::::: RIO DE JANEIRO - 25 DE SETEMBRO DE 2007 :::::

 

Jornal do Brasil
25/09/2007

Varig admite parar novo vôo para Roma já no próximo mês
Paulo Júlio Clement

Mesmo visivelmente satisfeitos pelo resultado do primeiro vôo da sua mais nova rota internacional - São Paulo-Paris-Roma -, os executivos da Varig que acompanharam a viagem inaugural admitiram que pode haver interrupção no serviço já no mês que vem. Isso porque a empresa espera a chegada de novos aviões para a frota, mais adequados ao trajeto. A primeira viagem, realizada na quinta-feira passada, e as demais programadas estão sendo feitas nos 737-300. A Boeing atrasou a entrega dos 767-300 e, caso eles não cheguem até outubro, o trajeto pode ser momentaneamente interrompido ou ter sua intensidade reduzida para três vezes por semana - hoje, os vôos são diários. Segundo o diretor comercial da companhia, Lincoln Amano, a possibilidade existe, mas não preocupa, porque o cumprimento da data de 20 de setembro para o primeiro vôo garantiu a rota junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

- Temos de ser transparentes e admito que pode haver a interrupção. Mas também pode não haver. O mais importante é que cumprimos o prazo - disse.


A data limite da companhia para para a rota é 14 de novembro. Até lá, espera estar com os novos aviões. Depois, é estender os braços mais longe. A frota da Varig quatro 767-300 e 16 modelos 737-300. Até dezembro, a empresa espera contar com mais quatro 767. Até junho de 2008, a meta é ter 20 do tipo 737 e 15 do 767.

- O avião que nos trouxe não é o ideal. Logo, vamos oferecer o melhor para os nossos clientes - disse Tarcísio Gargioni, vice-presidente de Marketing e Serviços da Gol, empresa que adquiriu a Varig em abril deste ano.

 

 

Jornal do Brasil
25/09/2007
Jobim volta a pedir cabeça de Zuanazzi

Brasília. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a exigir a demissão de Milton Zuanazzi da presidência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ele manifestou ontem o desejo de anunciar até o fim da semana a renovação completa da diretoria da agência.

- Poderemos ter mais uma notícia sobre mais uma função. Espero que tenha a renovação completa na agência até o fim da semana - afirmou Jobim, durante visita ao Centro Experimental de Aramar, da Marinha, em Iperó (SP).

Ontem eram grandes os rumores de que o economista Josef Barat, diretor de Relações Internacionais, seja o próximo a deixar a Anac. A saída do penúltimo diretor reforça a pressão de Jobim para que Zuanazzi também deixe o órgão.

De acordo com fontes ligadas à pasta da Defesa, Barat articulou sua demissão na semana passada com o ministro. Outros três dos cinco diretores já se demitiram da agência: Denise Abreu, Leur Lomanto e Jorge Velozo, todos a pedido de Jobim. O ministério já indicou três novos nomes: brigadeiro Allemander Jesus Pereira Filho, Marcelo Pacheco dos Guaranys e Solange Paiva Vieira, cotada para assumir o comando da agência caso Zuanazzi atenda aos apelos de Jobim.

Como são indicados pelo presidente da República com o aval do Senado, os diretores das agências reguladoras não podem ser demitidos - têm de renunciar para que haja mudanças. A diretoria da Anac vive processo de desgaste desde a queda do vôo 3054 da TAM em São Paulo, em 17 de julho. O acidente matou 199 pessoas.

A primeira a deixar a diretoria da agência foi Denise Abreu, que entregou sua carta de renúncia a Jobim no último dia 24. Desgastada pela acusação de que teria apresentado um documento sem validade à juíza Cecília Marcondes, do (Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Abreu não resistiu. A norma de segurança tinha como objetivo derrubar a restrição de uso da pista do Aeroporto de Congonhas, determinada em fevereiro pela Justiça Federal. No dia 28 de agosto, Jorge Luiz Veloso, responsável pela área de segurança da Anac, também deixou a diretoria. O terceiro foi Leur Lomanto, que entregou o cargo no último dia 6.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a quebra de sigilos de Denise Abreu, que ingressara com mandado de segurança para evitar a medida. A CPI da Crise Aérea do Senado aprovou requerimento autorizando as quebras. Celso de Mello considerou que o pedido de Denise não se sustentava pela jurisprudência existente no Supremo.

