RIO DE JANEIRO - 10 DE SETEMBRO DE 2008

O Estado de São Paulo
10/09/2008

Infraero vai recuperar áreas da Vasp em aeroportos
Só em Congonhas, são 126 mil m² que já despertam o interesse de outras empresas
Christiane Samarco, BRASÍLIA

Terceiro maior credor da Vasp, depois dos empregados da empresa e da Receita, a Infraero está se movimentando para recuperar um prejuízo calculado em R$ 360 milhões, a preços de 2005. “Como grande credor da Vasp, já estamos nos habilitando a receber essa dívida, que pode dobrar de valor com a atualização monetária e a contabilidade do uso de galpões, hangares, lojas e escritórios em dependências da Infraero, que nunca foram pagos”, prevê o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi.

Segundo a procuradora-chefe da Infraero, Emiliana Alves Lara, só no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Vasp utilizava nada menos do que 126 mil m² que, só agora, depois da decretação da falência, serão recuperados.

Quando a companhia ficou inadimplente, há três anos, a Infraero tentou reaver essas áreas na Justiça e até ganhou uma ação de reintegração de posse. “Ganhamos, mas não levamos”, diz a ex-advogada da União que agora chefia o jurídico da Infraero. A empresa não pôde retomar as áreas porque a Vasp simplesmente deixou para trás tudo que havia lá, de equipamentos aos aviões. Emiliana lembra que só um dos hangares da Vasp em Congonhas possui três andares, totalmente ocupados por peças e equipamentos, incluindo motores.

“Foi por isso que pedimos a falência”, explica a procuradora, ao lembrar que mais de 15 aviões foram abandonados. “Só em Congonhas, nove aviões precisam ser retirados”, completa Gaudenzi. Ambos estão convencidos de que a decretação da falência foi uma boa medida do ponto de vista da Infraero, mas a procuradora ainda examina a decisão do juiz em detalhes para ver que providências tomar.

Com a falência decretada, Emiliana acredita que não apenas os bens da Vasp, como de outras empresas do empresário Wagner Canhedo, ficarão bloqueados. Segundo o departamento jurídico da Infraero, não só os aviões, máquinas e equipamentos da Vasp, como fazendas e até ônibus das empresas de propriedade de Canhedo foram seqüestrados pela Justiça.

O que preocupa Gaudenzi e a procuradora é o fato de o juiz ter colocado a Infraero como depositária dos bens que a Vasp abandonou em Congonhas. “Isso nós não queremos, porque são 43 instalações e ainda nem sabemos o que tem lá dentro”, argumenta Emiliana. A seu ver, antes de lacrar cada instalação e entregar a guarda à empresa, é preciso inventariar tudo. A Infraero quer listar todos os bens que ficarão sob sua responsabilidade, até que sejam leiloados e passem a integrar a chamada massa falida da companhia.

Os 126 mil m² da Vasp em Congonhas já estão interditados. Só se entra em um hangar com autorização judicial. Como a Infraero tem pressa em resolver o assunto, colabora com a segurança e o inventário dos bens. Tudo com o devido cuidado, já que há até material radioativo armazenado.

A procuradora Emiliana Lara explica que a idéia é encerrar o processo em 90 dias, e diz que várias empresas já manifestaram interesse em adquirir equipamentos da Vasp. Para apressar o desfecho, a Infraero está examinando a possibilidade de fazer convênios com a Aeronáutica. O objetivo é usar especialistas que têm intimidade com equipamentos aeronáuticos para executar o chamado “mandado de arrecadação e avaliação” determinado pela Justiça, que nada mais é do que o levantamento dos bens a serem leiloados.

 

 

O Estado de São Paulo
10/09/2008

Funcionários da Infraero repudiam privatização
Alberto Komatsu, RIO

O Sindicato Nacional dos Aeroportuários, em nome dos 11,6 mil funcionários diretos da Infraero em todo o País, enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiando a futura concessão de aeroportos brasileiros, anunciada na semana passada. Entre os trabalhadores, dos 67 aeroportos administrados pela Infraero, estão 750 controladores de vôo civis, responsáveis pela segurança do tráfego aéreo.

Eles afirmam que não foram consultados. Além do receio de um processo de demissão em massa, dizem que não está claro a quem caberá o controle aéreo quando a iniciativa privada assumir a gestão. “O projeto não foi discutido com ninguém. Está sendo montando entre quatro paredes”, afirmou o presidente do sindicato, Francisco Lemos. Segundo ele, não está claro como ficará a situação dos funcionários - se serão demitidos para serem recontratados pela iniciativa privada, por exemplo.

