RIO DE JANEIRO - 21 DE AGOSTO DE 2008

Agência Estadao
21/08/2008 - 11:15h

Anac autoriza a volta Nordeste Linhas Aéreas
ROSANA DE CASSIA - Agencia Estado

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a empresa Nordeste Linhas Aéreas S.A, em recuperação judicial, a explorar serviço público de transporte aéreo não regular de passageiros, cargas e mala postal. Mas para isso, de acordo com decisão da Anac, publicada hoje no Diário Oficial da União, a empresa aérea terá que estar em dia com o INSS, o FGTS e a Fazenda Nacional.

Em outra decisão, a Anac autoriza a empresa estrangeira Korean Air Lines, de nacionalidade coreana, a operar serviços aéreos regulares de passageiros, carga e mala postal em território brasileiros.

 

 

Agência Estadao
21/08/2008
Varig começa a receber aviões mais econômicos

São Paulo - A Varig informou hoje que recebeu um Boeing 737-700, o primeiro de uma série de sete novas aeronaves Boeing 737 Next Generation previstas para entrega até o final do mês. A encomenda faz parte do plano de renovação da frota da empresa, que até o final do ano substituirá todos os Boeing 737-300 e 767-300 por modelos mais modernos, eficientes, econômicos e confortáveis.

Em nota o vice-presidente Técnico da Gol, holding que controla a Varig, Fernando Rockert de Magalhães, explica que são quatro Boeing 737-700 e três Boeing 737-800 Short Field Performance, todos com menores custos de manutenção, combustível e treinamento.

O 737-800 SFP é equipado com winglets, tecnologia que reduz o ruído na decolagem e permite uma economia de combustível de até 3% ao ano. As três unidades encomendadas pela Varig vêm direto da fábrica da Boeing, em Seattle (Estados Unidos).

Atualmente a Varig oferece mais de 140 vôos diários para 12 cidades no Brasil: Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Fernando de Noronha, Florianópolis, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Também realiza vôos diários para quatro destinos internacionais: Buenos Aires, Bogotá, Caracas e Santiago. Atualmente, sua frota é composta por 31 aeronaves Boeing. (AE)

 

 

G1 - O globo
21/08/2008 - 10:17h

Avião acidentado em Madri teve problema de superaquecimento, diz empresa
Spanair não sabe se problema antes da partida teve relação com acidente.
Há 153 pessoas mortas e 19 feridas no desastre ocorrido em Barajas.

O avião da Spanair que se acidentou na quarta-feira (20) no aeroporto de Barajas, em Madri, deixando 153 mortos e 19 feridos, teve um problema de superaquecimento antes de iniciar a manobra para decolar pela primeira vez, informou nesta quinta a companhia aérea.

O subdiretor-geral de Operações da Spanair, Javier Mendoza, confirmou em entrevista que o comandante do vôo JK 5022 voltou com a aeronave ao portão de embarque antes de começar a decolagem depois de ter detectado e informado sobre um problema de "aquecimento excessivo em uma válvula de entrada de ar".

O dispositivo estava localizado em frente ao aparelho, sob o cockpit. O problema foi isolado com o desligamento da válvula, o que, segundo Mendoza, é o procedimento padrão nesses casos, e o avião foi autorizado a voltar à pista de decolagem.

Segundo a companhia, ainda não está claro se esse problema tem relação com o acidente.

Acompanhado pelo presidente da SAS e proprietário da Spanair, Mats Jansson, Mendoza disse que o pessoal de manutenção da companhia tratou o problema de acordo com os procedimentos dos manuais do avião, o "isolou dentro das condições para voar e foi liberado para vôo".

A companhia aérea, acrescentou, repassou o problema com inspetores de Aviação Civil e não encontrou "anormalidade" no processo.

O comitê de empresa da Spanair em Palma de Mallorca (Ilhas Baleares), onde fica a sede a companhia aérea, negou que a tripulação que pilotava o avião que se acidentou estivesse com excesso de horas de trabalho.

"Excesso de horas não havia de nenhuma maneira, e sim o excesso de trabalho que há no verão (hemisfério norte), mas totalmente dentro do normal", disse o presidente do comitê de empresa, Jordi Mauri, em declarações à imprensa.

Caixas-pretas

Mendoza disse que as duas caixas-pretas do avião foram recuperadas e estão aproveitáveis, apesar de uma delas estar danificada. "Agora temos que descarregar os dados. Devemos esperar o resultado das análises."

Investigação

O presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, prometeu que a investigação do acidente será exaustiva e que serão analisados todos os extremos para obter "conclusões esclarecedoras de causas e circunstâncias da tragédia".

Após visitar os feridos que estão internados em um centro médico de Madri, Zapatero disse à imprensa que seu governo "velará com todos os meios e garantirá todas as atuações" para determinar as causas e as circunstâncias da tragédia.

Os bombeiros localizaram os cadáveres dos dois passageiros que ainda não tinham sido encontrados, e que correspondem a um bebê e a um adulto, informou o chefe do serviço de extinção de incêndios do aeroporto de Barajas, Benjamín Olivares.

Com a localização destes cadáveres, disse, "a princípio, estão resgatadas todas as vítimas" e poderiam se dar por finalizados os trabalhos de busca.

Até o momento, o saldo de vítimas do acidente é de 153 mortos e 19 feridos, e, entre estes últimos, vários se encontram em estado crítico. 

O número de feridos internados é de 19. Na noite desta quinta-feira, dois deles estavam em estado "muito grave". Na manhã desta quinta-feira (21), o jornal "El País" divulgou que a situação de dois internados piorou e agora há no mínimo quatro pessoas correndo risco de morte. O avião levava 172 pessoas, segundo o site da empresa aérea Spanair.

De acordo com a agência Associated Press, a ministra do Fomento, Magdalana Alvarez, disse que o processo de reconhecimento pode demorar muitos dias já que alguns corpos foram inteiramente queimados e serão reconhecidos por exames de DNA. 

