RIO DE JANEIRO - 08 DE SETEMBRO DE 2008

Mercado e Eventos
08/09/2008

Lula afirma que Embraer na Argentina é interessante para o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu o interesse do governo na instalação de uma fábrica da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) na Argentina para produzir peças, conforme uma demanda do governo daquele país. "A questão é que a Embraer, embora sendo uma empresa privada, detém um relacionamento muito produtivo com o governo brasileiro. E temos interesse que estabeleça um braço na Argentina para a produção de algumas peças", disse Lula.

O pedido do governo argentino para que a terceira maior fabricante mundial de aviões instale uma subsidiária em seu território foi ratificado pelo ministro do Planejamento, Julio de Vido, que acompanha a presidente Cristina Kirchner em sua visita de três dias ao Brasil. Vido informou no Recife que o governo argentino deseja adquirir da Embraer 26 aviões para reequipar a empresa aérea Aerolíneas Argentinas e sua subsidiária Austral, recentemente reestatizadas, que controlam 80% do mercado aéreo de cabotagem, e contam com uma frota de 70 aeronaves das quais 40% estão fora de serviço.

 

 

Mercado e Eventos
08/09/2008

OceanAir tem tarifas a partir de R$ 93 na Ponte Aérea

Durante o mês de setembro a OceanAir está com tarifas especiais a partir de R$ 93, ligando o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ao Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A promoção é válida para os vôos 6004 e 6005 (de segunda a sexta-feira), 6006 (de segunda a quarta) e 6003 (apenas aos sábados) e para trechos de ida e volta adquiridos até 29 de setembro, com 24 horas de antecedência ao vôo, para embarques até 30 de setembro.

Antes de adquirir os bilhetes, os passageiros devem observar as regras da promoção. As passagens podem ser adquiridas pelo site da companhia www.oceanair.com.br), por sua Central de Atendimento (4004-4040 ou 0300-789-8160) ou ainda através dos agentes de viagens.

 

Coluna Claudio Humberto
08/09/2008

Liquidação

Apenas dez dos 67 aeroportos administrados pela Infraero dão lucro. E os dez serão entregues à iniciativa privada. Será o fim da estatal.

Demissões

Só a venda do aeroporto internacional do Galeão provocará a demissão de cerca de dez mil pessoas, a maioria integrante do sistema Infraero.

Leilão Bloch

A antiga sede da finada Editora Bloch, na Rua do Russel, vai a leilão, dia 17, no Rio. O lance mínimo é de R$ 40 milhões. A renda deveria ser usada no pagamento de R$ 60 milhões em dívidas trabalhistas, como manda a lei, mas um forte lobby pretende privilegiar “ex-fornecedores”

 

 

Valor Econômico
08/09/2008

Terceirização é foco em greve na Boeing
J. Lynn Lunsford, The Wall Street Journal, de Seattle

Por trás da greve de trabalhadores metalúrgicos da Boeing Co. há um conflito relacionado a algo que a empresa chegou a promover como uma inovação industrial: seu esforço para terceirizar partes importantes da produção de seu novo jato 787 Dreamliner.

Quase 27.000 trabalhadores entraram em greve no sábado, depois que fracassaram as negociações de última hora para um novo contrato de três anos. Embora salários e custos de saúde sejam temas importantes, a segurança do emprego emergiu como talvez o tópico crucial, com ambos os lados indicando que o novo contrato representa um marco importante. A Boeing afirma que precisa de flexibilidade em sua manufatura para evitar as armadilhas que derrubaram outras grandes empresas industriais, enquanto o sindicato luta para manter o máximo de empregos possível.

O foco desse debate é o problemático programa do 787 Dreamliner, que trabalhadores em greve apontam como principal exemplo de seus argumentos contra a terceirização. A Boeing alardeava as virtudes de ter fornecedores de locais tão diversos quanto Japão e Itália fazendo boa parte do jato, deixando a montagem final para as fábricas da empresa em Seattle.

Mas o plano teve um revés quando os fornecedores não conseguiram cumprir suas tarefas. O programa do 787 está mais de um ano atrasado. A Boeing foi forçada a recorrer a sua própria força de trabalho sindicalizada para montar os primeiros aviões depois que eles chegaram a uma fábrica com milhares de peças faltando. Isso alimentou tanto a fúria quanto o nervosismo dos trabalhadores sindicalizados.

