::::: RIO DE JANEIRO - 22 DE AGOSTO DE 2007 :::::

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
Embraer fecha a maior venda de aviões para uma empresa brasileira
Empresa assina contrato com a BRA para o fornecimento de até 75 jatos, em negócio que pode chegar a US$ 2,7 bi
Alberto Komatsu e Beth Moreira

A Embraer assinou ontem com a BRA o seu maior contrato de venda de aviões para uma empresa brasileira. O pedido prevê a entrega de 20 jatos Embraer 195, de 100 lugares, com opção de compra de mais 55 aviões. No total, o acordo pode chegar a US$ 2,7 bilhões. O presidente da BRA, Humberto Folegatti, disse ainda que seu sonho é chegar a 100 aviões em cinco anos.

Apesar da assinatura do acordo - em evento em São José dos Campos (SP) que contou com a presença do presidente Lula -, a BRA não explicou como vai levantar o dinheiro para todas as aquisições. A empresa tentou um financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas, pelo menos por enquanto, o banco ficará fora da operação.

A empresa também não informou se o fundo Brazil Air Partners, que comprou 72% das ações preferenciais da empresa no ano passado por US$ 180 milhões, fará um novo aporte para a compra dos aviões. Entre os sócios do Brazil Air Partners estão o fundo de investimentos Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e os bancos Goldman Sachs e Bank of America.

Segundo a BRA, os dois primeiros jatos deverão ser entregues a partir de fevereiro do ano que vem, por meio de um arrendamento financeiro (em que mensalidades abatem o valor final de compra) com a General Electric Commercial Aviation Services (Gecas).

Em entrevista coletiva após a assinatura do contrato, Folegatti disse também que a companhia tem intenção de abrir seu capital na Bolsa de Valores. Porém, não deu mais detalhes a esse respeito e também não informou o prazo em que a BRA pretende fazer sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O executivo afirmou ainda que, apesar da crise aérea, confia no potencial do mercado brasileiro. 'Acreditamos no País e a empresa deve estar preparada para isso', disse.

Já o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, disse que o contrato celebrado com a BRA mostra qual é a receita para o mercado aéreo brasileiro: aviões menores atendendo cidades menores e desafogando o tronco aéreo nacional. 'O ministro Jobim (da Defesa) aprovou o espaçamento entre os assentos da aeronave', disse.

Segundo Curado, é bastante positivo para a empresa a venda de aviões para o mercado interno. 'Os aviões já estarão em operação em 2008 nos aeroportos brasileiros e farão toda a diferença.'

Até a assinatura do contrato com a BRA, a maior aquisição de jatos da Embraer havia sido protagonizada pela Varig, que chegou a meados de 2001 com uma frota de 15 aviões ERJ-145, de 50 lugares, nas subsidiárias Rio Sul e Nordeste. O primeiro avião desse porte foi entregue em 1997. Uma fonte do setor lembra que, àquela época, a Varig tinha o compromisso do governo de limitar o uso do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, para aviões com 50 lugares, como forma de estimular a utilização de aviões da Embraer.

Em 2001, no entanto, o governo abriu a utilização do Santos Dumont para aviões maiores. 'Um dia depois de a limitação para jatos de 50 passageiros cair, a TAM usou um Airbus e os Fokker-100. A Varig ficou com o mico', diz. Segundo essa fonte, quando os aviões foram devolvidos ao BNDES, a mensalidade do arrendamento de cada jato, de US$ 170 mil, era maior do que o aluguel de um Boeing 737-300 para cerca de 140 passageiros. Os jatos ERJ-145 da Varig foram posteriormente devolvidos ao BNDES, que os repassou para a Aeronáutica.

A TAM chegou a estudar, em 2001, a maior compra de jatos da história da Embraer feita por uma empresa aérea brasileira, mas o negócio, que envolvia 100 aviões e poderia chegar a US$ 3 bilhões, não vingou.