O aeroporto de Barajas opera com normalidade, segundo o jornal espanhol “El País”, que ouviu a Aeroportos e Navegação Aérea (Aena) e Magdalena Álavarez.

A ministra disse ainda que todo o complexo está em operação, inclusive a pista usada pela aeronave.

Luto e causas

Uma vigília silenciosa está programada para a noite desta quinta-feira (21) em Madri. Segundo a Associated Press, o rei e a rainha espanhóis planejam visitar o local onde os parentes aguardam informações sobre os corpos.  

Segundo o "El Pais", um dos motores falhou e pode ter causado o fogo durante a decolagem. A empresa confirmou que um MD-82 foi obrigado a fazer um pouso de emergência na noite de sábado por causa de problemas técnicos.  

Existe a possibilidade de que o avião tenha saido da pista e se partido em dois já em uma região fora do aeroporto e isolada na cidade. Era a segunda tentativa do vôo de decolar. A primeira tinha sido abortada por motivos técnicos.

De acordo com o porta-voz da companhia aérea, o avião modelo MD-82 (leia mais aqui) passou por uma revisão geral em janeiro deste ano e encontrava-se em plenas condições mesmo com seus quase 14 anos de vôo.

O vôo era compartilhado com a companhia Lufthansa.

As empresas disponibilizaram um número telefônico gratuito para familiares que buscam informações sobre o acidente.

'Não ouvimos nada'

A acústica do Terminal 4 do aeroporto de Barajas, o maior e mais moderno da Espanha, impediu que os trabalhadores do local e os passageiros de outros vôos que se preparavam para embarcar ouvissem a explosão na hora que ocorreu.

"Só soubemos do que aconteceu quando a televisão noticiou, quando parentes nos ligaram para perguntar se estava tudo bem conosco. Vimos a fumaça, mas achamos que era algo pequeno, como os que de vez em quando há por aqui. Só depois percebemos que era sério desta vez", diz o vendedor português Roger da Silva, que há 11 anos trabalha em uma loja do free shop do T4. "A vida aqui dentro continua normal. Só diminuiu o número de clientes. Ninguém quer viajar em dia de acidente aéreo", completa.

 

 

Folha de São Paulo
21/08/2008

153 morrem em queda de avião na Espanha
Desastre ocorreu na decolagem de MD-82 da empresa Spanair, que faria viagem de Madri ao arquipélago das Canárias
Até a noite passada tinham sobrevivido 19 pessoas; causa ainda é incógnita, mas relatos indicam que um dos motores pegou fogo

Efe


Bombeiros e Guarda Civil inspecionam o
local do acidente, no aeroporto de Barajas, Madri

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A MADRI

Goretti Álvarez preparava-se para embarcar para Las Palmas, a capital do arquipélago das Canárias, quando ouviu o que descreveria depois como "uma explosão demasiado perfeita", tão perfeita que ela achou que "só podia ser uma simulação".

Não era. Era "o mais parecido ao inferno que jamais vi na vida", diria o guarda civil José de los Ángeles, ao voltar do local onde caiu e praticamente se desintegrou um avião MD-82, que deveria fazer o vôo JK 5022, da empresa aérea espanhola Spanair, entre o aeroporto madrileno de Barajas e a Las Palmas para onde iria Goretti. Iria, aliás, exatamente nesse vôo, não fosse o fato de que a Ibéria cobrava 10 menos que a Spanair para o percurso e ela preferiu economizar esse dinheiro (equivalente a R$ 25). Acabou economizando a própria vida.

Das 172 pessoas a bordo (dez tripulantes e 162 passageiros, inclusive dois bebês, que sobreviveram), apenas 19 estavam internadas ontem em hospitais de Madri, o que significa que os mortos são 153, cifra confirmada pelo governo espanhol.

A Cruz Vermelha previa "uma longa noite" trabalhando para resgatar os corpos no local da queda, nas imediações da pista 36, conhecida como "La Isla" (a ilha), por ser a mais remota do aeroporto de Barajas.

O vôo JK 5022 estava atrasado cerca de uma hora, por "problemas técnicos", quando iniciou a decolagem às 14h45 (9h45 em Brasília), chegou a sair do solo, mas "comeu a pista, comeu a pista toda e, minha mãe do céu, notei uma bola de fogo e uma explosão. Caiu como uma folha de árvore", deporia Martha Natividad de las Rosas, testemunha da tragédia, a primeira que ocorre em Barajas em 25 anos.

Caiu em uma zona de difícil acesso junto a um riozinho.

Policiais, médicos e enfermeiros que estiveram no local da queda coincidiram em relatar que a traseira do avião estava totalmente separada do resto do aparelho, o que acabou sendo a salvação para os 19 sobreviventes (15 dos quais estavam ontem à noite em estado grave ou muito grave).

"Como o avião se partiu, muitas pessoas caíram no rio ou ao solo, e pudemos resgatá-las, evitando que se queimassem", depôs o bombeiro Miguel Ángel. O guarda civil De los Ángeles relata que, quando os grupos de socorro começaram a chegar, havia cadáveres "fervendo".

Fogo no motor

Embora não haja informação oficial sobre a causa do acidente, como é de praxe nesses casos, testemunhas dizem que o motor esquerdo pegou fogo. Mas só após a complexa investigação habitual descobrirá as causas do incêndio, se é que foi mesmo o motivo.

Os "problemas técnicos" que levaram ao atraso na partida do vôo não tinham relação alguma com um incêndio no motor, de acordo com a análise que o comandante Rafael Velón, piloto da Ibéria, fez para a cadeia radiofônica "Ser". Seria, na versão por ele ouvida entre os pilotos, um problema de indicação de temperatura.

Mesmo o fogo no motor não basta para explicar a queda. "O incêndio no motor por si só não leva a uma catástrofe como a que ocorreu", diz Felipe Laorden, do Colégio Oficial de Pilotos da Espanha.

