RIO DE JANEIRO - 08 DE JULHO DE 2008

Folha de São Paulo
08/07/2008

Anac checará capacidade de futuros sócios da VarigLog
Agência verificará condição financeira e origem do capital de novos sócios da empresa
Candidatos são Chan Lup Wai Ohira e Peter Miller; sócios brasileiros afastados da empresa dizem que vão comprovar irregularidades

ALAN GRIPP DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA SUCURSAL DO RIO

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) irá verificar a capacidade financeira e a origem do capital dos candidatos a novos sócios da VarigLog, apresentados ontem à agência pelo atual controlador da companhia, o fundo norte-americano Matlin Patterson.

A Anac informou que foi protocolada ontem na agência a documentação para a mudança na composição societária da VarigLog. A agência afirmou que, por enquanto, não começará a analisar a proposta.

Os sócios brasileiros afastados da VarigLog pela Justiça acusam o Matlin de tentar "mascarar" que o fundo permanecerá como o real controlador ao apresentar os dois novos acionistas: a chinesa naturalizada brasileira Chan Lup Wai Ohira e o executivo Peter Mil- ler, que tem dupla cidadania (brasileira e americana).

Chan Lup é irmã de Lap Wai Chan, representante do fundo no Brasil, e protagonista da disputa travada na Justiça com os empresários brasileiros. E Mil- ler, radicado em Nova York, é funcionário do Matlin.

"Relação umbilical"

O Código Brasileiro de Aeronáutica impede que o capital estrangeiro de companhias aéreas ultrapasse o limite de 20%. Por serem brasileiros, Chan Lup e Miller, que, juntos, adquiriram 80% das ações, teoricamente cumprem a legislação.

Mas os sócios brasileiros (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel) anunciaram ontem que irão enviar uma notificação à Anac com documentos que comprovariam a "relação umbilical" dos novos acionistas com o fundo.

"Os sócios brasileiros precisam também ter independência efetiva no comando da empresa. Está claro que não é isso que vai acontecer", disse o advogado Marcello Panella, que representa os três sócios.

O Matlin nega a acusação e diz que a nova composição da VarigLog cumpre todas as exigências da legislação. Sobre Miller, o fundo confirmou que ele pertence aos seus quadros, mas não informou o cargo que ocupa nem o tempo de serviço.

No domingo, ao comunicar a nova composição da VarigLog, o fundo informou apenas que o executivo ocupou postos em empresas como a Dresdner Kleinwort Securities e o Bankers Trust Company.

Já Chan Lup ainda está ligada ao BNP Paribas, onde trabalha como "head" da área de recursos humanos. A empresa disse que "iniciou conversas" com ela para tratar da saída.

Por exigência da chamada Lei das Concessões, a Anac também terá de verificar a regularidade jurídica, fiscal e a viabilidade econômica da nova configuração da empresa. Em entrevista à Folha, Chan Lup negou ter recebido recursos do fundo ou do irmão e disse que os 51% das ações que adquiriu (cerca de R$ 800 mil) serão pagos com recursos próprios aplicados em renda fixa e variável.

Por ora, no entanto, a Anac está impedida de analisar a nova composição da VarigLog. Liminar da Justiça Federal em Brasília, concedida na semana passada, obrigou a agência a paralisar os trabalhos até o fim da disputa entre os brasileiros e o fundo no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Até o fim da semana, a Anac deve recorrer da decisão por meio de um agravo de instrumento. Se a decisão for revista, a agência deverá analisar a proposta dos advogados da Volo do Brasil, que controla a VarigLog. Eles sugerem a transferência do controle para Chan Lup.

Segundo o advogado Tiago Monteiro, embora a operação possa levantar dúvidas sobre quem comandaria a empresa, se Chan Lup comprovar ter recursos próprios para viabilizar a operação, não há ilegalidade.

Para Sérgio Campinho, professor de direito da UERJ e da Universidade Cândido Mendes, "a fraude não se presume, ela tem de ser comprovada".

Na opinião dele, o caso tem sido alvo de muita ação política e não há fraude comprovada que possa mudar as decisões jurídicas tomadas até agora.

 

 

Folha de São Paulo
08/07/2008

Webjet ultrapassa a OceanAir no mercado doméstico
DA SUCURSAL DO RIO

A Webjet ultrapassou a OceanAir em participação de mercado em junho e se tornou a quarta maior companhia aérea do país, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com a agência, a Webjet contava no mês passado com uma fatia de 2,11% no mercado doméstico. Já a OceanAir ficou com um percentual de 1,63%.

Para o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a mudança é resultado do aumento da frota da Webjet. "Ela acrescentou um avião", disse. A Webjet trabalha com Boeing-737/300, de 136 lugares.

O setor cresceu 10,3% no mercado doméstico e registrou uma taxa média de ocupação de 67%. Em junho do ano passado, as companhias domésticas voaram com uma taxa de ocupação de 71%.

A TAM continuou a liderar o transporte de passageiros no país, com uma participação de 48,59%. A Gol aparece em segundo lugar, com uma fatia de 38,62%, seguida pela Varig, com 7,19%.

No mercado internacional, houve crescimento de 22,8% e uma taxa média de ocupação de 68%. Entre as companhias nacionais, a TAM lidera com uma participação de 75,29%. Em segundo lugar, aparece a Varig, com um percentual de 15,73% do mercado.

Varig

Sampaio destaca que a tendência é que a participação da Varig neste segmento diminua a partir de setembro.
A companhia ainda está realizando vôos para Paris, mas deve se concentrar nas operações no mercado doméstico e na América do Sul. A Gol é a terceira em participação em vôos para o exterior, com 8,75% do mercado.

No primeiro semestre, o setor registrou um crescimento médio de 10,8% no transporte de passageiros no país. Nas linhas internacionais, a expansão chegou a 40,1%. (JANAINA LAGE)

 

 

Folha de São Paulo
08/07/2008

Brasileiras perdem espaço em vôo internacional
JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

A participação das companhias brasileiras em vôos para o exterior caiu de 53% em 1990 para 23% no ano passado, segundo estudo elaborado pelo consultor do Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias) George Ermakoff e apresentado no workshop Competitividade no Setor Aéreo.

De acordo com o consultor, os dados mostram que o setor necessita de um plano que permita a competição de igual para igual entre empresas nacionais e estrangeiras, antes da liberação da política de céus abertos. Na prática, essa política significa não depender da revisão dos acordos bilaterais entre países para aumento de freqüências.

