::::: RIO DE JANEIRO - 27 DE JUNHO DE 2007 :::::

 

O Estado de São Paulo
27/06/2007
Marinho pede rapidez no processo do Aerus

O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, defendeu ontem a agilização do processo judicial que poderá resolver o problema dos aposentados da Varig, cujo fundo de pensão Aerus está em processo de liquidação. Só de dívidas da Varig, principal patrocinadora, são R$ 3 bilhões. A esperança dos ex-trabalhadores é o acerto de contas entre o que a Varig deve à Receita Federal e ao INSS e o que a empresa cobra por perdas com congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, cerca de R$ 5 bilhões.

 

 

O Estado de São Paulo
27/06/2007

Cindacta-3 coordena resgate de avião dos EUA
Roberto Godoy

O Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego do Recife (Cindacta-3) coordenou a operação de resgate de um avião CN-235 turboélice, da Guarda Costeira dos Estados Unidos, que entrou em pane sobre o oceano, a 250 quilômetros de Fortaleza. Havia cinco passageiros e dois tripulantes a bordo. O avião, produzido na Espanha pela CASA, estava sendo levado da fábrica, na Europa, para uma base nos Estados Unidos e faria um pouso para reabastecimento no Ceará ou em Pernambuco.

O incidente ocorreu na manhã de sexta-feira, mas foi mantido em sigilo a pedido das autoridades americanas. O comandante da aeronave, tenente-coronel J. Coley, declarou a emergência depois que os motores apresentaram falha: o direito parou de funcionar, enquanto o esquerdo passou a falhar e a perder rendimento.

O contato foi feito com o Cindacta-3, responsável pelo espaço aéreo do Nordeste. O centro já monitorava, por meio dos radares e sistemas de comunicações locais, a evolução do CN-235.

A missão de escolta envolveu de início um avião C-95 Bandeirante da Esquadrilha Rumba Azul, do 1º/5º GAV, em fase de decolagem para um vôo de instrução, acompanhado por duas outras aeronaves do mesmo tipo, a partir de Fortaleza. O contato se deu sobre o mar, a 70 quilômetros da costa, no alinhamento da pista do aeroporto. Às 14h10, o caça A-29 Super Tucano foi acionado para ajudar na escolta da aeronave da Guarda Costeira, que permanecia sob orientação do Cindacta e da unidade de aproximação de Fortaleza. O CN-235 pousou em segurança às 14h28.

 

 

Jornal do Brasil
27/06/2007
Voar no Brasil não é seguro, alertam controladores
Fernando Exman

Brasília. Controladores de vôo civis e militares reunidos em Brasília alertaram ontem para a falta de segurança do sistema. Disseram que a substituição de 14 profissionais da área por militares especialistas em defesa aérea - estratégia adotada pela Aeronáutica para enfraquecer o movimento da categoria - é um risco aos passageiros. A Aeronáutica, revelaram, reduziu pela metade (de 180 horas para 90 horas) o tempo de treinamento exigido dos controladores que vieram de outras regiões do país e do sistema de defesa aérea para reforçar o quadro de pessoal do centro de operações de Brasília, o Cindacta-1.

Sob a condição do anonimato, militares especialistas em defesa aérea contaram o assédio de superiores para que aceitem a homologação de controladores de vôo mesmo sem terem completado todos os estágios de treinamento, o que mostra o esforço do governo em aumentar o pessoal do Cindacta-1 a toque de caixa. Em reunião com as mulheres dos controladores punidos e a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, confirmou que a Força reduziu o tempo de treinamento dos militares convocados para debelar a greve dos controladores.

- Estamos operando com pessoal não-qualificado. Eles não fizeram o treinamento - disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho. - A experiência de a defesa aérea ocupar a posição de controle de tráfego civil é a que se viu na década de 1970 na França, que resultou em um acidente.

Os controladores também voltaram a reclamar dos problemas estruturais do sistema: os equipamentos não têm condições de uso, o que é rechaçado pelo governo. Botelho revelou que os equipamentos foram montados com peças de diversas procedências e datas de fabricação.

- O sistema é um Frankenstein.

De acordo com levantamento da organização não-governamental Associação Contas Abertas, os gastos da Aeronáutica com equipamentos e materiais permanentes do sistema de segurança de tráfego aéreo cresceram desde o fim do ano passado, quando o Boeing da Gol se chocou com o Legacy. Do início de janeiro até sexta-feira, o governo investiu R$ 33,5 milhões na área, R$ 13,9 milhões a mais do que o usado no mesmo período do ano passado.

Para o assessor de Segurança de Vôo e Relações Internacionais do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Célio Eugênio de Abreu Júnior, não há como saber se os militares substitutos estão qualificados.