Com as fábricas da Boeing operando a plena capacidade para atender à forte demanda por novos jatos de companhias aéreas em busca de aeronaves que consomem menos combustível, uma greve deve custar à empresa cerca de US$ 100 milhões por dia.

 

 

Valor Econômico
08/09/2008

Embraer entrega jatos

A Embraer entregou na semana passada o primeiro dos nove jatos EMB 170 adquiridos pela Régional, o braço de aviação regional da francesa Air France. Esse será o segundo modelo de aeronave da família de E-Jets da fabricante brasileira utilizado pela companhia francesa, que já opera com modelos EMB 190, segundo informou o Valor Online na sexta-feira. A aeronave entregue à Régional tem capacidade para 76 passageiros em classe única. A Régional é a maior cliente européia da Embraer e, atualmente, opera uma frota de 48 aeronaves da fabricante brasileira.

 

 

Site Aeroconsult
08/09/2008

O DUOPÓLIO AÉREO ESTÁ ATACANDO OS BOLSOS DOS PASSAGEIROS ?

Quando ainda havia quem apoiava a sugestão de ajudar a Varig a sair da crise financeira recorrendo a financiamentos oficiais do BNDES, da mesma maneira que aconteceu nos Estados Unidos e ainda acontece na Itália e na Argentina, só para citar alguns países que abriram seus cofres às empresas aéreas, economistas, técnicos e analistas do país, em maioria, gritaram ao escândalo. Investir o dinheiro dos contribuintes numa aérea de setenta e mais anos, que sem duvida deu prestígio ao país, mas que foi mal administrada e por isso se encontrava à beira da falência ? Os bancos sim, mereciam esse apoio, por que são instituições que sustentam a economia, os bancos sim podiam ser beneficiados por um mutirão governamental que distribuiu milhões, não uma empresa aérea privada. Apesar dela ter demonstrado tanto carinho pelo pais, sempre que solicitado, sem cobrar interesses, e ter concedido – tirando assentos de passageiros pagos - viagens gratuitas a ministros e deputados, all inclusive, com carro no aeroporto, hotel, poltrona de primeira classe na ida e na volta. Precisaria que os ex-representantes da empresa no exterior falassem, contando seus plantões no John Kennedy, de manhã cedo pois o Boeing chegava quase de madrugada, ou em Orly ou Charles de Gaulle, destinos prediletos desses viajantes, que eram os mesmos parlamentares que não levantaram um dedo quando as coisas mudaram. Essas crônicas, talvez demonstrariam ser verdadeira a convicção dos eleitores, sempre mais generalizada, de que os políticos pouco oferecem em troca dos votos e dos favores que recebem.

A Anac, primeira edição, por estar, como se diz, com a mão na massa queria continuar a favor de seus diretores e técnicos de maior influência a tradição deixada por esses parlamentares. Viagens de serviço eram o pretexto oficial para viajar, no país e afora, inclusive com despesas pagas, além das diárias de praxe. Foi uma festa, até quando durou. Até que chegaram um novo ministro e uma nova presidente da Agência, supostamente feitos uma pelo outro. Ou seja firmes nas atitudes, exigentes, apesar de pouco conhecer das práticas aeronáuticas,da IATA e da ICAO, das tantas normas técnicas que regem a arte de voar e, talvez, até das exigências internacionais seladas pelos acordos bilaterais. Mas ambos inteligentes e ambiciosos o bastante para querer demonstrar os pulsos firme do Ministério da Defesa e da Anac que haviam faltado quando eclodiu a crise que quase derrubou a aviação civil brasileira. Entre suas preocupações declaradas, o ministro queria evitar a possibilidade do duopólio Gol/Tam dominar o mercado nacional, enquanto a presidente não gostava do fato que as duas aéreas efetivamente já estivessem dominando o mercado, impondo tarifas de conveniência de acordo com as sinalizações de seus sistemas de reserva. Preços Up em vôos de demanda elevada, down quando as previsões do yield management estavam no vermelho.

