RIO DE JANEIRO - 17 DE JULHO DE 2008
O Estado de São Paulo
17/07/2008

Varig antiga continua em recuperação judicial
Alberto Komatsu

A recuperação judicial da Varig antiga (Flex) vai continuar por tempo indeterminado, embora o prazo final previsto em lei termine hoje. Durante os dois anos destinados à reestruturação, algumas premissas básicas da Lei de Recuperação de Empresas não foram cumpridas. Foi por isso que o juiz Luiz Roberto Ayoub, coordenador do processo, deu continuidade à proteção da Flex contra execuções de dívidas ou pedidos de falência.

Em nota, Ayoub esclarece que não se trata de prorrogação, instrumento não previsto em lei. Mas, na prática, foi isso o que ocorreu, avaliam especialistas do setor. O caminho para a continuidade foi aberto de duas maneiras. Ontem, a assembléia de credores da Flex, que definiria a forma de pagamento de sua dívida, de cerca de R$ 7 bilhões, por meio de debêntures, foi suspensa por seis meses (90 dias, prorrogáveis por mais 90).

Os credores votariam o texto da escritura das debêntures. No entanto, como nem a lista dos valores devidos a cada credor ficou pronta (quadro geral de credores), a assembléia foi adiada. A decisão de Ayoub também se baseia numa petição ajuizada pela Fundação Ruben Berta, ex-controladora da Varig, que pediu o encerramento da recuperação judicial. O juiz, que já havia afastado a fundação da gestão da empresa, negou ontem o pedido.

Em seu despacho, ele citou o Artigo 61 da nova Lei de Falências: “O devedor permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da recuperação judicial”. Ayoub acrescenta que “a lei, portanto, não estabelece prazo para finalizar a atuação judicial, como defendem os peticionantes (Fundação Ruben Berta)”.

Ainda conforme sua decisão, Ayoub lembra do caso da Parmalat. “Lá, o monitoramento também está em curso. Aguarda-se, da mesma forma, o integral cumprimento das obrigações pactuadas no Plano de Recuperação Judicial, em especial a formação do quadro de credores.”

“É uma prorrogação, sim. Assim como ele (Ayoub) descumpriu várias cláusulas da lei, alegando que se tratavam de questões sociais, não cumpriu a lei agora. Está sendo coerente”, acusou a secretária-executiva do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. A reportagem do Estado procurou o juiz, mas ele não retornou os pedidos de entrevista.

Segundo a sindicalista, a esperança, agora, está no julgamento da ação de defasagem tarifária no Supremo Tribunal Federal (STF), que cobra do governo cerca de R$ 5 bilhões por perdas com o congelamento de tarifas aéreas entre os anos 80 e 90. O julgamento tem chances de ser realizado após o fim do recesso do Judiciário, em agosto.

Com a decisão, a Flex ganha tempo para continuar cobrando judicialmente duas dívidas que podem colaborar com o seu plano de negócios e fortalecer seu fluxo de caixa. Da Gol, são cerca de R$ 50 milhões, referentes ao período em que a nova Varig (VRG) não tinha certificado de homologação de empresa de transporte aéreo (cheta) e usava esse documento “emprestado” da Varig antiga, além de sua infra-estrutura. Outra dívida, de R$ 48 milhões, está sendo cobrada da VarigLog, que só reconheceu em balanço R$ 37 milhões.

 

 

O Estado de São Paulo
17/07/2008

Só tapumes na área da maior tragédia
Projeto de praça no local onde bateu A320 depende de desapropriações, enquanto famílias preferem memorial
Eduardo Nunomura e Elder Ogliari

O local virou um enorme pátio vazio, cercado por tapumes azuis e nada que lembre ter ocorrido ali, um ano atrás, o maior acidente aéreo do País. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) prometeu construir, neste ano, uma praça em homenagem às 199 vítimas do vôo 3054 da TAM. Mas a Prefeitura ainda não desapropriou os quatro imóveis que permaneceram de pé ou o posto de gasolina que foi atingido pelo Airbus A320. E as famílias discordam sobre a praça: preferem um memorial.