"Não é hora de promover mudanças que nos causem ainda maiores incertezas. É só uma questão de tempo até que nossas empresas atinjam o equilíbrio na participação de mercado", disse.

Nas rotas para a Europa, a participação das brasileiras é ainda menor: passou de 48% em 1990 para 20% no ano passado. O estudo considera a participação de mercado medida em passageiros x quilômetros.

Nos vôos para América do Norte e América Central, as empresas nacionais representavam 59% do mercado em 1990 e recuaram para 18% no ano passado. Na América do Sul, a participação se manteve praticamente a mesma: passou de 47% para 48% no período.

No ranking dos dez países com maior fluxo, a Argentina, que ocupa o sexto lugar, é o país com maior participação de vôos de empresas nacionais (75,7%). Nos EUA, que ocupam o topo da lista, as empresas brasileiras respondem por uma fatia de 20,03%.

De acordo com o estudo, o preço do combustível de aviação é o principal entrave à competitividade das empresas aéreas. Cálculos do Snea indicam que o querosene de aviação já subiu 35% neste ano.Outros fatores que representam entraves para o setor, de acordo com o estudo, são a infra-estrutura aeronáutica e aeroportuária, a segurança jurídica, a economia de escala, a necessidade de uma frota moderna quanto ao consumo de combustível e a carga tributária, entre outros.

"A disparada do preço do combustível de aviação coloca a aviação civil mundial em sério risco de uma crise sistêmica que poderá acarretar sérios efeitos em relação à sobrevivência de empresas. Também sofrerão os usuários quanto à oferta em geral, descontinuidade de serviços em mercados de menor densidade e aumento das tarifas médias."

Segundo Ermakoff, uma proposta ainda em fase de discussão no Snea é a possibilidade do fundo soberano brasileiro financiar a importação de aeronaves estrangeiras novas a juros competitivos para as companhias aéreas.

 

O Estado de São Paulo
08/07/2008

Anac vai recorrer de liminar que impede suspensão da VarigLog
Medida condiciona decisões da agência sobre a empresa ao fim da disputa pela Volo do Brasil
Isabel Sobral e Alberto Komatsu

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu recorrer da decisão judicial que impede a análise da proposta da VarigLog de inclusão de mais dois sócios brasileiros na companhia. A liminar, concedida na semana passada pela 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília, condiciona qualquer decisão da agência sobre a companhia aérea à conclusão da disputa judicial em torno do comando da Volo do Brasil, controladora da VarigLog. A Volo é uma sociedade entre o fundo americano Matlin Patterson e os brasileiros Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo.

O instrumento foi obtido por Audi, Haftel e Gallo. Eles questionaram o prazo de 30 dias dado pela agência para adequação da composição acionária da VarigLog à legislação brasileira, que limita em 20% a presença de estrangeiros no capital de empresas aéreas nacionais, sob pena de perda da concessão.

Por causa do afastamento dos três brasileiros da Volo, determinado pela Justiça paulista durante litígio entre os sócios, a VarigLog está sendo controlada pelo fundo americano desde 1º de abril. Audi, Gallo e Haftel foram afastados por gestão temerária, numa disputa judicial com trocas de acusações e denúncias de desvio de dinheiro.

O prazo para a adequação da empresa à lei brasileira terminou ontem e o fundo propôs à Anac a entrada na sociedade da chinesa Chan Lup Wai Ohira (irmã de Lap Chan, naturalizada brasileira).

A idéia é que ela compre 51% das ações. Também seria incluído o brasileiro Peter Marcussen Miller, funcionário do Matlin em Nova York, que ficaria com os 29% restantes. Com isso, a participação direta do fundo americano cairia para 20%.

Os sócios afastados planejam recorrer da mudança de estrutura na Volo, segundo o advogado Marcelo Panella. Por enquanto, ele diz que a estratégia está na esfera administrativa da Anac.

“Essa está me parecendo uma estratégia suicida”, disse Panella, referindo-se à proposta da Volo. “Primeiro eles dizem que a Volo é uma empresa brasileira, conforme a Constituição (que não faz distinção entre capital estrangeiro e nacional). Agora, colocam uma sócia brasileira, que é irmã do Lap Chan, e um funcionário do Matlin. A legislação fala que todo o sócio brasileiro tem de ter autonomia de decisão, o que não me parece ser o caso.”

 

 

O Estado de São Paulo
08/07/2008

Transporte aéreo cresce 10,3% em junho no País
Alberto Komatsu

O transporte aéreo de passageiros no País cresceu 10,3% em junho, em relação ao mesmo mês de 2007, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já a oferta de assentos aumentou 16,9% e as aeronaves voaram com taxa de ocupação média de 67%, um recuo de 4 pontos porcentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Juntas, TAM, Gol e Varig responderam por 94,4% da demanda por vôos.

Nos vôos internacionais, o crescimento no fluxo de passageiros transportados por quilômetro foi de 22,8%, com alta de 13,3% na oferta de assentos. A taxa média de aproveitamento das aeronaves foi de 68%, 5 pontos porcentuais a mais do que em junho do ano passado. De janeiro a junho, o fluxo de passageiros no mercado doméstico subiu 10,8% e a oferta de assentos cresceu 14,7%, com média de 67% de ocupação dos aviões. No mercado internacional, as aéreas brasileiras acumulam altas de 40,1% e de 30,4% na oferta de assentos. A taxa média de aproveitamento de aviões no exterior foi de 68% no acumulado do ano.

A TAM liderou o mercado doméstico em junho, com 48,59% do fluxo de passageiros transportados por quilômetro. A empresa tinha 49,04% no mesmo mês de 2007. A Gol permanece a segunda, com 38,62% (39,84% no ano passado), seguida da Varig, com 7,19% (2,93% em 2007).

 

 

O Estado de São Paulo
08/07/2008

Embraer bate recorde e entrega 97 aviões no primeiro semestre
No último trimestre, a carteira de pedidos chegou a US$ 20,7 bilhões

A Embraer anunciou ontem ter entregue 52 aviões no segundo trimestre do ano, elevando o total de aeronaves entregues no primeiro semestre para um número recorde de 97 unidades. A terceira maior fabricante de aviões do mundo fechou o trimestre passado com uma carteira de pedidos firmes de US$ 20,7 bilhões, ante US$ 15,6 bilhões de um ano antes, valor até então recorde para a empresa. No segundo trimestre do ano passado, a Embraer havia entregue 36 aviões, num total de 61 unidades no primeiro semestre de 2007.