Com esses conceitos em evidência, o ministro deu, e mandou a presidente dar, as muito boas vindas ao ex dono da JetBlue, que veio ao país adquirindo logo os EMB.190 que Gol e Tam haviam esnobado optando pelas aeronaves americanas e francesas. David Neeleman lhe deve ter lembrado o homem da providência, ideal para interferir nas manobras do duopólio e obrigar as empresas a manterem as tarifas baixas, para ser competitivas. E como iniciativa complementar, surgiu de parte da Anac o projeto de eliminar os controles tarifários. Já em vigor nos vôos operados no Brasil e na América do Sul, no resto do mundo provavelmente em 2009. Pena que o resultado imediato seja negativo para o usuário brasileiro, que está pagando a conta. De fato, coincidência ou não, se a liberalização visava eliminar as barreiras formadas pelas bandas tarifárias que impediam às empresas aéreas de aplicar eventuais descontos excessivos, na prática está favorecendo o movimento contrário, permitindo constantes aumentos de tarifas. A motivação é valida, mas os novos valores tarifários superam o ônus representado pelo preço do querosene de aviação sobre a formação dos custos operacionais.

Assim, uma medida da Anac que deveria estimular a concorrência se traduziu em tarifas domésticas que em seis meses subiram em média 40%. No mesmo período, somente para comparar, o índice oficial de preços ao consumidor, IPCA subiu 4,19%. No período um galão de querosene de aviação, nos mercados de Nova York e Singapura, subiu de US$ 265,3 centavos para US$ 394,6 cents, registrando um aumento de 32,8%. Mas no segundo semestre as cotações ficaram instáveis e em agosto começou sua caída, acompanhando a redução do preço do barril de petróleo, que de US$ 140 chegou na última quinta-feira a US$ 107. Gol e Tam dirão que, até agora, não há o menor indício de que no país a Petrobrás reduzirá proporcionalmente o preço do combustível, pois suas alegação será que o querosene que está sendo comercializado faz parte de encomendas anteriores, transportadas via mar.

Entretanto, os usuários de algumas rotas estão pagando tarifas que, em comparação com as anteriores aumentaram mais que o preço do querosene. Chegaram até 58,6%, como no caso da rota Porto Alegre/ Congonhas e retorno, que de R$ 373 subiu para R$ 592. Na Ponte Aérea Rio/ São Paulo/Rio, da média de R$ 343,26 o preço da passagem passou para R$ 534,5, registrando um aumento de 55,7%. E para quem vai ou vem de Brasília o aumento da ida-e-volta chega a 44,6% se o embarque é feito em Congonhas e a 40,9% se a origem é o aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Deve ser enfatizado que o preço do combustível é apenas uma parte do custo operacional e que sua incidência balança entre 35% e 40%.. Por isso o aumento tarifário não deveria acompanhar o aumento do preço do querosene. Com tantos analistas que opinam no mundo da aviação comercial o assunto ainda não chegou ao ouvido de deputados e senadores. Ou será que, somente se eles pagassem suas viagens, alguém já se teria levantado na Câmara para estigmatizar o excesso ?

No caso do querosene, impossibilitada de reduzir seus custos varáveis, dos quais é parte, na pratica as empresas aéreas regulares só podem tentar minimizar alguns custos fixos. Mas a tendência das companhias, num mercado competitivo, é evitar aumentos tarifários que afastem os usuários. Isto não acontece no mercado aéreo brasileiro onde, segundo os dados de julho, 92,86% do tráfego doméstico estava nas mãos da Gol (35,33%), Varig (6,44%) e Tam (51,09), apesar dos esforços da WebJet e Oceanair para não desaparecerem. Assim, tendo pouco a temer e agora com o aval da resolução da Agência Nacional de Aviação Civil, as grandes aplicam as tarifas de sua conveniência.

Cessaram de existir, nesta conjuntura liberal demais, conceitos ligados à proteção do consumidor ou imposições que no passado valiam para os serviços de utilidade pública. A demanda é alta (cresceu cerca de 10% entre janeiro e julho), a economia anda aquecida, quem viaja por negócio ou por férias não tem alternativa para chegar ao seu destino. Parece não ter importância o fato que a alta tarifária vai além de cálculos ao alcance da Anac, nem que desta maneira é improvável o ingresso da classe C, um nicho supostamente de grande potencial, no feliz paraíso dos cidadãos voadores. Voltaram, bem vindas, as forças de mercado, às ordens e sobejamente gerenciadas pelo duopólio caseiro.

 

 

Folha de São Paulo
07/06/2008

Gol vai vender passagem porta a porta
Empresa contratará mil autônomos para comercializar bilhetes em até 36 parcelas, mas nega que objetivo seja elevar ocupação
Novidade desagrada aos agentes de viagens; para o Sindicato das Empresas de Turismo de SP, medida é "sinal de desespero" da Gol

JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

A Gol vai contratar mil vendedores autônomos até o fim do ano para vender passagens aéreas de porta em porta.