Na semana passada, quando o governo anunciou planos de fazer a concessão de Viracopos, em Campinas, e do Galeão, no Rio, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que os funcionários não seriam prejudicados. Procurado, o ministério informou que o modelo de concessão está sendo elaborado e que não se pronunciaria. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vão elaborar o projeto de concessão, deram a mesma resposta.

 

 

O Estado de São Paulo
10/09/2008

Airbus planeja investir em fábricas fora da Europa
Agências Internacionais, Paris

A direção da fabricante de aviões Airbus apresentou ontem aos representantes dos trabalhadores seu novo plano de ajuste que prevê, entre outras medidas, um amplo projeto de mudança de fábricas para fora da Europa. Com o plano, chamado Power 8, a EADS, controladora da Airbus, pretende economizar 1 bilhão em custos entre 2011 e 2012 - sendo 650 milhões desse total só na Airbus.

O presidente da Airbus, Thomas Enders, afirmou que os planos revelados ontem vão garantir o crescimento da empresa, que teria custos estruturais mais baixos. Enders justificou o plano pelos desafios que são impostos pela concorrência. “São necessárias mais medidas para conseguirmos melhorar nossa base de custos e a eficiência geral”, disse.

Já o presidente da EADS, Louis Gallois, detalhou seus projetos para deslocar a atividade para fora da Europa em países de mão-de-obra barata. Em declarações ao diário francês Le Monde, Gallois reconheceu que vai retomar a idéia de implantar uma fábrica na Tunísia. Outros países que devem receber investimentos são a China e a Índia.

 

 

O Estado de São Paulo
10/09/2008

Campo de Marte vai ser ampliado
Nova torre de controle e alargamento de pista, orçados em R$ 76 mi, permitirão aumentar em 9% as operações
Mônica Cardoso

Quinto aeroporto do País em operações, Campo de Marte, em São Paulo, passará por obras que, quando concluídas, poderão aumentar os pousos e decolagens em até 9%. “Hoje estamos melhorando a infra-estrutura, com a revitalização da pista. Mas daqui a cinco anos, poderemos ampliá-la”, adiantou o superintendente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Alex Barroso Júnior. De janeiro a julho, o número de passageiros que passaram pelo aeroporto da zona norte cresceu 66,8%, chegando a 60.414.

Com a nova torre de controle, orçada em R$ 16 milhões e prevista para 2011, será possível ter visibilidade de 90% das aeronaves na pista. Haverá ainda a construção, no próximo ano, de um empreendimento comercial para os passageiros - com centro de convenções, lojas, restaurantes, empresas de táxi aéreo, consultórios e escritórios. A expectativa é de que até dezembro seja feita a licitação. Outro projeto é a ampliação na largura da pista, estimada em R$ 60 milhões. “Não há mais como crescer no terreno da Infraero. Para isso, teríamos de envolver os terrenos que pertencem ao governo federal”, acrescenta Barroso. Dos 2,1 bilhões de m² do aeroporto, a área civil utilizada pela Infraero ocupa 975 milhões de m².

Neste ano, já houve recapeamento de pista, substituição de cercas e muros, instalação de janelas atenuadoras de ruído e abertura de uma nova portaria na Avenida Olavo Fontoura, após três anos de negociação com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Os investimentos ocorrem no ano seguinte ao maior acidente da história de Campo de Marte - a queda de um Learjet em novembro, que deixou oito mortos - e após a redução no número de operações em Congonhas.

HANGARES

Campo de Marte conta com 22 hangares em operação e iniciou a construção de mais um. Para o futuro, a previsão é de erguer 15 novos hangares em regime de concessão, em um local de mata fechada, paralelo à pista. Para tanto, o aeroporto precisa obter licença do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Outros projetos sem previsão de início são a ampliação no pátio de estacionamento das aeronaves, a construção do segundo heliponto, a instalação de novas câmeras no pátio e nas cabeceiras da pista, além da melhoria no terminal de passageiros.

 

 

O Estado de São Paulo
10/09/2008

Marte vira opção aos limites de Congonhas
Táxi aéreo e demanda em alta forçam reforma em aeroporto
Bruno Tavares

O crescimento na demanda e a falta de alternativas de curto prazo aos Aeroportos de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e Cumbica, em Guarulhos, explicam a decisão da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) de reformar o Campo de Marte. O efeito mais imediato das obras deverá ser sentido pelos cerca de 200 mil passageiros que utilizam o terminal todos os anos. Mas o investimento do governo federal no acanhado terminal da zona norte paulistana também esconde aspectos operacionais - e sobretudo comerciais.