De todo modo, a tripulação chegou a informar aos passageiros que poderia haver um atraso ainda maior, se fosse necessário trocar de avião, o que acabou não acontecendo. Para Laorden, no entanto, "ninguém em sã consciência levanta vôo sem estar absolutamente seguro de que não há problemas no aparelho".

O avião acidentado tinha 15 anos de idade, nove deles a serviço da Spanair e, de acordo com a companhia, passara pela revisão devida no dia 25 de janeiro deste ano -rigorosamente dentro dos prazos.

Os cadáveres estavam sendo levados para o Pavilhão 6 do Ifema ("Instituto Ferial Madrileño"), exatamente o mesmo pavilhão em que se improvisou um necrotério após os atentados terroristas contra os trens de Madri, há quatro anos e meio. Os mortos de então foram 191.

Zapatero

O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, interrompeu suas férias (estava na reserva de Doñona, paradisíaco recanto da Província de Huelva) para voltar a Madri. Chegando à capital, foi direto ao aeroporto, onde deu uma entrevista lamentando o acidente.

"Logicamente, o governo está comovido e afetado, como estão todos os cidadãos espanhóis, com esta tragédia que se abateu hoje sobre nós", disse. Ele elogiou a atuação das forças de resgate e anunciou o início imediato de investigações comandadas pelo Ministério do Desenvolvimento para determinar a causa do acidente.

É a segunda vez este mês que uma crise obriga Zapatero a interromper as férias (habituais em toda a Europa no mês de agosto, verão pleno). A primeira foi na semana passada, para reunião de emergência do gabinete, destinada a discutir a crise econômica que provocou a desaceleração da economia e a explosão do desemprego.
O líder oposicionista Mariano Rajoy, derrotado por Zapatero nas eleições deste ano, que estava de férias na Galícia, também voltou a Madri.

O acidente de ontem foi o pior desastre da aviação espanhola desde 1983, quando 181 pessoas morreram na queda de um Boeing 747 da colombiana Avianca, que se preparava para pousar em Madri.

Seis anos antes, o país fora palco do maior acidente aéreo da história, quando dois Boeing 747 colidiram nas Ilhas Canárias, e 583 pessoas morreram.

 

 

Folha de São Paulo
21/08/2008

Nos EUA, MD-82, pivô de desastre, é alvo de revisão
Acidentes com o modelo já deixaram mais de mil mortos; para especialistas, aeronave é antiga, mas não é insegura
Avião fabricado até 1999 pela Boeing não é usado no Brasil; empresa americana encontrou problemas no trem de pouso e troca a frota

DA REPORTAGEM LOCAL

O modelo de avião MD-82 -que se envolveu no acidente de ontem em Madri- pertence à mesma série que levou a agência federal de aviação dos EUA a determinar inspeções na frota de companhias aéreas do país nos últimos meses.

A medida levou ao cancelamento de milhares de vôos e atingiu principalmente a American Airlines -que tem a maior frota dessa série de aeronaves. Um dos alertas envolvia problemas no trem de pouso.

A empresa manifestou recentemente a intenção de acelerar a substituição dos seus aviões MD-80 por aparelhos 737-800, sob a justificativa de buscar economia no consumo de combustível.

O MD-82, que integra a série do MD-80, é um avião de médio porte (até 172 passageiros), utilizado principalmente em curtas distâncias, para vôos domésticos. A Anac (agência de aviação brasileira) diz não haver hoje nenhuma aeronave do tipo cadastrada no Brasil.

O modelo do projeto e a tecnologia são considerados antigos -o que não significa inseguro, dizem especialistas.
Os primeiros aviões da série começaram a operar em 1980. Entre as primeiras companhias a utilizá-lo estiveram a Swissair e a Austrian Airlines, além de empresas de vôos fretados.

A produção da linha MD-80 foi interrompida em 1999, dois anos depois de a Boeing incorporar a norte-americana McDonnell Douglas, que foi a criadora dessa aeronave.

Segundo dois especialistas brasileiros, a explicação para a Boeing ter deixado de fabricá-lo está ligada a fatores comerciais (para não concorrer com seu 737) e não a questionamentos sobre sua segurança.

"Se houvesse alguma dúvida sobre os riscos desse modelo, ele não seria autorizado a voar até hoje pelo mundo", avalia Ronaldo Jenkins, que é coordenador de segurança de vôo do Snea (sindicato das empresas aéreas brasileiras).

Assim como Jenkins, Roberto Peterka, também especialista em segurança de vôo, considera que as inspeções da frota de MD-80 determinadas nos Estados Unidos são apenas medidas corretivas tradicionais, que não podem, por enquanto, ser vinculadas às causas do acidente de ontem em Madri.

Acidentes

Em menos de duas décadas foram produzidos cerca de 1.200 aviões da série MD-80 -e, segundo a Boeing, a American Airlines operava 275.

A Aviation Safety Network (organização internacional independente de aviação) diz que essas aeronaves já se envolveram em 56 incidentes, sendo 23 com mais gravidade e um total superior a mil mortes.

Somente nos últimos três anos houve quatro acidentes graves com a frota de MD-80, totalizando mais de 450 mortos (incluindo os de ontem).

Entre as tragédias mais recentes esteve a queda de um MD-82 na Venezuela em 2005, por falha nos motores, com 160 mortos. Ele pertencia à empresa West Caribbean e levava turistas do Panamá para a ilha caribenha de Martinica.

O MD-82 é um jato bimotor, com 45 metros de comprimento e turbinas Pratt Whitney na parte traseira da fuselagem.

 

 

Folha de São Paulo
21/08/2008

Azul terá 5 jatos em dezembro
Embraer afirma que aeronaves serão entregues até o final do ano à empresa
Para presidente da Embraer, alta do preço do petróleo faz com que turboélice volte a ser considerado como uma alternativa para o setor

JANAINA LAGE DA SUCURSAL DO RIO

O presidente da Embraer, Frederico Curado, afirmou ontem que a empresa entregará cinco jatos E-195 para a Azul em dezembro. A companhia do empresário David Neeleman, fundador da JetBlue, pretende adiantar sua entrada em operação para o final deste ano.

