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  • Panrotas
    26/11/2020

    Adoção dos protocolos globais pode acelerar retomada da aviação
    Juliana Monaco

    O processo de retomada do transporte aéreo e as perspectivas da indústria da aviação para 2021 foram temas discutidos na última terça-feira (24), no evento Air Connect DX, durante o painel Agenda Estratégica da Abear, Iata e Alta: Cenários Futuros da Aviação Comercial. Mediado pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, o debate contou com a participação do diretor-executivo e CEO da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta), José Ricardo Botelho, e do diretor Brasil da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Dany Oliveira.

    Segundo Botelho, os países latino-americanos que se alinharam aos protocolos desenhados pelo grupo CART, da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), observam agora um retorno gradual do crescimento do mercado doméstico. O diretor-executivo defendeu ainda, em caso de exigência de exames antes do embarque, a testagem padronizada de passageiros, ao invés da adoção da quarentena. "A quarentena impacta a demanda. Quem vai querer viajar sabendo que deve passar 14 dias isolado ao chegar ao destino? Quando o passageiro percebe que existem protocolos que estão sendo seguidos desde o momento em que ele pisa no aeroporto, no embarque, durante o voo e até o desembarque, ele passa a voar com tranquilidade e isso é comprovado pelas pesquisas", disse.

    ATUAÇÃO PÚBLICO-PRIVADA

    Os participantes enfatizaram a atuação conjunta de governos e setor privado no mundo para fazer frente à crise na aviação durante 2020. "A partir da declaração de pandemia no primeiro semestre e após o fechamento das fronteiras, houve uma dificuldade inicial de padronizar o modo de operação, mas para que a indústria sobrevivesse, houve um trabalho intenso de adaptação de todo ecossistema", ressaltou Dany Oliveira.

    Em relação ao apoio financeiro dos governos à indústria, Oliveira informou que os valores chegaram a US$ 173 bilhões em 2020 e que, para 2021, a expectativa é de que sejam necessários pelo menos mais US$ 70 bilhões para as companhias aéreas. O diretor da Iata no Brasil ressaltou ainda que esse suporte deve ser pensado como investimento nos benefícios econômicos e sociais que a cadeia da aviação traz, citando o plano de mobilização que as empresas terão que montar para a distribuição das vacinas para a covid-19.

    Botelho mencionou que, diante da segunda onda de covid-19, as companhias aéreas europeias já negociam mais ajuda ao setor com seus respectivos países. "Na Europa, os países estão na segunda onda da ajuda econômica, entendendo que tudo depende do catalizador que é a aviação civil. Buscar soluções econômicas para ajudar - entre aspas - companhias aéreas, é ajudar o setor inteiro, pois há uma cadeia que depende da indústria aérea, como restaurantes, setor hoteleiro etc", disse.

    PERSPECTIVAS PARA 2021 NO BRASIL

    Quanto às perspectivas para a aviação civil em 2021, todos os participantes do painel concordaram que, além dos aspectos relacionados à pandemia, há três temas que devem ser trazidos de volta à agenda no Brasil: o combate ao excesso de judicialização no setor, a revisão da precificação do querosene de aviação e a atenção ao processo de eficiência da infraestrutura aeroportuária.

     

     

    O Globo
    26/11/2020

    Anac autoriza Boeing 737 MAX a voltar a voar no Brasil
    Gol tem mais 20 aviões desse modelo a receber. O equipamento passou quase dois anos parado, após dois acidentes
    Manoel Ventura e Glauce Cavalcanti

    BRASÍLIA — A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) liberou, nesta quarta-feira, a retomada dos voos com o Boeing 737 MAX no Brasil. No país, neste momento, apenas a Gol possui aeronaves deste modelo. Com sete aviões Max, numa frota de 128 equipamentos 737, vai receber outros 20.

    A decisão do órgão brasileiro segue a liberação feita da Agência Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês), que autorizou a volta da aeronave após um período de 20 meses no solo, o mais longo da história da aviação comercial.

    Os Boeing 737 MAX param de voar após acidentes aéreos na Indonésia e na Etiópia, que mataram 346 pessoas em cinco meses, em 2018 e 2019. Eles desencadearam uma tempestade de investigações, desgastaram a liderança dos EUA na aviação global e custaram à Boeing cerca de US$ 20 bilhões.