Em aviação comercial, a Embraer entregou 43 aviões no segundo trimestre, dos quais 21 unidades do modelo 190. O segmento, no acumulado do ano, tem entregas de 81 aparelhos. A carteira total do setor comercial tem 1.762 pedidos firmes, dos quais 478 em carteira.

Já na aviação executiva foram nove entregas do modelo Legacy 600 e, no primeiro semestre, de 16 unidades do mesmo avião. A Embraer informou que a nova família de jatos executivos leves Phenom tem contratos firmes “se aproximando de 800 aeronaves”.

A empresa manteve sua previsão de entregas no ano entre 195 e 200 unidades, “com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos (executivos) Phenom 100”, informou a companhia em comunicado.

CENÁRIO RUIM

Apesar dos números positivos apresentados pela empresa, o cenário da aviação mundial não é dos mais promissores. Com a disparada dos preços do petróleo, boa parte das empresas aéreas em todo o mundo atravessa um período particularmente difícil, por causa da elevação dos custos.

O resultado disso vem sendo sentido também pelos fabricantes de aviões, especialmente no caso dos grandes aviões de passageiros. As projeções de analistas internacionais são de que pelo menos um terço das encomendas feitas aos dois grandes fabricantes mundiais, a americana Boeing e a européia Airbus, sejam canceladas ou tenham a entrega postergada.

“A Embraer não teve ainda cancelamento de entregas. Mas, indiretamente, pode haver impacto no negócio da empresa”, disse na semana passada o analista do setor aeroespacial da consultoria Raymond James, Eduardo Puzzielo. Ele lembrou que uma das empresas que deverá reduzir suas encomendas com a Airbus, a americana JetBlue, é cliente da Embraer. A JetBlue encomendou 101 jatos da família 190 para serem entregues até 2011.

Até agora, o maior efeito da alta do petróleo na Embraer foi sobre as ações da empresa. Nos últimos seis meses, as ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam cerca de 50% de seu valor.

 

 

Jornal do Brasil
08/07/2008

Embraer bate recorde de vendas
Empresa entregou 97 jatos no primeiro semestre desse ano

A Embraer encerrou o semestre com recorde de 97 jatos entregues. No segundo trimestre de 2008, a empresa entregou 52 aeronaves. O resultado representa aumento de 59% em relação aos 61 aviões entregues no primeiro semestre de 2007.

A carteira de pedidos da empresa para segmentos de aviação comercial, aviação executiva e defesa do governo também encerrou o trimestre no maior nível da história, com um total de US$ 20,7 bilhões.

Nos meses de abril, maio e junho, entregou 43 jatos para o segmento de aviação comercial e nove para o segmento de aviação executiva.

Também assinou contratos de venda de sete jatos Embraer 170 para o grupo Eta Star de Dubai, e de cinco jatos Embraer 175 com a TRIP Linhas Aéreas. Na área de Defesa e Governo, a empresa fechou um contrato de venda de dois jatos Embraer 190 configurados para transporte de autoridades para o governo brasileiro. Além disso, a Executive AirShare, empresa americana, fez quatro pedidos de aeronaves.

A estimativa da empresa é entregar de 195 a 200 jatos este ano, com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos Phenom 100.

 

 

Valor Econômico
08/07/2008

Anac vê com desconfiança nova estrutura da VarigLog
Daniel Rittner

O fundo americano de investimentos Matlin Patterson entregou ontem, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a nova composição societária da VarigLog. Para evitar a ameaça de ter retirada sua concessão como empresa de transporte aéreo de carga, por ferir a legislação que limita em 20% a participação de estrangeiros no setor, o empresário Lap Chan apresentou sua irmã Chan Lup Wai Ohira como nova sócia do negócio.

Chan Lup, nascida na China e naturalizada brasileira, disse que investirá US$ 800 mil e se tornará controladora da VarigLog, com 51% das ações ordinárias (com direito a voto). Os outros 29% das ações de brasileiros, segundo a VarigLog, terão como o executivo de finanças Peter Miller, que mora em Nova York e tem dupla cidadania. A Anac recebeu a nova composição na tarde de ontem e vê com desconfiança essa estrutura societária. Os técnicos da agência suspeitam que Chan Lup e Miller sejam, na verdade, "laranjas" do americano Lap Chan.

Os ex-sócios brasileiros do Matlin Patterson na VarigLog, também apontados como "laranjas", informaram que vão tentar barrar a entrada dos dois novos sócios na companhia. Marco Antônio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel foram afastados da sociedade pela Justiça de São Paulo e buscam reverter a derrota no Superior Tribunal de Justiça (STJ). "A indicação dos dois é um verdadeiro escárnio. Nenhum tem qualificação (para ser sócio da VarigLog)", afirmou o advogado Marcello Panella, que representa os três ex-sócios brasileiros. "É mais uma demonstração inequívoca de que o Matlin Patterson continua a desrespeitar a legislação", observou Panella.

O advogado afirma que os US$ 800 mil que Chan Lup pagará para participar do negócio está baseado no preço dos lotes de ações de dois sócios brasileiros - valor este fixado em fevereiro de 2006, num contrato entre os brasileiros e o Matlin. Miller, por sua vez, pagará uma quantia que equivale ao lote do terceiro sócio brasileiro, segundo Panella. O acordo estabelecia que o fundo poderia comprar cada um dos três lotes de ações dos brasileiros por US$ 480 mil. Na época da assinatura desse contrato, segundo Panella, o valor foi considerado irrisório pelos sócios brasileiros. "Mas eles foram coagidos a aceitar", afirma o advogado. O acordo, atualmente, está suspenso por decisão de segunda instância da Justiça paulista.

A Anac havia dado prazo até ontem para a adequação da VarigLog ao Código Brasileiro de Aeronáutica, mas Audi e seus dois parceiros obtiveram uma liminar, na 14ª Vara Federal de Brasília, impedindo a agência reguladora de retomar a concessão. O juiz Jamil Oliveira entendeu que a Anac não pode tomar essa medida antes de uma sentença dos tribunais paulistas. A agência contesta tal interpretação e já deu entrada em recurso judicial.

