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  • O Globo
    12/05/2022

    União de Gol e Avianca pode beneficiar consumidor com maior concorrência, diz especialista
    Para André Castellini, sócio da consultoria Bain&Company, negócio é bom para as empresas e para os passageiros porque as duas manterão mercados diferentes
    Ivan Martínez-Vargas

    SÃO PAULO - A criação de uma holding para unir Gol e Avianca é um bom negócio para as empresas e provavelmente para os passageiros, na avaliação de André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company, referência no setor de aviação.

    O preço da passagem pode subir para o consumidor?

    É improvável. Como as operações dessas empresas ficarão separadas e sem grandes sobreposições de rotas, os mercados das duas permanecem diferentes. Pode ocorrer o contrário: a nova empresa deve ser uma forte concorrente da Latam e diminui a dominância da empresa chilena na região.

    Pode até haver um aumento da concorrência em algumas rotas que antes tinham menos opções de conectividade, como para os EUA.

    Por que o negócio é importante para as duas empresas?

    Porque elas podem ser complementares. A Avianca é a maior empresa da Colômbia e tem muitos voos para os EUA. A empresa saiu há pouco da recuperação judicial, e o atual controlador é Roberto Kriete, que assumiu depois que os Efromovich saíram. Ele é do setor e é sério, tem feito uma transformação para virar uma low cost tropicalizada que está indo bem, saiu bem da pandemia.

    Além disso, a Avianca tem participação em outras linhas aéreas como Viva e Sky, uma low cost chilena. Forma-se uma constelação de companhias aéreas, com a diferença importante de que cada empresa vai manter gestão e cultura, o que, na minha visão, é bom porque evita que a tomada de decisões seja lenta.

    A TAM, quando se fundiu com a Latam, teve problemas (ao unificar as operações e marcas).

    Essa união é uma fusão ou uma venda?

    Uma fusão, ao que parece não haverá um único controlador definido. O Constantino pode ter uma participação um pouco superior no negócio e será o CEO do grupo, mas as empresas vão ficar bastante independentes, e Kriete vai ser presidente do Conselho de Administração.

    Gol fala em sinergias de custo com a criação da holding, mesmo com as duas empresas separadas. Como pode funcionar?

    A tese de investimento do negócio não é ter redução de custo administrativo: as duas empresas são relativamente enxutas, e a Avianca passou por uma grande transformação. As sinergias devem vir especialmente com a criação de novas rotas e as combinações (das malhas). Sendo parte do mesmo grupo, Gol e Avianca poderão ter mais vendas cruzadas.

    A Gol, vendendo passagens com a Avianca, poderá colocar mais rotas a Bogotá, por exemplo. A fusão dá mais possibilidades de um acordo de compartilhamento de rotas. Deve haver sinergia de custos com suprimentos também, em serviços de manutenção, tecnologia.

    O ganho de escala pode dar mais poder de negociação para combustíveis, por exemplo?

    Sim, especialmente nos aeroportos onde as duas operam. A Avianca pode se beneficiar dos preços que a Gol estava pagando em Guarulhos, por exemplo, onde ambas operam. Essas negociações são feitas por aeroporto.

     

     

    Terra
    12/05/2022

    Gol e Avianca formam gigante da aviação na América Latina
    Luciana Dyniewicz

    Ainda em meio a maior crise da história da aviação, as companhias aéreas Gol, do Brasil, e Avianca, da Colômbia, anunciaram na quarta-feira, 11, a criação de uma holding, o Grupo Abra, que vai controlar as duas empresas. O novo grupo também terá participação na Viva, da Colômbia, e na Sky Airline, do Chile. O acordo - que ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores - deve ajudar as empresas a reduzir seus custos em um momento em que o setor sofre com a ressaca da crise da covid-19 e com a alta do preço do combustível.

    Com sede no Reino Unido, o Grupo Abra terá capital fechado. Investidores (sobretudo o fundo Elliot, segundo apurou o Estadão) se comprometeram a injetar até US$ 350 milhões em ações da holding, garantindo liquidez ao grupo. Apesar do negócio, tanto a Gol como a Avianca continuarão com suas marcas e operando separadamente.

    De acordo com fontes, ainda não há uma definição se a Gol permanecerá listada na B3. A família Constantino, controladora da empresa brasileira, terá uma participação maior no novo grupo, apurou o Estadão.

    O acordo entre as empresas vem em um momento em que a Gol ainda se recupera da crise gerada pela pandemia. Hoje, o valor de mercado da companhia equivale a 38% do total pré-pandemia, e analistas vinham preferindo os papéis da Azul aos da empresa da família Constantino.

    A notícia da transação dividiu o mercado entre analistas que consideram a união entre as empresas positiva para a Gol e entre aqueles que veem efeito neutro. As ações da empresa fecharam em queda de 1,67% ontem na Bolsa, acompanhando a tendência para as aéreas diante da desvalorização do real.

    SINERGIAS

    Analistas do Goldman Sachs e do Bradesco BBI classificaram a notícia como "positiva" para a Gol, pois a empresa pode ganhar com sinergias no planejamento de rotas, ofertas de produtos e programas de fidelidade.

    Já o analista Pedro Bruno, da XP, classificou o acordo como "neutro" para a empresa brasileira, pelo menos por enquanto. "É um acordo exclusivamente entre grupos controladores de empresas aéreas. Eventualmente, pode ser positivo no sentido de criação de sinergias. Mas isso ainda é algo a ser avaliado", disse.

    Para o especialista em aviação André Castellini, da consultoria Bain & Company, a principal vantagem da transação para a Gol será a sinergia na conexão de malhas. Os passageiros da empresa terão mais opções de voos para fora do País.

    Castellini diz não acreditar que o impacto será grande para as concorrentes.

    Mas, entre Azul e Latam, a segunda deverá sofrer um pouco mais, dado que também tem como um de seus diferenciais a oferta de voos internacionais. "Mas a Latam ainda terá a vantagem de ter mais voos diretos", afirma o consultor.

    Os analistas Stephen Trent e Filipe Nielsen, do Citi, destacaram que o movimento pode desencadear outras operações de fusão ou ampliação de participação no continente. Hoje, a American Airlines tem uma fatia de 5,2% na Gol, enquanto a United Airlines possui 8% da Azul. "Pode ser interessante ver se esses desenvolvimentos aumentam a urgência de a United alcançar um acordo semelhante com a Azul", escreveram em relatório.

    O salvadorenho Roberto Kriete, acionista da Avianca, será o presidente do conselho do novo grupo. Kriete era dono da Taca e foi responsável pela fusão da empresa com a Avianca, em 2009. Ele também fundou a mexicana Volaris, em 2006. Já Constantino de Oliveira Junior, da Gol, será o presidente executivo do grupo. O atual presidente da Avianca, Adrian Neuhauser, e o diretor financeiro da Gol, Richard Lark, serão copresidentes do grupo.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

     

     


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