RIO DE JANEIRO - 25 DE SETEMBRO DE 2008

O Estado de São Paulo
25/09/2008

Gol e Varig se unem e barra de cereal pode ser aposentada
Marcas oferecerão serviços de bordo parecidos, mas passageiro da Varig terá mais espaço
Mariana Barbosa

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou na noite de terça-feira a reestruturação societária do grupo Gol, permitindo a fusão das bandeiras Gol e Varig em uma só companhia aérea. As duas marcas serão mantidas, mas passarão a operar de forma integrada sob único CNPJ e também um único Cheta, o certificado de habilitação de uma companhia aérea, emitido pela Anac. A ata da diretoria da Anac com a decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União de hoje.

O pedido de autorização para a realização da reestruturação societária foi feito pelo grupo Gol em julho. Segundo fontes do mercado, o cheta e o CNPJ escolhidos para a operação unificada foram os da nova Varig. O atual cheta da Gol seria, portanto, extinto. Procurada, a Gol afirmou que ainda não foi comunicada oficialmente da autorização pela Anac e que, portanto, não poderia comentar.

A reestruturação vai resultar na fusão da malha de vôos e da tripulação, na unificação da estrutura de terra (lojas e balcões de check-in), além de permitir que a empresa tenha só uma estrutura administrativa.

A Gol prepara um grande evento para anunciar os detalhes da reestruturação societária, juntamente com uma campanha de reposicionamento da marca Varig.

Enquanto a Gol investe no consumidor que nunca andou de avião - acaba de lançar uma estratégia para oferecer passagem à prazo para as classes C e D - a Varig quer se consolidar como uma marca premium. A empresa estuda aposentar a famosa barrinha de cereal da Gol, melhorando o serviço de bordo da Gol e simplificando o da Varig. A idéia é economizar tempo e dinheiro com o mesmo serviço de bordo para as duas.

O grande diferencial da Varig - que manterá uma malha de vôos concentrada em destinos de negócios - será o espaço entre as poltronas. As duas marcas vão operar aviões do mesmo modelo: Boeing 737-700 e 737-800, mas os da Gol serão configurados com 184 ou 187 assentos, enquanto na Varig serão apenas 168 lugares. Os novos aviões 737-800 que a Varig acaba de receber contam com uma inovação: as primeiras fileiras possuem poltronas conversíveis de três para dois lugares.

Os novos aviões devem ser destinados aos vôos internacionais da Varig na América Latina, sendo que as fileiras com as poltronas conversíveis funcionariam como uma espécie de classe executiva.

“Esta será a última tentativa da família Constantino para tentar salvar a marca Varig”, diz um analista do setor que prefere não se identificar.

Há duas semanas, o vice-presidente de marketing da Gol, Tarcísio Gargioni, disse que pesquisas encomendadas pela empresa revelam que a marca Varig já não diz muita coisa para jovens com menos de 30 anos. A declaração foi interpretada como um sinal de que a marca Varig está longe de ser “sagrada” para a companhia.

“Com a autorização para a Gol e a Varig operarem sob um único cheta, a empresa tem a faca e o queijo na mão para acabar com a marca Varig”, avalia o professor de transporte aéreo da UFRJ, Respício do Espírito Santo Junior. “Só justifica manter duas marcas dentro de uma única operação se o serviço for totalmente diferenciado. Mas se as marcas não forem muito diferentes, como é o caso agora, fica tudo muito caro. Não faz sentido.”

A Gol comprou a Varig em março de 2007, uma operação que ainda está longe de se provar lucrativa. A Varig já consumiu mais de R$ 1 bilhão do grupo Gol. Em um ano, as ações da Gol caíram 67,56%.

DEMISSÕES

No mercado, comenta-se que a fusão implicará na demissão de centenas de funcionários, de um quadro de 16,6 mil. As demissões devem afetar mais a parte administrativa e de aeroportos do que a tripulação de vôo, acredita o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke. Ele afirma que já solicitou à direção da Gol uma reunião para discutir possíveis demissões. “Infelizmente, a gente acha que estão vindo mais demissões por aí”, diz Klafke. “Na verdade, as demissões já começaram faz um tempo. Já houve cortes no Rio, essa semana começaram em Guarulhos. Isto está acontecendo em todo o País, mas não tenho números consolidados.”

MUDANÇAS

Unificação: A Anac aprovou a união das marcas Gol e Varig em uma só companhia. Com isso, as marcas serão mantidas, mas as duas empresas agora usarão um único CNPJ e o mesmo certificado de habilitação de companhia aérea (Cheta)

Reestruturação: A reestruturação das operações deve resultar na fusão da malha de vôos e da tripulação e na unificação da estrutura de apoio, como lojas e balcões, além de permitir a redução da estrutura administrativa

Serviço de bordo: A busca por sinergias nas operações deve se traduzir também em um serviço de bordo unificado. A Gol estuda aposentar a barrinha de cereal, melhorando o serviço de bordo nos aviões da Gol e simplificando nos vôos da Varig.

 

 

Valor Econômico
25/09/2008

Boeing aposta na expansão do setor no Brasil até 2027
José Sergio Osse, Valor Online, de São Paulo

Os próximos vinte anos vão firmar o Brasil como principal mercado de aviação da América Latina. Até 2027, o país deve adquirir 560 novos aviões, com valor total estimado em US$ 50 bilhões. Isso representa um terço da demanda total na região em unidades e 35% da previsão de vendas em valores, segundo projeções da fabricante americana Boeing.

O segundo maior mercado da região, o México, deve receber 460 aviões (27%), com valor total de US$ 29 bilhões (21%). O restante será dividido entre os outros países latino-americanos.