De acordo com Curado, a Azul, para obter mais aviões ainda neste ano, também está negociando com outras empresas que compraram aeronaves da fabricante brasileira.

O contrato fechado com a Azul prevê a aquisição de 36 aviões, no valor de US$ 1,4 bilhão. Há ainda opções e direito de compra de outras 40 aeronaves, o que elevaria o valor do contrato para US$ 3 bilhões.

Curado disse que o Brasil representa apenas 4% das vendas da empresa. Segundo o executivo, a participação do mercado doméstico deve crescer com as vendas para Azul e Trip.

"A Azul pode chegar a 76 aviões. A Trip está começando com a compra de cinco aviões e ainda tem opções. Temos certos 41 aviões entrando no mercado brasileiro em três anos, isso é uma pequena revolução na frota que temos hoje. Esse número pode chegar a quase cem aviões em cinco ou seis anos."

Na avaliação do executivo, o setor teve uma involução com a concentração em um número pequeno de empresas e a disputa por rotas mais rentáveis, afirmou, em referência a Gol e TAM, que dominam cerca de 90% do mercado doméstico.

"A partir do momento em que se explorarem melhor as rotas secundárias, vai começar uma grande mudança no país", disse, em referência ao modelo de negócio proposto pela Azul, de vôos diretos entre capitais em que, hoje, o passageiro precisa fazer uma escala ou uma conexão em um grande centro.

Segundo Curado, a Embraer é hoje a terceira maior exportadora do país. No ano passado, a receita líquida da empresa foi de US$ 5,245 bilhões. Para este ano, a projeção é de US$ 6,5 bilhões, e, em 2009, o montante deve subir para US$ 7,1 bilhões.

Ele disse ainda que o aumento no preço do petróleo fez com que o turboélice voltasse a ser visto como uma alternativa, embora a Embraer não tenha estudos em andamento para a fabricação de um novo modelo desse tipo de avião.

 

 

Folha de São Paulo
21/08/2008

Empresa começa segunda fase de seleção de pilotos e comissários
DA SUCURSAL DO RIO

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras iniciou uma segunda etapa de seleção de pilotos e comissários. A companhia tem como meta chegar a 116 pilotos e 153 comissários na primeira fase de operação.

Em julho, a companhia anunciou a formação da primeira turma de treinamento de pilotos, comissários e técnicos de manutenção. Na primeira etapa, foram selecionados 10 pilotos e 15 comissários. Os pilotos foram para Orlando, nos Estados Unidos, para treinar em simuladores. Já os comissários e técnicos de manutenção assistem aulas em São Paulo e em São José dos Campos (91 km de SP), na Embraer.

O programa de treinamento foi aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Iniciado em julho, deve se estender até o fim de agosto para comissários e até setembro para os pilotos.

Em comunicado, a Azul afirma que a empresa tem optado por recrutar profissionais experientes. As inscrições são feitas no site da empresa.

De acordo com a empresa, a expectativa é receber uma aeronave por mês ao longo de três anos e chegar a 36 aviões no final de 2011. A empresa promete ser a primeira a oferecer TV ao vivo em monitores individuais no Brasil por meio da instalação de um sistema via satélite da Live TV. O serviço só estará disponível a partir do segundo semestre de 2009. A Azul está tentando antecipar sua entrada em operação para o final deste ano. A previsão inicial de entrada em operação era janeiro de 2009.

 

 

Valor Econômico
21/08/2008

Azul pode receber 5 jatos em dezembro
Roberta Campassi, de São Paulo

O presidente da Embraer, Frederico Curado, disse ontem que a fabricante entregará cinco jatos do modelo EMB 195 para a Azul Linhas Aéreas em dezembro, segundo a Folhapress. Anteriormente, era prevista a entrega de apenas três até o fim do ano. A companhia aérea, idealizada pelo empresário americano David Neeleman, se esforça para acelerar a chegada de aviões e o início dos seus vôos numa tentativa de ganhar fôlego contra a concorrência.

Gianfranco Beting, diretor de marketing da Azul, informou que a negociação com a Embraer não está fechada e, oficialmente, serão entregues três aviões em dezembro. Mas a aérea vem negociando a aceleração das entregas de aeronaves novas e ainda a incorporação de equipamentos de outras companhias que voam com aviões da fabricante brasileira. A Azul estuda, por exemplo, utilizar aviões do modelo EMB 190 que estão em uso pela JetBlue, empresa aérea americana que também foi fundada por Neeleman, em 1999.

Segundo Beting, o número de aeronaves que a Azul terá no início de suas operações ainda não está fechado. No mercado de aviação, existe um consenso de que são necessárias pelo menos seis aeronaves para viabilizar operações rentáveis. Em entrevista ao Valor, na semana passada, o executivo disse que a companhia estudava formas de chegar a ter 16 aeronaves ao fim do primeiro ano de operação. A Azul tem uma encomenda firme de 36 aviões EMB 195, com capacidade para 118 passageiros, e mais 40 opções de compra.

A Azul acredita que, quanto mais vôos tiver, mais difícil será para concorrentes grandes como TAM e Gol investirem pontualmente contra ela.

Quando foi lançada, em março, a empresa planejava começar a voar em janeiro de 2009. Na semana passada, Neeleman declarou que a estréia poderia ser antecipada para novembro ou dezembro.

Para iniciar seus vôos, porém, a Azul precisa concluir os requisitos necessários para obter o Certificado de Homologação de Transporte Aéreo (Cheta) com a Agência Nacional de Aviação Civil. Só depois de ter esse documento, a companhia poderá assinar o contrato de concessão com a agência e pleitear horários de vôo nos aeroportos.