Desde 2007, os limites impostos a Congonhas provocaram uma debandada da aviação geral (táxi aéreo e jatos executivos). Na ocasião, a primeira alternativa apresentada pelo governo foi a migração das operações para o Aeroporto de Jundiaí, a 60 km da capital. A falta de infra-estrutura e a dificuldade de acesso tornaram o projeto pouco atraente - no primeiro semestre, só 9.696 passageiros passaram por ali. Com o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, também saturado, Campo de Marte se transformou na única opção para quem desejava continuar operando próximo da região central da cidade.

Poucos meses depois do acidente com o Airbus da TAM, que deixou 199 mortos em julho de 2007, fontes do setor aéreo observaram um aumento de 30% das operações no terminal da zona norte. Atualmente, segundo o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), braço da Aeronáutica responsável pelo controle do tráfego aéreo no Estado, ocorrem, em média, 12 mil pousos ou decolagens por mês no Campo de Marte. Desse total, 7.200 (70%) são de helicópteros, o que eleva o terminal paulistano à condição de maior “aeroporto” de aeronaves de asa rotativa do País - o 5º maior no geral, atrás apenas de Cumbica, Congonhas, Galeão (RJ) e Brasília.

O aquecimento da economia deve alavancar ainda mais esse mercado. Com pouco mais de R$ 60 mil na compra e mensalidades de R$ 4 mil, é possível adquirir a cota de um helicóptero no Campo de Marte. Prática iniciada nesta décadas nos EUA, o chamado compartilhamento de aeronaves ganha adeptos no País. De 2004 a 2007, por exemplo, a sociedade de helicópteros que opera no aeroporto teve crescimento de 220% no número de clientes - de 69 para 220.

LIMITES

Assim como Congonhas, o Campo de Marte enfrenta uma série de restrições operacionais. Inaugurado na década de 1920, o primeiro aeroporto de São Paulo está hoje cercado por residências e imóveis comerciais, o que dificulta sua expansão e confere uma dose a mais de risco às operações. Em 4 de novembro de 2007, um Learjet 35 caiu sobre casas perto do aeroporto, deixando oito mortos e dois feridos.

Ainda assim, segundo o especialista em aviação Adalberto Febeliano, há margem para crescimento. “Sempre achei que o aeroporto poderia ser melhor aproveitado”, comenta. “Vejo até a possibilidade de construção de uma segunda pista no Campo de Marte, paralela à Avenida Olavo Fontoura.”

Hoje, o Campo de Marte é dedicado exclusivamente à aviação geral, além de servir de base para escolas de pilotagem e para o serviço aerotático das Polícias Civil e Militar. Por ter uma pista curta - 1.600 metros de extensão, sendo 1.300 metros de área útil -, só tem condições de receber aviões de pequeno porte e não opera por instrumentos.
COLABORARAM DIEGO ZANCHETTA e TATIANA FÁVARO

 

 

O Estado de São Paulo
10/09/2008

De jatinho, sem demora nem stress
Rapidez é o maior atrativo do Campo de Marte
Mônica Cardoso, SÃO PAULO

Três vezes por semana, o empresário André Santin, de 36 anos, faz o percurso Curitiba-São Paulo. Com seu avião particular, que utiliza a pista do aeroporto de Campo de Marte, ele leva uma hora e dez minutos no trajeto. No vôo convencional por uma empresa aérea, ele vai mais rápido, em 50 minutos, mas precisa chegar uma hora antes para o check-in - sem contar o tempo gasto até Cumbica ou Congonhas. “Perco muito tempo com toda a burocracia.”

O tempo que se ganha também é destacado pelo empresário Ricardo da Silva, de 48 anos. Sua empresa fica em Ponta Grossa (PR). Ele faz a soma para um vôo regular: uma hora e meia até chegar a Curitiba, uma hora para fazer o check-in e 50 minutos de vôo. Com o avião particular, ele chega a São Paulo em 50 minutos. O empresário também viaja a trabalho para Rio Grande do Sul, Rio e Minas.

Para o advogado Ernesto Tzerulnik, de 49 anos, com escritórios no Rio e em Brasília, há outro fator que também pesa na utilização de uma aeronave de pequeno porte. “Posso ir e voltar na hora em que precisar”, diz o advogado, que já viajou até o Uruguai.

