RIO DE JANEIRO - 11 DE JULHO DE 2008

O Estado de São Paulo
11/07/2008

Juiz libera salários devidos pela Varig
Valor se limita a R$ 47,5 milhões, mas a dívida chega R$ 238 milhões
Alberto Komatsu, RIO

O juiz Luiz Roberto Ayoub, coordenador da recuperação judicial da Varig, liberou o pagamento de R$ 47,5 milhões para credores trabalhistas da Varig que permanece em recuperação judicial, agora conhecida como Flex. Por meio de comunicado, Ayoub informou que o pagamento está limitado a cinco salários mínimos para cada trabalhador, o que está previsto na Lei de Recuperação Judicial de Empresas.

A Flex tem 14 mil credores trabalhistas, que têm R$ 238,8 milhões a receber só de dívidas contraídas antes de a Varig entrar em recuperação judicial. A estimativa é da 1ª Vara Empresarial do Rio, de Ayoub.

O advogado Álvaro Quintão, que acompanha a recuperação judicial representando a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), diz que a dívida total trabalhista herdada pela Flex já ultrapassa R$ 1 bilhão. Nesse total, estão incluídas as dívidas acumuladas após a Varig entrar em recuperação judicial, mais outras pendências, como verbas rescisórias.

Os recursos para os trabalhadores foram levantados por meio de uma antecipação de emissão de papéis de dívida (debêntures) realizada pela Gol, que comprou a Varig (VRG) em março do ano passado. No total, foram arrecadados R$ 95 milhões em duas emissões de debêntures no valor de R$ 47,5 milhões cada. Pelo plano de reestruturação da Flex, essa operação poderia ser feita no prazo de 10 anos pelo valor de R$ 100 milhões, ou antecipada com deságio.

A outra emissão foi destinada principalmente aos aposentados do fundo de pensão Aerus, que receberam em torno de R$ 34 milhões para amortizar parte da dívida total do fundo, estimada em até R$ 3,5 bilhões. As debêntures fazem parte do plano de recuperação judicial da Varig antiga e são parte dos compromissos do arrematante da Varig para colaborar com a continuidade da recuperação judicial da Flex, que se encerra na semana que vem.

Apesar do dinheiro obtido com as debêntures, a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, lembra que muitos aposentados ainda estão passando por dificuldades. O ex-comandante de vôos internacionais da Varig Zoroastro Ferreira Lima Filho, de 77 anos, recebe hoje apenas R$ 876 do fundo de pensão Aerus, que entrou em liquidação em abril de 2006 por causa da crise da companhia. Até esse dia, seu benefício era de R$ 6,3 mil por mês.

“Não só eu, como a maioria dos meus colegas, demos a nossa vida pela empresa e hoje mendigamos para ter uma vida um pouco melhor”, diz Lima Filho, também presidente da Associação dos Participantes e Beneficiários do Aerus (Aprus). Ele tem diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Teve de vender seu carro e tornar-se dependente do plano de saúde de sua esposa.

 

 

O Estado de São Paulo
11/07/2008

Aeroviários fazem protesto contra a VarigLog em SP

Os aeroviários da VarigLog realizaram ontem de manhã, em frente à sede da empresa em São Paulo, ato de repúdio pelo não pagamento das verbas rescisórias de cerca de 960 funcionários demitidos nos últimos dois meses, organizado pelo Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo (Saesp) e o Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos. Os demitidos reclamam que não receberam as rescisões contratuais.

Segundo o presidente do Saesp, Reginaldo Alves de Souza, a empresa pagou apenas os salários de quem tinha até R$ 5 mil para receber. Para os demais, a VarigLog propôs o parcelamento em dez vezes, mas os trabalhadores não aceitaram. Funcionários ameaçam paralisar atividades da empresa no aeroporto de Guarulhos caso não haja acordo nos próximos dias.

 

 

O Estado de São Paulo
11/07/2008

Governo Kirchner quer 'reargentinizar' empresa aérea
Em crise, Aerolíneas Argentinas se torna alvo da política de nacionalização de empresas
Ariel Palacios, BUENOS AIRES

Os sindicatos de trabalhadores de empresas aéreas da Argentina pediram ontem à Justiça do país que declare a intervenção na Aerolíneas Argentinas. Na prática, isso poderia significar o início de um processo de “reargentinização” da empresa, atualmente controlada pelo grupo espanhol Marsans, que detém 94,41% do capital - o governo argentino tem 5% e os empregados da empresa, 0,59%.