“Uma praça não atende tudo o que nós queremos, ela limita muito”, explica a chef de cozinha Lili Mello. A viúva de Andrei François de Mello está à frente da comissão da associação de parentes e visitou o Marco Zero, memorial nova-iorquino construído no lugar do World Trade Center. O que mais a impressionou foi ver como os americanos vêem o ataque terrorista como um assunto nacional. “No Brasil, a diferença é gritante, como se o acidente tivesse ocorrido só com as 199 famílias.”

O memorial, na visão dos familiares, deve ter um auditório, uma sala de teatro ou música ou mesmo uma biblioteca, onde as pessoas possam usufruir o espaço sem imaginar estar num local fúnebre. O arquiteto Ruy Ohtake foi procurado e topou desenhar, de graça, um croqui.

Já a Praça dos Ipês Amarelos foi proposta pelo arquiteto Marcos Cartum, da Secretaria Municipal de Cultura. A praça ocuparia os 8.500 metros quadrados do terreno com um espaço verde e contemplativo, como define a secretária-adjunta da Prefeitura, Stela Goldstein. “Não há definição e estamos abertos ao diálogo”, diz ela. “Criou-se um impasse, porque os familiares não compreenderam muito bem o projeto”, afirma Cartum, que considera impraticável a idéia de um memorial, por estar muito próximo de Congonhas. A TAM já doou ao Município o terreno onde ficava a TAM Express, também atingido pelo avião.

Lili Mello, que não pôde enterrar o marido, uma vez que ele foi uma das quatro vítimas não localizadas nos resgates, pediu pessoalmente a Kassab que uma Bandeira do Brasil fosse hasteada no local. Ele teria se comprometido a fazer isso hoje, no mesmo horário do acidente no ano passado. Até o início da noite de ontem, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura não confirmava esse evento na agenda oficial.

RIO GRANDE DO SUL

No canteiro central e na área interna de uma rótula da Avenida Severo Dullius, diante do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, 199 árvores nativas plantadas há dois meses homenageiam todas as vítimas do vôo 3054. Um projeto em tramitação na Câmara Municipal denomina o local de Largo da Vida e autoriza a colocação de um monumento no terreno - o projeto será definido após concurso público a ser promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil.

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008

Velha Varig é mantida em recuperação judicial
Prazo se encerraria hoje; juiz diz que é preciso aprontar quadro de credores
Para Justiça, precisam ser cumpridas obrigações previstas no plano de recuperação da companhia; fundação critica a decisão

JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

O juiz Luiz Roberto Ayoub determinou ontem que a velha Varig continuará em recuperação judicial enquanto não forem cumpridas as obrigações previstas no plano de recuperação da companhia. Inicialmente, os credores trabalhavam com um prazo de dois anos, que se encerraria hoje.

Na prática, o poder de decisão sobre os principais aspectos que envolvem a companhia segue com a 1ª Vara Empresarial do Rio, onde corre o processo de recuperação. Na decisão, o juiz contesta que se trate de uma prorrogação do prazo.

O juiz negou ontem um pedido da FRB (Fundação Ruben Berta), a dona da velha Varig, para que fosse encerrado o processo de recuperação judicial. A fundação foi afastada da gestão da companhia por decisão judicial no fim de 2005.

O presidente do Conselho de Curadores da FRB, Cesar Curi, criticou a atuação do Judiciário e disse que, após ter conhecimento dos detalhes da decisão, tomará medidas cabíveis. Ele não descartou a hipótese de recorrer da decisão.

Ontem, os credores da Varig compareceram a uma assembléia para votar o texto das minutas de debêntures (títulos de dívidas), o mecanismo encontrado no plano de recuperação para administrar o pagamento de dívidas. Os próprios credores sugeriram a suspensão da assembléia porque ainda não há um quadro geral de credores. Eles alegaram não poder votar o mecanismo de pagamento sem saber o montante que será destinado a cada um.

Justificativa

Na assembléia, o administrador judicial justificou a falta de informações em razão dos diversos questionamentos feitos na Justiça por credores. A decisão do juiz Ayoub não menciona um prazo para o fim da recuperação, mas a assembléia foi suspensa com nova data de reunião prevista para daqui a 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias.