LIDERANÇA

Tempo e localização são dois motivos que contribuíram para o aumento nas operações no Campo de Marte. Atualmente, ele lidera os embarques em aeronaves de pequeno porte, de acordo com a Infraero. O número de pousos e decolagens aumentou 7,5%, de 48.788 em 2006 para 52.446 em 2007 - por dia, há 288 operações, em média, no aeroporto da zona norte paulistana. No mesmo período, o movimento de aviões com até 30 lugares em Cumbica subiu 33%, de 14.601 para 19.414.

Já o Aeroporto de Congonhas, que liderava no segmento das pequenas aviações, foi na direção contrária: as operações despencaram 16,7%, de 52.078 para 43.646. “Os vôos caíram muito com as restrições à aviação em Congonhas depois do acidente com o avião da TAM, em julho de 2007”, admite o assessor especial da presidência da Infraero, Edgard Brandão Júnior. “Muitas vezes, até o dono do avião não embarca por causa do tráfego de aeronaves.” Campo de Marte também lidera nas operações de helicópteros, que correspondem a 70% da sua demanda. “Atualmente, o tráfego de helicópteros em São Paulo supera o de Nova York e o de Tóquio. Considerando que essa pista concentra o tráfego desse tipo de aviação na capital, podemos dizer que ele é o mais movimentado do mundo em helicópteros”, diz o superintendente da Infraero, Alex Barroso Júnior.

 

 

Valor Econômico
10/09/2008

What's News

A Air France-KLMLM pretende fazer uma oferta pela estatal Austrian Airlines, que está vendendo 42,8% da participação, segundo o presidente do conselho da empresa franco-holandesa, Jean-Cyril Spinetta. O executivo disse também que a Air France-KLM pode comprar uma participação na nova empresa resultante da reestruturação da Alitalia.

Airbus apresentou aos sindicatos o novo plano de corte de custos da controladora, a fabricante européia de equipamentos aeroespeciais EADS, para economizar US$ 1,4 bilhão de 2011 e 2012. A EADS prometeu não cortar mais vagas na Europa mas quer expandir a produção em regiões de mão-de-obra mais barata.

 

 

O Globo
10/09/2008

 

 

Canal Executivo
10/09/2008

Marcelo Bento Ribeiro é promovido a diretor de nova área na GOL

A GOL Linhas Aéreas, controladora das marcas GOL e Varig, realizou mudanças em sua estrutura organizacional. Foi criada a diretoria de Yield (revenue management) e Alianças, que passa a ser liderada por Marcelo Bento Ribeiro.

O executivo, de 38 anos, está na GOL desde outubro de 2001. Formado em Administração de Empresas pela PUC-RJ, graduado em Turismo pela Universidade da Cidade do Rio de Janeiro e pós-graduado em Marketing pelo Instituto Trevisan, tem experiência no setor de turismo e transporte aéreo, com passagens pela antiga Varig e pela TransBrasil.

Bento Ribeiro responderá diretamente a Wilson Maciel Ramos, vice-presidente de Planejamento e Tecnologia da GOL.

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008

Vasp vai à falência e encerra atividades
Empresa terá de vender ativos que somam R$ 6,5 bilhões para pagar dívidas de R$ 3,5 bilhões; gestores vão recorrer
Juiz argumenta que plano de recuperação judicial não foi cumprido; interventor diz que decisões judiciais impediram realização do plano

MARINA GAZZONI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

Caio Guatelli - 12.jun.08/Folha Imagem

Aviões da Vasp no aeroporto de Congonhas; companhia aérea
não opera vôos desde 2005 e teve sua falência decretada na quinta

A falência da Vasp foi decretada pelo juiz Alexandre Lazzarini, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, na última quinta-feira. A decisão, publicada ontem, põe fim ao processo de recuperação judicial da companhia aérea, iniciado em julho de 2005. Em despacho, o juiz autorizou o administrador judicial da Vasp, Alexandre Tajra, a vender em leilão os ativos da empresa.

"Com a falência decretada, os bens são arrecadados, vendidos, e o dinheiro será usado para pagar aos credores, de acordo com uma ordem de pagamento prevista em lei", disse Lazzarini à Folha no dia 22. Ontem, ele não se manifestou.

De acordo com funcionários da Vasp, Tajra já lacrou a sede da empresa e informou-lhes que as atividades estavam encerradas. Não há informações sobre demissões.