Denise recorreu ao STF e alegou que o pedido baseava-se em acusações do ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, não confirmadas quando os dois participaram de uma acareação na CPI.

O brigadeiro disse que a ex-diretora, valendo-se do cargo, teria atuado a favor da transferência dos terminais de carga dos aeroportos de Congonhas e Viracopos para o de Ribeirão Preto, a fim de atender interesses econômicos de empresa privada que o administra.

 

 

Folha de São Paulo
25/09/2007

Cone Sul para todos os bolsos
Luciana Gondim

Os pacotes de viagem para o Cone Sul (Argentina, Chile e Uruguai) nunca estiveram tão baratos para os brasileiros. Como resultado da desvalorização do dólar, os preços de baixa temporada já são os mais reduzidos dos últimos quatro anos. Hoje, com no máximo R$ 320 a mais do que pagaria para visitar Fortaleza ou a Serra Gaúcha, o brasileiro consegue desfrutar sete noites em Bariloche e Buenos Aires, na Argentina. Além da queda de preço das passagens aéreas, o peso argentino, cotado a R$ 0,59, também ajuda a transformar o vizinho latino no maior concorrente direto dos principais destinos nacionais.

- Já vendemos 30% a mais pacotes para a Argentina que no mesmo período do ano passado - revela a diretora da Stella Barros, Melissa Lopes. - O preço da passagem com sete noites de hotel em Buenos Aires e Argentina sai a R$ 1.646, enquanto para o Sul ou Nordeste não custa menos de R$ 1.320.

Melissa explica que, fora os valores das passagens aéreas praticamente equiparados, o que atrai os turistas para o Cone Sul é o custo local do turismo. Com o real valorizado frente às demais moedas latinas, o brasileiro gasta menos e usufrui mais dos passeios no exterior. A diferença é grande: o peso do Chile vale R$ 0,0036 e o uruguaio, R$ 0,090.

- Hoje, na Argentina, no Chile e no Uruguai o turista come e dorme melhor e traz muito mais presentes para casa - diz. - No Nordeste, os preços de hotéis, restaurantes e lojas são direcionados para turistas americanos europeus.

A agência de viagens CVC oferece pacotes de três dias em Santiago (Chile) a partir de R$ 1.269 e oito dias na capital chilena e na argentina por R$ 1.569. Pela Submarino Viagens, quatro dias em Punta del Este saem a US$ 470 (R$ 874) e, em Montevidéu, US$ 400 (R$ 744).

- Temos notado, desde o início do ano, um aumento crescente de turistas de classe média baixa, que nunca viajaram para o exterior - conta o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Luiz Strauss de Campos. - Nossa expectativa é de que, com o barateamento dos preços e aumento do poder de consumo, esse público que hoje escolheu a América Latina viaje para a Europa em 2008.

De olho neste novo nicho de mercado e dispostas a reconquistar a confiança dos brasileiros, as companhias Gol e TAM realizaram, no último fim de semana, uma promoção-relâmpago.

Quem teve paciência para enfrentar, em média, duas horas para comprar uma passagem no site da Gol poderá conhecer Buenos Aires por R$ 275 (R$ 265 para ida e R$ 10 pela volta). Hoje, os preços voltaram ao normal: R$ 530 ida e volta. Já a TAM ofereceu 90% de desconto na passagem para vários destinos, como para Santiago (R$ 1.476, ida e volta, sem desconto). Procuradas pelo JB, as duas companhias não informaram o resultado de vendas do fim de semana.

 

 

Folha de São Paulo
25/09/2007
Zuanazzi, duro na queda
ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já disse, repetiu e apostou que o conterrâneo Milton Zuanazzi vai sair hoje da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), deixando o caminho livre para a posse da sucessora já escolhida, a economista Solange Paiva Vieira.