A companhia já fez um programa piloto em julho e agosto e contratou 40 pessoas. Na semana passada, começou a divulgar anúncios de recrutamento em veículos como o "Jornal do Trem".

Segundo o vice-presidente de Marketing e Serviços da Gol, Tarcísio Gargioni, o projeto incluirá as cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília.

A rede de vendedores funcionará como uma estratégia para expandir o programa Voe Fácil, que permite a compra de passagens parceladas em até 36 vezes e que já tem mais de 1 milhão de clientes cadastrados.

"Existe uma população que quer viajar, mas não tem conforto, não se sente à vontade para passar pela porta de vidro de uma agência de viagem. É uma consolidação do nosso objetivo de oferecer o transporte aéreo a todos", disse.

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a nova estratégia está relacionada à taxa de ocupação menor nos vôos da companhia nos últimos meses.

Gargioni afirma que isso não tem relação com a nova estratégia de venda. No primeiro semestre, a Gol registrou prejuízo de R$ 290,867 milhões.

Segundo a companhia, a taxa de ocupação total do sistema Gol ficou em 57,6% em agosto, aumento de 3,4 pontos percentuais sobre agosto de 2007.

Para o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a mudança é uma forma criativa de aumentar a taxa de ocupação. O único entrave é o aumento no preço dos bilhetes. "As tarifas subiram tanto neste ano que chega a ser espantoso o crescimento da demanda", disse. De janeiro a julho, cresceu 7%, segundo dados da Anac.

Remuneração

Os autônomos serão treinados em 30 dias. De acordo com o site da empresa, a remuneração é de 5% sobre a venda -sujeita ao desconto de INSS.

No exemplo disponível na página, uma passagem de São Paulo para Salvador (R$ 885) rende comissão de R$ 44,25. No anúncio veiculado na semana passada, a companhia afirma que, "como vendedor Voe Fácil, você vai ganhar um bom dinheiro vendendo passagens em até 36 vezes para seus clientes, parentes, amigos e vizinhos, no horário em que for melhor para você e com total autonomia para continuar fazendo o que você já faz".

A novidade desagradou aos agentes de viagens. Segundo Eduardo Nascimento, do Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo de São Paulo), a medida é "sinal de desespero da companhia". "A venda de passagens é atividade exclusiva do agente de viagens. O curioso é que a Gol tinha acabado de anunciar aumento no percentual de comissão paga aos agentes, de 7% para cerca de 12%."

 

 

Folha de São Paulo
07/06/2008

Editorial
Mudança nos aeroportos

O PRESIDENTE da República autorizou, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a concessão de dois importantes aeroportos -o Galeão, no Rio, e Viracopos, em Campinas- à iniciativa privada. A preocupação imediata do Planalto foi responder à pressão do governador aliado Sérgio Cabral. Em campanha para que o Rio de Janeiro sedie os Jogos Olímpicos de 2014, Cabral precisa demonstrar que a cidade terá a infra-estrutura necessária para receber o evento.

A notícia, de todo modo, não pode deixar de ser saudada, apesar do atraso injustificável -as limitações da anacrônica infra-estrutura aeroportuária brasileira ficaram escancaradas na crise aérea que começou no final de 2006. A confirmação de que um novo aeroporto para a Grande São Paulo será construído, mediante concessão à iniciativa privada, também merece elogios.

Mas o demônio mora nos detalhes. O presidente Lula já está dizendo que as mudanças na gestão de aeroportos não se darão à custa dos empregos. Ora, uma reforma para dotar de eficiência a infra-estrutura aeroportuária no país terá de atacar o empreguismo que campeia no segmento sob gestão estatal.

Daí a necessidade de que o governo federal apresente um projeto abrangente de mudanças. Não basta anunciar a intenção de privatizar alguns aeroportos; é preciso solução que viabilize investimentos e ganhos de produtividade nos 67 aeródromos federais, inclusive os que, isoladamente, hoje não são lucrativos.

Um modo de resolver o problema seria privatizar em blocos: quem ganhasse uma "jóia da coroa", como Cumbica, teria de administrar algumas unidades de baixo potencial econômico.

Outro tema sensível ao aparelhamento petista é o futuro da Infraero. Num sistema gerido pela iniciativa privada, não haverá espaço para a estatal. Ela deveria ser extinta -ou reduzida drasticamente e transformada num birô de regulação.