Muitas companhias aéreas regionais usam aviões da Embraer, mas em pequena quantidade. O principal em uso é o Brasília, um turboélice para 30 passageiros, apropriado para aeroportos de cidades médias e pequenas, que muitas vezes não têm pista pavimentada.

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
'Gesto da BRA será repetido por outras empresas'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil ingressa em uma nova fase no mercado da aviação, ao apostar no crescimento da aviação regional. A afirmação foi feita na cerimônia de venda de jatos 195 da Embraer para a BRA Transportes Aéreos. 'Tenho certeza de que nos próximos anos a BRA vai colher os frutos pela aposta certa de acreditar na aviação regional', afirmou. 'O gesto da BRA será repetido por outras empresas, que vão se convencer que não precisam colocar (no mercado) aviões de mais de 200 passageiros.'

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
Varig reduz hora adicional nos salários, diz sindicato
Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, mudança feita pela empresa foi unilateral e ilegal

A Varig está propondo uma alteração ilegal no contrato de seus comissários, de acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). A empresa, conta a presidente da entidade, Graziella Baggio, reduziu o valor de cada hora adicional de trabalho de R$ 24 para R$ 18, apesar de ter aumentado o salário base de R$ 1.300 para R$ 1.370.

'Pode até haver redução salarial desde que a empresa faça um acordo. Mas essa mudança é unilateral e ilegal. Essa situação está causando um estresse muito grande entre os funcionários. Nós vamos entrar na Justiça assim que recebermos uma cópia do contrato', diz Graziella. A Varig e a sua controladora, a Gol, foram procuradas, mas informaram que não se manifestariam sobre o assunto.

Diante de reclamações de comissários, Graziella relata que recebeu uma cópia de um e-mail enviado por um executivo da Gol, que teria sido enviado a todos os comissários da empresa e da Varig, recomendando que eles mantenham a boca fechada. A cópia dessa mensagem foi publicada na página de internet do sindicato.

'Se A é igual a êxito na vida, então A=X+Y+Z. X é trabalho, Y é jogo e Z é manter a boca fechada', diz o e-mail supostamente assinado por um executivo da Gol, conta Graziella. A Gol foi procurada para confirmar a veracidade desse e-mail, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

A hora adicional trabalhada, cujo valor está sendo reduzido, é paga após o comissário exceder o período de 54 horas mensais, conforme legislação do setor. Conhecida no setor como hora variável, ela também é contabilizada quando os tripulantes realizam vôos noturnos ou nos finais de semana. Com o aumento do salário base, Graziella diz que o valor deveria ser de R$ 25,37, pois o cálculo é feito pelo salário base dividido pelas 54 horas mensais.

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
TAM tem nota de risco alterada

A agência de classificação de risco Standard & Poor's Ratings alterou a perspectiva para a TAM S.A. de estável para negativa. A classificação de BB para o crédito corporativo de longo prazo foi reiterada. 'A revisão da perspectiva reflete o aumento das incertezas do ambiente operacional e regulatório no qual as companhias aéreas atuam no Brasil', diz o comunicado.

A agência informou que a medida também reflete preocupações 'crescentes' quanto à capacidade da empresa de lidar com o aumento dos custos diante dos gargalos de capacidade dos principais aeroportos do País. 'Acreditamos que isso possa reduzir a eficácia da estratégia de frota doméstica da TAM e provocar um enfraquecimento dos resultados da companhia em um ambiente cada vez mais competitivo', disse o analista de crédito Reginaldo Takara à agência de notícias Dow Jones.

O rating BB, segundo a S&P, reflete a exposição da empresa ao setor, que é cíclico, competitivo em preços e intensivo no uso de capital. A TAM, de acordo com a agência, tem um perfil alavancado e dependente do ambiente macroeconômico, mas, por outro lado, detém uma fatia de mercado sólida.

