantir que os ex-controladores da Varig excluíssem os sócios brasileiros - Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo - sem que fosse preciso achar novos sócios brasileiros.

O Estado revelou ontem que a Voloex teve como origem uma empresa, a Health Translating, investigada pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) em um inquérito que apurava a conexão Brasil-Angola de tráfico de drogas. A Health foi comprada por Lap Chan em uma operação arquitetada pelo escritório do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que os policiais do Denarc não sabiam é que, ao mesmo tempo, investigadores do Deic haviam colocado em sua mira a compra da Health, ocorrida em 6 de setembro de 2007. Com capital de R$ 1 mil, a empresa passou a contar com capital de R$ 3,1 milhões em 26 de novembro.

O Deic pediu mandado de busca e apreensão para revistar a sede do fundo Matlin Patterson, na Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, e para as casas de Lap Chan e do argentino Santiago Born, representante do Matlin no Brasil. Os policiais também queriam averiguar o endereço da Voloex, cuja sede era um conjunto comercial no centro. Eles não sabiam que o conjunto estava vazio.

“Novo objeto, nova razão social e o capital alterado para quantia 500 vezes maior que o original, fatos estes que são no mínimo bastante estranhos e ensejam melhor apuração, dando a entender ser esta uma empresa ‘laranja’, criada apenas para violar as leis”, escreveu o delegado Mauro Guimarães Soares, do Deic, no pedido encaminhado à Justiça estadual.

A promotora Alessandra Andrez Borowski concordou com o pedido, mas o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso negou, pois não se trataria de tentativa de estelionato, mas de crime federal. O juiz afirmou que os fatos podiam eventualmente caracterizar delitos “inclusive contra o sistema econômico-financeiro nacional” e decidiu que tudo fosse enviado à Justiça Federal, onde está nas mãos da procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi.

DEFESA

A defesa do empresário Lap Chan e do advogado Roberto Teixeira informaram que o inquérito do Deic foi fruto de mais uma ação do advogado Marco Antônio Audi, ex-sócios da VarigLog. A constituição da Voloex foi registrada na Junta Comercial e não há nada de irregular no negócio. O criminalista Mário Sérgio de Oliveira disse que João Agostinho da Costa, o Jean, dono das empresas de transporte Afrocontinental e Atlantic Star sempre cooperou com a polícia - foi investigando essas empresas que a polícia chegou à Voloex. “Jean forneceu informações que permitiram à polícia apreender 50 camisas engomadas com cocaína e de uma bicicleta com a droga. Já investigaram as empresas e nunca acharam nada. Ele foi vítima de uma denúncia sem fundamento.”

 

 

O Estado de São Paulo
05/07/2008

Empresa foi montada por ex-donos da Varig

Diferentemente do que foi publicado pelo ‘Estado’ na edição de ontem, a Polícia investiga a empresa montada pelos ex-donos da Varig, e não pelos atuais - a Gol Linhas Aéreas, controlada pela família Constantino. A empresa investigada por tráfico de drogas, que deu origem à Voloex, foi criada a pedido do empresário Lap Chan para exercer a opção de compra das ações dos então sócios brasileiros da VarigLog.

 

 

O Estado de São Paulo
05/07/2008

Anac recorrerá de decisão que fere Código
Agência quer cassar VarigLog se ela continuar em poder de fundo americano
Alberto Komatsu

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai recorrer na semana que vem da decisão da Justiça Federal de Brasília que impede que a agência casse a concessão da VarigLog , caso ela não volte ao limite de 20% de participação de capital estrangeiro, conforme determina o Código Brasileiro de Aeronáutica. A informação foi dada ontem pela presidente da Anac, Solange Paiva Vieira.

A VarigLog está atualmente 100% em poder do fundo americano de investimentos Matlin Patterson, após decisão da Justiça paulista que afastou os acionistas brasileiros da sociedade. Diante disso, a Anac deu prazo de 30 dias, até o dia 7, para que a companhia volte a se enquadrar na legislação do setor aéreo.

Na quarta-feira, a 14ª Vara Federal do Distrito Federal concedeu liminar aos empresários brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel que impede que a Anac casse a concessão da VarigLog, até que se resolva o litígio judicial entre eles e o Matlin Patterson.