Sem voar desde janeiro de 2005, a única atividade operacional da Vasp era a manutenção de aeronaves, que movimentava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês. Com a retomada pela Infraero dos espaços da Vasp nos aeroportos em agosto, esses serviços foram interrompidos. A única geração de renda atualmente era o aluguel de cerca de cem imóveis, que rendia R$ 200 mil ao mês, segundo a companhia aérea.

O interventor da empresa, Roberto de Castro, informou que a Vasp vai recorrer da decisão. "Não faz sentido decretar a falência de uma empresa que tem um patrimônio líquido positivo de R$ 2 bilhões."

Segundo relatório de avaliação de maio de 2006 do escritório de perícia Jharbas Barsanti, a Vasp tem R$ 6,5 bilhões em ativos. A maioria deles são créditos judiciais no valor total de R$ 5,5 bilhões. O quadro de ativos também inclui aeronaves (R$ 16,8 milhões), imóveis (R$ 65 milhões) e participação acionária no Hotel Nacional e na empresa de taxi aéreo Brata (R$ 54 milhões no total).

Os passivos somam cerca de R$ 3,5 bilhões entre dívidas trabalhistas, fiscais e com empresas como Infraero, Banco do Brasil e BR Distribuidora.

O interventor da Vasp, Roberto de Castro, explica que a falência altera o quadro de credores. A dívida trabalhista, por exemplo, hoje avaliada em R$ 300 milhões, tem seu valor reduzido. A dívida fiscal da Vasp, uma das últimas na ordem de pagamento dos credores, está avaliada hoje em mais de R$ 1,2 bilhão, diz Castro.

De acordo com a lei, os primeiros credores a receber são os trabalhadores, com limite de 150 salários mínimos. Em seguida, recebem os credores com garantia real, como os bancos. Por último, vêm as dívidas tributárias e as demais.

Apesar de lamentar a decisão, a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggio, disse que não foi surpreendida. "Era uma possibilidade que não descartávamos após a maioria dos credores votar a favor da falência na assembléia de 17 de julho."

A principal justificativa de Lazzarini na sentença do processo para decretar a falência foi que a Vasp não cumpriu seu plano de recuperação judicial. O plano previa a venda de ativos e a retomada dos vôos. Castro responde que o plano não foi cumprido porque decisões judiciais impediram a alienação de ativos.

Para o consultor de aviação Paulo Bittencourt Sampaio, a crise da Vasp foi uma conseqüência de fatores como a retração nas linhas internacionais em 1999 e os altos gastos com combustíveis provocados pelo uso de uma frota antiga. "A falência vai acelerar a distribuição das áreas da Vasp nos aeroportos a outras empresas."

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008

Privatização da empresa foi investigada
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Fundada em 1933, a Vasp esteve sob o controle do governo de São Paulo até 1990, quando foi privatizada, passando às mãos do consórcio Voe Canhedo, do Grupo Canhedo.

Em valores da época, o grupo Canhedo adquiriu 60% das ações ordinárias da Vasp por US$ 44 milhões. A empresa tinha 32 aeronaves e 7.300 funcionários. Suas dívidas somavam US$ 750 milhões.

Novo controlador da Vasp, Wagner Canhedo possuía patrimônio avaliado em cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com os jornais na época. Com apoio dos trabalhadores, ele iniciou um ciclo de expansão da Vasp, cuja frota passou de 32 para 58 aviões. Para isso, porém, Canhedo aumentou o endividamento em dólares da empresa.

A privatização da Vasp passou a ser investigada, com a criação de uma CPI. Corria a suspeita de que o valor da empresa havia sido subvalorizado.

Em 1992, os empregados da Vasp apontavam falta de pagamento. Em 2000, a empresa decidiu sair do mercado de vôos internacionais, após o arresto de seus quatro maiores aviões. Em 2005, diante de uma crise financeira, a Vasp deixou de operar.

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008
Irmão de Denise Abreu, ex-diretora da Anac, é representante da TAM na Suíça
DA SUCURSAL DO RIO

Olten Abreu, irmão da ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, foi nomeado representante de duas filiais da TAM na Suíça -em Zurique e em Genebra. A TAM afirma que o advogado presta serviços para a empresa desde outubro de 2004, época em que o órgão responsável pela regulação do setor era o DAC (Departamento de Aviação Civil).

A Anac começou a funcionar em março de 2006. Denise Abreu fez parte da primeira diretoria da agência e esteve sob suspeita, por representantes do setor, de fazer lobby a favor da TAM, especialmente durante a crise da Varig. "Nunca fui acusada por ninguém de fazer lobby a favor da TAM, isso é um absurdo", afirmou a ex-diretora da Anac à Folha, ontem.