Em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, na semana passada, Audi acusou Lap Chan de estar desidratando a VarigLog ao transferir seus clientes com cargas internacionais para a Arrow Air, empresa com sede em Miami que também é de propriedade do Matlin Patterson. O faturamento mensal da VarigLog caiu de R$ 110 milhões para menos de R$ 20 milhões, disse Audi. (Colaborou Roberta Campassi, de São Paulo)

 

 

Valor Econômico
08/07/2008

Aeroportos de Pampulha e Santos Dumont deverão ganhar novas rotas
De Brasília

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá liberar a implantação de novas rotas nos aeroportos da Pampulha (Belo Horizonte) e Santos Dumont (Rio de Janeiro). Situados na região central, os dois aeroportos operam atualmente com restrições. Enquanto o Santos Dumont só tem vôos regionais e da ponte aérea para São Paulo, a Pampulha está liberada apenas para turboélices e jatos com até 50 passageiros.

"Estamos analisando uma possível revisão para que se possa dar maior uso a esses dois aeroportos", diz Marcelo Guaranys, diretor da agência. A Anac também prepara uma mudança nos critérios de distribuição de "slots" (faixas de horário para pousos e decolagens) em Congonhas, fortalecendo a competição no aeroporto mais saturado do país. Ambas as medidas estão em fase de estudos técnicos e deverão entrar em consulta pública ao longo do segundo semestre.

Guaranys ressalta que há necessidade de análise detalhada sobre eventuais obstáculos à autorização de novas rotas. Ele ainda não tem clareza se a flexibilização das regras atuais poderá abrir caminho para a volta de vôos a cidades como Brasília e Porto Alegre, no Santos Dumont e na Pampulha, ou apenas permitirá o reforço de linhas regionais. Os dois aeroportos têm limitações em seus terminais de passageiros, segundo o diretor da agência, e o aeroporto carioca também enfrenta restrições de tráfego aéreo e no pátio de aeronaves. Por isso, diz, qualquer mudança no uso exige estudos complexos.

As mudanças na Pampulha vêm ocorrendo desde março de 2005, quando os vôos nacionais foram vetados no local e transferidos para o aeroporto internacional de Confins, que fica a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte. De 3,2 milhões em 2004, o fluxo na Pampulha caiu para 760 mil passageiros em 2007. O movimento se deslocou para Confins, que antes estava ocioso e recebeu 4,3 milhões de passageiros em 2007, após fortes pressões do governo mineiro para expandir seu uso.

O Santos Dumont, construído em 1934 , voltou a operar somente vôos de curta distância no fim de 2004. Naquele ano, chegou a receber 4,8 milhões de passageiros - 50% acima de sua capacidade atual, após a ampliação do terminal e das áreas de embarque. A pista principal do Santos Dumont tem 1.323 metros e é uma das mais curtas do país. Com o fim das operações de abrangência nacional, o movimento no aeroporto diminuiu para 3,2 milhões de passageiros em 2007. Em tendência inversa, o fluxo no Galeão subiu de 6 para 10,3 milhões de passageiros.

Para Congonhas, a agência deverá facilitar a presença de novas e de pequenas companhias no aeroporto, como forma de incrementar a competição - hoje o duopólio TAM e Gol/Varig domina 89% dos "slots". Pelas regras vigentes, quando posições são liberadas em aeroportos saturados, a Anac faz um sorteio público em que transfere 80% dessas posições às empresas que já operam no local (com pelo menos três vôos diários) e 20% aos "novos entrantes". A única possibilidade de perder um "slot" - o que raramente acontece - é por desistência ou descumprimento dos índices de regularidade. Ou seja, cumprir um mínimo de 75% dos vôos programados a cada três meses. Para respeitar esse indicador, calcula-se o total de operações numa rota ou aeroporto.

A Anac trabalha com várias hipóteses para as mudanças. Uma delas envolve aumentar o índice de regularidade para 85% e levar em consideração seu cumprimento "slot" por "slot". A divisão das posições liberadas também deve ser alterada, elevando o percentual destinado aos novos entrantes. Poderá haver ainda uma revisão periódica da distribuição dos espaços para pousos e decolagens, além de mecanismos para combater os chamados "slots de gaveta". Essa prática consiste em cancelar vôos com horários próximos, que tenham poucos passageiros, para juntá-los em uma só operação.

Guaranys aponta fragilidades nas regras definidas pela diretoria anterior da agência, que adotou os critérios para dividir os "slots" nacionais em 2006, na sua primeira resolução de caráter prático. "Não há uma única nota técnica que justifique os critérios escolhidos", diz. Há quem veja na idéia de colocar novas regras a tentativa de dar uma forcinha à recém-criada Azul na luta contra o duopólio do setor. Guaranys considera bobagem essa especulação. "A intenção é apenas dar um uso mais eficiente à nossa infra-estrutura aeroportuária." (DR)

 

 

O Globo
08/07/2008

 

O Globo
08/07/2008

 

 

JORNAL POVO DO RIO
Coluna Pedro Porfírio
08/07/2008

VARIG NAS PORTAS DA JUSTIÇA: A HORA É ESSA!


As manifestações de rua, com grande apoio da população, têm sido importantíssimas para a reabertura das discussões da situação da Varig e de seus funcionários e aposentados. São as armas mais eficazes na cobrança do respeito aos direitos de cada um.

Nesta quarta-feira, todos assaltados no processo da Varig/Aerus têm um encontro ao meio dia para ir bater às portas da Justiça e lembrar que estão vivos. Que querem o respeito a seus direitos, dos quais jamais abrirão mão.

Não me surpreenderá se nesta quarta-feira o azul e branco do mais admirado plantel de nossa aviação comercial vier a colorir os acessos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

As associações de profissionais da Varig estão convocando uma manifestação para fazer chegar aos magistrados seu descontentamento, cada dia mais dramático, sobre os rumos do de uma novela que jamais poderia encenado capítulos tão perversos.

O encontro está marcado para o meio dia no prédio das associações de comissários e pilotos, na Avenida Franklin Roosevelt, 84. De lá, os profissionais demitidos e aposentados seguirão até o Fórum, percorrendo cinco quadras em pleno horário de almoço.

O grupo realizou duas comoventes caminhadas em junho pela orla da Zona Sul, ganhando aplausos dos cidadãos por onde passava. Essa repercussão trouxe o caso de volta para a imprensa, agora com maior espaço nos grandes jornais e na própria televisão.

