::::: RIO DE JANEIRO - 16 DE JUNHO DE 2007 :::::

 

O Estado de São Paulo
16/06/2007
Leilão da Varig arrecada R$ 1,6 milhão
Alberto Komatsu

Os trabalhadores da Varig vão contar com cerca de R$ 1,6 milhão para abater créditos a receber da companhia. Esse foi o valor arrecadado no leilão de obras de arte da Varig antiga, segundo cálculo preliminar do leiloeiro Walter Rezende, que realizou o evento na quinta-feira. Dos 292 itens oferecidos, 70% foram arrematados. As dívidas da Varig com os trabalhadores chegam a R$ 150 milhões.

'Achei excelente o resultado do leilão', diz Rezende, que vai receber 5% do valor de cada obra vendida. 'Apenas o Di Cavalcanti não teve a sobreoferta que eu esperava, mas foi vendido pelo preço de mercado.' O leiloeiro refere-se ao quadro Baianas, o mais valioso do leilão, arrematado pelo lance mínimo de R$ 1,1 milhão por um misterioso procurador que não largava o telefone celular e saiu do evento fugindo da imprensa.

Os advogados da Varig antiga, que permanece em recuperação judicial, preparam uma petição para reivindicar que o dinheiro arrecadado no leilão seja repassado diretamente aos trabalhadores. O objetivo é agilizar o pagamento, já que, pela Lei de Recuperação Judicial, a receita deveria ser repassada para uma Sociedade de Propósito Específico (SPE).

A SPE foi criada para administrar os recursos obtidos pela Varig antiga para quitar a dívida total de R$ 7 bilhões da companhia. Os credores são pagos por meio de um título de dívida (debênture).

APOSENTADOS

A maior parte dos aposentados do Aerus recebeu esse mês a última parcela de seus benefícios, por causa da liquidação dos dois fundos de pensão da Varig. Os prejudicados pertencem ao plano 1, como o comandante Zoroastro Ferreira Lima Filho, de 76 anos. 'Esperamos por um milagre', diz. 'Só vejo como esperança o acerto de contas.'

O 'milagre' que o comandante espera viria da ação judicial da Varig que cobra perdas pelo período de congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90. O valor estimado é de R$ 5 bilhões. O Superior Tribunal de Justiça já deu ganho de causa à Varig, mas a União recorreu ao Supremo Tribunal Federal.