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007

CPI quebra sigilo de Denise e ex-funcionários da Infraero
Para relator, diretora da Anac se contradiz a cada instante e mente para deputados e Justiça
Térsio Ivan de Barros: ex-diretor comercial. Afastado por recomendação da CGU. Também estava sendo investigado pela Polícia Federal

Tânia Monteiro e Eduardo Reina

A CPI do Apagão Aéreo no Senado aprovou ontem, por unanimidade, a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal da diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, a partir de 1º de janeiro de 2003. Na mesma sessão, a CPI aprovou ainda a quebra de sigilo de nove ex-funcionários da Infraero, entre eles cinco ex-diretores que estavam no cargo desde a administração do ex-presidente da empresa e hoje deputado federal Carlos Wilson (PT-PE).

Os ex-funcionários da Infraero com sigilo quebrado são: Eleuza Terezinha, ex-diretora de engenharia; Adenauer Figueira, ex-diretor financeiro; José Wellington Moura, ex-diretor comercial; Josefina Pinho Vale, ex-chefe da Procuradoria Jurídica; Pérsio Ivan de Barros, ex-diretor comercial; Roberto Spinelli, ex-gerente comercial; Marco Antônio de Oliveira, ex-diretor administrativo; Eurico Loyo, ex- assessor de engenharia de Carlos Wilson; e Sandra Helena, que foi gerente regional de Brasília.

O relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), afirmou que pediu a quebra de sigilo de Denise para avaliar melhor a relação da diretora com o empresário Carlos Ernesto Campos, que administra um terminal privado no aeroporto de Ribeirão Preto. 'Queremos saber se houve tentativa de favorecimento do empresário por parte da Denise Abreu', disse, lembrando a suspeita levantada pelo ex-presidente da Infraero, o brigadeiro José Carlos Pereira.

Em entrevista ao jornal O Globo, o brigadeiro disse que Denise fizera lobby para beneficiar o empresário, que ganhou a licitação para administrar o terminal de cargas do aeroporto de Ribeirão. Na semana passada, na CPI do Senado, o brigadeiro recuou na acusação de lobby, mas manteve a informação de que a diretora patrocinara a idéia de transferir cargas de Cumbica e Viracopos para Ribeirão. Demóstenes concluiu que, por fazer afirmações contraditórias, Denise deveria ser investigada. Ontem, reforçou o argumento ao justificar a quebra: 'Ela se contradiz a cada instante, mente para nós e mentiu para a juíza'. Ele se referia à juíza Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal, que recebeu de Denise, em fevereiro, documento para justificar o funcionamento de Congonhas que, depois, a diretora afirmou tratar-se de norma extra-oficial. Para o senador, 'não há dúvida' de que já é possível o ministro da Defesa, Nelson Jobim, 'abrir um inquérito' contra a diretora.

Segundo a Assessoria de Imprensa de Denise, que é defendida pelo criminalista Roberto Podval, a quebra de sigilo é passível de contestação judicial. 'No entender inicial, não há respaldo legal (...) e sua solicitação (...) pode apenas estar vindo ao encontro de buscar retaliação política pelo fato de Denise Abreu (...) ter se negado a quebrar voluntariamente tais sigilos', diz nota da assessoria. Mas advogados ouvidos pelo Estado afirmam que a medida tem amparo legal. O artigo 38, no parágrafo 3º da Constituição, prevê que as CPIs têm poderes próprios de autoridades judiciais.

Para o presidente da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Antonio Carlos do Amaral, em tese, a CPI pode quebrar os sigilos de Denise, desde que isso esteja vinculado ao objeto da investigação do Senado. O constitucionalista Adilson Dallari é mais direto. 'Ninguém pode investigar a vida particular da diretora. Mas, enquanto agente pública, sim.'

