:::::RIO DE JANEIRO - 26 DE SETEMBRO DE 2006 :::::

 

O Estado de São Paulo
26/09/2006
Varig diz negociar com fundos de investimentos

Sete fundos de investimento nacionais e estrangeiros demonstraram interesse em comprar parte da nova Varig. Quem garante é o presidente do conselho de administração da VarigLog, controladora da companhia aérea, Marco Antonio Audi. No mercado, porém, há quem duvide desse flerte. Como a Varig ainda aguarda a primeira etapa de sua homologação, que é a autorização para funcionamento jurídico, não tem CNPJ. Não pode contratar funcionários ou comprar aviões.

'Tudo é possível, mas não acredito. É estranho tal interesse nesse momento em que a nova Varig não tem a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)', diz a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. Audi, por sua vez, reclama da demora em receber a certificação. 'O que a gente poderia correr, já correu. Meus passos são ditados pela Anac', afirma.

O único nome de investidor admitido por Audi foi o do fundo canadense Brookfield, acionista do banco Brascan, e que já havia demonstrado interesse em investir na Varig com a TAP e a Air Canada. Além disso, a Air Canada poderá ceder jatos que negociou com a Embraer.

Audi revela que a VarigLog se propôs a pagar um ágio entre US$ 250 mil e US$ 700 mil, por aeronave, para tomar o lugar na fila de companhias aéreas que já assinaram pedidos firmes de compra com a Embraer. A Varig quer comprar 50 aviões.

 

 

Gazeta do Povo - AVIAÇÃO
26/09/2006
Milhas trocadas por bilhetes para locais não mais atendidos podem ser recuperadas
Suspensão de rotas da Varig limita o uso de milhagem
Áurea Cunha


O engenheiro Rodolfo Bueno Rezende, da área de inspeção e auditoria da Itaipu Binacional, já considera perdidas 10 mil milhas que lhe restam do programa de fidelidade Smiles, da Varig. Os pontos acumulados ao longo de uma rotina de viagens de trabalho estão “congelados” por conta da suspensão dos vôos da empresa em Foz do Iguaçu. “Não tenho como acumular mais pontos e, mesmo que tivesse pontos suficientes, seria inviável usá-los. Teria de pagar para ir a São Paulo ou Curitiba para viajar pela empresa”, avalia.

A venda da Varig para a VarigLog, em julho, vem garantindo a manutenção da troca de milhas acumuladas por passagens aéreas, mas não a satisfação completa dos clientes do programa Smiles. A redução de rotas domésticas e internacionais limitou as opções de quem acumulou pontos para viagem por meio de cartões de crédito ou viajando pela empresa nos últimos anos. Até mesmo quem garantiu a troca de milhas por bilhetes aéreos antes da venda da companhia, terá de trocar de destino ou pedir o reembolso dos pontos caso tenha marcado viagem para um local onde a companhia não atue mais.


De vôos diários para todas as capitais brasileiras que a Varig operava cinco meses atrás, as ofertas de destinos domésticos somam hoje nove capitais (Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). As rotas internacionais, que passavam de 20 países, hoje levam a três: Argentina (Buenos Aires), Venezuela (Caracas) e Alemanha (Frankfurt). De acordo com a assessoria de imprensa da nova Varig, quem trocou milhas por bilhetes com antecedência para destinos que depois foram suspensos ou cancelados deve procurar o balcão de vendas da empresa ou, no caso de bilhete eletrônico, os telefones 4003-7001 ou 4003-7007 (nas regiões metropolitanas, sem o uso de código de área), para trocar de rota ou reaver a pontuação. Não há previsão de reabertura de rotas, segundo a companhia.

Ação coletiva

Para o presidente da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo (Andep), Cláudio Candiota Filho, o cliente deve ter o direito de viajar para qualquer cidade atendida pela Varig antes da venda da empresa. “Não cumprir a distribuição de bilhetes para destinos antigos é uma quebra de contrato. A responsabilidade maior nisso tudo nem é da velha ou da nova Varig, é da União, que faz a concessão do serviço. Para o cliente, pouco interessa de quem é a empresa, ele quer ver o direito dele cumprido”, avalia.

Segundo Candiota, dezenas de pessoas procuram a associação diariamente em busca de informações sobre milhagem e bilhetes comprados com bastante antecedência. “Tivemos de desligar o telefone e atender só pela internet, porque não vencíamos atender tantas ligações.”

Candiota informa que em todo o país estão sendo organizadas ações coletivas contra a empresa ou o governo federal. “O governo não se importou em deixar todas essas pessoas sem transporte. Entrar com um processo individual pode custar mais caro do que o prejuízo com a passagem aérea, por isso o melhor caminho são as ações em grupo”, orienta. De acordo com o presidente da Andep, a utilização das milhas não impede que o cliente acione a Justiça, porque ele continua com o dano moral. “Usar os pontos ainda é a melhor opção, porque uma ação destas demora anos para ser julgada. De qualquer forma, o cliente não deve deixar de exigir a indenização e buscar seus direitos”, avalia. Mais informações podem ser obtidas pelo www.andep.com.br.
Patrícia Künzel

 

 

O Globo
26/09/06 - Ancelmo Góis

 

 

O Globo
26/09/06 - Negócios e Cia

 

JORNAL DO BRASIL
26/09/2006

 

 

Agencia Financeira PT
2006/09/25 - 20:49h
Actividade corre bem
TAP antecipa lucros na VEM para breve
Monica Freilão


A TAP está satisfeita com a prestação da VEM, a recém adquirida empresa de Engenharia e Manutenção da Varig no Brasil. Tanto que já antevêem a empresa a dar resultados positivos em breve.