 

 

O Estado de São Paulo
21/08/2008

Azul estréia em dezembro, com frota de seis aviões
Empresa quer oferecer 90 vôos diários saindo do Rio
Alberto Komatsu, Leonêncio Nossa e Mariana Barbosa

A Azul Linhas Aéreas antecipou sua estréia de janeiro para dezembro e iniciará suas operações com seis jatos Embraer 195 - o dobro do previsto inicialmente. O primeiro jato será entregue hoje e será usado na fase de certificação. Os outros cinco serão entregues até dezembro, conforme revelou ontem no Rio de Janeiro, o presidente da Embraer, Frederico Curado.

A Azul possui uma encomenda de 76 jatos, entre pedidos firmes e opções. A fabricante está empenhada no projeto da Azul, que levará pela primeira vez aos céus brasileiros os seus jatos regionais. “Nós temos certos (a encomenda de) 41 aviões no mercado brasileiro nos próximos três anos. Essa é uma pequena revolução, tendo em vista a frota que temos hoje. Esse número pode chegar a quase 100 aviões num período talvez de cinco a seis anos”, afirmou Curado após fazer palestra na Coppe, instituto que coordena os programas de pós-graduação de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da encomenda da Azul, há também mais cinco jatos ERJ 145 para a Trip Linhas Aéreas, que também fez a opção de compra de outras 15 unidades do mesmo modelo.

A antecipação das entregas da Azul foi possível devido às solicitações de adiamento feitas pela americana JetBlue e pela australiana VirginBlue, motivadas pela alta do petróleo. Como a Azul pegou o lugar dessas empresas na fila, a previsão de entregas da Embraer para 2009, de 195 a 200 aeronaves, não sofrerá alterações.

Segundo fontes do setor, a rota inaugural da Azul será a ponte aérea Rio-São Paulo. A rota não deve ser a principal da empresa, dada a escassez de espaço para pouso e decolagem (slot) em Congonhas. Mas a idéia, para a cerimônia de lançamento, é aproveitar ao máximo a visibilidade das duas maiores cidades do Brasil.

Ontem em Brasília, o fundador e presidente do Conselho de Administração da Azul, David Neeleman, apresentou ao ministro do Turismo, Luiz Barreto, as linhas gerais do modelo de negócios da companhia. A empresa pretende instalar sua principal base operacional no Santos Dumont. E até o final do primeiro semestre, a intenção é de uma oferta de 90 partidas diárias a partir do Santos Dumont.

“Nossa sede é em São Paulo, mas estamos falando em Santos Dumont, um lugar interessante para nós e para o Rio de Janeiro”, disse ao Estado, após audiência com o ministro. “A Varig tinha muita presença lá, e achamos que podemos servir muitas cidades grandes que não têm serviço de vôos para o aeroporto.”

Neeleman não revelou as rotas de interesse da empresa, por questões de concorrência. Mas observou que os jatos da Embraer, de 118 lugares, têm condições de fazer vôos sem escala de até 3 mil quilômetros - o que permitiria fazer vôos em rotas não tradicionais, como Porto Alegre-Salvador e Rio-Aracaju. A empresa, porém, vai brigar por espaço na ponte aérea Rio-São Paulo e vôos como Rio-Belo Horizonte e Rio-Brasília.

Na audiência, o ministro do Turismo entregou a Neeleman um estudo com os 65 destinos turísticos considerados prioritários pelo governo.

 

 

O Estado de São Paulo
21/08/2008

Em crise, Spanair prevê cortar 25% dos funcionários
DA REDAÇÃO

Filial do grupo sueco SAS, a companhia Spanair, cujo avião MD-82 caiu ontem em Madri, é a segunda maior empresa aérea espanhola, atrás da Iberia, e passa por reestruturação interna. Entre as medidas previstas está um amplo corte de funcionários e de custos, o que tem provocado tensão com os sindicatos do setor.

Abalada, como boa parte das companhias aéreas, pela alta dos combustíveis, a empresa está em crise, e vem registrando grandes perdas desde o início deste ano. Chegou a anunciar que estava à venda, mas substituiu a idéia por um "plano de viabilidade", com dispensa de mais de 1.000 dos seus 4.000 funcionários.

A proposta de reestruturação foi apresentada ao Ministério do Trabalho da Espanha no último dia 8 e desagradou o sindicato dos pilotos. Agências de notícias espanholas publicaram, antes da tragédia de ontem, que os pilotos da Spanair viam "caos organizacional" na empresa, citavam pressão para que funcionários deixassem de tirar folgas, por exemplo, e ameaçavam parar já ontem.

A Spanair faz vôos domésticos e para capitais européias. Pelo plano de viabilidade, deseja tirar da frota 15 de seus atuais 63 aviões -a companhia não informou à imprensa se a aeronave do acidente estava entre as que deveriam ser desativadas- e encerrar nove rotas.

No ano passado, a Spanair transportou 10,6 milhões de passageiros.

 

 

O Estado de São Paulo
21/08/2008

Avião da Spanair pega fogo e cai no aeroporto de Madri: 153 mortos
Acidente com McDonnell Douglas MD-82 que ia para Ilhas Canárias ocorreu segundos após a decolagem
AP, AFP, EFE E REUTERS

Um avião McDonnell Douglas MD-82 da Spanair caiu ontem segundos após decolar do Aeroporto de Barajas, em Madri, deixando pelo menos 153 mortos e 19 feridos, no pior acidente aéreo na Europa em dez anos. O avião - que levava 172 pessoas a bordo - tinha como destino as Ilhas Canárias. Apesar de a causa do acidente não ter sido divulgada, testemunhas afirmaram que ao tentar decolar, às 14h45 (9h45 de Brasília), o motor esquerdo da aeronave pegou fogo, fazendo o avião cair na própria pista depois de ter subido alguns metros. O incêndio no motor espalhou-se e a aeronave, desgovernada e em chamas, parou numa área de grama ao lado da pista, partida em dois.

