RIO DE JANEIRO - 29 DE OUTUBRO DE 2008
O Estado de São Paulo
29/10/2008

Sem a Varig, Sata começa a demitir
Companhia aérea representava metade do faturamento da empresa
Alberto Komatsu, RIO

A empresa que já teve a hegemonia dos serviços aeroportuários no País, a Sata, iniciou a demissão de 2 mil funcionários, ou cerca de 60% da sua folha de pagamento, de acordo com o Sindicato Nacional dos Aeroviários. Segundo dois trabalhadores demitidos, o motivo foi a perda de seu maior cliente, a Varig, que respondia por pelo menos 50% do faturamento. A Varig e a Fundação Ruben Berta, controladora da Sata, foram procuradas, mas não retornaram até o fechamento desta edição.

“Fui incluído na lista (de cortes) depois de 29 anos de empresa. Vou entrar na Justiça porque a demissão é ilegal, sou diretor do sindicato”, afirma o operador de reboque de aviões, Washington Luis de Sousa, enfatizando que o critério de cortes seria maior tempo de empresa.

O auxiliar de rampa João Carlos Valentim está em situação parecida. “Sou do sindicato e também pretendo recorrer à Justiça”, disse ele, há 13 anos na Sata. A secretária-executiva do sindicato, Selma Balbino, diz que enviou um documento à Sata, questionando as demissões.

Além da Varig, a OceanAir também vai deixar de usar os serviços da Sata: informou que o contrato vence neste mês e que não será renovado. Para a operação da Sata no Santos Dumont, só restarão dois vôos diários com a Team.

No Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão), a Sata trabalha para as companhias TAP (Portugal), TAAG (Angola), Lan Chile e para as brasileiras Total (cargas), VarigLog e Flex. Só no Galeão, 100 pessoas foram demitidas na segunda-feira, contam os sindicalistas. Eles relatam que há mais de dois anos a Sata não deposita o FGTS nem fornece auxílio-refeição. Tanto Sousa quanto Valentim têm dúvidas se vão receber as verbas rescisórias e temem pela falência da empresa.

 

 

Valor Econômico
29/10/2008

Brasil e Índia são as apostas da BA
Vera Saavedra Durão, do Rio

Índia e Brasil são as apostas de expansão da British Airways na atual crise financeira internacional, com ameaça de recessão, informou ao Valor o vice-presidente executivo da companhia para as Américas, Simon Talling-Smith. Segundo ele, em outros países onde atua a companhia tem optado por manter seus vôos, caso dos Estados Unidos. Mas, algumas rotas específicas já sofreram impacto, como a no Japão, onde a British cortou uma das duas freqüências diárias da rota Tóquio/ Londres.

Talling-Smith chegou ontem ao Rio para inaugurar três vôos semanais do Aeroporto Tom Jobim para Londres e anunciar vôos diários de São Paulo para Buenos Aires. "O Brasil tem hoje a maior taxa de crescimento de toda a malha aérea da British, passando de 7 para 10 vôos, um aumento de 40%". Os planos da empresa para o país, cuja economia tem "uma tendência para cima", é de crescimento gradual e contínuo conforme a expansão econômica local. "Vamos tomar cuidado para crescer de acordo com a capacidade da demanda local, sem ter que refazer estratégias."

Com 17 anos de trabalho na British Airways, Talling-Smith, que já exerceu várias posições de chefia na companhia, foi promovido em agosto para o cargo de vice-presidente das Américas, região que abarca países do Canadá ao Uruguai e responde por 20% da receita da empresa aérea, de cerca de US$ 12 bilhões no final de 2007. O executivo admite que a turbulência da economia americana torna sua nova posição um desafio. Mas está otimista, pois crê que é nas crises que as empresas fortes têm chances de se destacar. Ele reconhece que "o cenário é de dificuldade".

A British, uma empresa global, já tem sentido o gosto da recessão, pois é grande sua dependência do tráfego aéreo do Atlântico Norte. Ela é a companhia aérea que tem mais vôos para os Estados Unidos, somando 19 rotas. A rota Londres-Nova York, com 11 vôos diários, é a que gera maior volume de dinheiro para a British por causa do movimento de negócios entre a City e Wall Street. Até agora, não houve cortes de vôos entre Londres e Nova York, mas Talling-Smith informou que está sendo feita substituição de equipamento, ou seja, substituíram aviões do tipo Jumbo por Boeings 777, de menor porte. Também a receita da British Americas está abaixo do previsto no orçamento de 2008.

