RIO DE JANEIRO - 30 DE JUNHO DE 2008

O Estado de São Paulo
30/06/2008

Demitidos da Varig fazem protesto por salários
Daniele Carvalho, RIO

Cerca de mil ex-funcionários da Varig realizaram ontem pela manhã, no Rio, uma manifestação para exigir o pagamento de dívidas trabalhistas da companhia e o repasse de créditos ao fundo de pensão complementar da categoria, o Aeros. Durante a passeata, que percorreu ruas de Ipanema, na zona sul, foram distribuídas laranjas para chamar a atenção da sociedade sobre a série de escândalos em torno da venda da empresa.

De acordo com uma das organizadoras do evento, Ângela Arend, os ex-funcionários não receberam as indenizações trabalhistas referentes à demissão realizada pela companhia em 2006, época do leilão para a venda.

“Também reclamamos depósitos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que não foram feitos, bem como o pagamento de salários e de duas gratificações de décimo terceiro salário”, diz Ângela, que trabalhou por 26 anos na companhia aérea como comissária de bordo.

Já em relação ao Aeros, os manifestantes cobram o repasse de créditos, estimados em R$ 3,2 bilhões, provenientes do congelamento de tarifas, realizado durante o governo Sarney.

“Todas essas irregularidades abrem precedentes para que outros empresários adquiram companhias e não arquem com os passivos trabalhistas. Cerca de 75% dos ex-funcionários da Varig ainda estão desempregados”, observa Ângela Arend.

 

 

O Estado de São Paulo
30/06/2008

Amizades de risco
Carlos Alberto Di Franco

Assinada pela jornalista Mariana Barbosa, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo (22/6) dá conta de que, efetivamente, o advogado Roberto Teixeira ganhou bem mais do que os US$ 350 mil que admitia ter recebido para intermediar a operação de compra da Varig. A repórter, como manda o bom jornalismo, não apenas documentou o pagamento de US$ 3 milhões ao advogado e compadre do presidente Lula como obteve do próprio Teixeira a comprovação de que ele recebeu, sim, os magníficos honorários. Essa notícia, que demonstra que o advogado tinha mentido para o País, dá nova dimensão ao caso.

Na segunda-feira, dia 23, um pouco mais de luz foi projetada nas sombras que envolvem o caso Varig. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a Presidência reconheceu que Roberto Teixeira esteve ao menos seis vezes no Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública de Lula.

O advogado, como se sabe, é acusado de influir na aprovação da venda da VarigLog ao Fundo Matlin Patterson e a três sócios brasileiros, em junho de 2006. Teixeira dissera não ter falado com Lula no período em que o negócio foi fechado e ter estado com ele “raramente” após a eleição. Ao contrário do que disse, ao menos dois encontros estão ligados à venda da VarigLog. Teixeira foi ao Planalto com os novos donos da Varig em dezembro de 2006 e, em março de 2007, esteve lá com os proprietários da Gol, compradora da Varig.

A assessoria de Roberto Teixeira confirmou os encontros e disse que a maioria foi de “cortesia”. O Palácio do Planalto disse não divulgar todos os compromissos do presidente. Estamos, mais uma vez, assistindo ao triste espetáculo de suposta relação promíscua entre governantes e pessoas interessadas em negócios no âmbito do governo.

Em conversa com estudantes, em São Paulo, fui abordado por um universitário. Seus olhos emitiam um sinal de desalento. “Não adianta o trabalho da imprensa”, disse de supetão. “A impunidade venceu.” Confesso, amigo leitor, que meu otimismo natural estremeceu. Não se tratava do comentário de alguém situado no lusco-fusco da existência. Não. Era o lamento de quem está nascendo para a vida. Por uns momentos, talvez excessivamente longos, uma pesada cortina toldou o meu espírito. Acabei reagindo, pois acredito na imensa capacidade humana de reconstruir a ordem social. Estou convencido de que os países construídos sobre os valores da verdade e da liberdade têm demonstrado maior capacidade de superação. E o Brasil, não obstante os reiterados esforços de implosão da verdade, ainda conserva importantes reservas éticas. Escrevo, por isso, aos homens de bem. Eles existem. E são mais numerosos do que podem imaginar os atuais detentores do poder.

Escrevo aos políticos que ainda acreditam que a razão de ser do seu mandato é um genuíno serviço à sociedade. Escrevo aos magistrados, aos membros do Ministério Público, aos policiais, aos servidores do Estado. Escrevo aos educadores, aos estudantes, às instituições representativas dos diversos setores da sociedade. Escrevo aos meus colegas da mídia, depositários da esperança de uma sociedade traída por suas autoridades. Escrevo, enfim, ao meu jovem interlocutor. Quero justificar as razões do meu otimismo. O Brasil está, de fato, passando por uma profunda crise ética. A corrupção, infelizmente, sempre existirá. Ela é a confirmação cotidiana da existência do pecado original. Mas uma coisa é a miséria do homem; outra, totalmente diferente, é a indústria da corrupção. Esta, sem dúvida, deve e pode ser combatida com os instrumentos de uma sociedade democrática.

A simples leitura dos jornais oferece um quadro assustador do cinismo que se instalou nas entranhas do poder. Os criminosos, confiados nos precedentes da impunidade, já não se preocupam em apagar as suas impressões digitais. Tudo é feito às escâncaras. Quando pilhados, tratam de desqualificar a importância dos fatos. Atacam a imprensa e lançam cruzadas contra suposto prejulgamento. Mente-se com o mesmo cinismo do futebolista que nega a clamorosa evidência de um pênalti redondo.