Para a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, a decisão não muda a situação dos trabalhadores. "Para nós, isso não acrescenta ou diminui nada porque ainda não recebemos. É grave o quadro de credores não estar pronto após dois anos."

Na semana passada, a Justiça anunciou a liberação de R$ 47,5 milhões para os trabalhadores que aderiram ao plano, com um limite de cinco salários mínimos para cada um.

Na decisão, o juiz Ayoub cita o caso Parmalat, presidido pelo juiz Alexandre Lazarinni, de São Paulo, como referência. "Lá, o monitoramento também está em curso. Aguarda-se, da mesma forma, o integral cumprimento das obrigações pactuadas no plano de recuperação judicial, em especial a formação do quadro de credores", disse, na decisão.

Frase

"Para nós, isso não acrescenta ou diminui nada porque ainda não recebemos. É grave o quadro de credores não estar pronto após dois anos"
SELMA BALBINO
presidente do sindicato dos aeroviários

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008

Anac recorre à Justiça para analisar VarigLog
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) vai recorrer à Justiça para dar início à análise do novo quadro societário da VarigLog, agora comandada por Chan Lup Wai Ohira, irmã do investidor Lap Chan. A agência estuda a melhor estratégia para retomar o processo que pode cassar a autorização de operação da companhia.
A Anac tem até a próxima semana para recorrer da liminar concedida pela 14ª Vara Federal, em Brasília, a favor dos sócios brasileiros da VarigLog Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel. Excluídos por decisão judicial da companhia, os brasileiros argumentam que ainda podem reassumir o comando da VarigLog, o que anularia a nova composição societária apresentada à Anac.

Além da agência, o MPF (Ministério Público Federal) no Distrito Federal também tenta revogar a liminar que impediu que a Anac analise a proposta do fundo norte-americano Matlin Patterson. O representante do fundo, Lap Chan, escolheu sua irmã, a chinesa naturalizada brasileira Chan Lup, para assumir o comando da companhia, com 51% do capital votante.

Além de Chan Lup, outro brasileiro ligado ao fundo foi selecionado para ficar com o restante das ações da VarigLog com direito a voto: Peter Miller, alto funcionário do Matlin Patterson, teria direito a 29% do capital da companhia.

A Anac depende da Justiça para validar essa nova composição acionária. Caso reprove a origem do capital de Miller e Chan Lup, a VarigLog pode ser forçada a parar de operar.

Além de tentar fazer com que o processo seja retomado na Anac, o MPF também quer saber como a agência vai verificar a origem dos recursos dos novos acionistas.

A presidente da Anac tem até a próxima sexta-feira- quando vence o prazo dado pelo MPF- para informar todas as medidas que serão adotadas para comprovar que o comando da companhia está, de fato, nas mãos de brasileiros, e não de laranjas.

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008

Companhias aéreas dos EUA têm prejuízos bilionários
DA REDAÇÃO

A American Airlines e a Delta Air Lines, duas das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos, tiveram prejuízos bilionários no segundo trimestre deste ano, provocados especialmente pelo aumento no preço do combustível de aviação. O resultado, no entanto, foi menos pior que o previsto por analistas. As ações das duas empresas subiram ontem.

A American Airlines, a maior empresa de aviação dos EUA, perdeu US$ 1,45 bilhão no segundo trimestre. A concorrente Delta teve um prejuízo de US$ 1,04 bilhão. As duas empresas disseram que seus resultados foram prejudicados pela alta do combustível e por gastos extraordinários relacionados a esse aumento.

Segundo a American Airlines, que lucrou US$ 317 milhões no segundo trimestre do ano passado, ela teve uma baixa contábil (revisão no valor de ativos) de US$ 1,1 bilhão na cotação de algumas aeronaves e outros ativos relacionados. Ela disse ainda que seus gastos com combustível de aviação subiram mais de US$ 800 milhões no período de abril a junho em relação aos mesmos meses do ano passado. As ações da empresa subiram 31,97% ontem.