QUEM É QUEM

Sandra Carvalho: ex-gerente regional. Mulher de Carlos Carvalho, sócio da Aeromídia, investigado por supostas irregularidades na Infraero

Denise Abreu: diretora da Anac. Suspeita da fazer lobby para favorecer empresário em Ribeirão Preto e de ter usado uma norma não-oficial para liberar a pista principal do Aeroporto de Congonhas

Roberto Spinelli: funcionário da Infraero no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Suspeito de fazer contrato superfaturado com a empresa FS3 de mídia

Eleuza Teresinha Lores: ex-diretora de Engenharia da Infraero. É alvo de ação do Ministério Público por causa de suspeitas de irregularidades em licitação. Deixou o cargo na semana passada

José Wellington Moura: ex-diretor comercial. Afastado em maio por
recomendação da CGU. Suspeito de irregularidade em compra de programa de computador

Eurico José Bernardo Loyo: ex-assessor de Engenharia do então presidente da Infraero Carlos Wilson. Ainda trabalha na empresa, em Recife

Adenauer Figueira: ex-diretor financeiro da Infraero. Afastado no início do ano após denúncias de irregularidades notificadas pela CGU

Marco Antônio de Oliveira: ex-diretor administrativo. Deixou o cargo semana passada. Disse em festa em março que seria presidente da Infraero

Josefina de Oliveira Pinha: ex-chefe da Procuradoria Jurídica. Suspeita de atos que contribuíram para superfaturamento de obra em Congonhas.

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
Presidente de tribunal liga tragédia a 'fraude' da Anac
Rodrigo Pereira

A presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul), desembargadora Marli Ferreira, ligou ontem o acidente do Airbus A-320 da TAM ao fato de a Anac ter apresentado documentação à Justiça que embasou a decisão de liberar o Aeroporto de Congonhas para grandes aeronaves. 'O tribunal foi fraudado na sua obrigação constitucional de dizer o Direito de forma reta, justa, moral e eqüitativa para o cidadão. E o resultado são 200 mortes e o nosso choro, não como juízes, mas como cidadãos, que se faz ecoar por todo esse País pela falta de responsabilidade administrativa desses administradores que desservem a nação', disse a presidente do TRF ontem.

Em 22 de fevereiro, a diretora da Anac, Denise Abreu, levou à desembargadora Cecília Marcondes uma norma que proibia pouso de aviões com reverso inoperante em pistas molhadas como a garantia de que as operações seriam seguras. Na CPI do Apagão Aéreo, no entanto, Denise disse que o papel não tinha validade de norma.

Segundo Marli, a apresentação da norma da Anac à desembargadora 'foi uma atitude absolutamente impensada, uma atitude ilegal, que abusou do poder de regulamentar, abusou do Poder Judiciário e se vestiu de inconstitucionalidade'.

'A desembargadora Cecília Marcondes agiu acertadamente e eu agiria da mesma forma (se lhe fosse apresentada a documentação)', prosseguiu a presidente do tribunal. 'A decisão foi dada com base em documento da Anac e da Infraero, que dava como absolutamente adequada aquela pista', continuou. 'Toda vez que a administração pública se afastar da legalidade, moralidade, eficiência e publicidade de seus atos está agindo inconstitucional e ilegalmente'.

A magistrada defendeu uma rediscussão do papel das agências reguladoras, 'na mão de administradores que não têm sensibilidade de tratar a coisa pública com seriedade'. Mas ressaltou que existem 'vários entraves de ordem legal' para isso e caberia ao Legislativo e Executivo apresentarem mudanças nas regras de escolha de diretores ou nas atribuições dessas agências. Ele disse que cabe ao Ministério Público 'apurar a responsabilidade penal' da Anac e sua direção no caso.

 

 

O Estado de São Paulo
22/08/2007
Gol recomenda 'boca fechada' a funcionários e sindicato reage
Beth Moreira

Um comunicado interno da Gol, no qual o chefe de cabine da companhia, Maurício Saraiva, sugere que pilotos e comissários fiquem de 'boca fechada para ter êxito na vida' causou indignação entre os aeronautas. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), esse seria um recado 'bem dado' para que irregularidades de âmbito trabalhista ou de segurança não sejam denunciados à sociedade.