E o presidente Lula, amigo e compadre de Roberto Teixeira? Sua reação, tendo em conta inúmeros precedentes, é de uma previsibilidade acachapante. Sua Excelência, invariavelmente, percorre o mesmo itinerário. Nada sabe e nada vê. Acuado pela força irresistível dos fatos, declara-se traído. E, num recorrente jogo verbal, finge desconhecer a gravidade dos episódios. Crime, na surpreendente lógica presidencial, é erro. O curioso silogismo de Lula é gravíssimo, pois está esgarçando a consciência ética da sociedade. O exemplo que vem de cima sempre tem conseqüências. Para o bem ou para o mal. Na verdade, a opção do presidente da República, triste e lamentável, foi feita há anos em Paris. Pressionado pela crise do mensalão, Lula negava o óbvio. Questionado, então, sobre o caixa 2, disse que o PT só tinha feito o que era feito sistematicamente no Brasil. Falando claro: o presidente da República renunciou ao seu papel constitucional, avalizou a prática do crime e, no mínimo, foi leniente.

Há em todos nós um instinto de autenticidade. O cidadão honrado sabe confrontar o brilho do olhar limpo com a mirada opaca dos cínicos. O povo pode até ser enganado. Mas um dia, talvez antes do que se pensa, a casa desabará. “O que acontecerá”, escrevia Nietzsche, “quando cair a máscara?” Não ficará “mais do que um espantalho”. A advertência do filósofo é de grande atualidade. Está dirigida aos homens que caminham de costas para a verdade.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia E-mail: difranco@ceu.org.br

 

 

Site da AMVVAR
30/06/2008

Passeata & Missão - Renovadas
Cmro. Bolognese
Assessor de Imprensa - AMVVAR

Prezados colegas,

As passeatas foram um sucesso. Queremos manifestar nosso agradecimento a todos que participaram e contribuiram para que elas acontecessem. Menos é claro àqueles que as provocaram, colocando-nos na situação em que hoje nos encontramos.

Mas temos de lembrar que as manifestações públicas são apenas a face mais visível da nossa luta em busca dos nossos direitos. Com a energia renovada pela nossa ida às ruas, devemos continuar o penoso trabalho de cobrar das autoridades a devolução do que nos foi tomado. E apoiar quem quer que lute para que a aviação brasileira volte a ser respeitável, respeitando em primeiro lugar os seus trabalhadores.

Agora mesmo, temos notícia de um nefasto acordo de "Open Skies" que está sendo tramado a favor de empresas americanas para operar no Brasil. A favor, é claro, uma vez que não podemos nos equiparar ao tamanho das quatro grandes aéreas deles que voam para cá. Isto pode ser o efeito "Orloff", aquele eu sou você amanhã para os apressadinhos em querer devorar os ossos da pioneira contando que nada os incomodará. Pelo bem de seus trabalhadores pelo menos, que abram os olhos.

O governo não inovou ao criar esse caos que nos aflige. Apenas praticou a mesma incompetencia e irresponsabilidade habituais. Ao não aproveitar uma estrutura de qualidade como a da Varig, criou inúmeros problemas para o país e imensos prejuízos para os trabalhadores. Empobreceu um monte de gente e enriqueceu alguns compadres.

A ironia é que nós, as vítimas disso tudo, oferecemos as soluções que foram prontamente descartadas.

Já se disse uma vez que "a competição gera os melhores produtos e os piores homens". No caso da concorrencia predatória que ajudou a quebrar a Varig, a nossa criatividade tupiniquim conseguiu desmoralizar esse ditado. Criou-se até agora um produto ruim e os homens,..........alguns nós já conhecemos; todos jamais saberemos, mas é o bastante para perceber que nós, aos milhares, nunca padecemos tanto para o lucro de tão poucos.

Mas nós podemos ser esses melhores homens e mulheres, na medida em que nos dediquemos à busca dos nossos direitos. Desde que decidamos que o que nos define como cidadãos é a nossa capacidade de reverter essas injustiças e não o que nos foi imposto por essas mentes doentias.

Agora, na onda renovadora dessas últimas manifestações, lembremo-nos de que muito ainda há por fazer. Escrever aos políticos, à imprensa e a todas as instituições que nos possam compreender e dar apoio. Compreender sim, porque todos precisam saber que nós, trabalhadores e aposentados da Varig, somos os únicos que não precisamos esconder a origem dos valores que nos roubaram. Só precisamos saber onde os esconderam e tirá-los de lá. Buscar apoio sim, pois no estágio em que estão as coisas, não iremos a lugar algum sem agregarmos volume à nossa luta.

Mais uma vez, obrigado a todos e vamos em frente!

 

 

 

Tribuna da Imprensa
30/06/2008

E A NOSSA AVIAÇÃO ESTÁ INDO PELOS AIRES
Coluna Pedro Porfírio
coluna@pedroporfirio.com

"Havia um cheiro de podre. As minhas referências foram as guerras nas audiências da recuperação judicial, das quais participei. O Roberto Teixeira, advogado da VarigLog, queria levar vantagem em tudo: "de preferência eu não pago, de preferência eu prorrogo". Ele é um homem truculento, avança, fala alto, grosso e Waleska (filha) mais ainda".
Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero


Durante a manifestação do domingo, dia 29, a disposição de manter a luta por direitos elementares, que estão sendo desrespeitados com a chancela de um juiz.