Já a Delta afirmou que teve gastos extraordinários de US$ 1,2 bilhão e que, se não fosse isso, teria lucrado US$ 137 milhões entre abril e julho -neste ano, ela acumula prejuízo de mais de US$ 7 bilhões. A empresa disse ainda que os gastos com combustível cresceram mais de US$ 1 bilhão. No segundo trimestre do ano passado, a companhia, cujas ações tiveram alta de 26,55% ontem, ganhou US$ 1,59 bilhão.

Numa tentativa de amenizar o impacto do aumento do preço dos combustíveis (resultado da alta da cotação do petróleo), as empresas de aviação têm anunciado diversas medidas, como a demissão de funcionários e a retirada de aeronaves. Além disso, algumas, especialmente as dos Estados Unidos, passaram a cobrar pelo check in da primeira bagagem em vôos domésticos, pelo consumo de bebidas não-alcoólicas e até, no caso da Delta, uma taxa nas passagens do seu programa de milhagem. A novidade mais recente foi o uso de publicidade nos bilhetes emitidos on-line.

Ontem, a espanhola Spanair, a segunda maior empresa aérea do país e que pertence ao grupo escandinavo SAS, anunciou que vai reduzir o número de funcionários em cerca de um terço, com a demissão de 1.100 pessoas, e tirar de uso 15 das suas 63 aeronaves. A intenção é economizar 90 milhões até o final do ano que vem.

As companhias de aviação podem perder mais de US$ 6,1 bilhões neste ano devido aos altos preços do petróleo, segundo a Iata (associação mundial que reúne as empresas aéreas). Cada aumento de US$ 1 na cotação do barril eleva os custos em US$ 1,6 bilhão, diz a Iata.

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008

1 ano após avião da TAM cair, parentes protestam
Familiares de vítimas da tragédia querem responsabilizar Anac, TAM e Infraero
Grupo se reúne com o delegado que cuida do caso; ao lado de Congonhas, no local do acidente, haverá homenagens e protestos

CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Há exatamente um ano, 199 pessoas morreram na avenida Washington Luís (zona sul), depois que um Airbus da TAM não conseguiu pousar em Congonhas e bateu em um prédio da empresa. Familiares pedem a responsabilização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), da TAM e da Infraero (estatal que administra os aeroportos) pelo acidente, o maior da história da aviação nacional.

Hoje, cerca de 300 parentes -entre eles algumas das 150 crianças órfãs- devem participar de homenagens e protestos no local do acidente. A homenagem será a entrega de flores no terreno atingido em 17 de julho de 2007. No sábado haverá missa e, no domingo, espetáculo beneficente na Sala São Paulo. Sobre o protesto, a associação mantém segredo.

Às 14h, o grupo se reúne com o delegado que cuida do inquérito, Antonio Carlos Barbosa. "Ele deve reforçar o que já sabemos: a Anac errou, a Infraero errou e a TAM errou", diz a publicitária Luciana Haensel, 25, filha da psicóloga Angela Haensel, 51, morta na tragédia.

A Anac é acusada pelos familiares de não fiscalizar a própria norma que exigia os sistemas de freio em dia para pousos em Congonhas. A TAM, de desrespeitar a norma e autorizar o pouso do Airbus-A320 que estava com um dos reversores desligados. A Infraero, por abrir o aeroporto apesar de notificações do dia anterior apontarem pista escorregadia.

"Nós sempre pedimos esclarecimento e justiça. Acho que os fatos já foram esclarecidos. Agora só falta justiça", diz Archelau Xavier, vice-presidente da Afavitam (Associação de Familiares e Amigos das Vítimas da TAM). Ele é pai de Paula Masseran de Arruda Xavier, 23, uma das passageiras mortas. O objetivo, diz Xavier, é "punir os culpados" pela tragédia.

Mais uma morte

Ontem, os primeiros parentes a se reunir em um hotel tiveram mais um motivo para o luto. O delegado Jair Cesário, pai da advogada Priscila Bertoldi Silva, 31, que estava no vôo, morreu de infarto. No enterro, no cemitério da Vila Mariana, mesmo quem pouco o conhecia se emocionou por ficar de novo em torno de um caixão.

