Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Terça-Feira, 19 de Novembro de 2019
17/08/2010

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Estadão.com.br - 19:21h
17/08/2010

Avião com 152 brasileiros faz pouso de emergência na Argentina
Houve problema de despressurização em aeronave que ia de Bariloche a Buenos Aires

SÃO PAULO - Um voo charter com 152 passageiros brasileiros a bordo realizou pouso de emergência nesta terça-feira, 17, em Neuquén, a 1.150 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina, por causa de um problema de despressurização na aeronave - um MD-83 de uma companhia local.

Segundo a agência de notícias France Presse, não foi constatado danos ou feridos.

O avião fazia uma rota turística entra a cidade de Bariloche e o aeroporto internacional de Ezeiza, na capital portenha. Passageiros relataram à France Presse que houve pânico a bordo, e o sistema de respiração por máscaras de oxigênio foi acionado.

A aterrissagem foi normal no aeroporto Juan Domingo Perón. Outra aeronave da empresa aérea partiu quatro horas depois do incidente com destino a Ezeiza.

 

 

ZERO HORA
17/08/2010

Piloto atribui queda a raio

A causa do acidente com o Boeing 737-700 na madrugada de ontem gerou controvérsia. Enquanto o piloto e passageiros afirmaram que a aeronave caiu depois de ser atingida por um raio, especialistas ponderam que esta dificilmente tenha sido a causa. O coronel Hector Carrascal, diretor de operações da Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil), informou que uma comissão de investigações está na ilha para apurar o que ocorreu.

– As informações iniciais são de que as condições meteorológicas eram desfavoráveis. De resto, nenhum dado em específico até o momento – resumiu.

O professor de Engenharia e Aeronáutica da USP em São Carlos James Waterhouse afirma que a causa mais provável da queda seja um fenômeno comum chamado “tesoura de vento”, uma corrente de ar muito forte que empurrou a aeronave para baixo.

Segundo o Bureau Nacional de Estudos e Pesquisas Aeroespaciais da França, os aviões comerciais são atingidos por raios, em média, a cada mil horas de voo. No geral, o raio se propaga pela superfície externa do avião, cuja estrutura é essencialmente de alumínio – um excelente condutor. O circuito elétrico pode sofrer problemas, mas após uma breve interrupção, geralmente tudo volta a funcionar normalmente.

No entanto, o uso cada vez maior de materiais compostos à base de fibra de carbono e de resina, para reduzir o peso dos aviões e seu consumo de combustível, aumenta a vulnerabilidade.

 

 

Folha de São Paulo
17/08/2010

Raio derruba Boeing no Caribe; 1 morre
Avião com 131 pessoas, das quais 5 brasileiras, foi atingido logo antes de pousar; 114 se feriram, 5 gravemente
JEFFERSON PUFF

Um avião com 131 pessoas foi atingido por um raio ao aterrissar na ilha caribenha de San Andrés, na Colômbia.
Ao menos 109 pessoas tiveram ferimentos leves -quatro delas brasileiras-, cinco se feriram gravemente e uma passageira de 73 anos morreu depois de uma parada cardíaca.
O Boeing-737/700, da empresa aérea colombiana Aires, partira de Bogotá à 0h07 da segunda e viajava sob uma tempestade. Foi atingido pelo raio a cerca de 80 metros da pista, o que o fez cair e se partir em três pedaços, segundo autoridades locais.
Sobrevivente do acidente, a brasileira Catherine Silva Lobo relatou por telefone à Folha que ela, o marido (Ramiro Alves Branco Lobo de Almeida) e outro casal de brasileiros (Tiago Cavalcanti e Caroline Gonçalves) fugiram correndo com medo de que o avião explodisse.
Segundo ela, o voo transcorria normalmente, apesar da chuva e dos relâmpagos.
"Pouco depois de o avião tocar a pista, vimos um forte clarão. O avião se partiu em três pedaços, e uma fenda abriu bem em frente à nossa poltrona", conta.
O marido a ajudou a soltar o cinto de segurança e a sair do aeronave. "Saímos correndo, com muito medo do fogo. Nós achávamos que ia explodir. Tudo começou a cair na minha cabeça", diz.
Catherine sofreu uma fissura no nariz, e o marido, cortes na cabeça. Ambos estão bem, num hotel na ilha.