Bem que venho escrevendo em letras garrafais e gritando em altos brados: o processo de recolonização do nosso torrão é tiro e queda. Só não vê quem é ruim da cabeça ou está drogado, entretido pelas engenhocas eletrônicas que entorpecem mais do que cocaína e bestializam mais do que conversa para boi dormir.

Pena que meio mundo não está nem aí. No horizonte perdido, qualquer prazer diverte a turba. Porca miséria. Quanto mais a gente reza, mais aparece assombração.

Nessa volúpia capitulacionista que começa na Amazônia de todas as riquezas e vai até a desnacionalização de nosso sistema aéreo, entra tudo, numa ocupação dissimulada até de nossas nuvens, com o solapamento solerte de nossa soberania e a anexação indolor de nossa economia às matrizes dos donos do mundo.

Vou te contar: a coisa está mais feia do que aparenta. Mais do que a lupa caseira alcança. É madeira de dar em doido.

O céu de mão beijada

Sem maiores estardalhaços, o governo brasileiro deu mole para as empresas de aviação dos Estados Unidos, aliás, como consta do script que principiou com o esfacelamento da Varig e outras companhias tradicionais, em benefício de um duopólio que não tem asas para ficar no ar e de violações grotescas da nossa Constituição, rasgada em pedacinhos, com a chancela de uma Justiça que, valha-nos Deus!

Ou você não sabe desses descuidos que vão desde o leilão que transferiu a Varig para os prepostos de um fundo abutre norte-americano e, na seqüência, da decisão judicial que deixou os "laranjas" no ora veja e entregou sem constrangimento o controle da Variglog, a subsidiária que comeu a mãe e a passou adiante, ao controle do próprio grupo alienígena, graças às peripécias do compadre do presidente, que mamou (por dentro) módicos 5 milhões de dólares, cooptou a corte toda, trocou as bolas e acertou tudo como o diabo gosta?

Agora vêm os peraltas da Anac (certamente orie ntados pela Casa Civil) e estendem o tapete nebuloso tecido por nossas nuvens para as companhias do Tio Sam voarem e rolarem, numa jogada da pesada, através de um acordo de cartas marcadas que franqueia geral os vôos entre os dois países.

Como aqui nossos aviões já não dão nem pro gasto doméstico, o tratado é mamão com açúcar para as companhias norte-americanas, que contam com o apoio total e absoluto do seu governo, conforme juras da secretária de Transportes dos EUA, Mary Peters.

- Esse acordo vai ajudar as empresas (de lá) a satisfazerem a crescente demanda por serviços de passageiros e de carga entre EUA e Brasil. Agora, é crucial que demos às companhias americanas toda a oportunidade possível de competir e ter êxito seja onde for que os passageiros queiram visitar.

Pelo acordo de compadres, o céu não tem limite. Daqui por diante, qualquer aérea dos dois países poderá participar desse transporte. Também será permitido, pela primeira vez, o code-share (compartilh amento de vôos) entre empresas brasileiras e americanas com companhias de terceiros países interessadas nas rotas entre Brasil e EUA.

Não é bem um negócio da China, porque o Lap Chan, o dono da bola no estrago da Varig, não está na fita. Mas já explodiu nos nossos hangares, como advertiu Ronaldo Jenkins, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas.Segundo ele, isso vai permitir que apenas as companhias americanas aumentem o número de vôos para o Brasil.

- Dos 105 vôos semanais para os EUA, as empresas brasileiras têm 35. A tendência é que essa participação caia. A medida visa a atender às empresas dos EUA - disse Jenkins, com o sentimento de que bateram sua carteira.

Também pudera. Cada dia a gente fica sabendo do mau comportamento da dona Dilma (que matou a menina que havia naqueles sonhos) virou a coroa esperta e está deixando o Zé Dirceu no chinelo.

A notícia de ontem foi a gravação sobre a pressão exercida diretamente sobre a Infraero para facilitar o n egócio da transferência da Varig para a Variglog, propriedade da Volo do Brasil, máscara da Volo Lac, que, por sua vez, era posse do Fundo Martin Peterson. Que confusão!

Mesmo com a confessa desconfiança de ilegalidade no processo - hoje se sabe que ocorreu fraude no aval concedido para a venda da VarigLog para a Volo -, o brigadeiro José Carlos Pereira disse que votaria "conforme orientação da Casa Civil", mas tinha sérias dúvidas se aquilo não significaria um calote de cerca de R$ 740 milhões.

O voto aconteceria na assembléia de credores da Varig no mês seguinte, aquela em que a quinta-coluna Graziela, presidente do Sindicato dos Aeronautas, foi uma verdadeira fada-madrinha do "china" esperto. Naquele dia, iluminaram a pista para o leilão da Varig, que foi comprada pelos "laranjas" do fundo abutre, num abrir e fechar d` olhos, a preços de Casa Bahia, com as bênçãos do juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, justo no dia de Santos Dumont. Qu e canalhice!

Sob os aplausos gerais

Ontem, meu coração sangrou: outra caminhada do pessoal da Varig e do Aerus, outra demonstração da mais cálida solidariedade do povo que recebia com aplausos os manifestantes ao longo da praia de Ipanema.

Já que fazem tantas pesquisas, por que não ouvem os contribuintes a respeito desse crime contra a Varig, seu pessoal e a aviação comercial brasileira?