"Só de saber que ele sentiu uma dor como a nossa já dá vontade de chorar", comentou Monica Laudares, irmã de Marta Maria Franco Laudares de Almeida, 63, que também estava no avião. "Estamos todos mexidos com a data."

Com os corpos e objetos identificados aos poucos, ao longo de semanas, foram feitos 195 enterros -o bebê Levi Leão, 1, o gerente de vinícola Ivalino Bonato, 54, a comissária Michelle Leite, 26, e o consultor de marketing Andrei François Mello, 42, não tiveram funeral porque não havia nada para identificá-los.

A Anac, a Infraero e a TAM dizem aguardar a conclusão do inquérito para se pronunciar. Ontem, uma liminar deu aos familiares o direito de viajar às custas da TAM. A Afavitam promove encontros mensais. "Isso é o único sentido da minha vida", diz Luciana Haensel, que antes da morte da mãe já havia perdido o pai, doente.

A TAM informa em boletins de assistências às vítimas que já emitiu 4.190 passagens aos familiares e gastou R$ 11,4 milhões em despesas com hospedagem e alimentação. A empresa também paga 633 planos de saúde e psicólogos.

Indenizações

Segundo a TAM, foram fechados 79 acordos de indenização de familiares. A Afavitam diz que há dez processos na Justiça brasileira e 70 na americana. Desde abril, há também uma Câmara de Indenização que tenta agilizar processos com o auxílio da Promotoria.

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008

Propostas discutidas após tragédia continuam no papel
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um ano depois do acidente com o avião da TAM, a maioria das propostas discutidas no Congresso e no setor aéreo para garantir maior segurança ao aeroporto de Congonhas e aos passageiros continua no papel.

A tragédia foi analisada em duas CPIs, que resultaram em sugestões para órgãos que regulamentam o setor e para mudar a legislação. Hoje uma audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara discutirá o acidente.

Até agora, porém, só avançou um projeto que obriga as empresas aéreas a divulgarem imediatamente após a confirmação do acidente os nomes dos passageiros. O texto, proposto pela CPI da Crise Aérea do Senado, foi aprovado no plenário, mas depende de análise na Câmara. No acidente da TAM os parentes esperaram horas pela lista de vítimas.

Na Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) está há sete meses com outro projeto que decorreu do acidente para oferecer relatório. O texto, assinado pela CPI do Apagão, regulamenta o trabalho do Sipaer (Sistema de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ao qual o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) está subordinado. Outro projeto da CPI que está parado estabelece que o governo envie ao Congresso a cada três anos um plano nacional de aviação.

A Infraero também anunciou medidas na época do acidente que ainda estão em discussão, como a construção em Congonhas de uma rede que conteria aeronaves. A empresa alega que já tomou outras providências, como a finalização das ranhuras na pista principal, obra iniciada oito dias após o acidente.

Já a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que reforçou a fiscalização no aeroporto, editou norma obrigando aeronaves que pousam ali a adotar o mesmo peso que em dias de chuva, ampliou a área de escape e intensificou a fiscalização nas companhias. Somente em março, a agência vetou o pouso de aviões com o reverso travado, como o Airbus da TAM, em Congonhas.

 

 

Folha de São Paulo
17/07/2008
Rapaz tenta pilotar avião e é apreendido
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA

Um adolescente de 17 anos foi apreendido às 18h50 de anteontem ao tentar pilotar uma aeronave de uma empresa de táxi aéreo no aeroporto de São José do Rio Preto (447 km de São Paulo).

Ele foi flagrado por funcionários quando estava prestes a ligar o avião, segundo a Polícia Civil.

Levado por policiais militares a uma delegacia, o jovem relatou que já tinha feito aulas de pilotagem e que queria levar o avião ao Guarujá e, depois, a Fernando de Noronha.

A Polícia Civil diz que o rapaz pulou um alambrado do aeroporto e chegou ao avião, que estava em um hangar afastado.

O jovem deixou a delegacia acompanhado pela mãe. O caso será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude de São José do Rio Preto.