Originalmente, os brasileiros têm 80% do capital votante da VarigLog e o Matlin Patterson os demais 20%. As duas partes entraram em um duelo judicial desde que venderam a Varig para a Gol, por US$ 320 milhões em março de 2007.

Solange afirmou ontem que há consenso de que a participação de capital estrangeiro em companhia aérea nacional deva ser ampliado dos atuais 20% para 49%. Ela negou que esse novo patamar exigiria mais atenção da Anac, tendo em vista os problemas enfrentados atualmente pela VarigLog.

“Isso não exigiria mais atenção. A atenção da agência tem de ser na prestação de serviços. A gente tem de ter um serviço eficiente, com qualidade e segurança. Não importa a estrutura de capital que esteja por trás da empresa que esteja operando”, afirmou Solange, que participou do seminário “Competitividade no setor aéreo”, coordenado pela Secretaria de Aviação Civil, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

 

 

O Globo Online
05/07/2008 às 20h24m

Velha Varig à sombra de um calote de R$ 11 bi

BRASÍLIA e RIO - O governo fez esforços para salvar a Varig, enfrenta agora um desgaste político pela interferência da Casa Civil, mas tudo isso não deverá impedir um calote de R$ 10,7 bilhões, a maior parte com credores estatais. De acordo com a edição deste domingo do jornal "O Globo", fontes ligadas ao processo de recuperação da parte antiga da companhia, afirma que hoje R$ 5,3 bilhões são devidos às três classes de credores - que incluem trabalhadores, o fundo de pensão Aerus, Banco do Brasil, Infraero, BR e pequenos fornecedores. Outros R$ 5,4 bilhões se referem a dívidas tributária e previdenciária, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

No dia 17, acaba o prazo de recuperação judicial de dois anos, período em que a parte da companhia que não foi vendida - a Flex (nome fantasia da Nordeste), a Viação Aérea Riograndense e a Rio Sul - contou com proteção da Justiça. Agora, a falência poderá ser pedida.

Além disso, o grupo ficará vulnerável às investidas da Fundação Ruben Berta (FRB), a ex-controladora da Varig que muitos consideram a algoz da companhia. Afastada, a FRB já tem planos de voltar ao poder.

 

 

Grupo Guararapes
www.fortalweb.com.br

Publicada em: 05/07/2008
MAL ACOMPANHADO

Em toda a história da nossa República, nunca se viu um presidente tão azarento e mal acompanhado como o nosso presidente Lula da Silva. Parentes, amigos, assessores e compadre não livram a cara do desditoso presidente, todos querendo tirar uma casquinha do prestígio do poder do cargo.

Começou com um irmão negociando tráfico de influência junto a autoridades do palácio do Planalto. Em seguida, vem o filho Lulinha e acumula, por portas travessas, uma fabulosa fortuna da noite para o dia. Aí, chega a vez dos assessores diretos com um rosário de ações nebulosas, começando com os correios, passando pelo mensalão, cuecão, vampiros e... a lista vai se alastrando num sem fim. Todos querendo tirar um pedaço do bolo das benesses.

Agora, mais recentemente, vem o caso da venda da VARIG, onde a sua ministra Chefe da Casa Civil está enrolada, até o pescoço, com o seu “cumpadre” a tiracolo. Este, um experiente advogado, “passado na casca do alho”, fez uma declaração bombástica dizendo que recebeu 350 mil dólares pelos seus honorários advocatícios no negócio da venda dessa empresa aérea e, logo em seguida, retificou para três milhões de dólares, e logo depois aumentado par cinco milhões, pelo serviço total. Os 350 mil foram apenas o começo para cobrir os emolumentos e outras pequenas despesas.