O governo, que soube atender à bancada ruralista e mandar para as calendas R$ 90 bilhões de dívidas do agro-negócio, por que não paga a defasagem tarifária, faz uma "mea culpa", bota a bola no meio de campo e começa o jogo de novo?

Ou será preciso que o pessoal roubado em seus direitos faça que nem o MST e ocupe um aeroporto, gritando que só sai dali com uma resposta decente do governo? Ou então faça que nem os aposentados da Petros, que tiraram a roupa e se mostrarem de corpo inteiro diante do Palácio do Planalto?

Se o pessoal da Varig e do Aerus mandar brasa pra valer, não parar mais, no mínimo vão ter de pagar as dívidas trabalhistas e fazer com o Aerus o mesmo que fizeram com o Portus, assegurando aos seus aposentados o retorno do produto de suas contribuições ao longo de décadas.

O petróleo é deles

Neste sábado, fui honrado com um conciso artigo do historiador Wladmir Coelho, diretor Científico da Fundação Brasileira de Direito Econômico. É um olhar arguto e preocupante sobre o complô para corroer a Petrobrás na maior sem cerimônia, num golpe eivado de sofismas.

Veja o que o mestre em direito escreveu:

"O ministro das Minas e Energia Edson Lobão anunciou no último dia 27 - em entrevista ao jornal Valor Econômico - sua proposta de privatização final do petróleo brasileiro a partir da criação de uma empresa estatal cujo objetivo seria contratar companhias como Petrobrás, Esso e Shell para exploração petrolífera.

A entrevista apresenta-se repleta de termos "patrióticos" e "nacionalistas" afirmando sua exa. que a nova empresa seria "100% da União 100% do povo brasileiro", ao contrário da Petrobrás, cujo controle estatal estaria situado - ao que podemos concluir da fala do Sr. Lobão - no campo do simbólico com apenas 40% em mãos do governo brasileiro.

O modelo proposto ao governo para "salvação" do petróleo brasileiro segue a fórmula neo-liberal dos "contratos de riesgo compartido" adotados na Bolívia em 1996 através da lei 1689 tardiamente traduzido pelo ministro Lobão de "contrato de partilha da produção". Nesta modalidade contratual o petróleo continuaria como propriedade da União conforme determina as constituições do Brasil, da Bolívia e grande parte dos países produtores deste valioso mineral, entretanto sua exploração seria entregue as empresas particulares"

 

 

Coluna Claudio Humberto
30/06/2008 - 10:24h

Ex-funcionários da Varig exigem o pagamento de direitos trabalhistas


Eles também se manifestaram contra os escândalos.

Cerca de mil funciónários, alguns com seus inesquecíveis uniformes azul e branco (foto) protestaram em passeata no Rio neste domingo, exigindo o pagamento das dívidas trabalhistas e das pensões do fundo da categoria, o Aeros. Eles percorreram a orla de Ipanema, zona sul da cidade, com cartazes e faixas, e distribuíram laranjas, numa referência ao escândalo envolvendo a venda da empresa. Um deles colocou laranjas no chapéu (foto). A maioria, com mais de dez, vinte anos na velha Varig, hoje passam por gravíssimos problemas financeiros, dependendo da ajuda de parentes e amigos para sobreviver.

Querosene aéreo subirá 3,6% em julho

A Petrobras já avisou às distribuidoras de combustíveis que o preço do querosene de aviação (QAV) subirá 3,65% em primeiro de julho. Com o novo reajuste, o produto acumula alta de 35,5% no ano. O aumento não foi significativo em relação ao mês passado, que subiu 8,83%. O combustível é reajustado pela Petrobras uma vez por mês e acompanha as oscilações do preço do petróleo no mercado internacional e representa cerca de 40% dos custos das companhias aéreas. Os cálculos do QAV foram feitos pelo Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (Snea).

Aeroporto de doido

Um inacreditável problema no Galeão, noticiado pela coluna em 2007, foi resolvido pelo Ministério Público Federal: a Infraero vai permitir o acesso de veículos no desembarque. Antes, só no embarque ou pagando (caro).

 

 

Jornal do Brasil
30/06/2008

O Estado de São Paulo
Caso VarigLog beneficia Lap Wai Chan
Cláudio Magnavita
Jornalista

O noticiário sobre os problemas que a VarigLog enfrenta migrou das páginas de economia para a de política dos jornais brasileiros. A comprovação da presença do advogado Roberto Teixeira, em pelo menos seis diferentes ocasiões, no Palácio do Planalto, tem sido o combustível das manchetes.

O reconhecimento público do pagamento de honorários superiores a US$ 5 milhões pagos pelo fundo Matlin Patterson e pelas suas diferentes empresas transforma o advogado da região do Grande ABC em dono de uma das mais bem remuneradas bancas de advocacia de toda a América do Sul.

Não se trata de um raro caso do "estalo de Vieira", que de uma hora para outra transformou Roberto Teixeira em detentor de um inquestionável saber jurídico, capaz de remunerar literalmente o seu peso em ouro. Ao contrário do padre jesuíta português Antônio Vieira, que de uma hora para outra se viu tocado pelo dom divino da eloqüência, o advogado ganhou os seus primeiros milhões por meio da capacidade de abrir portas palacianas.