Houve uma lúcida compreensão por parte das vítimas do mais horripilante processo de desrespeito aos direitos trabalhistas e dos aposentados de que ainda há amplas condições para reverter as medidas adotadas conjuntamente pelo governo, sob influência do advogado Roberto Teixeira, insólito compadre do presidente, e pelo juiz Ayub, da 1ª Vara Empresarial, que lidava pela primeira vez com a nova lei de "recuperação das empresas", um monstro que solapa os direitos dos trabalhadores.

Com a aplicação dessa lei, aconteceu um grande paradoxo: a empresa não teve sua falência decretada, mas, para isso, ganhou o aval da Justiça para abandonar à própria sorte todos os demitidos, que não receberam um centavo de indenização, nem mesmo os meses trabalhados em atraso, com reflexos fatais sobre o fundo de pensão, que, sob intervenção, esgotou suas obrigações, sem que nada se fizesse para garantir o retorno de quem contribuiu ao longo da vida para ter uma complementação em sua aposentadoria.

Na prática, desde que o caso passou para a 1ª Vara Empresarial, o destino da companhia aérea mais antiga e mais respeitada do país foi determinado no âmbito da Justiça. Ali, realizaram-se dois leilões: o que foi ganho pelos próprios empregados, através do TGV - Trabalhadores do Grupo Varig - não foi homologado.

Já o segundo, ironicamente realizado em 2006, no dia em que se celebrava o nascimento do "pai da aviação", que teve um único lance, praticamente simbólico, oferecido por "laranjas" de um fundo abutre norte-americano - o Matlin Patterson - foi prontamente homologado.

Com as revelações das manipulações direcionadas feitas agora e o reconhecimento dos males provocados pelo "negócio da China" que fez do Sr. Lap Chan o todo poderoso personagem dos nossos céus, a volta dos prejudicados às ruas se tornou uma questão de vida ou morte.

Daí a redobrada importância da presença maciça de todos os prejudicados na manifestação deste 9 de julho.
coluna@pedroporfirio.com

 

 

Jornal de Turismo
Seg, 07 de Julho de 2008 - 15:15h

O turismo exportativo a bordo da Anac
Cláudio Magnavita / JT

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) se coloca, mais uma vez, na contramão dos interesses nacionais. O primarismo na gestão da agência é assustador. Coisa de neófitos arrogantes, que acham que entendem e conhecem o setor onde caíram de pára-quedas. A bomba agora é uma medida que pode liquidar com o nosso turismo interno.

Trata-se da defesa que a agência vem fazendo da liberação dos preços das passagens internacionais do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Querem liberar as tarifas, permitindo que as companhias estrangeiras vendam bilhetes por US$ 300 ou US$ 500, incentivando o turista a deixar o País.

Quando o assunto é colocado em discussão, sabem o que a Anac diz? Que a liberação tarifária vai ajudar o turismo trazendo mais turistas do exterior! Eles afirmam isso com todas as letras. Será que dentro da equipe de Solange Vieira não existe uma única pessoa com discernimento capaz de informá-la que lá no exterior os preços dos bilhetes aéreos para o Brasil já estão liberados há muito tempo? Não é de hoje que um dos artifícios tarifários utilizado pelos brasileiros é comprar no exterior os bilhetes para viajar saindo do Brasil. Eles não sabem o quanto a Air France, British Airways, Alitalia ou Air France cobram para vir para o Brasil. Se as tarifas hoje estão mais altas é por conta da lei de oferta e procura.

Os vôos para o exterior estão lotados por conta de uma demanda crescente de brasileiros movidos pelo dólar barato e valorização do real. Liberar os preços significa pressionar ainda mais a demanda. A American Airlines tem no Brasil menos de 1% do seu faturamento mundial. Voar com prejuízo nesta rota não irá quebrá-la. Caso queira, ela pode fazer o mesmo que as grandes companhias fizeram na Amazônia com a Rico, colocando vôos com valores ainda mais baixos que a empresa regional brasileira, que era a única a operar com jatos. Na mesma rota, as grandes nacionais cobravam R$ 120 a R$ 140 para sangrar a Rico. Agora, os mesmos trechos não custam menos de R$ 450. Com sede em Manaus, a Rico não agüentou a pressão. Cancelou as rotas e quase quebrou.

O Brasil só possui hoje uma empresa de longo curso, a TAM. E o que fez a Anac? Tirou a única proteção de mercado, expondo uma companhia nacional, com o exorbitante Custo Brasil nas costas, a uma concorrência predatória contra as gigantes norte-americanas. O recente acordo firmado com os Estados Unidos é um exemplo disso. Liberou geral. Que venham as gringas e que as brasileiras rebolem para enfrentar as concorrentes. O pensamento da Anac é injusto. Exigem uma competitividade das companhias brasileiras que a própria realidade nacional não permite, devido aos custos tributários, às deficiências de infra-estrutura e às altas tarifas aeroportuárias.

Achar que o mercado doméstico será o oxigenador financeiro das companhias brasileiras, já que neste primeiro momento ele ficará reservado para as empresas nacionais, é irracional, principalmente quando o barril de petróleo está beirando os US$ 150.

O setor de turismo deve se unir, principalmente a região Nordeste, que fica distante do principal mercado emissor que é São Paulo. Voar para Miami vai ser mas barato do que voar para Fortaleza. Isso vai acabar com o turismo doméstico, além de aniquilar as nossas empresas.

Assistimos o fim da Varig de longo curso, da Transbrasil e da Vasp. Todas as três voavam para o exterior e por causa das duas últimas, o mercado internacional foi corrompido. Está na hora do turismo brasileiro se mobilizar, do Ministério do Turismo, que tem assento no Conselho de Aviação Civil, levantar esta bandeira. Está na hora de haver uma mobilização contra uma Anac arrogante, que desconhece os interesses do País e que está usando o turismo (o exportativo) para a defesa de uma sandice.

Não se trata de defender monopólio, restrições de mercado ou outras argumentações esdrúxulas que podem partir da Anac. Está na hora de defender o turismo doméstico e a evasão de divisas. O Nordeste do Brasil é uma região que precisa do turismo para sobreviver. Muitas vezes é a atividade econômica que faz a diferença entre a pobreza e uma vida digna. Ajudar a migrar o fluxo de brasileiros para o exterior nunca deveria ser encarado como missão maior por uma agência de Estado.