 

 

O Estado de São Paulo
06/09/2008

Irmão de Denise Abreu comanda filiais da TAM na Suíça
O advogado Olten Abreu será o representante de duas novas filiais, em Genebra e em Zurique
Mariana Barbosa

A TAM nomeou o advogado Olten Abreu como representante de duas novas filiais, em Genebra e em Zurique, na Suíça, abertas em junho deste ano. Olten Ayres de Abreu Junior é irmão da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, que foi acusada de fazer lobby para a TAM quando esteve à frente da Anac - acusação que a ex-diretora nega.

Como foi amplamente divulgado na época da CPI do Apagão Aéreo, Olten Abreu já prestava serviços advocatícios para a TAM desde outubro de 2004, antes de Denise Abreu ser indicada para a Anac, em 2006.

A nova filial da TAM em Genebra funciona no endereço do escritório de Olten Abreu, na Rue du 31 Décembre 47. Conforme a ata da reunião de diretoria em que foi feita a nomeação, de 16 de junho, as duas filiais representadas por Olten são responsáveis pelas atividades de “venda e emissão de passagens aéreas” e possuem uma “gestão autônoma e independente da Companhia, inclusive com recursos operacionais próprios”.

Os escritórios suíços foram abertos no mesmo dia em que a TAM e a Swiss assinaram um memorando de entendimentos visando a implementação de um acordo de compartilhamento de vôos e a integração de seus programas de milhagem.

A companhia tornou pública a informação da nomeação de Olten Abreu apenas no dia 1º de setembro, com a publicação, no jornal Valor Econômico, da ata da reunião de diretoria.

Na época da nomeação, Denise estava em evidência por ter acusado a Casa Civil de pressionar a Anac para favorecer o fundo Matlin Patterson, na compra da Varig. O fundo americano é assessorado pelo advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrevista de Denise foi publicada em 4 de junho no Estado. No dia 11, ela prestou depoimento no Senado.

Procurada pela reportagem, a TAM informou que “é normal a publicação legal dessas atas meses depois da data em que a reunião foi realizada”. Segundo a TAM, a indicação de Olten “como representante legal das filiais da TAM em Genebra e Zurique, na Suíça, é natural, pois ele já é advogado da companhia naquele país. Não é funcionário ou diretor da TAM.”

Procurada, Denise disse que não tinha conhecimento que seu irmão havia sido nomeado representante da TAM. “Para mim isso é uma surpresa.Meu irmão é o oposto de mim. Ele não fala nada e a gente não conversa sobre clientes.” Ela afirma que após o acidente da TAM, em julho de 2007, quando foi acusada de atuar em favor dos interesses da companhia, em detrimento da segurança, seu irmão foi prejudicado. “Que bom que voltaram a contratá-lo. Com tudo o que aconteceu comigo, ele chegou a perder clientes.”

A possibilidade de haver conflito de interesses pelo fato de o irmão da então diretora da Anac ter relação comercial com a TAM foi objeto de análise da Comissão de Ética Pública em outubro no ano passado. A comissão absolveu Denise da acusação de que ela teria atuado em favor de interesses privados e por não ter revelado, quando era diretora, que seu irmão representava interesses de empresas aéreas. “Foram consideradas suficientes as explicações dadas pela senhora Denise Abreu e arquivados os casos referentes a suposto conflito em razão da atuação profissional do seu irmão.”

 

 

O Estado de São Paulo
06/09/2008

Novo aeroporto de SP também será privado
Anunciada durante a crise aérea, obra ainda não tem data nem local escolhidas; custo é de R$ 5 bilhões
Luciana Nunes Leal

Além do Galeão, no Rio, e de Viracopos, em Campinas, o novo aeroporto de São Paulo também será entregue à iniciativa privada. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou ontem que está em estudo a concessão privada para a construção do novo aeroporto. O custo é estimado em R$ 5 bilhões. Ainda não há local escolhido nem data para o início das obras.

Segundo Jobim, Galeão e Viracopos estarão sob gestão privada já em 2009. “O presidente determinou estudos da concessão do Galeão e de Viracopos e análise da concessão para construção do quarto aeroporto de São Paulo. Esperamos no ano que vem ter condições de lançar o edital (Galeão e Viracopos) e ter esse assunto resolvido. O fundamental é o edital.”

“Não é um edital comum. Prevê uma série de situações de prestação de serviços. Poderemos então dimensionar também a Infraero vis-à-vis uma operação privada. Teremos uma noção dos ajustamentos necessários”, disse ele, após solenidade no porta-aviões São Paulo, no 1º Distrito Naval.