Ao se especializar em advogar para a aviação comercial, Teixeira escolheu uma atividade de capital intensivo, totalmente dependente do poder concedente: o governo federal. Na Transbrasil, conseguiu postergar por anos os espaços aeroportuários da empresa. Carlos Wilson, presidente da Infraero no primeiro governo Lula, fechou os olhos para a ocupação das áreas ociosas da empresa. Ele tentou se aproximar da antiga Varig, levado pelas mãos de Daniel Mandelli, ex-presidente da TAM, que chegou a atuar como consultor da empresa e depois que foi demitido. O pleito de Teixeira foi rechaçado pela Varig, antes da recuperação judicial.

Uma análise do processo de venda da VarigLog e da própria Varig revela que a sua atuação foi mais teatral do que efetiva. Conseguiu, sim, de forma concreta, contrapor o lobby que a TAM instalou na Casa Civil, na época do ex-ministro José Dirceu, e que posteriormente migrou para uma diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Nem o presidente Lula e nem Dilma Rousseff favoreceram a Varig a pedido de Roberto Teixeira, como revela Marco Antonio Audi, um dos responsáveis pela contratação do advogado, que, segundo ele, "é capaz de fazer chover". A tentativa de envolver o presidente da República e a chefe da Casa Civil é feita de maneira superficial. Quem conhece a fundo o processo e a soberania da 1ª Vara Empresarial do Rio sobre a recuperação judicial da Varig, sabe que não existe nada de concreto que favoreça os processos de certificação das duas empresas.

A linha direta presidencial do profissional de direito dobrou a atuação de obstrução de uma solução para a Varig, que tinha origem na atuação das empresas concorrentes. O fato de Teixeira falar com o presidente inoculou o veneno destilado pela TAM e pela Gol, que queriam ver o fim da Varig, ou então comprá-la na bacia das almas.

O foco político dado ao problema criou uma cortina de fumaça sobre a situação da VarigLog, que está sendo benéfica ao Matlin Patterson, dos Estados Unidos. Ninguém fala mais do empresário Lap Wai Chan, representante da empresa americana, que continua mandando na VarigLog e se prepara para uma solução jurídica no caso de a Anac decidir não concordar com a gestão estrangeira na empresa, como manda a legislação do país.

A responsabilidade pela insolvência da VarigLog deve ser dividida pela gestão do Matlin Patterson e pela decisão judicial da 17ª Vara Cível de São Paulo. Ao afastar os sócios brasileiros, o juiz Luiz Paulo Camargo Magano colocou a empresa em situação irregular perante a Anac. Foi na gestão tutelada pela Justiça que, pela primeira vez, a frota da empresa foi paralisada pela Anac por manutenção imprópria. A demissão de quase mil funcionários ocorreu de forma sumária e, entre eles, incluem-se os mecânicos responsáveis pela manutenção da companhia. Tudo isso com a fiscalização de auditores da Justiça, que recebem salários altíssimos.

O fundo dos Estados Unidos manda na VarigLog. Lap Wai Chan continua tocando o dia-a-dia da empresa. Roberto Teixeira continua como seu advogado e recebe pela missão que lhe foi outorgada. Uma teia de "coincidências" judiciais em São Paulo garante a continuidade da burla do artigo 181 do Código Aeronáutico em beneficio de Chan e do fundo de investimentos Matlin Patterson. Enquanto isso, são esquecidos os verdadeiros protagonistas e tenta-se dar uma dimensão de escândalo político à simples atuação de um advogado, que remunerado de forma milionária, usou indevidamente o nome do amigo presidente para pressionar um terceiro escalão, que, a exemplo da mídia, acreditava em um endosso presidencial para cada passo de Roberto Teixeira e de sua família.

O papel de Teixeira tem sido muito mais de bufão do que de Rasputim da corte petista. Hoje milionário, pelo engodo que protagonizou, deveria ser punido pelo constrangimento que causa ao amigo. Poderia receber como pena o banimento público dos corredores oficias de Brasília.

 

 

Portal Exame
29/06/2008 - 18:12h

Ex-funcionários da Varig fazem protesto no Rio
Por Daniele Carvalho
Agência Estad
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Rio - Cerca de um mil ex-funcionários da companhia aérea Varig realizaram hoje pela manhã, no Rio, uma manifestação para exigir o pagamento de dívidas trabalhistas da companhia e o repasse de créditos ao fundo de pensão complementar da categoria, o Aeros.

Durante a passeata, que percorreu ruas em Ipanema, na zona sul da capital fluminense, foram distribuídas laranjas para chamar a atenção da sociedade sobre a série de escândalos em torno da venda da empresa.

De acordo com uma das organizadoras do evento, Ângela Arend, os ex-funcionários não receberam as indenizações trabalhistas referentes à demissão realizada pela companhia em 2006, época do leilão de venda da Varig. "Também reclamamos depósitos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que não foram feitos, bem como o pagamento de salários e de duas gratificações de décimo terceiro salários", diz Ângela, que trabalhou por 26 anos na companhia aérea como comissária de bordo.

Já em relação ao Aeros, os manifestantes cobram o repasse de créditos, estimados pelas associações de funcionários em R$ 3,2 bilhões, provenientes do congelamento de tarifas, realizado durante o governo Sarney. "Todas estas irregularidades abrem precedentes para que outros empresários adquiram companhias e não arquem com os passivos trabalhistas. Cerca de 75% dos ex-funcionários da Varig ainda estão desempregados", acrescenta Ângela. Uma nova passeata já está sendo articulada pelas associações e deve ocorrer nas próximas semanas.