"Ninguém sabe se estamos na ponta do precipício, se atingimos o fundo do poço ou se estamos no meio do caminho". Por isso, reconhece que a British está focando o potencial de negócios nos BRICs, com destaque para Brasil e Índia, mas não tomou atitudes severas em relação ao mercado americano. Segundo seu relato, a situação do setor aéreo global ainda não está muito ruim, mas a tendência é piorar em função do mercado financeiro que vem congelando o crédito. A aviação comercial já estava um pouco retraída no início do ano, quando a British inaugurou o Terminal 5, no aeroporto de Londres, um investimento de 4,3 bilhões de libras. Mas, a partir de setembro começou a desacelerar com mais velocidade.

"A crise tem seu próprio timing. Ela afeta primeiro os bancos, depois as empresas por causa do dinheiro escasso e custo mais alto impactando novos projetos e, por último, atinge o consumidor. As pessoas começam a reduzir seus gastos por medo do desemprego e isto afeta diretamente o nosso negócio", constatou.

Por esta razão, a companhia britânica traçou seu plano para enfrentar a recessão global, que já chegou ao Reino Unido. Ela tem 43 mil empregados, 36 mil no Reino Unido e está implementando um plano de demissão voluntária, que prevê a saída de um terço de seus diretores até o final do ano. Até agora saíram 450. Também programa a redução de investimentos não prioritários. E pretende manter sua frota de 243 aeronaves inalterada (45% para vôos de longo curso). O que vai levá-la a substituir as velhas máquinas por novas recentemente encomendadas. A meta é economizar combustível. A redução do preço do petróleo já ajudou.

Talling-Smith acha que a crise poderá fortalecer a consolidação do setor e levar ao desaparecimento de umas 40 companhias aéreas. A maioria das "condenadas" seriam novas empresas e companhias de nicho e as que precisam de alto nível de ocupação. Neste movimento de consolidação, a British vai ser consolidadora. Ela já está fazendo fusão com a espanhola Ibéria que deve estar concluída em 2009. E acaba de fechar um acordo de cooperação com a American Air Lines que inclui também a Ibéria. A parceria tem milhagem em comum e planejamento de malhas aéreas conjuntas.

 

 

Valor Econômico
29/10/2008

Boeing faz acordo

A Boeing e o maior sindicato de trabalhadores da empresa chegaram a um acordo preliminar para por fim à maior greve nas fábricas da companhia em 13 anos e conter perdas estimadas em US$ 100 milhões por dia. Na quarta tentativa e com a ajuda de um mediador federal, o sindicato que representa 27 mil trabalhadores disse, no fim da segunda-feira, que fechou acordo de quatro anos com a Boeing, que vai dar garantia de emprego de seus membros e um limite ao processo de terceirização.

 

 

Agência Senado
28/10/2008 - 18h14

Mário Couto ameaça obstruir MPs da crise se
governo não resolver aumento dos aposentados

O senador Mário Couto (PSDB-PA), líder do Bloco da Minoria, anunciou que pretende iniciar na próxima semana uma obstrução às votações no Senado caso o governo não "dê algum sinal" sobre o projeto, em tramitação na Câmara, que concede aos aposentados do INSS os mesmos reajustes do salário mínimo.

- Não podemos deixar que se votem as medidas provisórias da crise financeira [MPs 442 e 443/08] se o governo não informar o que pretende fazer com os aposentados - afirmou.

Pouco antes, Mário Couto e outros senadores estiveram com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, quando solicitaram que conversasse com o presidente da Câmara em favor do projeto que reajusta as aposentadorias, já aprovado pelo Senado.

Garibaldi Alves informou a Mário Couto que conseguiu marcar com o ministro da Previdência Social, José Pimentel, audiência com os senadores que defendem mais diretamente os direitos dos aposentados, o que deve ocorrer na tarde desta quarta-feira (29). Nessa audiência, o ministro informará a posição do governo sobre o reajuste dos aposentados.

Em resposta, o senador Mário Couto disse que irá à audiência, juntamente com o senador Paulo Paim (PT-RS). O próprio Paim informou que o governo não está ouvindo "o clamor" de 26 milhões de aposentados. Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu que os senadores coloquem na mesma negociação uma saída para os aposentados da Varig (fundo Aerus). Disse que a Advocacia Geral da União já se manifestou no sentido de que o governo federal deve ajudar a cobrir as aposentadorias de ex-funcionários da Varig.

O líder do Democratas, José Agripino (RN), apoiou a Frente Parlamentar em Defesa dos Aposentados, lembrando que os senadores de seu partido votaram favoravelmente ao projeto que dá aos aposentados do INSS os mesmos reajustes do salário mínimo. Agripino lamentou que "o governo do PT coloque em vigésimo plano" os reajustes dos aposentados.

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www.amvvar.org.br - www.acvar.com.br - www.apvar.org.br