As filiais suíças foram abertas em junho deste ano, período em que Denise Abreu reapareceu nos jornais com acusações de interferência do governo na Anac durante o caso Varig, especialmente contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Na época, Abreu acusou Dilma de ter pressionado a agência para acelerar a aprovação da transferência acionária da VarigLog para a Volo do Brasil, empresa que tinha como acionistas três empresários brasileiros -Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo- e o fundo americano Matlin Patterson.

A VarigLog foi a empresa que comprou a Varig em leilão em 2006, o que evitou a decretação de falência da companhia aérea, e depois a vendeu em 2007 à Gol. De acordo com as denúncias, o governo agiu de modo a evitar a falência da companhia, o que poderia causar desgaste político.

A nomeação de Olten Abreu só foi publicada em setembro. A Folha não conseguiu falar com ele. Denise Abreu afirmou que não sabia que o irmão havia sido nomeado para o cargo de representante legal da TAM na Suíça.

"Não converso com meu irmão sobre a sua carteira de clientes. É uma questão do padrão de conduta ética do advogado. Além disso, cada um tem sua própria vida profissional. Ele mora na Suíça e eu no Brasil, não conversamos sobre isso", disse.

Segundo a ex-diretora, mesmo quando assumiu o cargo na agência em 2006, ela não sabia que o irmão prestava serviços para a TAM. "Fiquei sabendo pela imprensa", disse.

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008

Empresa obtém fatia recorde no mercado interno
DA SUCURSAL DO RIO

A TAM alcançou uma participação de 54,18% no mercado doméstico em agosto, divulgou ontem a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O percentual é recorde para a companhia, dona de 51,09% do mercado em julho.

Nos dados de agosto, a Gol aparece com 34,13% e a Varig, com 4,44%. O número de passageiros cresceu 18,7%. No acumulado do ano, o percentual é de 10,9%. Para o consultor Paulo Bittencourt Sampaio, o mês marca o início da reformulação da malha da Gol e da Varig. "A partir de outubro, a Gol deve voltar a crescer", disse. A taxa média de ocupação foi de 62%.

Nos vôos internacionais, o crescimento de passageiros foi 26,9%. A TAM lidera, com 73,92% dos vôos feitos por empresas nacionais. (JL)

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008

Notícia "reciclada" derruba papéis da United em 75%
DA REDAÇÃO

As ações da United Airlines, a segunda maior empresa de aviação americana, chegaram a se desvalorizar em 75,35% ontem, com rumores de que a companhia entraria novamente com um pedido de concordata. Segundo a companhia aérea, a culpa do rumor foi a publicação novamente de uma notícia de dezembro de 2002.

As negociações das ações foram suspensas na Bolsa de Nova York por cerca de uma hora e meia (foram retomados por volta de 12h30) e terminaram as operações com queda de 11,22%.

Em nota, a United Airlines disse que o rumor de que pedirá concordata é "completaente falso" e que "foi causado pela publicação irresponsável, pelo jornal "Florida Sun-Sentinel", de um artigo de seis anos atrás do "Chicago Tribune" com a data alterada". A empresa pediu concordata em 2002 e saiu do regime quatro anos depois.

O "Florida Sun-Sentinel" afirmou, em seu site, que a reportagem foi retirada dos arquivos do seu site por uma firma de investimento e publicada na página dela.

 

 

Folha de São Paulo
09/09/2008

JETBLUE VENDE PASSAGENS AÉREAS E PACOTES EM SITE DE LEILÃO EBAY

A companhia de aviação americana JetBlue anunciou que venderá mais de 300 passagens aéreas e seis pacotes de viagem pelo site de leilão eBay. Segundo a empresa, o valor inicial do leilão é, dependendo do produto, de US$ 0,05 ou US$ 0,10. Ainda de acordo com a companhia, os vôos que serão leiloados incluem cidades como Boston, Nova York e Los Angeles. Os leilões começaram ontem e duram até domingo.

 

 

Jornal do Brasil
09/09/2008

Justiça decreta falência da Vasp
Luciana Lima, Agência Brasil

BRASÍLIA - A Justiça de São Paulo decretou a falência da Viação Aérea de São Paulo Sociedade Anônima (Vasp) na quinta-feira da semana passada. A sentença foi proferida pelo juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, Alexandre Alves Lazzarini.