 

 

Estadão
29/06/2008 - 15:30h

Ex-funcionários da Varig protestam pela venda da companhia
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o caso sobre a venda da empresa aérea 'está encerrado'

Rio de Janeiro - Cerca de mil ex-funcionários da Varig realizaram no sábado, pela manhã, na Praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, manifestação para exigir o pagamento de dívidas trabalhistas da companhia e o repasse de créditos ao fundo de pensão complementar da categoria, o Aeros.

Durante a passeata, que percorreu ruas em Ipanema, na zona sul, foram distribuídas laranjas para chamar a atenção da sociedade sobre a série de escândalos em torno da venda da empresa. Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em Caracas, que o caso sobre a venda da companhia aérea "está encerrado".

De acordo com uma das organizadoras do evento, Ângela Arend, os ex-funcionários não receberam as indenizações trabalhistas referentes à demissão realizada pela companhia em 2006, época do leilão de venda.

"Também reclamamos depósitos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que não foram feitos, bem como o pagamento de salários e de duas gratificações de décimo terceiro salários", diz Ângela, que trabalhou por 26 anos na companhia aérea como comissária de bordo.

Já em relação ao Aeros, os manifestantes cobram o repasse de créditos, estimados pelas associações de funcionários em R$ 3,2 bilhões, provenientes do congelamento de tarifas, realizado durante o governo Sarney.

"Todas estas irregularidades abrem precedentes para que outros empresários adquiram companhias e não arquem com os passivos trabalhistas. Cerca de 75% dos ex-funcionários da Varig ainda estão desempregados", acrescenta Ângela. Uma nova passeata já está sendo articulada pelas associações e deve ocorrer nas próximas semanas.

 

 

Folha de São Paulo
29/06/2008

Proposta melhor da TAM pela Varig foi descartada, diz Audi
Sócio da VarigLog diz que teve de aceitar a oferta da Gol para evitar suspensão de vôos
Segundo ele, fundo não quis capitalizar Varig a fim de que empresa sobrevivesse por mais dias à espera de avanço de conversas com a TAM

ALAN GRIPP
EM SÃO PAULO MAELI PRADO
DA REPORTAGEM LOCAL

A quatro dias de seu depoimento no Senado, o empresário Marco Antonio Audi, sócio afastado da VarigLog, levanta novas suspeitas sobre a venda da Varig para a Gol, em março de 2007. Segundo ele, contra a vontade dos sócios brasileiros, a VarigLog se desfez da Varig em um negócio fechado às pressas e descartou uma proposta, da TAM, de quase o dobro do valor pago.

Em entrevista à Folha, Audi sustenta que ele, Eduardo Gal- lo e Marcos Haftel foram "obrigados" a aceitar a proposta menor para evitar a suspensão forçada das operações da companhia aérea, diante da inércia do sócio estrangeiro da Varig- Log, o fundo de investimento americano Matlin Patterson. "Estavam em jogo 9.000 empregos", afirma.

Segundo o empresário, o fundo, representado pelo chinês Lap Chan, recusou-se a capitalizar a empresa em R$ 10 milhões, valor necessário para a Varig, em dificuldade financeira, manter suas operações por mais alguns dias e esperar o avanço das conversas com a TAM. Esta, afirma ele, tinha pedido mais uma semana.

Audi diz que a TAM estava disposta a pagar US$ 738 milhões pela Varig -US$ 418 milhões a mais do que o desembolsado pela Gol. A TAM nega ter feito proposta formal, assim como o fundo.

Audi afirma que o escritório do advogado Roberto Teixeira (compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), que defendia a VarigLog, era, a princípio, contra o negócio. Mas que mudou de opinião subitamente, ficando responsável pelo "data room" (espaço de divulgação de informações a interessados no negócio).

"Foi uma virada súbita, total. Primeiro ele [Teixeira] era contra e de repente está abrindo as portas para o comprador da VRG [a parte ativa da Varig]. Ninguém muda de opinião dessa maneira se não tiver grande interesse", disse o sócio afastado da VarigLog, sem apresentar, contudo, provas de que Teixeira tenha obtido vantagem. O advogado diz que a sua atuação na venda da VarigLog foi profissional e que os pagamentos recebidos por serviços prestados estão registrados.

O empresário disse que a Gol não aceitou adiar o negócio, deixando-o sem escolha. "Constantino Júnior [dono da Gol] nos disse: "Ou saio daqui dono da Varig ou vocês nunca mais vão me ver"." "Aí a gente vendeu para a primeira que pagasse. Se não pagasse, as duas empresas iriam quebrar naquele momento.


O Matlin Patterson afirmou que a TAM nunca concretizou proposta formal pela Varig. "A Gol foi a interessada que apresentou a melhor proposta", disse o fundo, por meio de sua assessoria de imprensa. A TAM afirma que desistiu de comprar a Varig porque considerou que o negócio era arriscado.

 

 

Folha de São Paulo
29/06/2008

TAM não havia desistido da Varig até a data da venda, afirma sócio
Marco Audi diz que poderia ter vendido a companhia aérea pelo dobro
EM SÃO PAULO
DA REPORTAGEM LOCAL

Leia abaixo trechos da entrevista de Marco Antonio Audi à Folha na última sexta-feira.

FOLHA - Por que a VarigLog decidiu vender a Varig?
MARCO ANTONIO AUDI - A gente estava muito apertado, com uma perna no precipício. Uma empresa dessas, se não tiver mais dinheiro, pára. Chegamos à conclusão de que não tínhamos dinheiro, tínhamos de vender. Quatro empresas tinham interesse na Varig: Gol, TAM, LAN Chile e Air Canada.