Jobim afirmou que a decisão do governo de privatizar aeroportos não impede a abertura do capital da Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros. Até agora, tanto Jobim quanto o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, defendiam a abertura do capital, em vez da privatização. O principal argumento de Gaudenzi é que só 10 dos 67 aeroportos da Infraero são lucrativos e seriam os únicos a interessar à iniciativa privada.

A escolha do Galeão e de Viracopos, informou Jobim, foi feita por serem “aeroportos-chave”. No caso do Galeão, pesou o fato de a cidade concorrer a sede das Olimpíadas de 2016. “Asseguramos uma nota melhor no aspecto aeroporto para o Rio de Janeiro”, afirmou.

Viracopos, explica, vai para mãos privadas pela urgência na sua ampliação para desafogar Congonhas e Cumbica, em Guarulhos. Quanto ao novo aeroporto paulista, o ministro não arrisca prazos para início das obras nem para a entrada em operação. O estudo para escolha do local deve custar R$ 40 milhões e a compra e preparação do terreno, R$ 2 bilhões.

Em julho de 2007, em plena crise aérea, o governo anunciou a construção do aeroporto como uma das medidas cruciais para desafogar Congonhas e falou em gestão de parceria entre o setor público e o privado. Chegou a fixar prazo de três meses para escolha do município onde seria construído. Dez dias depois, porém, recuou e avaliou que não havia tanta urgência.

A coordenação dos estudos para concessão privada dos três aeroportos ficará a cargo do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Jobim reiterou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “determinou também a formulação de uma política de pessoal no sentido de aproveitamento de funcionários da Infraero que operam tanto no Galeão quanto em Viracopos”. Não esclareceu, no entanto, como os servidores públicos - muitos deles concursados e com estabilidade -, poderão ser absorvidos por empresas privadas.

 

 

O Estado de São Paulo
06/09/2008

Concessão de aeroportos poderá seguir o critério da menor tarifa
Essa é uma das possibilidades destacadas pelo BNDES e pela Anac, encarregados de criar o modelo
Alberto Komatsu e Mônica Ciarelli

O modelo de concessão de aeroportos será criado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e poderá seguir o padrão das concessões de rodovias. Foi o que informaram os diretores da Anac Ronaldo Serôa da Motta e Marcelo Guaranys. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estima que o modelo para os Aeroportos do Galeão e de Viracopos deve ser concluído no primeiro trimestre de 2009.

Uma das idéias é dar a concessão ao grupo que oferecer as menores tarifas aeroportuárias. “Essa é uma possibilidade (menor tarifa). Há uma literatura, uma experiência internacional que diz que, se você não tem necessidade de alavancar recursos fiscais, é melhor que faça pela menor tarifa, uma concessão não onerosa, porque aí você consegue oferecer ao usuário um serviço muito baixo. No caso do aeroporto, não é só a tarifa de embarque, tem outras tarifas aeronáuticas, outras receitas não aeronáuticas, muito parecido com o que acontece com as estradas”, afirmou Serôa da Motta.

De acordo ele, serão apresentadas diversos caminhos para a Presidência da República e o Congresso Nacional definirem qual o melhor modelo. “A Anac vai oferecer o modelo oneroso e o não oneroso. Um é pela outorga, o outro, pela tarifa. Vai demonstrar as vantagens e desvantagens de um e de outro. Não há um modelo ideal. há várias opções boas”, disse.

Coutinho destacou que o mais complicado será a modelagem de privatização de Viracopos porque será preciso praticamente construir um novo aeroporto para dar vazão ao projeto de crescimento esperado pelo governo. “A determinação do presidente Lula é que se pense não apenas em dez anos, mas se pense em 30 anos à frente. Será uma modelagem complexa e, por isso, vai consumir algum tempo”, disse.

O presidente do BNDES adiantou que o banco está “aberto” para analisar propostas de financiamentos. Se, após a conclusão da privatização, houver algum concessionário privado que precise de financiamento, o banco estará aberto para analisar financiamentos para as concessionárias privadas.

A Anac já vinha trabalhando na elaboração de um estudo preliminar para a concessão de aeroportos novos, que deverá ser entregue ao governo até o fim de outubro, contou Serôa da Motta. Agora, com a inclusão dos aeroportos já existentes, o diretor Guaranys acredita que a criação de novo modelo dure pelo menos um ano.