Ele alegou que a empresa não implementou seu plano de recuperação judicial, previsto no processo que teve início em julho último, após a empresa ter sofrido intervenção decretada pela 14ª Vara do Trabalho de São Paulo.

O juiz alegou ainda que não há como acolher “as impugnações feitas pela Vasp à deliberação da assembléia dos credores da empresa”, diz a sentença.

As áreas ocupadas pela Vasp nos aeroportos já foram quase todas reintegradas à Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), com exceção dos aeroporto de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo.

A Infraero informou que não foi cumprida a programação de compactuação da dívida da Vasp. A empresa enfatizou que tudo está sendo feito dentro da lei e a execução da reintegração de posse está a cargo da Justiça.

 

 

Valor Econômico
09/09/2008

Justiça decreta a falência da Vasp
Beth Koike

Sem voar há mais de três anos, a Vasp teve sua falência decretada ontem pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. "A Vasp não teve condições de implementar seu plano de recuperação judicial", informou, em nota, Alexandre Alves Lazzarini, juiz titular da 1ª Vara de Falências e Recuperações de São Paulo. Mas o processo judicial, que se arrasta desde julho de 2005 envolvendo a companhia aérea de Wagner Canhedo, não termina por aqui. Roberto Carvalho de Castro, principal interventor da Vasp e representante oficial de Canhedo, disse que recorrerá da medida.

"Vamos recorrer da decisão. Tivemos um plano de recuperação judicial aprovado, mas fomos impedidos de alienar os ativos para implementar a recuperação. Temos um prazo legal de dez dias para recorrer", disse Castro, que com a falência deixa de ser o gestor da Vasp. O administrador judicial continua sendo Alexandre Tajra.

Segundo Castro, o governo do Estado de São Paulo, que detém 40% da Vasp, não pronunciou se também entrará com liminar contra a decisão do juiz Lazzarini. "Estamos em contato com o governo, mas nesses últimos tempos eles não se pronunciaram. Mas, agora com essa decisão deve haver algum posicionamento do governo", afirmou.

O anúncio de falência não agradou o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Os ex-trabalhadores da Vasp não serão necessariamente os primeiros a receber. "Há um artigo que determina que um grupo de beneficiários do Aeros, o fundo previdenciário da Vasp, receba antes mesmo dos trabalhadores. Não sobrará dinheiro para os trabalhadores", disse Marco Reina, representante trabalhista ligado ao sindicato. De acordo com Castro, o passivo do fundo previdenciário Aeros soma cerca de R$ 160 milhões e a dívida com os trabalhadores é de R$ 300 milhões.

Para Reina uma das alternativas à falência seria a negociação com o grupo Arbeit Gestão de Negócios, que teria interesse em adquirir quatro áreas de negócios da Vasp: manutenção, carga, treinamento/ensino e suporte para manobras de aeronaves na pista de decolagem. "Essa seria uma forma de a empresa não falir", disse Reina.

O pedido de falência da Vasp, segundo o despacho do juiz Lazzarini, foi pedido pelos credores - em especial, o Banco do Brasil e o fundo previdenciário Aeros. A maioria dos credores da Vasp há havia votado pela falência da empresa numa assembléia realizada em 17 de julho. Mas Lazzarini preferiu adiar sua decisão, tomada na quinta-feita, dia 4, e anunciada ontem.

A Vasp parou de voar em janeiro de 2005, quando sua licença foi cassada pelo Departamento de Aviação Civil. Em março daquele ano, a Justiça decretou a intervenção na companhia aérea. Em outubro de 2005, o pedido de recuperação judicial da Vasp foi aprovado pelo juiz Lazzarini.

 

 

Valor Econômico
09/09/2008

Whats News

Cinco dos nove sindicatos de empregados da Alitalia rejeitaram uma das condições básicas do plano de resgate da companhia aérea italiana, colocando em risco a operação arquitetada pelo governo. Eles recusam mudanças para redução de custos trabalhistas e aumento da produtividade.

 

 

O Globo
09/09/2008

O Globo Online
08/09/2008 - 23:32h

Aviação
Gestor da Vasp diz que vai recorrer da sentença que decreta falência da empresa
Diário de SPO Globo Online, G1

SÃO PAULO E RIO - O gestor da Vasp, Roberto de Castro, já foi comunicado da decretação da falência da companhia e afirmou que o objetivo é recorrer da sentença, que põe fim ao processo de recuperação da companhia.