 

 

O Estado de São Paulo
07/07/2008

Anac julga se irmã de Lap Chan pode controlar VarigLog
Para advogado de sócios brasileiros da empresa, é uma nova
tentativa de o fundo Matlin Patterson burlar a lei

Renée Pereira
COLABOROU ANDRÉ MAGNABOSCO

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) começa a examinar hoje a proposta dos investidores estrangeiros da VarigLog para tentar se enquadrar à lei brasileira e não perder o comando da empresa.

Ontem, a Volo Brasil, controladora da VarigLog, distribuiu um comunicado anunciando os novos sócios: uma chinesa e um americano, ambos naturalizados brasileiros.

A chinesa é Chan Lup Wai Ohira, irmã de Lap Chan, representante do fundo de investimentos americano Matlin Patterson no Brasil. O outro sócio é Peter Marcussen Miller, funcionário do Matlin Patterson e membro do Conselho de Administração da VarigLog.

A nomeação dos dois é uma tentativa do Matlin Patterson de se enquadrar ao Código Brasileiro de Aeronáutica, que limita a participação de estrangeiros a no máximo 20% do capital com direito a voto na empresa.

A Anac havia dado até hoje para o Matlin Patterson se enquadrar. Caso contrário, a concessão da empresa poderia até ser cassada. Os outros sócios brasileiros da VarigLog, Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo, haviam sido destituídos da empresa por ordem judicial, a pedido do Matlin.

A decisão judicial prevê ainda que os novos sócios brasileiros indicados pelo Matlin Patterson devem comprar as ações de Audi, Haftel e Gallo por cerca de US$ 1,3 milhão - ou US$ 428 mil para cada um deles. Os três têm 80% das ações com direito a voto.

Acusados de terem sido ‘laranjas’ do Matlin antes de brigar com o fundo, Audi, Haftel e Gallo vêem com desconfiança a indicação de Chan Lup e de Peter Miller como os novos sócios brasileiros da VarigLog.

“A nova sócia majoritária é irmã daquele que desrespeitou a legislação e tentou, num passado recente, transferir US$ 85 milhões (da VarigLog) para a conta do fundo Matlin Patterson”, diz Marcelo Panella, advogado do escritório Thiollier, que representa os antigos sócios brasileiros.

Para Panella, a indicação da irmã de Lap é um sinal que o controle da VarigLog continuará nas mãos do fundo Matlin Patterson, numa tentativa de driblar a lei que limita em 20% a participação de estrangeiros nas companhias aéreas.

“Não acredito que a Anac vá aceitar essa composição acionária”, disse Panella, que pretende ir hoje à agência e à Justiça para tentar impugnar o negócio.

De acordo com o comunicado distribuído ontem pela VarigLog, Chan Lup é administradora, com formação pela PUC-SP e especialização pela Fundação Getúlio Vargas.

Ela trabalhou nos bancos Comind, ING Barings e Icatu. Até a semana passada, Chan Lup era funcionária da área de recursos humanos do banco BNP Paribas, quando apresentou a carta de demissão para participar da sociedade na Volo Brasil.

Chan Lup terá de desembolsar cerca de US$ 800 mil para se tornar sócia da empresa. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o dinheiro para adquirir as ações será retirado das aplicações da irmã de Lap Chan nos mercados de renda fixa e renda variável.

“Acreditamos no negócio e tenho certeza de que, com uma gestão profissional e competente, poderemos levar a VarigLog a recuperar seu espaço no mercado de transporte de cargas”, afirmou Chan Lup, em nota.

Essa não é a primeira vez que Lap Chan tenta indicar sua irmã para ser sócia da VarigLog. Ela já participou de uma operação polêmica, organizada pelo advogado Roberto Teixeira, que está sendo investigada pela Polícia de São Paulo.

Conforme reportagem publicada pelo Estado na semana passada, a transação consistiu na compra de uma empresa, a Health Translating Ltda, pela irmã de Lap Chan, em 2007. A Health Translating foi comprada a custo zero e virou a Voloex. Seu capital social saltou de R$ 1 mil para R$ 3,1 milhões.

A polícia chegou à Health Translating quando investigava um caso de tráfico de drogas envolvendo os antigos donos da empresa. Por achar estranha a negociação, a polícia começou a investigar também a criação da Voloex.

A polícia quer saber como a empresa foi vendida a custo zero e de onde veio o dinheiro que a capitalizou. Segundo os advogados de Lap Chan e de Roberto Teixeira, trata-se de uma armação dos antigos sócios brasileiros para prejudicá-los.

Em novembro de 2007, Chan Lup retirou-se da sociedade. Foi substituída pela Volo Logistics, com sede nos Estados Unidos, tendo Lap Chan o representante no Brasil. Agora, ela volta a aparecer como possível sócia da VarigLog.

 

 

O Estado de São Paulo
07/07/2008

Passagens aéreas subiram 61,24% nos últimos 12 meses
Especialistas dizem que as empresas estão aproveitando o forte movimento para recuperar perdas da crise aérea
Alessandra Saraiva e Alberto Komatsu, RIO

A inflação nos preços das passagens aéreas no varejo alcançou, em junho, 61,24% no índice acumulado em 12 meses. É o maior patamar em 11 anos, apurou a Fundação Getúlio Vargas, em levantamento feito a pedido do Estado. A pesquisa tomou por base dados do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) do mês passado, de 13,44% na mesma base de comparação. TAM, Gol e Varig admitem que os preços podem subir mais se o preço do barril de petróleo não ceder.

Para o economista responsável pelo levantamento, André Braz, as companhias aproveitaram o bom momento de demanda interna para reajustar passagens e recuperar a margem de lucro perdida com a da crise no setor. “Na verdade, temos o fator sazonal, já que os aumentos são realizados nessa época do ano, e a demanda interna intensa”, afirmou Braz. “A elevação nos preços das passagens em 12 meses até dezembro do ano passado era de 4%. Agora em junho está acima de 60%.”

O vice-presidente de planejamento e alianças, Paulo Castello Branco, porém, não concorda que as passagens estão em alta. “Os preços apresentam reduções constantes nos últimos anos. Quando analisamos nossos yields (tarifas pagas pelos passageiros) domésticos históricos, verificamos reduções de 11% (2005 ante 2004), 7% (2006 ante 2005) e 19% (2007 ante 2006)”, diz.