- O controle não é transparente - criticou o especialista.

Procurada, a Força Aérea Brasileira (FAB) não comentou o assunto até o fechamento desta edição. Um grupo de procuradores do Trabalho visitou ontem o Cindacta-1. Segundo o procurador Alessandro Santos, a Aeronáutica assegurou que todos os militares da defesa aérea deslocados para o controle de vôos da aviação civil e os controladores de vôo de outras regiões transferidos para Brasília foram treinados adequadamente.

A fim de reduzir a dependência do sistema dos controladores do Cindacta-1, a Aeronáutica montou radares e sistemas de comunicação usados em guerras ou situações de emergência que serão usados pelos especialistas em defesa aérea. A FAB também inaugurou ontem rotas alternativas. As novas linhas garantirão o maior espaçamento das aeronaves, o que, segundo os controladores, foi feito para facilitar o trabalho dos militares da defesa aérea que não têm qualificação para exercer a função que assumiram.

 

O Dia
27/6/2007
Controladores dizem que há risco de voar
Alerta foi feito por causa da troca de 14 sargentos no Cindacta 1

BRASÍLIA - O Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo consideram que o remanejamento dos 14 sargentos do Cindacta 1, em Brasília, chamados de “lideranças negativas” pela Aeronáutica, traz riscos para a segurança de vôos no País. O presidente do sindicato, Jorge Botelho, disse que os controladores que atuavam na defesa do espaço aéreo e assumiram os postos dos sargentos não tiveram o treinamento de 120 horas para assumir as mesas de operação com segurança.

O alerta foi feito no encontro de controladores de vôo, em Brasília, onde, por meio de um vídeo, o presidente da Associação Brasileira dos Controladores do Tráfego Aéreo, Wellington Rodrigues, afastado do Cindacta 1, afirmou que o governo “está jogando fora todos procedimentos de segurança”. Ele advertiu que isso poderá ter como conseqüência grave acidente, a exemplo do que houve na França, em 1973, quando os controladores da defesa aérea assumiram o tráfego aéreo comercial.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, confirmou a redução no tempo de treinamento dos controladores, mas não revelou de quanto, segundo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS). Ainda de acordo com a parlamentar — que esteve no Comando da Aeronáutica com esposas de sargentos controladores —, Saito garantiu que tudo está sendo feito dentro dos padrões de segurança.

Ontem, procuradores do Ministério Público do Trabalho estiveram no Cindacta 1. Eles acreditam que a contratação de 600 controladores de vôo ajudará a pôr fim na crise aérea. Para eles, essa é uma das 40 medidas indispensáveis para acabar com o caos nos aeroportos.

A Infraero considerou tranqüila a situação nos aeroportos ontem, quando começaram a operar os corredores aéreos que ligam São Paulo e Rio ao Nordeste. São rotas de mão única, sem cruzamento, que vão operar com freqüências especiais, sob a coordenação de controladores de defesa aérea e sem passar pelo comando de Brasília.

 

 

Estadão
26 de junho de 2007 - 13:14
Marinho defende agilidade para aposentados da Varig
Ministro quer rapidez no processo judicial que poderá resolver o problema
Alberto Komatsu

RIO - O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, defendeu nesta terça-feira, 26, a agilização do processo judicial que poderá resolver o problema dos aposentados da Varig, cujo fundo de pensão Aerus está em processo de liquidação.

A esperança dos ex-trabalhadores da companhia aérea é o acerto de contas entre o que a Varig deve à Receita Federal e ao INSS e o que a empresa cobra por perdas com congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, cerca de R$ 5 bilhões. O Superior Tribunal de Justiça deu ganho de causa aos aposentados, mas a União recorreu no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Se a União perder o processo não tem porque ficar postergando isso. Temos que agilizar para buscar atender aos interesses dos trabalhadores. Nós temos feito ponderações junto aos ministros da corte para que eles agilizem o julgamento", afirmou Marinho, que não soube estimar quando o julgamento do STF deve ocorrer.

Os aposentados do plano 1 da Varig receberam o último benefício no dia 3 e não têm mais garantia nenhuma de pagamento daqui para a frente, pois as reservas do plano secaram. Os beneficiários do plano 2 têm garantia de receber até agosto, referente ao mês de julho. A dívida da Varig com o Aerus é de R$ 3 bilhões.

"Evidentemente para os aposentados é uma boa, mas o encontro de contas só é possível com o processo transitado e julgado", afirmou Marinho que participa no Rio da inauguração de três Agências da Previdência Social especializadas em Benefícios por Incapacidade (APS-BI).