RIO DE JANEIRO - 20 DE MAIO DE 2008

Jornal do Brasil
20/05/2008

O vôo cego da Anac
Cláudio Magnavita

Depois de confirmada a renúncia do brigadeiro Allemander Pereira do cargo de diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cargo para o qual ele estava mandatado e chancelado pelo Senado Federal, fica a sensação de que a agência passou realmente agora a ser comandada por pilotos sem brevê.

Os últimos fatos ocorridos na Anac, uma agência criada há apenas 3 anos, resultam na demissão em dominó dos seis primeiros diretores. Cinco da primeira diretoria e agora Allemander, que foi o primeiro da era Nelson Jobim.

Muito mais sério do que os problemas folclóricos gerados pela presidente da agência, Solange Vieira, a Anac passa por uma crise de problemas estruturais que podem trazer seqüelas graves para o Brasil nos próximos anos. É como se o avião tivesse perdido uma das turbinas no vôo e os seus tripulantes ficassem discutindo a qualidade do serviço de bordo, sem ter noção da situação de risco.

Já está marcada para maio do próximo ano a auditoria da Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci), organização mundial de aviação, que encontrará um quadro pior do que achou em 2001, só que desta vez o país não terá seis meses para corrigir os problemas encontrados. O retrato que for traçado pelos inspetores internacionais ficará no site da entidade pelos próximos seis anos. Se o resultado for negativo, o Brasil poderá ser rebaixado pelas autoridades aeronáuticas americanas e européias para a categoria 2 ou ainda ser rebaixado para a categoria 3. As aeronaves do países de categoria 2 só podem voar até aeroportos limítrofes, como Miami, Nova York ou Lisboa, ficando proibidos de sobrevoar territórios europeus e americanos. Na categoria 3, os aviões são simplesmente banidos, como ocorreu com a Linhas Aéreas de Moçambique.

A auditoria da Oaci, que está confirmada no site da organização internacional, irá focar principalmente os anexos I, VI e VIII, que checam a capacidade técnica do órgão regulamentador, que envolve pessoal técnico, aeronaves e quadro de fiscalização. Também a Oaci irá colocar a lupa no Anexo XVIII, que envolve cargas perigosas.

O problema é que Solange Vieira acredita que a Anac está "inchada" e que poderia funcionar com um quadro bem menor.

Depois que regressou dos Estados Unidos, ela passou a dizer que bastava meia dúzia de comandantes para fazer a fiscalização da Anac no Brasil. A agência deverá perder até o início de 2009, ou seja, antes da auditoria internacional, pelo menos 600 funcionários. Ela tentou acabar com o convênio com a Infraero, o que resultaria na devolução de 200 funcionários, dos quais 80 já perderam a gratificação, com a justificativa que de a empresa aeroportuária é que havia cortado, enquanto na realidade é a Anac que reembolsa à estatal estas despesas. Em março do próximo ano serão devolvidos 280 militares, dentro do lote anual, só que a agência não consegue substituí-los com pessoal civil. No último concurso, das 47 vagas para engenheiros aeronáuticos, só 12 passaram, sendo que oito já pertenciam ao quadro. Na realidade, só houve quatro novas contratações. Como pilotos checadores, haviam 85 vagas, das quais 10 foram preenchidas. Só que novamente cinco já faziam parte do quadro, e só houve o acréscimo de seis.

O quadro temporário de 2001, que foi colocado para atender às exigências da Oaci, depois da última auditoria, deverá ser liberado ainda este ano e a sangria da capacitação técnica da agência vai virar uma hemorragia incontrolável.

Como nenhum dos seus diretores possuía currículo ligado à aviação, principalmente a sua presidente, os danos que forem causados pela atual gestão da Anac à aviação comercial brasileira não trarão nenhuma seqüela séria para eles. Solange Vieira coleciona uma série de queixas dos lugares por onde passou e a Anac será apenas uma a mais. O pior será para o país. O reflexo se manifestará nos próximos 4 ou 5 anos.

A Aviação Geral, que está diretamente subordinada à presidente da agência, já coleciona 41 acidentes até o fechamento desta edição. No ano passado, foram 96 acidentes, um recorde lamentável e para este ano, alguns especialistas ligados ao comando da aeronáutica, acreditam que poderemos chegar a 120. Um sinal claro que algo de muito errado está acontecendo.

A Anac coleciona um festival de implosões internas e, externamente, a agência fecha os olhos para o que está ocorrendo com a quebra do artigo 181 do Código Brasileiro Aeronáutico, que proíbe que estrangeiros comandem uma empresa aérea no Brasil. No caso da VarigLog, a agência mantém uma passividade perigosa e não toma nenhuma atitude. Dentro de uma semana vence o prazo dado pelo juiz de São Paulo, José Paulo de Camargo Magano, para que a empresa apresente novos sócios brasileiros. Para que isso ocorra, será necessária a comprovação dos investimentos e a compra das ações que hoje pertencem 100% ao Fundo Matlin Patterson.