Para a empresa, o complicado cenário econômico atual deve ter pouco impacto na projeção de longo prazo para a América Latina - e para o Brasil. A Boeing aposta que, nos próximos vinte anos, regiões emergentes continuarão a apresentar taxas de crescimento econômico mais acelerado que a média mundial. "E crescimento econômico leva a um maior tráfego de passageiros que, por sua vez, puxa a demanda por aeronaves novas", diz o diretor de marketing para as Américas da Boeing Aviões Comerciais, Michael Barnett.

Pelas contas da Boeing, o Produto Interno Bruto (PIB) da região deve crescer, anualmente, a uma taxa de 4% até 2027, enquanto o tráfego aéreo deve aumentar 6,7% ao ano no mesmo período. As médias mundiais anuais previstas para esse intervalo, segundo a fabricante, são de 3,2% e 5%, respectivamente.

Segundo Barnett, a empresa foi obrigada a rever suas previsões por tipo de equipamentos, com base nas tendências demonstradas tanto por companhias aéreas como pela mudança na realidade da indústria como um todo. Os altos preços do petróleo e a crise no setor aéreo nos EUA, em combinação com a turbulência financeira atual, levaram muitas companhias a redimensionarem seus planos de frota. Dessa forma, a companhia vê um mercado cada vez menor para aeronaves regionais, de menos de 90 assentos.

"Tivemos que modificar nossa expectativa seguindo a tendência do mercado, que mostra que os operadores estão buscando aeronaves maiores, com melhor relação de custo por passageiro", explica. "No Brasil, TAM e Gol são prova dessa tendência, a primeira trocando seus Fokker F-100 por A320s (da concorrente Airbus) e a outra substituindo seus 737-300s por 737-800s", acrescenta.

"Não sabemos quem ficará com o segmento de aviões regionais, pois acreditamos que irá minguar muito. Eles não terão mais muito espaço, por conta dos altos preços dos combustíveis e do tipo de mecânica econômica que irá dominar a indústria", afirma.

Na avaliação da Boeing, o mercado de aviões de corredor único, entre 90 e 200 assentos, será o mais importante na América Latina e Brasil nos próximos 20 anos. No total, 79% dos 1,7 mil novos aviões que o continente demandará até 2027 serão de corredor único. No Brasil, 84% das aeronaves serão dessa categoria, que inclui os modelos EMB 190 e EMB 195, da Embraer. Esses cerca de 470 aviões terão valor conjunto de US$ 35,5 bilhões, segundo a Boeing. Em comparação, a expectativa da empresa é que os aviões regionais na América Latina representem apenas 6% da demanda em unidades e 3% do valor dos pedidos até 2027.

O executivo, que prefere não projetar qual será a fatia desse mercado que caberá à fabricante, afirma porém que, no Brasil, atualmente apenas uma empresa - a TAM - opera aeronaves da arqui-rival Airbus e que, por enquanto, nenhuma utiliza equipamentos da Embraer. A primeira a fazer isso, a Azul, deve iniciar suas operações apenas no ano que vem. Essa predominância no mercado nacional, portanto, é considerada por Barnett como um ponto positivo para a Boeing que, segundo ele, "detém o melhor portfólio de produtos para esse mercado" entre as fabricantes.

Embora reconheça que, no curto prazo, por conta da crise financeira, a expansão do PIB e a demanda por aeronaves deverão ser reduzidas, ele acredita que num horizonte de 20 anos esses problemas devem ser diluídos. "O Brasil foi um dos países que recebeu maior volume de investimentos estrangeiros no ano passado e não vejo nada capaz de afetar essa tendência de expansão do mercado local no futuro", afirma o executivo.

 

 

O Globo
25/09/2008

 

 

Site Cidade Biz
23.09.2008 - 10:52h

Gol deve passar por repaginação e abandonar o modelo de baixo custo/baixa tarifa
Reestruturação está em gestação por causa dos custos operacionais e sucessivos prejuízos
Redação

A Gol deverá passar por uma profunda reestruturação e deixará definitivamente de operar no sistema de low cost, exatamente o seu maior apelo comercial desde a fundação. Por conta do aumento dos custos operacionais e dos sucessivos prejuízos, a Gol não suporta mais este tipo de modelo.

Os Constantino vão aumentar as tarifas. Em contrapartida, farão uma completa repaginação nos serviços da companhia, até como forma de justificar a nova política de preços. As famosas barrinhas de cereais, que se tornaram um símbolo de duvidoso paladar do modelo low cost, vão sair de cena e dar lugar a um novo sistema de cathering.

O serviço de entretenimento a bordo também vai ser modificado, com a disponibilização para os passageiros de TVs portáteis – o que evitará expressivos desembolsos para a instalação de monitores em toda a frota.

Todas as mudanças serão pontuadas por uma grande campanha publicitária de reposicionamento da companhia.

Não obstante o reajuste das tarifas, a mudança do perfil e a melhoria do serviço de bordo são as apostas dos Constantino para aumentar a taxa de freqüência. A Gol vem operando abaixo dos 75% de ocupação, seu breakeven.

A metamorfose é também uma tentativa de reação em meio a um longo inferno astral. Noves fora a Varig, um problema que dispensa maiores comentários, a própria operação da Gol apresenta diversas turbulências. O aumento do preço do petróleo jogou as despesas operacionais para a estratosfera. Além das dificuldades no mercado interno, a Gol não conseguiu alavancar a rentabilidade de seus vôos internacionais, mesmo com o longo período de câmbio favorável.

Os próprios Constantino já classificam 2008 como um ano perdido. Apesar do aumento da receita de quase 50%, a companhia amargou no primeiro semestre um prejuízo de R$ 290 milhões.

ACESSE OS SITES DAS ASSOCIAÇÕES E FIQUE BEM INFORMADO
www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br