O acidente ocorreu a cerca de 1 quilômetro do Terminal 4 do aeroporto, na Pista 36. O incêndio só foi controlado depois das 17 horas locais (12h de Brasília). Foram resgatados com vida do local 28 pessoas, mas apenas 19 sobreviveram. Uma busca na região também foi ordenada pela Guarda Civil para resgatar corpos que poderiam ter sido jogados para fora do avião após a queda.

De acordo com o jornal espanhol El País, o vôo - em parceira com a empresa alemã Lufthansa - saiu com uma hora de atraso, possivelmente por problemas técnicos. No entanto, o diretor comercial da Spanair, Sergio Allar, evitou confirmar qualquer especulação sobre a causa do acidente e afirmou que a companhia aérea não tem nenhuma informação. “É de responsabilidade da aviação civil realizar a investigação e a Spanair facilitará (o acesso) às informações disponíveis”, afirmou Allar em coletiva.

AUXÍLIO ÀS VÍTIMAS

Cerca de 50 ambulâncias foram enviadas para o local do acidente, onde também foram montados 4 hospitais de campanha. Pelo menos sete feridos foram encaminhados para o Hospital da Paz, que tem uma unidade de queimados. Os outros feridos foram distribuídos entre sete hospitais da região. Além de declarar três dias de luto oficial, as autoridades também improvisaram um necrotério em um pavilhão próximo do aeroporto para os parentes das vítimas reconhecerem os corpos.

Um gabinete para controle de crise também foi constituído no aeroporto com integrantes de ministérios para auxiliar na crise. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição, Mariano Rajoy, suspenderam suas férias para visitar o local do acidente. Um centro de apoio às famílias das vítimas também foi montado no aeroporto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

“O governo está comovido e afetado, como também estão todos os cidadãos espanhóis, com essa tragédia que hoje (ontem) nos afeta”, afirmou Zapatero. O premiê garantiu que o Executivo concentrará “todos seus esforços” para apoiar as famílias das vítimas do acidente “em um momento tão difícil como esse”.

Jim Proulx, porta-voz da Boeing (empresa que em 1997 comprou a McDonnell Douglas), afirmou que a empresa enviará pelo menos um especialista para ajudar nas investigações do caso. O avião, que tinha 15 anos de uso e havia sido utilizado anteriormente pela Korean Air, passou por revisão em janeiro e nenhuma falha técnica foi detectada. No entanto, Allar disse que a Spanair planejava revisar toda sua frota para se desfazer das aeronaves mais antigas.

CRISE AÉREA

A Spanair - empresa controlada pelo grupo escandinavo SAS - passa por problemas financeiros e, recentemente, teve de suspender as vendas de passagens aéreas por causa da alta do preço do combustível. A companhia chegou a anunciar um plano de viabilidade que contemplava o fechamento de rotas e demissões em massa, e, segundo o sindicato de pilotos, vivia um “caos organizacional”.

O acidente de ontem foi o primeiro desde 1983 no Aeroporto de Barajas . Em 27 de novembro daquele ano, a queda de um Boeing 747 da empresa colombiana Avianca nas imediações deixou 181 mortos.

 

 

O Estado de São Paulo
21/08/2008

Modelo de aeronave tem histórico de falhas técnicas
Nos últimos cinco anos, acidentes envolvendo aviões da série MD-80 deixaram mais de 400 mortos
AP, AFP E REUTERS

Os aviões McDonnell Douglas da série 80 (MD-80) - à qual pertencia a aeronave da Spainair que caiu ontem no aeroporto de Barajas, em Madri - tem um histórico de acidentes e problemas técnicos. Entre março e abril deste ano, por exemplo, uma auditoria de segurança na American Airlines forçou a companhia a deixar de operar com toda a frota MD-80. Pelo menos 6 mil vôos foram cancelados aparentemente por problemas na instalação elétrica dos aviões.

Nos últimos cinco anos, cerca de 400 pessoas, sem considerar as vítimas da tragédia de ontem em Madri, morreram em incidentes com aeronaves dessa família de aviões comerciais, que inclui os modelos MD-81, o MD-82, MD-83, MD-87 e MD-88.

Só para mencionar os mais recentes: em novembro, um MD-83 caiu na província de Isparta, no sudoeste da Turquia, matando todos os 57 passageiros. Em setembro, um MD-80 teve de fazer um pouso de emergência nos EUA depois de um incêndio no motor. Dias antes, um MD-82 da companhia tailandesa One-Two-Go Airlines repleto de turistas se chocou contra um muro e explodiu no aeroporto de Phuket, na Indonésia, deixando mais de 80 mortos.

AQUISIÇÃO

Um dos piores acidentes com aviões desta série ocorreu em agosto de 2005, quando 160 pessoas morreram na explosão de um MD-82 da West Caribbean Airways Fligh numa região montanhosa do norte da Venezuela. O acidente mais mortal ocorreu em dezembro de 1981, quando um MD-81 explodiu em Córsega matando todos os 180 passageiros.

Os jatos da série MD-80 entraram em operação em outubro de 1980, sucedendo a linha DC-9 e foram substituídos pelos MD-90, que começaram a operar em 1995. A Boeing comprou a McDonnell Douglas em 1997 e os aviões dessa série pararam de ser fabricados dois anos mais tarde.

Com motores Pratt & Whitney JT8D-200, os custos de operação da aeronave são relativamente baixos - apesar do consumo de combustível ser cerca de 25% maior que o de um Airbus.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), nenhuma companhia opera com aviões desse tipo no Brasil. Entre as estrangeiras que os têm em sua frota estão as americanas American Airlines e Delta Airlines, a espanhola Iberia, a colombiana Avianca, a Alitalia, a Aerolíneas Argentinas e a Aeroméxico.

O MD-82, modelo do avião que caiu ontem, é utilizado em vôos de curto e médio alcance e sua capacidade varia entre 152 e 172 passageiros, de acordo com a disposição dos assentos.