Uma concessionária pública burlar a legislação federal já faz parte de um cenário onde a mão forte da Anac deveria se fazer presente. Uma mão forte que inexiste, a não ser na deselegância, como foi o caso da última reunião, que colocou na mesma sala os brigadeiros Allemander e Jorge Godinho, secretário nacional de Aviação Civil, o ministro Nelson Jobim e Solange Vieira. Ela ficou todo o tempo insuflando o ministro, que acabou sendo grosseiro e criando um quadro de constrangimento que resultou posteriormente no pedido de saída do próprio diretor.

A agência mantém o segredo das suas reuniões, porque parte das suas decisões são indefensáveis e não resistem a um comentário técnico. Nunca mais as atas foram publicadas por trazerem contestações de quem não aceitou colocar em risco o seu currículo.

A agência perde autonomia quando o Ministro de Estado senta para despachar na própria agência e recebe os presidentes das empresas aéreas. Foi o que ocorreu na sede da Anac, no Rio, com Jobim comandando uma reunião, com uma calada presidente ao seu lado. O que era para ser independente, como uma forma de salvaguardar a sociedade civil dos arroubos e excessos do poder executivo, hoje está efetivamente subordinada de forma servil.

 

 

Folha de São Paulo
20/05/2008

Anac quer liberar bilhete ao exterior
Tarifas de passagens para EUA e Europa devem ser liberadas, diz diretor de agência reguladora
Sindicato que reúne companhias nacionais são contra medida e diz que elas vão se preparar para embate em todos nos níveis

JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) planeja definir até o fim do ano as regras para a liberação de tarifas em vôos para Europa e Estados Unidos. A partir daí as empresas teriam um prazo de cerca de um ano para se adaptar. Antes mesmo do início das discussões, as empresas aéreas já reagiram e afirmam que a medida pode resultar em prejuízo para o setor.

Segundo Ronaldo Serôa da Motta, diretor da agência, a idéia é colocar uma proposta em audiência pública e receber as contribuições do setor para o debate ainda neste ano. Segundo ele, a medida não prejudicará as empresas. Atualmente, entre as nacionais a TAM domina o mercado de vôos intercontinentais.

"Há uma argumentação de que as nossas empresas têm desvantagem tributária, mas não chegou à agência nenhum estudo das companhias, nenhum pleito sobre desoneração tributária", disse Motta.

De acordo com o diretor, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), do Ministério da Fazenda, predispôs-se a analisar o tema. "Há interesse do próprio governo em corrigir o excesso de tributação, mas temos dificuldade em identificar o que está onerando mais as empresas brasileiras do que as estrangeiras", disse.
Segundo Motta, atualmente as tarifas para Europa e EUA são definidas com base em um preço de referência fixado a partir de uma tabela da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo).

"Haverá uma pressão de preços menores com uma gestão mais eficiente e maior interesse nesse mercado, mas as empresas também terão de lidar com as pressões de alta de preços como o aumento da demanda e do petróleo. O órgão regulador não pode controlar preço, mas tem de permitir que os mais eficientes tenham incentivo para entrar no mercado ", afirmou.

Uma experiência semelhante já está em curso nos vôos para a América do Sul. A partir de 1º de junho, as empresas poderão oferecer descontos de até 80% no preço de referência para vôos nesta região. A partir de 1º de setembro, haverá liberdade total na fixação do valor dos bilhetes.

O diretor afirmou ser a favor da política de céus abertos. Na prática, significa o fim do limite de vôos para companhias estrangeiras para o Brasil. Hoje, as empresas precisam respeitar o número de vôos previsto em acordos bilaterais. O primeiro passo seria a implementação da política de céus abertos na América do Sul.

Em nota, o secretário-geral do conselho do Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias), Anchieta Hélcias, afirmou que o diretor mostrou "total desconhecimento da aviação brasileira e da mundial".

Afirmou ainda que espera que os demais membros da diretoria colegiada da Anac não estejam de acordo com a nova política. "Se estiverem, devemos nos preparar para o embate em todos os níveis: político, judicial e de opinião pública."

 

 

O Estado de São Paulo
20/05/2008

Crise dos EUA afeta Embraer
Empresa compensa perdas investindo em mercados emergentes, como o Oriente Médio
Jamil Chade

A desaceleração da economia americana já está afetando as vendas da Embraer nos Estados Unidos, pelo menos no segmento de jatos executivos. Em compensação, a empresa está conseguindo bons resultados nos mercados emergentes, entre eles Rússia e Oriente Médio.