Para o diretor da Secretaria de Comissários do SNA, Marcelo Garcia, após o acidente com o Airbus da TAM, em julho, irregularidades do setor começaram a ser divulgadas, como a carga excessiva de trabalho, entre outras. O recado lhe pareceu uma tentativa da companhia de acuar os trabalhadores para que os problemas não sejam denunciados.

SEM ISONOMIA

Segundo Garcia, há cerca de três meses a empresa deu aumento de mais de 40% no pagamento da hora variável dos comandantes, mas não estendeu o benefício aos co-pilotos e comissários. O fato criou mal-estar no grupo. A categoria teria considerado a iniciativa como um 'açoite' da empresa. 'Vamos encaminhar um pedido de reunião para a Gol para discutir esse e outros assuntos', afirmou o diretor.

Garcia explicou que o tema não foi discutido anteriormente, porque logo começa o período de convenção coletiva, já que a categoria tem data-base em 1º de dezembro. A Gol foi procurada pela reportagem, mas segundo informações da Assessoria de Imprensa, não vai se pronunciar sobre o assunto.

 

 

Valor Econômico
22/08/2007
Jobim agradece a Lula a chance de mudar a aviação
Patrícia Nakamura

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, mostrou em público entusiasmo com seu cargo. "Aproveito para agradecer ao presidente Lula o convite para esse ministério, de participar do processo de mudança de estrutura da aviação brasileira, Quero mostrar a minha obstinação para participar desse processo", disse ontem o ministro, durante cerimônia de contrato de venda de até 75 aviões Embraer 195 à companhia aérea BRA.

É a primeira vez que Luiz Inácio Lula da Silva e Jobim participam de evento público depois da posse do ministro. "O tráfego aéreo brasileiro está se encaminhando para uma solução, que prevê regularidade, pontualidade e segurança", afirmou. "Dos grandes aviões e muita gente, a aviação se direciona agora para vôos regionais e sem escalas". Além do presidente Lula e Jobim, também estiveram presentes no evento os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e Juniti Saito, comandante da Aeronáutica. Em discurso, Lula disse que a aviação brasileira deve se estruturar para atender a um maior número de pessoas. "O brasileiro está recuperando renda, as agências de turismo estão oferecendo financiamentos, e o avião não pode ser mais encarada como uma viagem de luxo, mas sim como um direito de transporte", afirmou. O presidente também reconheceu as dificuldades encontradas pelas companhias brasileiras de adquirem aeronaves produzidas no Brasil. Por conta de distorções fiscais, era menos oneroso comprar aviões de fabricantes estrangeiros.

Lula foi a São José dos Campos no Boeing 737 da FAB, o conhecido "sucatinha" e disse ao presidente da Embraer, Frederico Curado, que não comprou uma aeronave brasileira porque elas ainda não são capazes de cumprir rotas transoceânicas. O presidente repetiu durante o discurso sua aflição ao voar. "Eu sou muito corajoso, pois toda vez que entro num avião eu entrego minha vida à Deus". Lula também mostrou espanto ao visitar a linha de produção. "É muito diferente visitar uma aeronave pronta e uma semi-acabada, com aquele monte de garrancho, mas o avião parece a gente quando acorda: fica com a cara feia de manhã e vai melhorando ao longo do dia".

É a primeira vez que uma companhia aérea brasileira adquire aviões comerciais da Embraer. A BRA adquiriu 20 unidades do modelo 195, um negócio que movimentou US$ 730 milhões. A companhia aérea regional também aumentou de 20 para 55 o número de opções de compras do mesmo modelo. Se as opções se confirmarem, o negócio poderá chegar a US$ 2,7 bilhões. O presidente da BRA, Humberto Folegatti, disse que "tem sonho" de adquirir até 100 aeronaves num prazo de cinco anos, por conta do aumento da aviação regional. O executivo não definiu em quais rotas o avião será empregado, mas poderá ser usado tanto no Brasil como no exterior. O executivo ainda estuda a forma de captação de recursos para a aquisição de aeronaves, que deve contar com o BNDES e até mesmo de um eventual aumento de capital: "Está nos planos da companhia".