Segundo o diretor comercial da Spainair, Sergio Alart, a última revisão da aeronave havia sido feita no dia 24 de janeiro. “Desde então não registramos nenhum incidente”, afirmou Alart. A Spainair tem em sua frota 63 aviões, 36 deles da serie MD-80. O avião que explodiu tinha 15 anos e havia sido adquirido da companhia Korean Air.

TRAGÉDIAS AÉREAS NA EUROPA

20/1/1992 - Airbus cai em Estrasburgo, na França, e deixa 87 mortos

31/3/1995 - Queda de avião em Bucareste mata 60 pessoas

25/7/2000 - Concorde da Air France com destino a Nova York cai em Paris e deixa 113 mortos

8/10/2001 - Choque entre um avião da companhia escandinava SAS e uma aeronave particular Cessna deixa 118 mortos em Milão, na Itália

1/7/2002 - 71 pessoas morrem em choque entre dois aviões na Alemanha

8/1/2003 - Avião da Turkish Airlines cai e deixa 75 mortos em Diyarbakir, na Turquia

26/5/2003 - Acidente aéreo na Turquia mata 75 pessoas, sendo 62 soldados espanhóis

14/8/2005 - Boeing da empresa cipriota Helios cai em Atenas e mata 121 pessoas

22/8/2006 - Acidente com Tupolev russo na Ucrânia deixa 170 mortos

 

 

O Estado de São Paulo
21/08/2008

'A altura das chamas e da fumaça negra era impressionante'
DEPOIMENTO
Lívio Oricchio: reporter do ‘Estado’

“Eram 14h30 do dia 20 de agosto de 2008. O comandante do vôo 338 da Iberia, de Madri a Valência, informa aos passageiros que não poderá taxiar na pista do Aeroporto de Barajas para decolar porque recebeu da torre de controle a informação para aguardar. ‘Nos disseram que houve uma acidente... (pausa) ali, ali. Olhem para o lado direito do nosso avião’, disse o piloto, atônito, ainda com o microfone aberto. As pessoas dentro do Airbus A320 da Ibéria correram para as janelas do lado direito, ainda no solo. O que viram, não esquecerão tão cedo: chamas muito altas e um volume impressionante de fumaça negra. A confirmação de uma catástrofe aérea ficou clara de imediato.

Apesar da distância de cerca de 1,5 quilômetro entre o Airbus e o MD-82 da Spanair, a quantidade de fumaça era tão grande que tudo parecia bem mais próximo. Dentro do avião da Iberia criou-se um clima de tensão. Afinal, aquele vôo decolaria duas ou três aeronaves depois do MD-82. Inevitavelmente, as pessoas se imaginam naquela situação.

Uma das aeromoças da Iberia comenta ter experimentado momento semelhante há pouco tempo. ‘Mas conseguimos deixar o avião a tempo’, disse. O que se via, porém, sugeria, era algo bem mais sério. Não havia como sobreviver àquela imensa nuvem densa de materiais em combustão extremamente tóxica.

Xavier, repórter da TV5, passageiro da Iberia, pede que a porta traseira esquerda do Airbus seja aberta. Como tinha uma câmera, desejava registrar as imagens, provavelmente únicas para quem estava no aeroporto, pois não havia nenhum obstáculo, além da distância, para gravá-las. Sem o plástico da janela as imagens ficam melhores. Nesse instante, o que se via era uma fila de caminhões de bombeiros, ambulâncias e carros de serviço, que se deslocavam velozmente na direção do acidente.

A ordem do comandante da Iberia era para manter seus passageiros a bordo, mesmo com o protesto da maioria. A temperatura dentro do avião, com os motores desligados, passava dos 35 graus. Ele pediu desculpas, mas não podia fazer nada, tinha de mantê-los lá.

‘Mesmo que a companhia permita, não recomendo que desçam, pois somos o terceiro na fila de decolagem quando o aeroporto reabrir. Como demoraria até que todos entrassem a bordo novamente, perderíamos nosso lugar na fila e só sairíamos de Madri bem mais tarde’, explicou.

Vários passageiros não se interessaram em acompanhar as imagens chocantes de um superincêndio a tão pouca distância, sabendo que dentro daquelas chamas havia quase 200 pessoas. Com o uso do celular liberado, vários buscavam informações na internet. Em poucos minutos a parte traseira do Airbus se transformou em um centro de troca de dados.

Alguns manifestavam preocupação por ter de voar depois do choque e de assistir de perto os horrores de um acidente dessa natureza. Havia uma espécie de contaminação emotiva. O comandante de novo, cerca de 30 minutos após as primeiras chamas, se apresenta. ‘Não podemos utilizar a outra pista (paralela à 36, a do acidente). Para chegarmos lá teríamos de cruzar a 36 e é possível ver quantos veículos a estão utilizando para prestar socorro ao acidente.’

Um dos passageiros informou ter lido que transformaram a parte final da pista em hospital de campanha. Outro comenta ter lido que um paramédico ouviu de um bombeiro não ter muito o que fazer, não poderia sequer se aproximar do núcleo maior das chamas em razão do calor provocado pela queima de 12 toneladas de querosene existentes nos tanques do MD-82.

Isolados no avião da Iberia foi possível constatar uma realidade cheia de paradoxos: bem poucos estavam tão próximos do ocorrido, mas, ao mesmo tempo, tão distantes de informações precisas. A internet falava em sete mortos. De repente, 48. Nada digno de crédito. A aeromoça que teve uma ‘experiência semelhante’ continuava otimista. Talvez até para não pensar muito na sua atividade profissional.

Já perto das 17 horas, os passageiros do Airbus da Iberia receberam ordem para desembarcar. Até então, tudo o que foi oferecido não passou de um copo d’água. O calor abrasivo continuava o mesmo. No entanto, nem todos haviam chegado ao salão do Terminal 4 do Aeroporto de Barajas e a ordem foi cancelada. O grupo viu o comandante e co-piloto, ambos bem jovens, pedirem licença na passarela telescópica para chegarem à cabine de comando. ‘Rápido, rápido, recebemos informações de que irão reabrir o aeroporto’, afirmou, se explicando para os passageiros, que já não entendiam mais nada.

