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13/09/2010

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Valor Econômico
13/09/2010

Demanda aquecida para o fim do ano abre espaço para subir tarifa aérea
Paola de Moura

A pelo menos três meses das férias de fim de ano, turistas enfrentam dificuldades para comprar pacotes e passagens aéreas mais em conta. A demanda aquecida, estimulada pelo fortalecimento do real em relação ao dólar, abre espaço para as companhias aéreas reajustarem seus preços.

A TAM e a American Airlines confirmam que há aumento de preços, com o aquecimento da demanda. Na TAM a alta é de 10%, enquanto na American Airlines chega a 30%.

"Na verdade não houve um reajuste de preços, mas uma correção. No ano passado, tivemos uma queda muito grande por conta da crise. Houve tarifas de 'business class' que chegaram a cair 54% durante a crise", explica Dilson Verçosa, diretor de vendas da American.

A companhia aérea American Airlines está com crescimento de ocupação de 6 a 8 pontos percentuais a cada semana, enquanto o normal é de 2 a 3 pontos percentuais semanais. "Hoje, a ocupação já está em 65%. Com esta taxa, vamos chegar ao fim de setembro com 71%, isto ainda faltando três meses para o fim do ano", prevê Verçosa.

Na TAM, a curva de ocupação dos voos internacionais para o fim de ano já está 15% acima do nível do ano passado. "Estamos com a ocupação melhor do que em 2008, antes da crise", diz Paulo Castello Branco, vice-presidente Comercial e de Planejamento da TAM. A companhia planeja pedir autorização para voos extras para destinos como Miami. Só em julho, foram 39 voos a mais para Orlando.

A American abrirá em novembro três novas rotas, Rio - Nova York, Brasília-Miami e Rio-Dallas. As passagens já estão sendo vendidas e a procura também é grande. "Mas isso libera a ocupação de voos como São Paulo-Nova York [pois] 35% desses voos vinham do Rio", diz Verçosa.

Alípio Camanzano, diretor-presidente da Decolar.com, maior site de vendas de passagens e pacotes de turismo da América Latina, diz que a classe C também é responsável por parte desse movimento. "Ela foi a primeira a aprender que comprar antecipadamente é mais barato".

Esse novo público está parcelando suas compras. A American Airlines, que no passado só vendia passagens em dólares, agora parcela em até cinco vezes, sem juros, e em reais.

Na Decolar, os pacotes que mais vendem são para Miami, Nova York e Orlando. Buenos Aires, que era o destino predileto, até 2009, agora está em quarto lugar. Incluindo destinos nacionais e internacionais, Miami ainda é o primeiro escolhido do site, seguido de Salvador, Recife e depois Nova York.

Outra agência que aponta o aumento da demanda é a CVC, a maior do país. O número de pacotes internacionais (passagem e hotel) do modelo mais completo, batizado de Mundo para Brasileiros, aumentou de 100 no ano passado para 262 este ano. Só nesse tipo de viagem serão 10 mil turistas este ano. Em 2009 foram 4 mil. Pesquisa do Ministério do Turismo mostra que a fatia de brasileiros com intenção de viajar ao exterior aumenta a cada ano. Em 2006, era de 14,4%. Em junho de 2010, o percentual chegou a 21,9%.

Um dos maiores interesses dos brasileiros no exterior, e principalmente nos Estados Unidos, é fazer compras. O turista, já pensando no Natal, escolhe Nova York e Miami. "O último Boletim Focus prevê que o dólar vai chegar ao fim do ano em torno de R$ 1,70, o que também tira o medo das pessoas de fazerem compras no cartão de crédito", diz Paulo Pimentel, gerente de marketing e produto da Marsans Viagens.

Em 2008, segundo dados do Banco Central (BC), os gastos dos brasileiros que foram ao exterior exclusivamente a turismo cresceram de US$ 154,1 milhões, em novembro, para US$ 228,5 milhões em dezembro. Em 2009, o pulo foi de US$ 333,9 milhões para US$ 495,7 milhões.

Em julho deste ano, os gastos já chegam a US$ 536,6 milhões, o maior valor desde o início da série do BC, em 1947.

 

 


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