“O que estamos vendo é uma leve queda nos Estados Unidos em termos de compras, ainda que nenhuma encomenda já feita no passado tenha sido cancelada”, afirma o vice-presidente da Embraer e responsável pelo setor de jatos executivos, Luis Carlos Affonso.

Ontem, durante a feira de jatos executivos que ocorre todos os anos em Genebra, a Embraer iniciou a venda de dois de seus novos modelos, com valor de US$ 18,4 milhões e US$ 15,2 milhões. As primeiras entregas desses modelos estão previstas para 2012, exigindo investimentos de cerca de US$ 750 milhões.

A empresa não disfarça que parte de sua atenção está mesmo voltada aos mercados emergentes. Só no Oriente Médio, a Embraer fez uma revisão de seus planos e poderá abrir não apenas uma central de atendimento em Dubai, mas também outra em Abu Dabi.

A Embraer quer abocanhar parte de um mercado que promete movimentar US$ 201 bilhões até 2015, com vendas de 13 mil jatos executivos em todo o mundo. Um terço dessas vendas ocorreria na Europa e Oriente Médio.

Para competir com as gigantes de todo o mundo, a Embraer tem seis modelos de jatos executivos e cerca de 120 unidades já em operação. Só em 2009, o plano prevê a entrega de até 150 unidades. Os modelos mais requisitados são os da família Phenom, com 750 ordens vindas de 44 países. O jato está sendo vendido com um preço que varia entre US$ 3 milhões e US$ 6 milhões. Hoje, os jatos executivos já representam 16% dos lucros da Embraer.

Durante o evento, a Embraer ainda anunciou a criação de um programa que permite que um comprador de um jato possa compensar a poluição gerada pelo avião.

Pelo esquema criado pela Embraer, o novo proprietário pode pagar mensalmente um valor à empresa correspondente às toneladas de CO2 que emitiu naquele mês.

O dinheiro será usado pela Embraer para projetos de reflorestamento e conservação no Brasil. A empresa, porém, admite que um tratamento completo das emissões de CO2 dos aviões somente será atingido quando bioquerosenes forem introduzidos no mercado.

A Embraer espera que 20% da mistura do combustível dos jatos venham de fontes renováveis até 2015.

 

 

O Globo
20/05/2008

Ancelmo Góis

 

 

Valor Econômico
20/05/2008

Herdeiro da TAM compra Óticas Carol e cria holding
Claudia Facchini

Com apenas 23 anos, Marcos Amaro, filho caçula do fundador da TAM, Rolim Amaro, já pode ser considerado um nome de peso no varejo. Sua empresa, a Amaro Participações (AP), acaba de comprar a Carol, rede de óticas fundada em 1997 em Sorocaba (SP). A cadeia expandiu-se rapidamente e já é a maior varejista de óculos do Brasil, com 220 lojas no interior e na capital de São Paulo. A meta de Amaro é fazer da Carol uma rede de R$ 360 milhões em vendas anuais até 2013, com 600 unidades no país. "Também pensamos em expandir a rede na América do Sul", diz ele.

Suas ambições empresariais, contudo, vão além. "Vamos anunciar novos negócios em breve", afirma o empresário, que acaba de constituir a Fábrica de Marcas, uma holding que, além da Carol, tem sob seu guarda-chuva a World Luxury (WL), uma gestora de marcas de luxo criada por ele em 2006 e que hoje importa os relógios TAG Heuer e os óculos Alain Mikli.

Na Fábrica de Marcas, Amaro aliou-se a três executivos: Roberto Profili, executivo egresso do mercado financeiro e que comandará os processos de aquisição, Alexandre Costa, ex-AmBev, que será responsável pelas operações, e Ricardo Maeda, que responderá pela área financeira. "Queremos ser semelhantes à GP", diz Marcos Amaro. Para presidir a Carol, ele chamou ainda um velho conhecido, Daniel Mandelli, ex-presidente da TAM. O executivo deixou a companhia aérea após a morte de Rolim devido aos confrontos com os seus outros dois filhos.

O valor pago pela Carol, que fatura R$ 120 milhões por ano, não é revelado, mas certamente não foi foi pouco. O varejo de óculos ainda é dominado por pequenas lojas e deve passar por um forte processo de concentração. Em 2007, o grupo holandês HAL adquiriu a Fábrica de Óculos, da Bahia, e a Fotoptica, de São Paulo. Segundo fontes do setor, uma rede espanhola também andou prospectando aquisições no país. Com a conquista do grau de investimento, é esperado que o Brasil entre no radar das cadeias multinacionais.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br -www.apvar.org.br