Na decolagem, pela pista paralela à 36, foi possível observar de cima, fugazmente, o cenário do acidente. Lembrou filmes de guerra, regiões depois de um bombardeio. Não havia nada inteiro do MD-82. A área estava negra, só restos, consumida pelo fogo de mais de uma hora.

No avião da Iberia, pessoas de mãos dadas, umas com as outras. A tensão só diminuiu mesmo quando, 40 minutos depois, o vôo 338 pousou em Valência. Contudo, na memória de todos os passageiro, aquela experiência triste e doída permanecerá preservada por um bom tempo.”

 

 

Monitor Mercantil
21/08/2008

Azul quer ocupar espaços da Varig no Santos Dumont

O presidente da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, apresentou nesta quarta-feira ao ministro do Turismo, Luiz Barreto, a estratégia da empresa em ocupar o espaço da antiga Varig no mercado da aviação no Rio de Janeiro. A meta dele é obter slots (espaços para pousos e decolagens) e lojas desativados nos terminais dos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Ainda no primeiro semestre do próximo ano, Neeleman pretende oferecer 180 vôos diários em jatos regionais a partir dos aeroportos cariocas.

"Nossa sede é em São Paulo, mas estamos falando em Santos Dumont, um lugar interessante para nós e para a cidade do Rio de Janeiro", disse após audiência com o ministro Luiz Barreto. "A Varig tinha muita presença lá, e achamos que podemos servir muitas cidades grandes que não têm serviço de vôos para o Galeão."

 

 

Gazeta Mercantil
21/08/2008

Azul recebe hoje primeiro avião

PORTO ALEGRE, 21 de agosto de 2008 - A Azul Linhas Aéreas recebe hoje o primeiro avião Embraer 195 de sua frota que prevê um total de 76 aeronaves desse modelo. Outros cinco serão entregues até dezembro, quando a empresa pretende fazer o vôo inaugural, antecipando em um mês o início das operações. Além de adiantar a decolagem, a companhia terá o dobro de aviões previsto para a largada.

Ontem em Brasília, o presidente da Azul, David Neeleman, apresentou ao ministro do Turismo, Luiz Barreto, a estratégia da empresa em ocupar o espaço da antiga Varig no mercado da aviação no Rio de Janeiro. A intenção é obter slots (espaços para pousos e decolagens) e lojas desativados nos aeroportos Santos Dumont e Galeão.
Com a meta de chegar a 116 pilotos e 153 comissários na primeira fase de operação, a Azul já começou a segunda etapa de seleção. As inscrições são feitas no site www.voeazul.com.br. (Zero Hora)

 

 

Jornal O Povo (Fortaleza)
21/08/2008

Antes de voar, a Azul já começa a preocupar concorrentes
Ivonildo Lavôr

Os E-195 da EMBRAER, de 118 lugares, voarão com poltronas de couro e monitores individuais com TV ao vivo, é o que promete o Chairman da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman A chegada da Azul Linhas Aéreas ao mercado, prevista para janeiro de 2009, já está mobilizando os concorrentes. TAM e Gol solicitaram à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização de vôo (hotrans) para rotas de interesse da nova companhia de David Neeleman.

Em tese, TAM e Gol querem o fim das restrições para a aviação regional, que favorece a Azul e outras empresas pequenas, como OceanAir e Webjet. Mas, como uma eventual abertura valeria para todos, as duas líderes saíram na frente. A Anac confirma que a flexibilização das restrições para aeroportos como Santos Dumont e Pampulha está em estudos e que novas regras devem ser anunciadas até o final do ano.

ESTRÉIA
A Azul Linhas Aéreas poderá antecipar sua estréia, prevista para o início de 2009. Depende só do Certificado de Homologação de Transporte Aéreo da Anac, segundo o criador e presidente do Conselho de Administração da Azul, David Neeleman.

AVIÃO INÉDITO
O avião da Embraer será um dos grandes diferenciais da nova Azul. Voando em mais de 18 países, mas ainda inédito no Brasil, o E-195 é um dos mais modernos jatos em atividade. A novata da aviação brasileira usará a mesma estratégia da americana JetBlue, onde a configuração do avião é sem a poltrona no meio. A EMBRAER já vendeu 800 aviões desse modelo.

PRIMEIRO AVIÃO
Em dez dias, a Azul receberá o primeiro avião de uma encomenda de 76 jatos Embraer 195, de 118 lugares. O jato será utilizado no processo de certificação da Azul e, nas próximas semanas, fará testes entre as bases do Santos Dumont (Rio de Janeiro), Campinas e Curitiba. A primeira turma de pilotos e comissários está formada e a segunda está a caminho.

GRANDES PODEM ATRAPALHAR
Com 90% do mercado doméstico, e cerca de cem aviões cada, TAM e Gol/Varig têm poder de fogo para atrapalhar a vida de um estreante com uma oferta limitada de assentos, como será o caso da Azul. Fizeram isso com Webjet, BRA e outras. A estratégia é simples: como o preço é livre, elas oferecem os mesmos vôos e horários da estreante, a preços imbatíveis.

TAF MOSTRA NÚMEROS
Passageiros transportados pela TAF Linhas Aéreas em 2007: 246.350 passageiros; carga embarcada: 34.218.890 toneladas (vôos cargueiros e de linhas regulares); excesso de bagagem: 394.771 quilos (vôos de linhas regulares e charters). No primeiro semestre de 2008 já foram transportados 140 mil passageiros.

ATRASOS EM VÔOS
O crescimento acelerado da Webjet (3,17% de participação do mercado em julho) está começando a criar problema para a empresa aérea. Segundo a Anac, a aviadora da CVC foi a que mais prejudicou seus passageiros com atrasos de mais de 30 minutos em julho, correspondendo a 31,5% dos vôos. O melhor desempenho no mês foi da OceanAir, que teve 13,2% dos vôos atrasados em julho.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br