- Temos de recorrer no tribunal em São Paulo ainda e eventualmente na esfera federal - disse Castro em entrevista ao site G1 por telefone.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência da Vasp nessa segunda-feira. Segundo a decisão do juiz titular da 1ªVara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, Alexandre Alves Lazzarini, a Vasp não implementou seu plano de recuperação judicial, como determinava processo iniciado em julho de 2005.

Com a decretação da falência, os bens do Grupo Canhedo serão executados para pagar as dívidas com os credores. Assim que os gastos com a administração da massa falimentar forem liquidados, os primeiros a receber serão os trabalhadores, considerado o teto de 150 salários-mínimos (cerca de R$ 60 mil) por funcionário.

Trabalhador é contra

De acordo com a decisão do juiz Lazzarini, os trabalhadores da empresa eram contrários à falência. Segundo o advogado Fabiano Esteves de Barros Pavezi, do escritório Moreira Lima Advogados Associados, que tem créditos a receber da empresa, isso se explica porque os postos de trabalho ainda existentes na companhia serão eliminados. Atualmente, a Vasp operava como oficina de manutenção, com 350 empregados.

Segundo o diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marco Reina, sete folhas de pagamento estão atrasadas.

Antes da intervenção, em 2005, a Vasp mantinha 4.500 funcionários. As dívidas trabalhistas estimadas pelo sindicato chegam a R$ 1 bilhão. As dívidas totais da empresa são estimadas entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5 bilhões.

Os trabalhadores vão manter a ação civil pública feita em parceria com o Ministério Público do Trabalho.

- Vamos acompanhar (a falência), mas sabemos que o processo é demorado e é só até 150 salários-mínimos. Nossa esperança é que a ação civil pública avance também - diz Reina.

Depois dos trabalhadores, serão pagas as dívidas com instituições financeiras, seguidas pelas tributárias. Por fim, conforme uma lista de prioridades, começam a ser pagos os débitos com os demais credores, entre eles os passageiros que tinham milhas.

Segundo a Coordenadora de Atendimento ao Consumidor da OAB/SP, Joung Won Kim, antes mesmo de a Justiça avaliar os casos de ressarcimento destinado aos consumidores é preciso quitar os gastos com a administração da massa falimentar, depois as dívidas trabalhistas e na seqüência as relacionadas aos fornecedores da empresa aérea. São quesitos que, aos olhos da lei, têm prioridade.

-Mas isso não impede os consumidores de buscarem desde já seus direitos consultando um advogado, porque em geral esses processos são demorados - diz Kim.

Saldo negativo

Ela esclarece que, em casos como o da Vasp, mesmo se o patrimônio da empresa esteja negativo, está previsto o bloqueio dos bens pessoais dos sócios para ressarcir os credores.

Mas Anis Kfouri, advogado especialista em Direito Empresarial, afirma que é quase certo que os consumidores amarguem prejuízo.

- É possível requerer o ressarcimento corrigido, mas como normalmente as demais dívidas da empresa são altas o que sobra para o consumidor são só os créditos a que tem direito.

Fazenda foi transferida a empregadosNa semana passada, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) aceitou o pedido de transferência de posse da Fazenda Piratininga, avaliada em R$ 421 milhões, para os ex-empregados da empresa.

A fazenda pertencia à empresa Agropecuária Vale do Araguaia Ltda, do mesmo grupo dono da Vasp. A adjudicação (termo jurídico para a transferência ao credor de bem penhorado) foi pedida em ação civil pública, movida em conjunto pelo Ministério Público do Trabalho, Sindicato dos Aeroviários de São Paulo e Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Segundo o juiz que julgou a ação, Wilson Ricardo Buquetti Pirotta, os trabalhadores poderão fazer o que quiser com as terras.

 

 

Mercado e Eventos
08/09/2008 - 17:17h

OceanAir é a companhia aérea mais pontual segundo a Anac

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a companhia aérea OceanAir é a mais pontual do mercado brasileiro, título que recebe pela quarta vez consecutiva.

A OceanAir passou recentemente por uma reestruturação, oferecendo uma nova malha aérea e uma frota uniformizada de jatos Fokker MK-28. Em outubro, a companhia aumentará para 11 o número de aeronaves em operação. "Todo processo de reestruturação focou o atendimento ao cliente, serviço e pontualidade. Nossos aviões oferecem conforto e ótimo serviço de bordo. Com a recuperação dos índices operacionais e a pontualidade, temos a chave para conquistarmos cada vez mais o passageiro", enfatiza o diretor executivo Renato Pascowitch.

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