Segundo a Secretaria de Estado dos Transportes, "é o primeiro caso dessa natureza" no aeroporto.

 

 

Bol Notícias
16/07/2008 - 18h41

Depoimento de Daniel Dantas à PF tem 'protesto de um homem só' na Lapa
Ana Luisa Bartholomeu
Em São Paulo

A advogada Débora Pontes de Moura, 28, acompanhava o irmão à sede da Polícia Federal na tarde desta quarta-feira, em São Paulo. Júlio, 18, havia pedido a renovação do passaporte. Antes de passar pela porta de segurança localizada no hall de entrada do prédio, a advogada, porém, desistiu de seguir em frente. "Vai lá você. Vou ficar aqui para tentar ver o Daniel Dantas", disse, rindo para o irmão. "Sabia que ele vem aqui hoje? Ouvi um jornalista falando ali embaixo", explicou a Júlio.

Segundo a advogada, a curiosidade para ver o banqueiro nem era tanta. "O que eu quero ver mesmo é o tratamento que vão dar a ele. É tão difícil ver alguém do alto escalão ser preso... quero ver se ele vai chegar sozinho, ou no meio de um monte de seguranças... quem sabe até de helicóptero."

No depoimento de Dantas à PF, o protesto solitário do aposentado Amaury Antunes Guedes, 73
Pois nem foi preciso esquema de segurança, apoio de agentes de tráfego ou interdição da já pacata rua Hugo D´Antola , no bairro da Lapa, na capital paulista. De forma discreta, Daniel Dantas - dono do grupo Opportunity e principal alvo de investigação da operação Satiagraha - chegou às 15h (com uma hora de atraso) ao prédio da Superintendência da Polícia Federal para prestar depoimento, acompanhado apenas de advogados.

Protagonista do caso que pode se tornar um dos maiores escândalos de corrupção do país, o banqueiro chegou ao local calado, e ignorou a chuva de perguntas dos jornalistas que o aguardavam ali há horas.

Graças a dois habeas corpus concedidos pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, na semana passada, Dantas voltou à sede da PF nesta quarta-feira pela porta da frente, e não mais pelos fundos como em sua prisão durante a grande operação policial da semana passada, quando também foram detidos o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

Do outro lado da rua, fantasiado ora de caveira, ora de anjo, o aposentado Amaury Antunes Guedes, 73, era o único manifestante no local. Carregava um pôster com várias caras de Dantas estampadas em revistas, além de frases de protesto contra o fundo de pensão Aerus, que segundo ele, arruinou sua vida. "Eu tinha uma aposentadoria digna, de R$ 5 mil, o mínimo para alguém que trabalhou por 40 anos na Varig. Agora vivo dos meus protestos e de pegar latinha na rua", explicou.

Questionado sobre o que Daniel Dantas tinha a ver com o seu problema, Amaury disse que 'isso não importava'. "Eu estou sempre onde tem evento midiático, porque é a única forma de mostrar minha indignação com este país. Amanhã mesmo estarei no local do acidente da TAM", contou, acrescentando que ainda não sabia qual fantasia usaria no compromisso.

Observando a movimentação, o corretor de imóveis Joseph M. Bourdoukan aguardava a mulher, Ane Maria, que entregava alguns documentos na sede da PF. "Nós chegamos com uma hora de antecedência da hora marcada, e ele [Dantas], com uma hora de atraso. E olha que ele é investigado, hein. O tratamento já começa a ser diferente aí", ironizou Bourdoukan. Protestar? "Desde quando quem tem dinheiro fica preso? Nem tive vontade de me manifestar quando o vi, pois sei que esse caso é mais um que vai acabar em pizza. Fiquei com pena de vocês, jornalistas, se amontoando por tão pouco", disse, criticando o comportamento da imprensa na chegada do banqueiro ao local.