SEM DOCUMENTOS
Tiago Cavalcanti e a mulher, Caroline Gonçalves, também foram atendidos com ferimentos leves. Ambos querem voltar ao Brasil o quanto antes.
"Minha mulher está grávida [quatro meses], estamos numa situação bem difícil. Nossos documentos ficaram no avião. A maior preocupação agora é conseguir novos documentos para voltar."
Caroline fazia exames no momento da entrevista. Médicos disseram à agência Efe que seu estado era estável, mas que ela ainda corria "algum grau de perigo".
Os dois estavam de férias na ilha, um ponto turístico no mar do Caribe.

 

 

Folha de São Paulo
17/08/2010

TAM-LAN deve ampliar voos, diz analista
Para professor da GV Law, oferta de rotas a consumidor brasileiro tende a aumentar, mas preço dependerá da concorrência
MARIANA BARBOSA

A associação da TAM com a chilena LAN poderá ampliar a oferta de voos para os consumidores brasileiros. Essa é a opinião do professor de regulação econômica da GV Law e ex-conselheiro do Cade, Cleveland Prates.
"Os consumidores brasileiros terão uma malha mais larga para a América do Sul."
Para ele, o comportamento do preço dos bilhetes nas rotas operadas pelas duas empresas vai depender da concorrência. "Não me parece haver nenhuma rota em que não haja concorrente."
Na sexta, as duas empresas anunciaram a intenção de unir as duas companhias, por meio de troca de ações. As famílias Amaro, dona da TAM, e Cueto, dona da LAN, ficariam sócias de uma empresa chamada Latam, que passaria a controlar tanto a TAM quanto a LAN, além das respectivas subsidiárias.
A expectativa da TAM é que em nove meses seja anunciado um acordo formal entre os sócios.
A operação depende do aval da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A Anac vai avaliar se o controle da TAM permanecerá nas mãos de brasileiros, como prevê a lei. E o Cade vai julgar os impactos para o mercado. Como o Cade já aprovou o acordo de compartilhamento que existe entre as duas empresas desde 2009, Prates acredita que não haverá problemas.

ALIANÇAS
Uma possível recomendação do Cade pode ser dada em relação às alianças. A TAM integra a StarAlliance, e a LAN, a OneWorld.
"Existem muitas operações lá fora que só foram aprovadas depois que uma das empresas saiu de uma das alianças."
O Cade informou que as empresas deverão apresentar a proposta de fusão dentro de 15 dias úteis para que o órgão verifique se a operação está de acordo com a lei.
A Anac informou que só quando for informada oficialmente do negócio poderá avaliar se ele respeita ou não a legislação.
O presidente da TAM S.A., Marco Bologna, reiterou ontem que a operação não deixará a TAM nas mãos de uma empresa estrangeira.
Segundo ele, um acordo de acionistas entre as famílias Amaro e Cueto "garante direitos e obrigações iguais".
"Não é 70% dos Cueto e 30% dos Amaro, como estão falando. Isso inclui as ações que estão no mercado. Ao final da operação, a TAM terá 13,5% da Latam, e a LAN, 24%. Juntas, elas constituem um bloco de controle com 38% das ações."
Na nova estrutura societária, Bologna assume como um dos três diretores sêniores da Latam, ao lado de Enrique e Ignacio Cueto. Os três diretores sêniores participarão dos comitês executivos de todas as unidades de negócios do grupo.