Mas o próprio Zuanazzi também já disse, repetiu e apostou que vai sair, sim, mas só quando lhe der na telha. Ontem mandou um recado: se Jobim estiver com pressa, é melhor começar a contar carneirinho.

Uma coisa é certa: Zuanazzi perdeu qualquer condição de ficar no cargo, depois da lambança no setor aéreo, das suspeitas sobre Denise Abreu e da queda dos demais diretores da Anac como num castelo de cartas. Além disso, ele perdeu algo fundamental: padrinho político.

O ministro Walfrido dos Mares Guia, que o indicou, o embalou e o segurou até agora, está muito ocupado tentando salvar a própria pele na coordenação política do governo, depois que caiu na teia de Marcos Valério e do senador e ex-governador tucano Eduardo Azeredo. E a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tem mais o que fazer do que cuidar de Zuanazzi.

Ou seja: Jobim bate pé que Zuanazzi tem que sair, o dito cujo bate pé que só sai quando quiser. Enquanto isso, a Anac está acéfala.

Jobim está forte, Zuanazzi é fraco, e o ministro acertou com Lula uma saída para o impasse. Formalmente, o governo indica e o Senado aprova diretores para a agência, mas não especificamente o presidente dela, que é escolhido depois entre os próprios diretores e encampado pelo presidente da República. Ou seja: Zuanazzi pode continuar na agência, mas a presidente vai ser Solange. Duro na queda.

O governo tentou constrangê-lo para sair, mas ele é que está constrangendo Lula, Jobim, Dilma e Mares Guia para tirá-lo. O fraco virou forte. E tudo isso, que seria uma questão técnica e uma articulação política, é de um ridículo atroz.

 

 

O ESTADO DE SÃO PAULO
25/09/2007
Relatório da CPI pede menos poder para Anac
Relator quer que agência deixe de autorizar vôos e aeroportos
Luciana Nunes Leal

O relatório final da CPI do Apagão Aéreo, que será apresentado hoje pelo deputado Marco Maia (PT-RS), vai propor que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) perca o poder de conceder autorizações de vôos e de exploração de aeroportos. Esta função seria transferida para o Ministério da Defesa. Durante a investigação, os deputados consideraram vagos e pouco claros os critérios para concessão das autorizações de vôos, chamadas Hotrans (Horários de Transporte).

A justificativa do relator é que a Anac deverá cumprir apenas o papel regulador e fiscalizador do setor aéreo. Em diversas ocasiões Marco Maia falou em 'conluio' da agência com as empresas aéreas. O relator vai propor também que o governo envie ao Congresso Nacional, a cada quatro anos, um plano para o setor aéreo, com previsão de expansão de aeroportos e a programação para a malha aérea.

Embora tenha reiterado aos técnicos da CPI que está convencido da responsabilidade da ex-diretora da Anac Denise Abreu na entrega de um documento sem valor legal para a Justiça de São Paulo, na tentativa de liberar a pista de Congonhas, em fevereiro passado, o relator ainda não tinha decidido sobre pedidos de indiciamento.

Sobre o acidente com o avião da TAM que matou 199 pessoas, em 17 de julho, o relatório não será conclusivo. Apesar de Maia ter dito que considerava que o fator preponderante foi falha mecânica, o relator considerou que não há dados técnicos que comprovem a tese. Preferiu concentrar o relatório nas críticas ao sistema de automação do Airbus. Para o relator, o sistema não leva em conta a possibilidade de erro humano e não consegue corrigir eventual erro do piloto.

Até o fim da noite de ontem, a decisão de Maia era de não incluir no relatório final a proposta de aumentar de 20% para 49% a participação do capital estrangeiro nas empresas aéreas. A sugestão fez parte do relatório da subcomissão que estudou propostas para uma nova lei de aviação civil.

 

 

ZERO HORA
25/09/2007
Susto no vôo 2114
Turbina de avião que partiria de Congonhas para Porto Alegre pegou fogo antes da decolagem
ISABEL MARCHEZAN

Gritos, correria, desespero. É a imagem que ficou na memória dos 114 passageiros do Boeing 737-300, cuja turbina pegou fogo na noite de domingo, em Congonhas, instantes antes de decolar para Porto Alegre. Embora desconheçam a exata dimensão do risco que correram - a companhia aérea não revela o que causou nem as conseqüências do fogo - , o susto foi grande.