“Uma modelagem dessas provavelmente demora pelo menos um ano para fazer o modelo inteiro e você fechar um projeto, colocar na rua. Pela experiência de outros setores, tem os que demoraram cinco anos, tem os que demoraram um ano. A gente acha que, dada a decisão de qual projeto vai se conceder, demora mais ou menos um ano para sair”, afirmou Guaranys.

A participação estrangeira na concessão de aeroportos ainda não foi definida, pois a Anac vai estudar se há algum tipo de restrição legal. Mas o diretor Serôa da Motta defende o capital estrangeiro em futuros consórcios. “Não havendo restrição legal, como em qualquer outra concessão que foi feita no Brasil, o capital estrangeiro será muito bem-vindo. Ele não só traz recursos e poupança externa, como também traz conhecimento”, afirmou.

Guaranys admite que a concessão de aeroportos vai aumentar a velocidade de desenvolvimento do setor e dar mais eficiência para o mercado, diferentemente dos resultados obtidos nas mãos do Estado. O diretor da Anac também enfatiza que a concessão é diferente de privatização.

“São duas formas diferentes de contar com a participação privada no Estado. Privatização você pega todo o ativo e passa para o setor privado. É uma diferença jurídica. A outra é conceder. Quando há uma concessão, o Estado mantém a titularidade do serviço e do ativo. Eu pego o ativo e dou para um particular explorar durante um determinado tempo”, afirma Guaranys.

 

 

O Estado de São Paulo
06/09/2008

Serra diz que teve influência na decisão
Governador de São Paulo conta que pleiteou a concessão de Viracopos
Tatiana Fávaro

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) disse ontem, em Itapira, interior do Estado de São Paulo, que não só apóia a permissão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de concessão à iniciativa privada do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, como teve influência na decisão.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), informou, na quinta-feira, que recebeu um telefonema do presidente confirmando que o governo federal vai permitir a concessão dos aeroportos internacionais do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim e de Viracopos, em Campinas (SP). Cabral estava em Londres, em missão com empresários e secretários, quando recebeu o telefonema.

“Eu fui um dos que pleiteou junto a ele a concessão do aeroporto de Viracopos e de Cumbica”, afirmou o governador de São Paulo, José Serra.

Antes de pensar em um terceiro aeroporto novo para São Paulo, é preciso fazer o terminal 3 em Cumbica e obras em Viracopos, porque ali há potencial para aumentar em 30 vezes o número de passageiros, afirmou o governador.

“Isso para nós é prioridade. Estive com o presidente Lula há uns dois ou três meses, insisti muito nesse ponto, junto aos ministros Nelson Jobim (Defesa) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Não acho que decidiram só porque eu sugeri, mas sem dúvida, tive influência nisso também”, afirmou o governador durante inauguração da estrada vicinal Itapira/Mogi-Guaçu. A rodovia tem 23 quilômetros de extensão e absorveu investimentos de R$ 4,3 milhões.

O aeroporto de Viracopos está localizado a 99 quilômetros de São Paulo, 15 quilômetros do centro de Campinas, um dos mais importantes pólos tecnológicos do País.

A Região Metropolitana de Campinas é servida por universidades, centros de pesquisa de ponta e uma malha viária na qual estão duas das mais importantes rodovias estaduais: Anhangüera e Bandeirantes.

Atualmente, Viracopos tem capacidade para receber 4 milhões de passageiros por ano. No ano passado, o aeroporto recebeu 1 milhão de passageiros, 29,2 mil aeronaves e 239,9 mil toneladas de cargas.

Em agosto deste ano, o aeroporto de Campinas bateu o recorde do volume de importações e chegou à marca de 15 mil toneladas de produtos importados no mês.

O maior movimento da história do aeroporto de |Viracopos havia sido registrado em outubro do ano passado, quando o terminal recebeu 14.095 toneladas de produtos.

Na análise do superintendente do aeroporto de Viracopos, José Clóvis Moreira, o aumento dos volumes de produtos importados teve forte relação com o câmbio. Isso significa que a valorização do real em relação ao dólar favoreceu as compras no exterior.

