::::: RIO DE JANEIRO - 16 DE SETEMBRO DE 2007 :::::

 

Jornal da Câmara
14/09/2007
CPI questiona lisura do processo do leilão da Varig

Durante debate realizado ontem pela CPI da Crise Aérea, o presidente da comissão que investigou na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro a venda da Varig. deputado Paulo Ramos (PDT), sugeriu que os integrantes da CPI peçam a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos sócios da Volo do Brasil. Essa empresa, disse o parlamentar fluminense, comprou a Varig por 24 milhões de dólares (R$ 45,6 milhões) e a revendeu para a Gol por 320 milhões de dólares (mais de R$ 600 milhões). Os deputados Vic Pires Franco e Dr. Ubiali sugeriram a criação de uma CPI para investigar a venda da empresa. O relator da comissão, deputado Marco Maia, confirmou que começará a ler seu relatório sobre a crise aérea na próxima terça-feira. A votação deverá ocorrer na semana seguinte.

Deputados sugerem CPI sobre compra da Varig

Os deputados Vic Pires Franco (DEM-PA) e Dr. Ubiali (PSB-SP), que integram a CPI da Crise Aérea, sugeriram ontem a criação de uma CPI para investigar a venda da Varig. Em debate realizado ontem pela CPI, o presidente da comissão que investigou a venda da Varig na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Paulo Ramos (PDT), sugeriu que a CPI peça a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos sócios da Volo do Brasil.

A empresa arrematou a Varig em leilão, em julho de 2006, e a revendeu para a Gol, em março deste ano. Paulo Ramos assinalou que a medida irá permitir apontar a origem do dinheiro utilizado pelos sócios da Volo no negócio. Ele acredita que a empresa atuou como intermediária da Gol na compra da Varig. O deputado estadual fluminense lembrou que a Volo comprou a Varig por 24 milhões de dólares (R$ 45,6 milhões) e a revendeu por 320 milhões de dólares (mais de R$ 600 milhões). "Eles [os sócios da Volo] podem ser vistos como laranjas. Entraram em sociedade com recursos de origem duvidosa, participaram do leilão e depois venderam a empresa por um preço bem superior", afirmou Paulo Ramos.

Manipulação

Na opinião de Paulo Ramos, a venda da Varig da forma como se deu foi um crime de lesa-pátria. Para ele, o que houve foi uma manipulação para que a empresa fosse aniquilada e os novos controladores assumissem a marca Varig. Questionado sobre o papel da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no episódio, ele afirmou que a autarquia esteve presente no "esforço de sepultar uma empresa, deixar com ela todos os débitos trabalhistas, e criar uma empresa nova, que se apropriou do nome da Varig". Para ele, a venda da empresa faz parte de um processo de internacionalização do setor. Ele lembrou que a Varig era a companhia brasileira com o maior número de linhas internacionais em operação.

O presidente da CPI, Marcelo Castro (PMDB-PI), ressaltou que a venda da Varig é um tema que interessa à comissão pois tem conexão com a crise aérea nacional.

Nota 7

Na manhã de ontem, a CPI ouviu o depoimento do diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários Reinaldo de Almeida Barbosa, que deu nota 7 para a manutenção de aviões realizada pelas empresas aéreas. Segundo Barbosa, para se chegar à nota máxima faltam, por exemplo, equipamentos e cursos mais completos para mecânicos. Ele ressalvou, no entanto, que os mecânicos merecem nota 10, pois são "profissionais competentes e com larga experiência".

Questionado pelo relator, deputado Marco Maia (PT-RS), sobre a possibilidade de avaliar se há um aumento na quantidade de falhas nas aeronaves, Reinaldo Barbosa disse não ter números para isso. Ele afirmou, ainda, que não é comum autorizar vôos com o reverso inoperante, como no caso do Airbus A320 da TAM, acidentado em julho, mas que acontece. (LucianaMariz)


Dep. Gabeira- PV-RJ / Dep Gustavo Fruet – PSDB-PR/ Dep. Dr Ubiali - PSB-SP / Dep Vic Pires DEM-PA

Leitura do relatório começa na próxima semana

Marco Maia confirmou que começará a ler seu relatório na próxima terça-feira. Na quarta (19), haverá uma interrupção para apresentação do especialista que está fazendo a análise das caixas pretas do avião da TAM e, na quinta (20), a apresentação do relatório deve ser concluída. A idéia é iniciar o processo de discussão no mesmo dia, abrindo prazo para pedido de vista e apresentação de emendas. A votação deverá ocorrer na semana seguinte. Hoje, integrantes da CPI vão a São Paulo para, em um simulador, avaliar uma série de hipóteses que podem ter levado ao acidente com o avião da TAM. (LM)