A dona-de-casa Harko Goya Kanashiro, 68, levou um susto ao sair da sede da PF logo após a chegada de Dantas. "O que está acontecendo aqui?", perguntou, desnorteada, a um policial que proibia a entrada de jornalistas no prédio. Sem resposta, veio em direção à repórter. "Alguém famoso foi preso?", tornou a questionar, quando ouviu a resposta pouco elucidativa. "O banqueiro Daniel Dantas veio prestar depoimento...". "Como? Ah, aquele que foi preso junto com o Pitta?". Diante da resposta afirmativa, desabafou: "Tanta coisa mais importante já aconteceu e não deu em nada... Imagina se com esse, que nem é tão conhecido, alguma coisa vai mudar."

Para o taxista Amauri Tatajuba, 50, operações da PF que ganham grande repercussão na mídia - como a Satiagraha - só servem para atrapalhar o trabalho dos motoristas no local, uma rua normalmente calma da Lapa. "Fico neste ponto há seis anos, junto com mais 11 colegas, e posso dizer que a imprensa é muito ousada. Eles vão chegando e tomando conta [do ponto]. Estacionam em qualquer lugar, ocupam nossas vagas e ainda nos tratam mal. Acho um exagero", reclamou.

Questionado sobre o movimento discreto na região no dia em que o protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção do país prestaria esclarecimentos à polícia, Amauri explicou que os curiosos aparecem mais quando há apreensão de carros importados e 'mutreta' envolvendo gente 'mais' famosa. "Hoje de manhã mesmo apreenderam uma Ferrari e uma Mercedes. Tinha mais gente do que agora", contou.

O sorveteiro José do Nascimento, 65, concordou com o taxista. "O movimento aqui tá fraco hoje. Eu só fiquei sabendo que ele [Dantas] viria depor porque a televisão só mostra isso. Sinceramente, não conheço ele e também não sei o que ele fez. Deve ser rico né, senão jornalista não vinha atrás."

Nascimento, que vende entre 70 e 80 sorvetes por dia na região da sede da PF, não contabilizou lucro maior com a presença do banqueiro no local. "No caso Isabella eu vendi mais, porque tinha mais gente. O povo ficou indignado mesmo né", completou.

 

Jornal O Dia
16/7/2008 16:32h

Varig continuará em recuperação judicial

Rio - A Varig, que agora opera com a marca Flex, vai permanecer em recuperação judicial enquanto não forem cumpridas todas as obrigações que se vencerem em até dois anos e que não forem concluídas por motivos justificados. A decisão é do juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio, que nesta quarta-feira (dia 16 de julho) indeferiu pedido da Fundação Rubem Berta, ex-controladora da companhia, para que o processo de recuperação fosse encerrado.

De acordo com o juiz, enquanto não for finalizado o Quadro Geral de Credores, tanto concursais como extraconcursais, não se faz possível o fim do monitoramento judicial como pretendido pela Fundação. Luiz Roberto Ayoub frisa que não se trata de hipótese de prorrogação do período de recuperação, pois o artigo 61 da Lei 11.101/05 não estabelece prazo para finalizar a atuação judicial.

“Na Assembléia Geral de Credores convocada para hoje, dia 16.7.08, os credores, justificadamente, decidiram em suspendê-la porque não podem deliberar sobre os assuntos pautados para o conclave. Necessita-se, repita-se, da definição dos valores cujo quadro envolve uma infinidade de incidentes. A vontade dos credores, neste sentido, vai ao encontro da imperiosa necessidade de se aguardar o que foi avençado no Plano de Recuperação Judicial homologado por este juízo”, escreveu Ayoub na decisão.

Ele registra que o atraso no cumprimento das obrigações não foi causado pelos credores. E lembra que a complexidade quantitativa e qualitativa encontra justificativas que foram destacadas em todos os relatórios elaborados pelo administrador judicial, que atua diretamente na conclusão do Quadro Geral de Credores, envolvendo milhares de incidentes entregues ao PoderJudiciário que torna impossível a conclusão do processo neste momento.

Como exemplo, Luiz Roberto Ayoub cita o caso Parmalat, presidido pelo juiz Alexandre Lazarinni, de São Paulo. “Lá, o monitoramento também está em curso. Aguarda-se, da mesma forma, o integral cumprimento das obrigações pactuadas no Plano de Recuperação Judicial, em especial a formação do Quadro de Credores”, lembrou.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br