Ninguém saiu ferido de dentro do avião, que decolaria perto das 23h mas retornou da cabeceira da pista à área de desembarque. Os 114 passageiros embarcaram em Guarulhos à 1h30min de ontem.

- O pior não foi o que aconteceu com o avião em si. Talvez aquilo nem seja uma coisa tão grave, mas o que me deixa com receio é o momento do setor aéreo. Qualquer coisinha em Congonhas é motivo para todo mundo se assustar - contou o ginasta Mosiah Rodrigues.

Acostumado a voar desde os 12 anos, Mosiah retornava de São Paulo com a namorada, Felícia. Sentado atrás da asa esquerda da aeronave, ele não viu a labareda na turbina direita e, talvez por isso, tenha conseguido manter a calma. Já o médico psiquiatra José Outeiral ocupava uma das poltronas junto à saída de emergência sobre a asa direita e, assim como o ginasta, que relatou um calor muito forte dentro da aeronave, pressentiu que algo estava errado.

- Quando ele (avião) foi para a pista, só havia luz de um lado do avião. Tanto que estava lendo um livro, e só do outro lado tinha luz. Viajo toda semana e sei que não é assim, a luz de leitura fica acesa - contou.

Segundo Varig, avião efetuou manutenção não-programada

Outeiral afirmou ter visto uma chama de pelo menos dois metros ao seu lado. Considerou o comportamento das comissárias adequado, mas não esconde a indignação:

- Fiquei muito irritado por não darem explicação nenhuma, nem em terra, como se não fôssemos passageiros, e sim bagagem.

Outeiral estima que tenham se passado 10 minutos entre ver a chama e sair do avião. Mosiah pensa que foram 20 minutos. Para ambos, a sensação foi de horas presos na aeronave, sem saber o que se passava do lado de fora, enquanto as aeromoças acalmavam os passageiros. Logo, médicos entraram no avião para atender às pessoas em pânico. Mosiah afirma ter visto uma mulher grávida abrir a porta de emergência.

- Ela disse que não pesava nada aquela porta - recordou.

Do outro lado da cabine, Outeiral viu comissárias abrirem a saída de emergência. Apesar do cheiro de queimado, foi então que os passageiros começaram a se acalmar.

Em nota oficial, a Varig informou que a aeronave que faria o vôo 2114 "efetuou manutenção não-programada em um dos motores", e que todos os passageiros foram desembarcados em segurança. A empresa não forneceu mais informações.
(isabel.marchezan@zerohora.com.br)

 

ZERO HORA
"Eram chamas de dois metros"
Entrevista: José Outeiral, médico psiquiatraMédico gaúcho estava sentado perto da asa direita:

Zero Hora - O que aconteceu no avião?
José Outeiral - O avião foi até a pista para a decolagem, e quando os motores estavam com força total, prontos para rolar pela pista, cortou os dois motores. Estava sentado na janela, sobre a asa direita, e as pessoas começaram a gritar "Fogo, Fogo!". Olhei e tinha fogo, de fato, na turbina. Estava no assento de emergência e vi perfeitamente. Eram chamas de dois, três metros, para cima.

ZH - E a tripulação, como se portou?
Outeiral - Do comandante, não ouvi nada, nem antes, nem depois. Nenhuma explicação sobre o acidente. As aeromoças tentaram acalmar as pessoas, mas elas abriram as portas de emergência e não funcionou o escorregador. Em um clima de medo e pânico, abrir a porta sem deslizador, com cheiro de queimado no avião? Houve risco (de alguém se jogar).

ZH - Nesse momento, as pessoas se acalmaram?
Outeiral - Algumas sentaram, outras começaram a chorar, chegou o serviço médico do aeroporto.

ZH - Após o desembarque, houve alguma explicação?
Outeiral - Nada, como se tivesse sido normal. Quando estávamos na fila em Guarulhos para embarcar e a tripulação passou, só fizeram um sinal de positivo com o polegar.