Para o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio, a escalada dos preços pode ser explicada, em parte, pela falta de competição no mercado doméstico. De um lado a TAM, com 49,28% dos vôos em maio, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Do outro, Gol e Varig, com 45,24%. “Não é aumento no preço. Está havendo redução nos descontos por falta de competição”, avalia.

O especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini, lembra que o setor aéreo foi dimensionado para trabalhar com o barril do petróleo a US$ 70, e não a US$ 140, patamar atual. “Se o petróleo mantiver tendência de alta, as tarifas vão subir e as malhas aéreas diminuir, assim como a frota das companhias”, prevê.

O vice-presidente técnico da Gol, comandante Fernando Rockert de Magalhães, conta que a companhia tem feito pequenas ações para economizar com o QAV, cujo preço do litro no mercado spot está em torno de R$ 4. e já responde por 40% dos custos da Gol.

A empresa reduziu a velocidade dos aviões e abastece com mais freqüência no Rio e em Minas Gerais, onde há incidência menor de ICMS. As ações levam a uma redução de 0,4% nos custos com combustível, que este ano acumula alta de 35,3%.

 

 

O Globo
07/07/2008

 

 

O Globo
07/07/2008

 

 

O Globo
07/07/2008

 

 

Folha de São Paulo
07/07/2008

Sócios afastados vão recorrer contra mudança na VarigLog
Advogado diz que causou surpresa o anúncio de que irmã de Lap Chan assumiria empresa
Medida do executivo chinês, representante de fundo dos EUA, tenta enquadrar empresa aérea na lei que veta controle estrangeiro

AGNALDO BRITO DA REPORTAGEM LOCAL

Os sócios brasileiros afastados do comando da VarigLog (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel) prometem apresentar recurso à direção da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) caso o empresário Lap Wai Chan -representante do fundo de investimento Matlin Patterson, atual controlador da companhia- apresente pedido de transferência do controle da companhia para a irmã, a chinesa naturalizada brasileira Chan Lup Wai Ohira, 53.

Em entrevista publicada ontem na Folha, ela afirma que deverá ficar com 51% da Varig- Log. Para isso, anunciou que utilizará recursos próprios aplicados atualmente "em renda fixa e variável" para assumir a empresa de transporte.

Os advogados da Volo do Brasil, empresa que controla a VarigLog, devem protocolar pedido de transferência hoje na Anac. "Os sócios brasileiros foram surpreendidos com essa indicação de Lap Chan, o que demonstra, de forma inequívoca, que ele está tentando burlar o artigo 118 do Código Brasileiro Aeronáutico", diz Marcello Panella, advogado dos sócios afastados do comando da empresa, há três meses, sob acusação de gestão temerária. Ele afirmou que aguardará o pedido do representante do fundo de investimento norte-americano para "tomar as providências". "Se for confirmado, vamos pedir à Anac que se abstenha de acatar tal pedido", diz.

A medida do representante do fundo norte-americano tenta corrigir uma situação de ilegalidade da companhia ante as leis brasileiras, que vetam o controle estrangeiro de empresas de aviação. A irmã de Lap Chan é naturalizada brasileira desde os 12 anos, tem marido e filhos brasileiros. Os advogados tentam evitar que a concessão de operação seja cassada pela Anac, sob alegação de que a empresa está descumprindo o Código Brasileiro Aeronáutico, que fixa em 20% a participação máxima de capital estrangeiro nas companhias aéreas.

Panella lembrou ontem que a Justiça Federal de Brasília garantiu, por meio de liminar, a manutenção da concessão da VarigLog. No dia de 5 de junho, a Anac deu prazo de um mês para que a VarigLog adequasse sua composição societária às leis brasileiras. "A Justiça considerou o afastamento dos sócios brasileiros uma medida amparada em uma decisão precária, que ainda pode ser derrubada. Não há risco de a concessão ser cassada pela Anac."

A tentativa de derrubar a decisão de afastamento dos sócios brasileiros, tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, pode começar nesta semana. Panella afirma que está prometida para os próximos dias a publicação do acórdão com a íntegra da decisão do TJ. Ele diz que, a partir da publicação, pode tentar derrubar a decisão em instância superior, em Brasília, ou recorrer pedindo reconsideração no próprio tribunal, em São Paulo.

 

 

Folha de São Paulo
07/07/2008

Varig provoca impacto negativo de US$ 318 milhões para a Gol
JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO
MAELI PRADO DA REPORTAGEM LOCAL

A compra da Varig teve um impacto negativo para a Gol de ao menos R$ 318 milhões, de acordo com cálculos de analistas. O valor representa a soma do efeito negativo da Varig sobre o lucro líquido da companhia nos balanços publicados dos dois últimos trimestres, de acordo com o padrão contábil norte-americano.

Somente a partir do quarto trimestre do ano passado a Gol passou a apresentar o impacto da Varig em separado nos seus resultados. Foram também dois períodos seguidos de prejuízo para a empresa de baixo custo e baixa tarifa. Na última teleconferência de resultados, o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, afirmou que a empresa investiu cerca de R$ 1 bilhão, entre a aquisição e os investimentos.

Segundo o vice-presidente de Marketing e Serviços da Gol, Tarcísio Gargioni, o principal fator a influenciar o desempenho foi o aumento do preço do barril de petróleo. "Jamais imaginávamos há cerca de um ano que o preço do petróleo fosse chegar a US$ 150", disse.

A escalada do preço do petróleo foi um dos fatores decisivos para que a Gol mudasse o foco na aquisição da Varig. Quando ela foi comprada, em março do ano passado, por US$ 320 milhões, a leitura do mercado era que a Varig seria usada para rotas de longo curso, especialmente para a Europa e os EUA. Em abril deste ano, a Varig anunciou a suspensão das linhas intercontinentais.

"Poderíamos ter mantido o foco nos vôos de longo curso, mas o preço do petróleo inviabilizou a operação com o Boeing-767", afirmou Gargioni. A empresa ainda faz vôos para Paris, mas a partir de setembro estará totalmente concentrada em rotas no mercado doméstico e para a América do Sul.