FOLHA - E por que a Varig foi vendida para a Gol?
AUDI - A gente tinha de vender para a primeira que pagasse, senão as duas empresas [a Varig e a VarigLog] iriam quebrar. A TAM precisava de mais tempo para estudar seu interesse real ou não, e a Gol estava pronta para pagar. Lap Chan negociou com o Constantino Júnior e disse: "Vamos fechar com a Gol mesmo". Eu falei: "Não, vamos esperar a TAM, a gente vai vender pelo dobro".

FOLHA - E por que não esperaram?
AUDI - Os caras [a TAM] tinham pedido uma semana. Falei com ele [Lap Chan]: "Me dá R$ 10 milhões que eu sobrevivo esta semana". E ele disse: "Não, vocês se viram". Ainda tentamos conversar com o Júnior, num encontro no hotel Caesar [em São Paulo]. Queríamos convencê-lo a esperar o fim de semana. Ele disse: "Eu não agüento mais essa situação. Ou saio daqui dono da Varig ou vocês nunca mais vão me ver".

FOLHA - Não tinha outra saída?
AUDI - Faltavam R$ 4 milhões. Era nada perto do faturamento dessas empresas. Mas pegar um empréstimo assim de uma hora para outra não é fácil. A Shell virou e disse: "Se vocês não pagarem até as 3h, vou parar o abastecimento".

FOLHA - O que houve para que Lap Chan optasse por um negócio desvantajoso?
AUDI - A gente não entende o porquê. Há várias suposições.

FOLHA - A TAM alega ter desistido do negócio...
AUDI - Até a data da venda, eles [a TAM] não tinham desistido. Antes de anunciar a venda para a Gol, nós nunca tivemos uma negativa da TAM. Os advogados deles participaram [das negociações] naquela semana.

FOLHA - Qual foi a posição do Roberto Teixeira?
AUDI - Ele teve uma virada súbita. Primeiro ele era contra e, de repente, está abrindo as portas para o comprador da VRG [Audi cita a fotografia de Teixeira ao lado dos donos da Gol no elevador do Palácio do Planalto, no dia da compra da Varig]. Vou deixar para a sua imaginação. Só que ninguém muda de opinião assim se não tiver um grande interesse.

FOLHA - Quando vocês contrataram Teixeira, ele se "vendeu" como alguém capaz de influir em decisões do governo?
AUDI - A única coisa que ele não me falou é que ele era compadre do Lula. As pessoas até brincam que eu sou mal informado. Fiquei sabendo que ele era parente do Lula três dias depois, quando saiu no jornal.

FOLHA - E o que ele falou?
AUDI - Ele disse: "Deixa comigo, tenho muita entrada no [setor] regulatório, conheço tudo na Infraero". Esse tipo de coisa ele vendeu". Tanto vendeu que a gente o contratou. Ele vendeu muito bem. Assinei contrato com ele e tinha uma taxa de sucesso. Mas tem uma coisa que preciso falar. O presidente é mais uma vítima do Teixeira, não dá para acusá-lo.

FOLHA - Como assim?
AUDI - Ele chega num servidor público de segundo escalão e faz aquela pressão. É assim que se faz um tráfico indireto de influência.

FOLHA - O que isso quer dizer?
AUDI - O tráfico direto é por meio de quem trabalha no governo. A Valeska Teixeira [advogada filha de Roberto Teixeira, afilhada de Lula] age assim: chega perto de um funcionário público e comenta: "Vamos para Brasília e vamos ficar na casa do dindo [Lula]". Imagina para um funcionário público ouvir isso. O cara já fica tremendo.

Frase:
Lap Chan negociou com o Constantino Júnior e disse: "Vamos fechar com a Gol mesmo". Eu falei: "Não, vamos esperar a TAM, a gente vai vender pelo dobro'
MARCO ANTONIO AUDI
sócio afastado da VarigLog

 

 

Folha de São Paulo
29/06/2008

Aumenta concentração em aeroportos brasileiros
Participação dos aeroportos locais no mercado caiu de 1,6% para 1% entre 1998 e 2008
Concentração excessiva dos vôos é um dos fatores que levaram ao caos aéreo no país, de acordo com estudo do ITA do ano passado

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Nos últimos dez anos, 44 aeroportos brasileiros deixaram de ser atendidos por vôos regulares. Em 1998, 199 aeroportos eram cobertos por alguma companhia aérea de maneira constante. Neste ano, o número caiu para

155. Desses 44 aeroportos, 32 (72%) são "locais" -movimentam menos de 0,05% do total de passageiros do sistema aéreo. Em 1998, eram 137 aeroportos locais com linhas regulares. Hoje são 105. Os dados são de um estudo da Abetar (Associação Brasileira de Empresas de Transportes Aéreos Regionais) em parceria com o Ministério do Turismo.

A região Norte foi onde mais aeroportos deixaram de ser atendidos por vôos regulares: 13 entre 1998 e 2008. Na seqüência vem a região Sudeste, com dez aeroportos, seguida por Centro-Oeste (nove), Sul e Nordeste (seis cada uma).

O estudo relata concentração dos vôos nos aeroportos localizados em grandes centros urbanos, como São Paulo (Congonhas e Cumbica) e Brasília. Como são rotas em que são maiores a demanda por vôos e a rentabilidade, elas ganham a prioridade das companhias aéreas.