Num almoço com os jornalistas, para comemorar o 60º aniversário da companhia aérea portuguesa, o presidente da TAP, Fernando Pinto, adiantou que a VEM «mostra claramente uma tendência positiva».

Segundo o mesmo responsável, hoje, «a VEM já tem uma sustentação de tesouraria», ao contrário do que acontecia antes e uma das razões é, exactamente, porque já «não depende dos aviões da Varig, mesmo da nova empresa, para se sustentar».

Cerca de «80% dos trabalhos da VEM, actualmente, são de contratos a terceiros», acrescenta o CEO.

Tudo, razões pelas quais Fernando Pinto diz manter «uma esperança de que a empresa apresente resultados positivos», embora ainda seja um pouco prematuro falar disso», ressalvou.

Por resolver estão as questões financeiras entre a Varig e a TAP, já que esta mantém muitas contas por acertar com a transportadora portuguesa. Fernando Pinto admitiu que há ainda muitas dívidas por pagar na VEM, sendo que no global, já contando com as dívidas de cobrança duvidosa, a TAP apontava para um valor do negócio de 100 milhões de euros.

A resolverem-se algumas questões pendentes no processo de recuperação da nova empresa, nomeadamente entre a Varig e o Governo brasileiro, a TAP mantém a esperança de vir a receber algum do dinheiro em falta.

 

 

Estadão
25 de setembro de 2006 - 19:25
Fundos de investimento demonstram interesse na nova Varig, diz Audi
No mercado, no entanto, há quem duvide do flerte divulgado pelo presidente do conselho de administração da VarigLog, nova controladora da companhia aérea, Marco Antonio Audi
Alberto Komatsu

RIO - Sete fundos de investimento nacionais e estrangeiros já demonstraram desejo em investir numa participação acionária na nova Varig. Quem revela o interesse, mas não divulga detalhes, é o presidente do conselho de administração da VarigLog, nova controladora da companhia aérea, Marco Antonio Audi. No mercado, no entanto, há quem duvide desse flerte. Como a nova Varig ainda aguarda a primeira etapa de sua homologação, que é a autorização para funcionamento jurídico, ela não existe no papel porque não tem CNPJ. Não pode, portanto, contratar funcionários nem comprar aeronaves.

"Tudo é possível, mas não acredito. É, no mínimo, estranho tal interesse nesse momento em que a nova Varig não tem a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Vejo com estranheza e desconfiança", afirma a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. Audi, por sua vez, reclama da demora em receber a certificação. "O que a gente poderia correr, já correu. Meus passos são ditados pela Anac", afirma.

O único nome de potencial investidor admitido por Audi foi o do fundo de investimentos canadense Brookfield, acionista do banco brasileiro Brascan, e que já havia demonstrado, em meados de junho, interesse em investir na Varig com a portuguesa TAP e a Air Canada. Além disso, a companhia aérea canadense poderá ceder alguns jatos que já negociou com a Embraer para a nova Varig.

Como há falta de aviões novos e econômicos no mercado mundial, Audi revela que a VarigLog se propôs a pagar um ágio entre US$ 250 mil e US$ 700 mil, por aeronave, para tomar o lugar na fila de companhias aéreas que já assinaram pedidos firmes de compra com a Embraer e que já estão recebendo - ou ainda vão receber - os aviões, como é o caso da Air Canadá.

Audi já havia informado que está quase fechado o contrato com a fabricante brasileira de aviões, numa operação para 50 modelos da família Embraer 190. "O BNDES é um banco altamente profissional, com técnicos que entendem do negócio, mas não é imprescindível", afirma Audi.

O executivo referia-se ao pedido que a VarigLog fez ao banco estatal, no dia 23 de agosto, para analisar uma linha de crédito equivalente a US$ 1,7 bilhão, mas que seria concedida em reais, para comprar os jatos da Embraer. A VarigLog, por sua vez, entraria com US$ 300 milhões, mas paralelamente está em negociações adiantadas com quatro arrendadores de aviões (leasing).

Anac

A VarigLog ajuizou um pedido de reconsideração no Superior Tribunal de Justiça contra liminar obtida no último dia 14 pela Anac, que a autoriza a redistribuir vôos da companhia. O agravo, movido na sexta-feira, chegou às mãos do ministro do STJ, Ari Pargendler, ao meio-dia desta segunda-feira.

Há chances de o pedido de reconsideração ser julgado pela Segunda Seção do STJ na quarta-feira, quando 10 ministros do superior se reúnem. No entanto, o STJ informa que nada impede que Pargendler julgue individualmente o caso. Em outras duas ocasiões, o ministro já havia decidido que a competência sobre questões que envolvem a reestruturação da Varig é da 1ª Vara Empresarial do Rio, que já publicou decisões tentando impedir que a Anac distribua vôos da Varig.

Revista Época
25/09/2006
Dinheiro para os aviões

Pode ser tarde demais, mas depois das eleições o BNDES vai anunciar uma linha de crédito para a compra de aviões pelas companhias aéreas. É uma velha reivindicação do setor que foi engavetada para não parecer favorecimento à Varig. O problema é que, com a decadência da empresa, dois terços do mercado de vôos internacionais partindo do Brasil foram tomados pelas companhias estrangeiras. Só em receitas na balança comercial, isso significa perda de US$ 1 bilhão por ano - bem mais do que se pretende emprestar às companhias brasileiras de aviação.