Os sindicatos, alinhados com a presidente Cristina Kirchner, pedem a intervenção para que a Aerolíneas pague meses de salários atrasados. Em troca, em uma reunião com ministros, os sindicatos prometeram “paz” durante 60 dias, período ao longo do qual comprometem-se a não realizar greves. Os atrasos salariais e as dívidas da companhia com o Estado estão servindo de argumento para a estratégia de “reargentinização” - que seria feita tanto com o aumento do capital estatal na empresa quanto com a entrada de grupos privados vinculados ao governo Kirchner.

A Aerolíneas, junto com sua associada Austral, controla 80% dos vôos internos da Argentina. Mas, apesar da hegemonia, suas finanças vão de mal a pior. A empresa deve mais de US$ 200 milhões ao governo. As tarifas congeladas, os altos preços do combustível e as greves constantes transformaram a administração da empresa em tarefa de Hércules.

Vajar pela Aerolíneas nos últimos meses tornou-se uma aventura. Seus aviões costumam partir com maiores atrasos do que outras companhias, e os cancelamentos dos vôos são feitos sem nenhuma explicação. Os sindicatos - que contam com explícito apoio do governo - afirmam que 50% dos aviões que a Aerolíneas possui não são utilizados.

TRUNFO POLÍTICO

A eventual volta da histórica companhia às mãos argentinas é um potencial trunfo político para os Kirchners - Cristina e o marido dela, Néstor, que a antecedeu na presidência -, que, atualmente, sofrem uma drástica queda de popularidade. O problema, admitem os próprios assessores do governo argentino, é encontrar um empresário local disposto a assumir a árdua missão de administrar e investir na caótica empresa.

As ameaças de “reargentinização” provocaram irritação em Madri. O governo do primeiro-ministro José Luis Zapatero já reclamou da falta de “segurança jurídica” na Argentina, além da falta de “normas claras e estáveis”. Analistas sustentam que o caso da Aerolíneas azedaria as relações bilaterais. Além disso, essa operação - se for concretizada - também intensificaria a desconfiança dos investidores internacionais em relação à Argentina.

Os planos de “reargentinização” da Aerolíneas, porém, estão na agenda do casal Kirchner há tempos. No ano passado, o então presidente Néstor Kirchner declarou que sua intenção era a de aumentar o peso estatal na empresa de 5% para 20%. Néstor, ao longo de seu governo (2003-2007), implementou a reestatização de várias empresas, entre elas o Correio Argentino, o Sistema Radioelétrico Nacional e a Aguas Argentinas. Os Kirchners são ferozes críticos do processo de privatizações realizado pelo ex-presidente Carlos Menem, que ao longo de uma década praticamente privatizou todas as estatais do país, incluindo as lucrativas.

TROCA DE CONTROLE

Ex-estatal:
Privatizada em 1991, a Aerolíneas Argentinas tem hoje 94,41% do seu capital nas mãos do grupo espanhol Marsans

Projeto: A idéia do governo argentino é aumentar sua participação na empresa e se associar a um investidor local para reassumir o controle da empresa.

 

 

Folha de São Paulo
11/07/2008

Justiça libera recursos para credor da Varig
DA SUCURSAL DO RIO

O juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela condução do processo de recuperação judicial da Varig, liberou na última quarta-feira, o início do pagamento para os credores trabalhistas que aderiram ao plano de recuperação judicial da velha Varig.

O valor a ser distribuído será de R$ 47,5 milhões, referente ao resgate antecipado de debêntures (títulos de dívida). A Justiça determinou o rateio inicial com um limite de cinco salários mínimos para cada trabalhador.

A velha Varig tem cerca de 14 mil credores trabalhistas. Segundo a Justiça, os créditos trabalhistas contidos no plano de recuperação somam R$ 238,8 milhões. Muitos trabalhadores não aderiram ao plano de recuperação. De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas, o passivo trabalhista total da velha Varig é estimado atualmente entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões. (JANAINA LAGE)

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br