 

ZERO HORA
"Todo mundo ficou em pé"
Entrevista: Mosiah Rodrigues, ginasta
Ginasta gaúcho sentou-se no lado esquerdo da aeronave:

ZH - Onde você estava no avião?
Mosiah - Estava na poltrona atrás da asa, no lado esquerdo, e o fogo foi do lado direito. Uma mulher começou a gritar "Está pegando fogo, está pegando fogo!". Não consegui enxergar, mas não foi uma coisa duradoura. Só que é uma turbina, não um carro.

ZH - Quando essa mulher gritou, qual foi a reação?
Mosiah - Na hora, todo mundo ficou em pé, desatou o cinto. Alguns bancos à frente, na porta de emergência, havia um casal, e a moça estava grávida. Foi ela quem arrancou a porta de emergência. Se eu estivesse perto, teria feito a mesma coisa. Não saí correndo. Levantei para enxergar do outro lado.

ZH - Você conseguiu se manter calmo?
Mosiah - Sim, vi toda aquela muvuca. Logo veio correndo a aeromoça, pedindo calma.

ZH - Alguém deu alguma satisfação aos passageiros?
Mosiah - Na hora, as aeromoças só diziam "Não é assim, não é assim que funciona". Quando conseguiram acalmar as pessoas, o piloto explicou que foi superaquecimento da turbina que ocasionou a labareda.

 

 

Valor Econômico
25/09/2007
Varig apresenta cronograma para retomar vôos internacionais
Daniel Rittner

A "nova" Varig, controlada pela Gol, definiu o cronograma para a retomada completa dos vôos internacionais abandonados em 2006. Até junho de 2008, a companhia terá 15 aviões 767-300 da Boeing para suas rotas ao exterior. Eles serão usados nas ligações para a Cidade do México (com início previsto para 27 de outubro), Montevidéu e Londres (1º de novembro), Santiago (15 de novembro) e Madri (15 de dezembro). Em março do ano que vem, deverão ser retomados os vôos para Miami. Em abril, para Nova York. A tendência é usar o aeroporto de Guarulhos como ponto de partida. Com a volta das antigas operações, a expectativa dos controladores é que a Varig comece a dar resultados financeiros positivos a partir de março ou abril de 2008.

Na última quinta-feira, a VRG Linhas Aéreas - nome oficial da "nova" Varig - reinaugurou seu vôo para Paris e Roma. A própria direção da empresa admite, no entanto, que os serviços oferecidos ainda estão longe do padrão de qualidade prometido com a compra pela Gol. Por enquanto, a prioridade total é retomar as antigas rotas para a Europa, asseguradas na Justiça até o fim do ano, sem perdê-las para concorrentes.

Por isso, os executivos da Varig estão fazendo um verdadeiro malabarismo na área de planejamento. A primeira dificuldade é encontrar, no mercado internacional, aeronaves "wide body" (de longo curso) disponíveis para leasing imediato. Parte dos jatos alugados pela Varig, ou em fase de negociação para assinatura do leasing, não ficará com a empresa por muito tempo. É o que ocorrerá, por exemplo, com o Boeing 767-300, prefixo PP-VTC, que fez o vôo inaugural São Paulo-Paris-Roma. Com 15 anos de uso, ainda pode-se ver o logotipo da Euro Atlantic Airways, última empresa a usar o avião, por baixo da pintura da Varig. A aeronave será devolvida no segundo trimestre de 2008.

Na verdade, nem as cores, nem a configuração interna das aeronaves atualmente usadas são as definitivas. O novo lay-out dos aviões começará a ser implantado entre abril e maio. As novidades ocorrerão aos poucos, até outubro, com mudanças que envolvem os serviços de bordo, salas VIP e até no visual das aeronaves. Por ora, no entanto, o passageiro terá a sensação de voar pela antiga aérea da Fundação Ruben Berta. "Nossa preocupação agora é cumprir os prazos para retomar as rotas de uma empresa que foi desmanchada nos últimos dez anos", observa o diretor comercial da Varig, Lincoln Amano.

