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oglobo.globo.com
11/01/2018

Voo é cancelado e família só retorna ao Brasil dois dias após o previsto

A viagem da estudante Mariana Gouveia Lins dos Santos, de 22 anos, e familiares para passar o Natal e Ano Novo em Nova York era para ficar na lembrança pela diversão, passeios e compras, mas acabou em frustração na volta para casa. O voo de retorno, o 973 da American Airlines, que sairia na última sexta-feira, dia 5, às 21h55min, só decolou dois dias depois do aeroporto internacional John.F.Kennedy. Os passageiros tiveram que dormir no chão do aeroporto, receberam uma ajuda mínima para fazer apenas uma refeição e tiveram que implorar para que a companhia providenciasse travesseiros e cobertores. Especialistas afirmam que, em caso de cancelamento de voos por problemas climáticos, o passageiro tem direito à assistência, e que lei brasileira garante proteção ao consumidor mesmo fora do país. No entanto, nos Estados Unidos, esta não é a realidade.



Reclamações como a de Mariana sobre atrasos e cancelamentos de voos, em que faltam informação e assistência aos passageiros, são cada vez mais comuns. E os casos se multiplicam tanto em voos internacionais como nacionais, principalmente durante feriadões e períodos de férias.

Não nos deram nenhuma explicação e começaram a adiar o voo. Ficavam toda hora mudando o horário de partida e o portão para onde deveríamos nos dirigir. Tínhamos que ficar atrás deles (funcionários da companhia) o tempo todo. Não nos informavam nada e ainda nos tratavam mal - reclamou Mariana, que estava em companhia da mãe, do irmão, do padrasto e de dois filhos dele.



A partida da família aconteceria justamente um dia após a tempestade de inverno que atingiu o leste dos Estados Unidos, que levou o aeroporto JFK a cancelar vários voos. Mariana afirma, no entanto, que naquele dia, outros voos estavam decolando normalmente, e o mau tempo não explicava totalmente o problema. Especialistas afirmam que o passageiro tem direito à assistência em caso de cancelamento de voos por problemas climáticos e que lei brasileira garante proteção ao consumidor mesmo fora do país.

A estudante contou que os passageiros só foram informados que o voo havia sido cancelado na madrugada de sábado:

A American Airlines não nos deu nenhum tipo de assistência, a não ser um voucher de US$ 12 para alimentação, que não deu nem para pagar um café da manhã. Nós pedimos incansavelmente que nos dessem um cobertor, pois estávamos morrendo de frio e iríamos dormir no aeroporto, já que só fomos informados que o voo havia sido cancelado às 2h09min e não conseguimos fazer check-in em nenhum hotel por conta do horário.

Segundo ela, os atendentes da companha aérea jogaram no chão cobertores e travesseiros, normalmente fornecidos aos passageiros da primeira classe, e as pessoas tinham que correr para conseguir pelo menos um. Às 16h30min do sábado, dia 6, os passageiros do voo 973 embarcaram e ficaram cerca de três horas dentro do avião, pois os funcionários descobriram que havia uma peça quebrada e tentaram consertar para que o avião pudesse decolar, mas não conseguiram. Ao sair da aeronave, uma atendente da companhia aérea informou que estavam tentando arrumar um outro avião:

 Nos trataram como animais. Todos estávamos com muito medo, pois sentimos que eles não fazem manutenção no avião antes dos passageiros embarcarem. Tinha mulher grávida chorando, dizendo que não queria mais ir com a American. Eles disseram que quem não quisesse voltar com eles não teria problema, mas não devolveriam as bagagens, que iriam no avião da AA. Ou seja, estavamos presos a eles.

A família só conseguiu retornar ao Brasil na noite de domingo, mas, mesmo depois de embarcar, ainda esperou cerca de duas horas dentro do avião, pois, devido à neve, o carro que iria puxar o avião para a pista estava derrapando.

Em nota, a American Airlines informou que, devido ao grande número de atrasos no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, resultado da nevasca de inverno, o voo AA 973, de 5 de janeiro, foi alterado para o dia 7 de janeiro, e lamentou o ocorrido e afirma que nunca teve a intenção de atrapalhar o plano de viagem de seus clientes.

 Não pretendo nunca mais viajar com a American Airlines e não recomendo a empresa a ninguém, pois muitos passageiros estavam lá esperando desde quinta, na mesma situação que eu, e a companhia não deu nenhum tipo de assistência — afirma Mariana, que pretende entrar com uma ação por danos morais com a empresa e chegou a buscar orientação junto ao Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Rio.

 

 


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