 

 

Revista Isto É Dinheiro
05/09/2008

A TRIP ganha altitute
Com a venda de 20% do capital da Trip à americana SkyWest, a família Caprioli espera dar o maior salto de sua trajetória no setor de aviação
ROSENILDO GOMES FERREIRA


CÉU DE BRIGADEIRO: Caprioli (à dir.) e o sócio Chieppe planejam levar a Trip para além das fronteiras do País

EM 1995, O EMPRESÁRIO José Mario Caprioli, então com 25 anos, surpreendeu o patriarca da família com a seguinte proposta: "Pai, vamos abrir uma empresa aérea regional". Entre incrédulo e assustado, Antonio Augusto Caprioli disse um rotundo não. Afinal, o clã possuía uma longa tradição no segmento de transporte rodoviário e não fazia sentido entrar em uma área desconhecida, intensiva de capital e na qual muitos fracassaram. Zé Mario, como ele é mais conhecido, não desanimou. Montou um minucioso plano de negócios para defender seu ponto de vista. O trabalho ficou tão bem feito que a família topou levar a empreitada adiante. Na quinta- feira 4, ele anunciou o acordo com a gigante americana SkyWest Inc. A maior potência da aviação regional do planeta, com faturamento de US$ 3,37 bilhões, vai pagar US$ 30 milhões por 20% do capital da Trip. O montante será repassado em três anos. Com isso, os americanos terão direito a um assento no conselho de administração da empresa. Mais que uma injeção de capital, a SkyWest dará à Trip o acesso a uma moderna tecnologia de gestão do setor. Sem contar a possibilidade de negociar, em melhores condições, os contratos de seguro e de manutenção de suas aeronaves. "Foi um casamento perfeito", diz José Mario Caprioli. Entre namoro e noivado foram 16 meses.

Com o respaldo da SkyWest, a primeira aérea estrangeira a se tornar acionista de uma empresa do setor no Brasil, Zé Mario poderá ampliar ainda mais os horizontes de sua pequena Trip. Uma das alternativas é explorar rotas no Mercosul, mas sempre longe dos grandes centros. "Hoje, um fazendeiro de Dourados (MS), com negócios no Paraguai, precisa vir para São Paulo para chegar em Assunção", exemplifica Zé Mario. A Trip começou a ser idealizada em 1990, durante uma temporada de estudos nos EUA. Formado em administração, Zé Mario pretendia seguir carreira no mercado financeiro. Fez até um curso sobre o tema na Columbia University, em Nova York. Mudou de idéia quando se debruçou sobre o fenômeno de expansão da aviação regional nos Estados Unidos e na Europa. "Vislumbrei que a substituição do trem e do ônibus pelo avião, para viagens de média e longa distância, também poderia ser possível no Brasil." Voltou ao País decidido a montar a Trip. Afável no trato pessoal e adepto do estilo de gestão participativa, Zé Mario é um gestor que valoriza o funcionário que "veste a camisa". Marca, aliás, comum do Grupo Caprioli, em cujas empresas não é difícil encontrar profissionais que atuam há mais de 40 anos. Para compensar a falta de conhecimento em áreas técnicas, Zé Mario foi atrás do que existia de melhor no mercado. "Boa parte dos meus executivos são graduados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica", conta.

Outro grande ativo de Zé Mario é a capacidade de fazer alianças estratégicas. Em 2006, ele vendeu metade do controle ao Grupo Águia Branca, especializado em logística e que fatura R$ 2,2 bilhões. Com isso, ganhou fôlego para avançar sobre a rival Total Linhas Aéreas, adquirida em novembro do ano passado. A Trip também se aliou à TAM, para a qual transporta passageiros em conexões no interior dos Estados do Centro- Oeste. Segundo Renan Chieppe, do grupo Águia Branca, a expectativa é de que a Trip feche 2008 com ganho operacional de R$ 50 milhões, seu primeiro resultado positivo. "A Trip reúne todas as credenciais para ser um personagem importante desse setor. Tem capital para investir e um foco definido de atuação", avalia Paulo Sampaio, especialista em aviação. "Exatamente o contrário dos empresários que se aventuraram nessa área e quebraram a cara", completa.

Coluna Claudio Humberto
05/09/2008

Parece liquidação

Em princípio, qualquer aeroporto da Infraero com algum atrativo comercial vai para a lista da privatizações que começam em outubro. Após Galeão (Rio) e Viracopos (SP), o de Confins (BH) deve rodar.

Terceiro aeroporto

O governo decidiu entregar à iniciativa privada o terceiro aeroporto de São Paulo, o primeiro de alta tecnologia no País. As empreiteiras Camargo Correa e Andrade Gutierrez até já se associaram em um consórcio. O projeto – secreto – já está sendo desenvolvido no exterior.

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