O presidente da Embraer, disse esperar que a compra feita pela BRA possa abrir novas portas para as companhias aéreas brasileiras. Já houve aumento no ritmo de produção para atender aos novos pedidos. Os primeiros aviões serão entregues à BRA em meados do ano que vem, estendendo-se até 2010 ou 2011.

 

 

Folha de São Paulo
22/08/2007
Sindicato aponta falha em treino de pilotos
Para presidente do sindicato dos pilotos, comandante que realizou procedimento não recomendado em pouso foi mal treinado
Em depoimento anteontem, piloto da TAM admitiu que contrariou recomendação da Airbus sobre o posicionamento do manete

EVANDRO SPINELLI DA REPORTAGEM LOCAL

Para Hugo Stringhini, presidente do Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil, a execução de um procedimento não recomendado durante o pouso é fruto de um treinamento mal feito. Anteontem, o piloto Marco Aurélio Incerti de Lima, da TAM, admitiu ter contrariado recomendação da Airbus ao pousar em Congonhas no dia 17 de julho -com a mesma aeronave que se acidentaria horas depois.

"Não é praxe na aviação civil a mudança de procedimento. O que está no manual de operações da empresa é o que tem de ser cumprido. Quando o cara se arrisca, a culpa é dele", afirmou Stringhini.

Incerti de Lima pousou em Congonhas vindo do aeroporto de Confins (MG). Ele confirmou, em depoimento à Polícia Civil, que o pouso em Congonhas foi feito em desconformidade com o manual do avião.

Uma norma da Airbus, de abril de 2006, determina que os dois manetes sejam colocados em posição de reverso máximo após o pouso, mesmo que o avião esteja com um dos reversos bloqueado, como era o caso da aeronave naquele dia.

Porém, Incerti de Lima optou por deixar o manete direito na posição "idle" ("marcha lenta" ou "ponto morto") e colocar apenas o manete esquerdo em reverso máximo. Segundo o piloto, "nas condições em que a pista se encontrava, [o procedimento adotado] apresentava mais segurança para o pouso".

Até a edição da norma, a fabricante orientava que, em casos de reverso bloqueado, o manete de controle do motor cujo reverso estivesse inabilitado deveria permanecer na posição "idle".

A caixa-preta do avião acidentado apontou que a posição errada dos manetes foi a causa inicial do acidente. Porém, ainda não se sabe se isso ocorreu por um erro dos pilotos ou por falha mecânica ou eletrônica.

A Airbus mudou o seu procedimento após acidentes semelhantes ao de Congonhas, mas sem vítimas, em que as caixas-pretas também apontaram erro na posição dos manetes: um foi colocado em reverso máximo e o outro em aceleração.

A fabricante, então, mandou que os pilotos passassem a adotar o mesmo procedimento dos pousos "normais", ou seja, colocar os dois manetes em posição de reverso máximo.

Na prática, a mudança de procedimento não afetou o desempenho da aeronave -na posição "idle" ou de reverso, se o reverso estiver desabilitado, o motor continuará em "marcha lenta". O objetivo da nova orientação foi apenas, de acordo com a própria Airbus, manter o procedimento normal dos pilotos para evitar acidentes.

Treinamento

De acordo com a assessoria de imprensa da TAM, todos os pilotos da empresa passam por dois treinamentos por ano, nos quais são atualizados de todas as mudanças de procedimento. Desde a nova orientação da Airbus, os pilotos da empresa tiveram pelo menos dois treinamentos desse tipo.

Além disso, de acordo com a TAM, os pilotos recebem o MEL (Minimum Equipment List) em todos os vôos. O documento orienta sobre todos os procedimentos da aeronave. E a cada mudança do MEL, os pilotos recebem um BOT (boletim técnico operacional) com as novas orientações.

A TAM reduziu, após aprovação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o tempo de cada sessão de simulador de vôo nos treinamentos de seus pilotos.