    Para liberar a retomada das operações com o avião, a Boeing promoveu mudanças no software da aeronave, design e treinamento de pilotos. As alterações foram acompanhadas por agências de todo mundo, além da Força Aérea dos EUA. Segundo a agência americana, essas mudanças deixaram o avião seguro para voar.

    "A Anac retirou a Diretriz de Aeronavegabilidade que restringia a operação do MAX no Brasil após concordar com a avaliação da FAA de que todos os elementos técnicos e regulatórios necessários para endereçar as questões de segurança foram realizados", informou a Anac em nota.

    Para a retomada dos voos, foi exigido pela FAA um novo treinamento de pilotos e atualizações do software montado como um sistema de prevenção do estol (ou perda de sustentação) chamado MCAS, que em ambos os acidentes repetidamente empurrou o nariz do jato para baixo enquanto os pilotos lutavam para recuperar seu controle.

    A Anac informou que dentre as exigências de projeto está a determinação para a reconfiguração do sistema de controle de voo desse modelo de aeronave, a correção do roteamento do conjunto de cabos, revisões de procedimentos incorporados ao manual de voo e testes de recalibração dos sensores.

    A preparação da Boeing incluiu centenas de horas dentro de um simulador de vôo do 737 Max em suas instalações de Longacres, em Renton, no estado de Washington, e centenas de horas no ar no mesmo avião de teste do 737 MAX sem oficiais da FAA a bordo.

    Além da FAA, o trabalho de certificação do 737 MAX também teve a participação da Anac, da autoridade europeia European Aviation Safety Agency (EASA) e a canadense Transport Canada Civil Aviation (TCCA). Essas agências são responsáveis pelo acompanhamento dos aviões da Embraer, Airbus e Bombardier, além da Boeing nos EUA.

    Desde abril de 2019, quando a Boeing iniciou as atividades para certificação das modificações propostas, a Anac vem participando de um grupo para análise desses estudos. Ao todo, cerca de vinte profissionais da agência brasileira, dentre engenheiros de diversas especialidades e pilotos, inclusive de ensaio de voo, participaram do processo, segundo o órgão.

    As companhias aéreas terão de realizar trabalhos de manutenção nos aviões estacionados nas pistas dos aeroportos por mais de 20 meses. Quanto às aeronaves armazenadas nas instalações da Boeing, estas precisarão ser examinadas por um inspetor da FAA antes de serem enviadas aos clientes.

    A Boeing estima que a crise do 737 MAX custou cerca de US$ 20 bilhões: US$ 11,3 bilhões para custos diretos e indiretos associados à produção e paralisação por vários meses, e US$ 8,6 bilhões relacionados à compensação oferecida às companhias aéreas. A companhia americana inclusive desfez uma união com a Embraer no Brasil.

    Mesmo com todos os obstáculos, a retomada das entregas do 737 MAX abrirá um canal crucial de receita para a Boeing e centenas de fornecedores de peças cujas finanças foram prejudicadas por cortes de produção relacionados à suspensão do jato.

    Gol: voos técnicos nos próximos dias

    A Gol afirma que vai iniciar a reativação de seus sete aviões B 737-Max e começar a realizar voos técnicos com todos esses equipamentos já nos próximos dias. Os procedimentos serão acompanhados pela Anac e também pela Boeing.

    A companhia, por meio de nota, afirma ainda que vai fazer "múltiplos voos técnicos adicionais" aos recomendados pelos agentes regulatórios, reforçanco o cuidado na retomada das operações.

    Ao todo, a Gol conta com 128 aviões Boeing 737 em sua frota. Por ora, apenas sete são Max. A aérea tem 95 pedidos firmes de equipamentos com a fabricante americana, com 20 aeronaves Max já prontas para serem entregues à brasileira. O prazo para que essas aeronaves venham dos Estados Unidos para o Brasil ainda não definido.

    Na divulgação de seu resultado no terceiro trimestre deste ano, no início deste mês, a companhia aérea já havia frisado que a liberação do avião da Boeing para retomada das operações estava próxima. E que seu retorno à frota em operação da Gol ajudaria em redução de custos, já que o Max-8 consome 15% menos combustível que o 737-800 NG, usado pela empresa.

     

     


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