 

 

Folha de São Paulo
17/08/2010

CVM investiga alta de ações no dia do anúncio
JANAINA LAGE

A presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Maria Helena Santana, disse que a autarquia investiga a alta nos preços das ações da TAM na sexta, data do anúncio do acordo de fusão com a chilena LAN.
Os papéis da TAM encerraram o pregão com alta de 27,64%, cotadas a R$ 36,20.
A operação foi anunciada no fim da tarde, com o pregão ainda aberto.
Durante a maior parte daquele dia as ações da companhia operaram em baixa, influenciadas pelo prejuízo de R$ 154,1 milhões no segundo trimestre.
O número de negócios com papéis da empresa saltou de 998 na quinta para 9.710 na sexta. O ânimo dos investidores com o setor aéreo afetou também a Gol, que encerrou o dia com alta de 10,63%.
No pregão de ontem, no entanto, a Gol teve queda de 5,76%. As ações da TAM fecharam em baixa de 0,49%, com um número de negócios que chegou a 21.245.
Santana ressaltou que não comentaria o caso específico da TAM, mas disse que esse tipo de investigação é o procedimento padrão em casos que envolvem oscilações no preço de papéis antes da divulgação de informação relevante.
A análise inclui pedido de informações para a empresa, com dados sobre quem estava envolvido na negociação, e para a Bolsa, sobre quem movimentou os papéis.

BOLOGNA
O presidente da holding TAM S.A., Marco Bologna, afirmou que é obrigação da CVM investigar [se houve vazamento], mas diz que a companhia "cumpriu com as obrigações necessárias".
"Não houve movimentação atípica das ações", disse. "E, quando houve as primeiras notícias, comunicamos a CVM e a BM&FBovespa e tivemos a cautela de suspender as negociações das ações."
Bologna diz que a empresa estava se preparando para comunicar o acordo após o fechamento do mercado. "Fomos pegos aos 45 minutos do segundo tempo."

 

 

O Globo
17/08/2010

Voo alto
Miriam Leitão

O mercado brasileiro de transporte aéreo de passageiros cresceu 59% de 2003 para 2008, enquanto o mercado mundial cresceu 35%. No ano passado, cresceu 13%, enquanto o mundo encolheu 2,6%. Isso torna o mercado brasileiro atraente para as empresas em geral. Hoje, a lei impede estrangeiros com mais de 20% das empresas, mas a imprensa internacional está contando que a LAN comprou a TAM.

É uma forma desatualizada de nacionalismo. Por que os brasileiros se sentiriam mais atendidos em seus brios patrióticos apenas pelo fato de a família Amaro e a família Constantino serem as donas da aviação brasileira? O Senado já aprovou uma ampliação de 20% para 49% na participação de capital estrangeiro em empresas aéreas. Foi para a Câmara, está sendo votado com mudanças, portanto, tem que voltar ao Senado. A expectativa é que até o fim do ano esteja aprovado.

O problema é que pelo que conta, por exemplo, a “Business Week”, a LAN pagou US$ 3,7 bi pela TAM, e seus acionistas vão ficar com 70% da empresa. Aqui, a notícia foi dada de forma nebulosa, porque ao mesmo tempo em que se diz que os acionistas da LAN ficarão com 71%, se diz que a empresa não foi comprada, que a gestão será compartilhada e que a LAN ficará com 20% da empresa. Ou seja, os números são deliberadamente confusos.

Muito provavelmente a operação será apresentada de forma mascarada para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), quando chegar lá, porque a lei brasileira ainda limita em 20%.

O que se diz no mercado é que a operação foi feita na expectativa de que o Congresso altere a lei. Algumas empresas tem mostrado interesse em vir para o Brasil, como a Ryanair, uma operadora de baixo custo, e a Virgin. A própria LAN vem tentando entrar no país há tempos.

O Brasil é atraente por ser um dos poucos países do mundo de dimensões continentais, além disso tem crescido muito, e tem perspectiva de continuar crescendo.

O país está atrasado no conceito de organização do mercado de aviação e tem aeroportos que estrangulam o crescimento.

No último dado em que há estatística para a comparação mundial, o ano de 2007, o Brasil era o nono mercado de aviação pelo número de embarques e desembarques, segundo o “World Airport Traffic Report”, do Conselho Internacional de Aeroportos.

Houve naquele ano, 120,4 milhões de embarques e desembarques de passageiros no Brasil; isso é mais do que o triplo do que a África do Sul está tendo em 2010, que é 37 milhões. O oitavo maior mercado é a Itália, mas a aposta dos especialistas é que com o crescimento dos últimos dois anos o Brasil já ultrapassou a Itália. Até 2014, o Brasil deve ter 170 milhões de embarques e desembarques.

