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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
21/09/2018

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extra.globo.com
21/09/2018

Comissário de bordo internacional: histórias da profissão que garante a volta ao mundo

As lembranças não poderiam ser melhores. Aos 56 anos, o guia de turismo Henrique Joriam é só sorrisos largos quando fala da profissão que o levou a destinos antes inimagináveis: de 1992 a 2006, ele exibiu, orgulhoso, o uniforme de comissário de bordo internacional. A promessa que atraiu o carioca é o que vale ainda nos dias de hoje. Além de bons salários, a ocupação rende a possibilidade de conhecer lugares e culturas diferentes a cada escala, exercitar outros idiomas e ainda ter uma equipe nova a cada viagem.


Henrique Jorian, ex-comissário de bordo internacional

Ser comissário de bordo é ter a certeza de uma vida intensa, cheia de surpresas, descobertas e mistérios. É sair de 40 graus positivos e chegar a 20 graus negativos em questão de horas. É ficar na expectativa da próxima escala para saber se vai para Los Angeles, Paris, Tóquio ou Milão. Se tiver capacidade para entender a oportunidade que ganhou da vida, você pode aprender sobre arte e arquitetura medieval, barroca, gótica ou neoclássica, além da arquitetura moderna, tudo ao vivo. Você pode desfrutar dos sabores sofisticados da França, experimentar quitutes orientais em Tóquio ou Bangkok ou apenas uma salsicha com mostarda em Munique. Tem melhor forma de aprender?", derrete-se Joriam ao contar as experiências que desfrutou a bordo dos aviões da Varig, nos bons tempos da companhia, que fechou definitivamente em 2007.

Para abraçar a profissão, no entanto, é preciso se adequar aos critérios básicos. Mulheres, por exemplo, devem ter, no mínimo, 1,58 metro de altura. Já os homens devem ter a partir de 1,65 metro. Você fala inglês? Pois, saiba, é preciso ter fluência na língua de Shakespeare. E quanto mais destreza e habilidade em outros idiomas, mais pontos você garante nas boas companhias internacionais.

O preparatório para carimbar o passaporte mundo afora, com emprego garantido, inclui os cursos de formação e especialização específicos para a função, que devem ser feitos em escolas homologadas pela Agência Nacional de Aviação (ANAC). As aulas vão de postura a maquiagem, passando por lições de sobrevivência seja nas nuvens, em mar aberto ou na selva. São pelo menos 138 horas de aulas até o exame final, que habilita para a profissão.

Henrique Joriam, hoje guia de turismo no Rio de Janeiro

Joriam seguiu todo o ritual e exigências para fechar o percurso até a licença para trabalhar. Mas adiantou etapas. "Não foi fácil. Eu não quis esperar o tempo passar para chegar a minha vez e fui buscar uma maneira mais rápida, que foi aprender um idioma oriental. Em dois anos, estudei muito e aprendi o coreano e depois o tailandês, o que facilitou a minha entrada e a permanência na profissão", conta, ele que fala inglês, francês, espanhol e italiano.

Somando as viagens a trabalho, os roteiros de férias com os descontos que a aviação proporcionava, Joriam conheceu nada menos do que 50 países no período em que foi comissário internacional. Conselhos para quem pretende ingressas na profissão agora? Ele tem: "Vá com o que você tem e de cabeça aberta. Você vai perceber que muitos dos seus dogmas são errados e muito do que acredita estar certo pode ser o oposto do que você pensa. Mas, para chegar a conclusões como essas, tem que estar preparado para aprender, tem que ser muito mais do que gostar de Van Gogh", afirma ele, dando o recado.

As viagens de Joriam renderam também o livro, “A gente se vê por aí!” (Ibis Libris editora), no qual ele relata boa parte de suas aventuas. "Eu me tornei comissário de bordo para nunca mais parar de viajar. Devo admitir que tive sorte. Assim que a Varig acabou, e eu parei de voar, consegui um modo de ganhar a vida que manteve a essência do que eu mais procuro na vida, que é viajar", diz, com nostalgia, mas sem apego, já exibindo as fotos das viagens que faz, hoje, como guia de turismo internacional. A essência não muda.

 

 


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