O principal prejuízo, segundo André Castellini, da consultoria Bain & Company, foi o econômico, mas não o único.
"A operação já estava mais deteriorada do que pensavam e a economia não ajudou, em termos de preço do petróleo. A Varig absorveu caixa da Gol, gerou perdas e voou com aviões bem mais vazios do que o imaginado. Mas a recente exposição na mídia também não é algo que tenha agradado à Gol, apesar de não lhe dizer respeito diretamente", disse o consultor, se referindo às acusações da ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu sobre a venda da Varig para a VarigLog em 2006.

Para Caio Dias, analista do Santander, o principal problema da Varig foi a utilização de aeronaves velhas nos vôos de longo curso. "A companhia queria disputar mercado com a TAM, em busca do passageiro que valoriza a maior qualidade do serviço, mas começou com aviões velhos. Não havia avião disponível no mercado e a aeronave faz toda a diferença na percepção de qualidade de serviço", disse o analista.

Ele estima que a Varig só atingirá o "break even" (ponto de equilíbrio entre receitas e despesas) no final do ano.
Após registrar taxas de ocupação de até 52% no mercado doméstico em julho do ano passado, a Varig registrou em maio deste ano uma taxa de 70%, de acordo com dados da Anac .

A escalada do preço do petróleo fez com que a Gol revisasse as operações e procurasse novas formas de economia. Segundo Gargioni, a alta de preços elevou a necessidade de buscar aumento de eficiência nas operações.

A principal medida é a troca até o fim do ano de toda a frota de Boeings-737/300 por Boeings-737/700 e 737/800 Next Generation, que consomem menos combustível. Na Varig, a padronização deve ser concluída até o fim do ano com a saída dos Boeings-767, usados nas rotas de longo curso.

Outra medida de economia na ponta do lápis foi a redução da velocidade das aeronaves de 5 km/h a 6 km/h, o que diminui o gasto com combustível.

 

 

Jornal do Brasil
07/07/2008

Anac poderá acabar com turismo doméstico
Claudio Magnavita

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se coloca, mais uma vez, na contramão dos interesses nacionais. O primarismo na gestão da agência é assustador. Coisa de neófitos arrogantes, que acham que entendem e conhecem o setor onde caíram de pára-quedas. A bomba agora é uma medida que pode liquidar com o nosso turismo interno. Trata-se da defesa que a agência vem fazendo da liberação dos preços das passagens internacionais do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Querem liberar as tarifas, permitindo que as companhias estrangeiras vendam bilhetes por US$ 300 ou US$ 500, incentivando o turista a deixar o país.

Quando o assunto é colocado em discussão, sabem o que a Anac diz? Que a liberação tarifária vai ajudar o turismo do Brasil, trazendo mais turistas do exterior. Eles afirmam isso com todas as letras. Será que dentro da equipe da Dra. Solange Vieira, presidente da Anac, não existe uma única pessoa com discernimento capaz de informá-la que lá no exterior os preços dos bilhetes aéreos para o Brasil já estão liberados há muito tempo? Não é de hoje que um dos artifícios tarifários utilizado pelos brasileiros é comprar no exterior os bilhetes para viajar saindo do Brasil. A Anac não sabe o quanto a Air France, British Airways, Alitalia, a United ou a American Airlines cobram para vir para o Brasil. Se as tarifas hoje estão mais altas é por conta da lei de oferta e procura.

Os vôos para o exterior estão lotados por conta de uma demanda crescente de brasileiros movidos pelo dólar barato e valorização do real. Liberar os preços significa pressionar ainda mais a demanda. A American Airlines tem no Brasil menos de 1% do seu faturamento mundial. Voar com prejuízo nesta rota não irá quebrá-la. Caso queira, ela pode fazer o mesmo que as grandes companhias fizeram na Amazônia com a Rico, colocando vôos com valores ainda mais baixos que a empresa regional brasileira, que era a única a operar com jatos. Na mesma rota, as grandes nacionais cobravam R$ 120 a R$ 140 para sangrar a Rico. Agora, os mesmos trechos não custam menos de R$ 450. Com sede em Manaus, a Rico não aguentou a pressão. Cancelou as rotas e quase quebrou.

O Brasil só possui hoje uma empresa de longo curso, a TAM. E o que fez a Anac? Tirou a única proteção de mercado, expondo uma companhia nacional, com o exorbitante custo Brasil nas costas, a uma concorrência predatória contra as gigantes norte-americanas.

O recente acordo firmado com os Estados Unidos é um exemplo disso. Liberou geral. Que venham as "gringas" e que as brasileiras rebolem para enfrentar as concorrentes. O pensamento da Anac é injusto. Exigem uma competitividade das companhias brasileiras que a própria realidade nacional não permite, devido aos custos tributários, às deficiências de infra-estrutura e às altas tarifas aeroportuárias.

Achar que o mercado doméstico será o oxigenador financeiro das companhias brasileiras, já que neste primeiro momento ele ficará reservado para as empresas nacionais, é irracional, principalmente quando o barril de petróleo está beirando os US$ 150.

O setor de turismo deve se unir, principalmente a Região Nordeste, que fica distante do principal mercado emissor que é São Paulo. Voar para Miami vai ser mais barato do que voar para Fortaleza. Isso vai acabar com o turismo doméstico, além de aniquilar as nossas empresas. Assistimos o fim da Varig de longo curso, da Transbrasil, da Vasp e da VarigLog.

As três primeiras voavam para o exterior e por causa de outras duas, Transbrasil e Vasp, o mercado internacional foi corrompido. Está na hora de o turismo brasileiro se mobilizar, do Ministério do Turismo, que tem assento no Conselho de Aviação Civil, levantar esta bandeira. Está na hora de haver uma mobilização contra uma Anac arrogante, que desconhece os interesses do país e que está usando o turismo (o exportativo) para a defesa de uma sandice. Uma atitude semelhante de omissão, como a de permitir que um fundo norte-americano seja proprietário de uma empresa aérea no Brasil e transfira os seus ativos para uma congênere americana de sua propriedade.

Não se trata de defender monopólio, restrições de mercado ou outras argumentações esdrúxulas que podem partir da Anac. Está na hora de defender o turismo doméstico e a evasão de divisas. O Nordeste do Brasil é uma região que precisa do turismo para sobreviver. Muitas vezes é a atividade econômica que faz a diferença entre a pobreza e uma vida digna. Ajudar a migrar o fluxo de brasileiros para o exterior nunca deveria ser encarado como missão maior por uma agência de Estado.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br