Sinal das dificuldades: a rota Paris-Roma será desmembrada, mas ainda não há data. Para cumprir com os planos de retomar os vôos ao México em 27 de outubro, a ligação com a França e Itália poderá ser interrompida por até três semanas, caso não sejam encontradas mais aeronaves a tempo, no mercado. Os passageiros seriam realocados nos vôos de Guarulhos e do Galeão para Frankfurt, com conexão para Paris e Roma bancadas pela Varig.

Apesar dos problemas, Amano e Tarcísio Gargioni, vice-presidente de marketing e serviços da Gol, estão cheios de planos. Eles esperam reiniciar cinco vôos diários da Varig para Buenos Aires, nos próximos dias, chegando a sete freqüências na alta temporada. A malha doméstica será reforçada, em 2008, com novos vôos dos aeroportos de Guarulhos e do Galeão - hoje as rotas nacionais estão concentradas em Congonhas. Isso será possível porque a VRG terá, em junho, 20 aviões Boeing 737 - boa parte da versão 800 da série, mais modernos.

No médio prazo, a empresa não descarta estabelecer novas ligações internacionais - alvos declarados são Portugal, Los Angeles, China e Japão. Da mesma forma, outra novidade mais adiante pode ser a volta a um grupo de empresas aéreas. A VRG já retornou à câmara de compensação da Iata (associação mundial das aéreas), o que lhe permite ter acordos com outras empresas do setor.

O repórter viajou a convite da Varig

 

 

Globo Online
24/09/2007 - 19h25m
Jobim espera renovação da Anac até o fim de semana
Carolina Brígido

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta segunda-feira, em Iperó, no interior de São Paulo, que espera anunciar até o fim de semana todos os nomes dos cinco membros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para a renovação total da direção do órgão. Jobim informou que antes de anunciar os nomes dos dois diretores que ainda falta anunciar, ele preferia conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está nos Estados Unidos.

- Hoje poderemos ter mais uma notícia sobre mais uma função. Espero que tenha a renovação completa da agência até o final de semana - disse Jobim, durante visita ao Centro Experimental de Aramar, da Marinha, em Iperó.
O economista Josef Barat, diretor de Relações Internacionais deve apresentar sua carta de demissão nas próximas horas ao ministro, informou à Reuters uma fonte do ministério. Outra fonte do setor confirmou essa previsão. A saída do penúltimo diretor da Anac, se confirmada, exercerá ainda mais pressão para que Milton Zuanazzi , presidente da instituição, também deixe o órgão regulador.
Outros três dos cinco diretores já se demitiram da agência: Denise Abreu, Leur Lomanto e Jorge Velozo, todos a pedido da Defesa. O ministério já indicou três novos nomes: brigadeiro Allemander Jesus Pereira Filho, Marcelo Pacheco dos Guaranys e Solange Paiva Vieira, cotada para assumir o comando da agência caso Zuanazzi atenda aos apelos de Jobim.

STF mantém quebra de sigilo de Denise Abreu

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta segunda-feira a liminar pedida por Denise Abreu para suspender a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico determinada pela CPI do Apagão Aéreo do Senado. A quebra dos sigilos ficará mantida até que o plenário do STF julgue o mérito da ação - o que ainda não tem data para acontecer. A corte pode manter ou derrubar a decisão de Mello.

Denise Abreu prestou depoimento na CPI no dia 21 de agosto. Ela foi convocada para esclarecer as acusações feitas pelo ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, de que a ex-diretora da Anac teria interferido na transferência dos terminais de carga dos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Viracopos, em Campinas, para o aeroporto de Ribeirão Preto. A operação teria atendido interesses econômicos de uma empresa de propriedade de um amigo de Denise.

No mesmo dia, o brigadeiro também prestou depoimento à CPI. Na ocasião, ele se retratou das acusações à colega. No entanto, após os depoimentos, Denise não foi poupada de ter seus dados sigilosos quebrados. Além das denúncias de favorecer amigos enquanto exercia o cargo, a ex-diretora também é acusada de ter enviado documentos falsos à Justiça Federal com objetivo de liberar para pouso e decolagem a pista do Aeroporto de Congonhas.