De acordo com o estudo, apenas 16 aeroportos brasileiros concentram 84% do movimento de passageiros. A participação dos aeroportos locais no mercado caiu de 1,6% para 1% entre 1998 e 2008.

Essa tendência de redução da cobertura aérea e alta concentração no setor já havia sido mostrada por estudo do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em 2007. A concentração excessiva dos vôos foi indicada como um dos fatores que levaram ao caos aéreo nos principais aeroportos do país.

Entre as razões apontadas pelo estudo para a redução da cobertura aérea no Brasil, está o preço do combustível. Houve um aumento grande no valor do querosene no período. Além disso, as refinarias se concentram no Sudeste, encarecendo os custos para as empresas que operam em outras regiões.

Em entrevista na semana retrasada, o ministro Nelson Jobim (Defesa) anunciou que vai se reunir com as grandes e pequenas empresas do setor para discutir essas questões.

Para o o presidente da Abetar, Apostole Lazaro Chryssafidis, é o usuário quem perde com a redução de aeroportos com vôos regulares. "Como não há opção, precisa, às vezes, deslocar-se por longas distâncias até um aeroporto maior. Ou então desiste e viaja de carro."

 

 

Folha de São Paulo
29/06/2008

Alta do combustível eleva tarifa de companhias aéreas de baixo custo
Empresas americanas aumentam valores de passagens e buscam alternativas
DO "NEW YORK TIMES"

Por anos, a Southwest Airlines e a JetBlue operaram sob limites voluntários de preços de passagem, prometendo aos viajantes que nenhum trajeto custaria mais de US$ 299.

Bons tempos, aqueles. Agora, se você quiser viajar de Boston para Long Beach (Califórnia), a passagem da JetBlue custará US$ 599. Uma passagem só de ida de Manchester (New Hampshire) a Ontario (Califórnia) agora é vendida por US$ 414 pela Southwest.

As linhas aéreas de baixo custo nos EUA já não custam tão pouco. O preço do combustível de aviação -que subiu mais de 80% em 2007- está forçando as empresas a elevarem acentuadamente algumas de suas tarifas e a se reinventarem para atrair não apenas os interessados em baixos preços mas também os viajantes de negócios, que em geral compram suas passagens no último momento e por isso pagam mais caro.

"A realidade é que os preços das passagens têm de subir", disse Davis Ridley, vice-presidente de marketing e gestão de receita da Southwest. "A aritmética não funciona se transportarmos cinco pessoas pelo país por US$ 99."

Companhias aéreas como a Southwest, a JetBlue e a AirTran conseguiram oferecer passagens baratas por anos devido aos seus custos operacionais mais baixos, propiciados por fatores como frotas de aviões mais simples e redes menos extensas de rotas. Os preços baixos e o rápido crescimento que elas obtiveram forçaram as companhias de maior porte a reduzirem tarifas sempre que essas concorrentes chegavam a um novo mercado.

Elas continuam a oferecer bons preços para os passageiros que compram passagens com muita antecedência, viajam fora de temporada ou em horários menos populares. Mas, em termos gerais, está se tornando mais difícil encontrar uma pechincha, e elas agora começam a acompanhar as rivais maiores na alta das passagens, que já subiram 18% até agora. Os especialistas do setor dizem que a linha que separa as companhias de baixas tarifas e as maiores empresas do setor está se estreitando. "Não temos mais a imensa diferença que existia no começo da década", disse Philip Baggaley, analista da Standard & Poor's. A JetBlue e a AirTran, que seguiram o exemplo das companhias maiores e estão cobrando pelo embarque de bagagem (a partir da segunda mala), dizem que estão tentando encontrar um ponto de equilíbrio. "As companhias de baixas tarifas não são imunes aos preços do petróleo", disse Robert Fornaro, presidente da AirTran.

A JetBlue alterou uma de suas normas originais para se tornar mais atraente aos viajantes de negócios. A partir de janeiro, ela introduziu passagens restituíveis, que, segundo ela, custam entre US$ 50 e US$ 100 a mais do que as passagens que não oferecem devolução. Elas são vendidas principalmente a viajantes de negócios.

 

 

Informe AMVVAR
27/06/2008

MOÇÃO
PELA JUSTIÇA NO CASO DO FUNDO DE PENSÃO DOS PROFISSIONAIS DA VARIG

Esta Comissão de Direitos Humanos e Minorias, depois de realizar, no dia 25 de junho de 2008, audiência pública sobre os direitos dos funcionários aposentados da Varig, manifesta sua preocupação com a perda da integralidade dos seus vencimentos, reduzidos a 50% e, em alguns casos, a menos disso.

A esperança que restou é que seja tomada decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a ação que visa repor e quitar os valores das tarifas aéreas congeladas nos anos 1980. A quantia é suficiente para salvar o Aerus e resolver os problemas de aposentados e pensionistas que vivem sob a incerteza.

Seria extremamente injusto que, em conseqüência dos abusos que destruíram essa empresa que tanto deu ao País, os protagonistas daquele sucesso - os seus funcionários - que durante décadas contribuíram com o fundo para poderem desfrutar uma aposentadoria digna, venham a pagar pelas malfeitorias cometidas contra eles e contra a empresa.

É por essa razão que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias dirige-se, respeitosamente, aos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal, para se somar a todos os que aguardam a inclusão do referido processo na pauta dessa Egrégia Corte.

Brasília, 26 de junho de 2008

Deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS)
Presidente

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