Acompanhando a triste sina das más companhias do presidente, os prefeitos de todo o Brasil andam sonhando tirar um pedaço que lhes cabe no bolo das benesses, no efeito dominó das patifarias. A Polícia Federal anda doida prendendo todo mundo, abrindo inquéritos nos quatro cantos do país, para evitar o desperdício dos PACs, um programa do Governo Federal, que pode merecer aplauso. Até agora não chegou ao nosso conhecimento o nome de ninguém, dessa corja de malandros, que tenha sido julgado, condenado e trancafiado na cadeia.
Só resta ao presidente Lula tomar uma medida drástica, que todo brasileiro de “bom senso” pratica: tomar um demorado banho de sal grosso, colocar um ramo de arruda na orelha direita e bater na madeira três vezes, toda vez que avistar uma “asa negra” do seu séqüito. Vá ter azar assim nas asas do urubu! Será que é por não ter a dignidade que o posto exige?

 

 

Revista Veja
1º de julho de 2008

A guinada
Caso Varig: compadre fez Lula mudar de lado

PODCAST - Diogo Mainardi

É o efeito Homer Simpson. Quando um caso se complica demais, a gente se distrai completamente e começa a pensar num macaco comendo uma banana. Foi o que aconteceu com os fatos relativos à Varig. Quer ver? Vou citar alguns termos recorrentes nos artigos sobre o assunto: Slots! Anac! 1º Vara de Justiça! Dívidas trabalhistas! Procurador-Geral da Fazenda Nacional! Agora diga: o que lhe veio à mente? Isso mesmo: um macaco comendo uma banana.

Mas o caso é mais simples do que parece. Basta se concentrar no que realmente importa. E o que realmente importa é o seguinte: a postura do governo mudou, depois que o compadre do presidente entrou no negócio? A resposta é sim. E a prova está nas arquivos dos jornais do período.

Roberto Teixeira assinou um contrato com a Volo em 17 de abril de 2006. No dia 20 de abril, três dias depois, a Folha de S. Paulo publicou:

"A ministra Dilma Roussef criticou duramente a cúpula da Anac, em dois telefonemas na noite de terça-feira, por causa da decisão do órgão de rejeitar a venda da Varig Log para a Volo".

Em 23 de abril, menos de uma semana depois da contratação de Roberto Teixeira, Zero Hora fez uma reportagem intitulada "Governo muda de rumo na crise da Varig". Está lá:

"A mudança de postura foi construída na última semana e tem papéis definidos. A decisão final segue na cabeça do presidente Lula e de Dilma, mas a frente das negociações foi tomada pelo ministro da Defesa, Waldir Pires - por determinação de Lula. À Anac cabe o monitoramento direto da situação".

Em 28 de abril, saiu em O Globo:

"Chama a atenção do mercado a mudança do tom do governo em relação à empresa. Se há bem pouco tempo, representantes do governo diziam que nada poderia ser feito pela Varig, agora o próprio presidente sinaliza boa vontade".

Em 29 de abril, foi a vez de O Estado de S. Paulo comentar a estranha reviravolta do governo:

"As declarações do presidente representam uma nova atitude do governo e se somam às da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Depois de semanas insistindo em que o governo não tinha nada a fazer pela Varig, na terça Dilma passou a defender uma solução com participação oficial".

Na última semana, entrevistado pela VEJA, Gilberto Carvalho ditou a linha de defesa de Lula, dizendo que, se Roberto Teixeira "vendeu alguma facilidade", o problema é dele. É a mesma linha de defesa adotada em 1997, quando um conselho do PT, que investigava as denúncias contra Roberto Teixeira, sugeriu que ele "teria cometido abuso de confiança com aproveitamento das relações de amizade com Lula".

O que essa tese ignora é a súbita guinada do próprio Lula, em relação ao negócio proposto por seu compadre. O governo pode alegar - como está fazendo - que a venda da Varig foi decidida pela Justiça, que os diretores da Anac estavam atrapalhando o negócio, que Denise Abreu quer se vingar por sua demissão, que Dilma Rousseff impediu que a empresa quebrasse. Mas há um fato incontrovertível do qual o governo nunca vai conseguir escapar, confirmado por todos os jornais da época, quando ninguém sabia dos interesses do compadre: até o dia 17 de abril, Lula e seus ministros tinham uma posição para o caso da Varig; na própria semana em que Roberto Teixeira foi contratado, eles passaram a ter a posição contrária. Só isso já vale um inquérito. Alguém viu o Ministério Público?

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