Para Stringhini, "a redução do treinamento do comandante não resulta em inabilidade". "Mas, se existe um tempo regulamentado internacionalmente, vamos cumpri-lo", afirmou .

A TAM afirmou ainda que não comentaria nenhum aspecto da investigação do acidente, inclusive o depoimento de seu piloto.

 

 

Folha de São Paulo
22/08/2007
VarigLog faz acordo com FedEx, dos EUA
DA EFE

A empresa de encomendas e carga FedEx e a VarigLog anunciaram ontem um acordo comercial para operar entre o Brasil, o Cone Sul (Argentina-Chile) e os Estados Unidos.
Maior empresa de transporte expresso do mundo, a FedEx anunciou ontem ainda que o avião que vai de Campinas (SP) a Memphis, nos EUA, de segunda a quinta, será trocado por outro maior, devido ao alto volume de encomendas na região.

 

 

Folha de São Paulo
22/08/2007
CPI pode investigar arremetida de Airbus em Porto Alegre
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

A CPI do Apagão Aéreo vota hoje requerimentos apresentados pelo relator, deputado Marco Maia (PT-RS), para obter informações da Aeronáutica, da Infraero, da TAM e da BRA sobre um incidente com um Airbus-A320 da TAM e um avião da BRA, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

Por volta da 1h de segunda, o piloto do vôo 3151, que partira de Guarulhos (Grande SP), arremeteu minutos antes do pouso para não colidir com o avião da BRA, que taxiava na pista. Maia disse que a CPI investigará se o Airbus tinha velocidade e distâncias regulares e se recebeu autorização para pousar.

A passageira Ângela Baldino, 49, secretária de Turismo de Porto Alegre, disse que o piloto avisou pelo microfone que o pouso estava autorizado. "O clima no avião era muito tenso."

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ouviu as conversas entre a torre e o piloto e disse que não houve autorização. Os controladores teriam avisado que um avião taxiava na pista. Segundo a Aeronáutica, não existiu risco de colisão porque o Airbus arremeteu a cerca de 170 metros do chão.

A TAM disse em nota que "o comandante do vôo julgou não haver separação adequada com outra aeronave que estava na pista e iniciou processo de arremetida para realizar novo procedimento de pouso".

Manutenção

Um avião da Gol que deveria sair de Porto Alegre para Brasília ontem às 8h acabou decolando às 12h55. Em nota, a Gol disse que precisou efetuar manutenção não programada nos monitores de cristal líquido.

 

 

Porfírio Urgente
19/08/2007
Porfírio e Lupi avaliam posição em defesa dos trabalhadores da Varig e do Aerus.

O vereador Pedro Porfírio voltou ao ministro Carlos Lupi, em audiência no Ministério do Trabalho, em Brasília, quando voltou a conversar sobre a situação da Varig, Aerus e do seu pessoal. Ambos fizeram uma avaliação e consideraram que, além das gestões que vêm sendo feitas, teve ampla repercussão a Ação Direta de Inconstitucionalidade que Lupi impetrou junto ao STF em nome do PDT.

O ministro reafirmou que vai até o fim na defesa da causa do pessoal da Varig, inclusive nessa ADIM, contra a qual o jornal o GLOBO publicou mini-editorial, em sua edição do último dia 13. No estilo de intriga, o jornal reclama do ministro Carlos Lupi ter assinado tal ADIM “contra a Lei de Falências, aprovada com o apoio do governo de que faz parte”.

Porfírio disse, por sua vez, que essa iniciativa teve a melhor repercussão porque é uma contribuição jurídica contra uma monstruosidade – pela qual os trabalhadores ficam a ver navios enquanto a empresa passa a outras mãos. “Isso mostra que Lupi sabe muito bem preservar a sua condição de líder de um partido que nunca concordou nem com essa Lei e nem com o massacre do pessoal da Varig e do Aerus. Não vai ser o cargo que vai desviá-lo de sua linha de coerência”