Há muita discussão a respeito de o Brasil estar ou não preparado para o aumento do tráfego aéreo de passageiros na Copa do Mundo. Mas a dificuldade não é a Copa. Ela vai acrescentar apenas 3,5% do volume do mercado. Aumentará apenas seis milhões de embarques e desembarques.

O que o Brasil precisa se preparar é para atender ao seu próprio crescimento.

Ontem, a Fitch colocou sob perspectiva negativa o rating da LAN, e sob perspectiva positiva o rating da TAM. Isso aconteceu porque o endividamento da companhia brasileira é quase três vezes maior que o da empresa chilena: US$ 10,8 bi contra US$ 3,7 bi em junho deste ano.

Com o operação, a LAN estará, na prática, absorvendo parte da dívida da TAM. A analista do setor de aviação da SLW corretora, Rosângela Ribeiro, explica que 87% do endividamento do TAM é em moeda estrangeira.

— A TAM teve prejuízo de US$ 120 milhões no primeiro semestre e isso aconteceu não por causa das operações da companhia, mas por causa de resultados financeiros.

Cerca de 87% do endividamento da TAM é em dólar. Agora, com a entrada da LAN, a companhia chilena vai absorver parte da dívida — explicou.

O analista-chefe da Modal Asset, Eduardo Roche, diz que ainda é difícil classificar a operação que uniu as duas empresas: — Falar em aquisição não dá, até porque a legislação não permite. Além disso, há uma divisão de poder com certo equilíbrio na nova divisão societária. É difícil de falar em aquisição disfarçada — afirmou.

Vários outros analistas acham que sim, que é uma compra disfarçada, feita na expectativa de que a lei vai mudar até o momento em que a operação tiver que ser enviada à Anac para ser aprovada.

 

 

O Globo
17/08/2010

Para evitar novo caos aéreo, Gol cancela voos por e-mail e telefone
Ao mesmo tempo, empresa estimula compra de passagens com preços a R$ 1
Danielle Nogueira

 Gol está lançando mão de seu último recurso para evitar um novo caos aéreo como o ocorrido no início deste mês. Com o aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a companhia está cancelando previamente alguns voos programados para agosto, de modo que os tripulantes não ultrapassem a carga horária permitida por lei, de 85 horas mensais. No último fim de semana das férias escolares, mais da metade dos voos da empresa atrasaram e outros tantos foram cancelados porque os funcionários já tinham excedido a jornada de trabalho.

Ironicamente, na última sextafeira a Gol lançou uma promoção que estimula a compra de passagens, justamente para o período em que voos estão sendo cancelados. Até as 6h de ontem, os clientes podiam comprar bilhetes para qualquer destino no Brasil, com exceção de Fernando de Noronha, e pagar R$ 1 pela volta. A oferta é válida para viagens com ida e volta entre 14 de agosto e 2 de setembro.

Rio e SP estão entre os destinos mais afetados De acordo com a Gol, os cancelamentos estão sendo feitos com no mínimo uma semana de antecedência e atingem destinos para os quais a empresa tem mais frequências (número de voos de ida e volta), o que lhe permite ajustar a malha sem dificuldade.

Entre as cidades mais atingidas estão Brasília, Rio e São Paulo. A Gol garante que os passageiros são avisados por e-mail ou telefone e, caso não queiram voar no novo horário proposto pela aérea, ficam com o crédito no valor do bilhete adquirido ou são ressarcidos integralmente.

Os cancelamentos vêm sendo feitos desde o início do mês em coordenação com a Anac, que mantém inspetores na empresa para acompanhar a montagem da escala dos tripulantes. Na avaliação da agência, o procedimento, embora traga desconforto para o passageiro, é preferível ao transtorno de um novo caos aéreo.

Para Carlos Camacho, do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a medida é paliativa: — Esses ajustes de malha são paliativos. Há uma utilização inadequada da tripulação.

Escalas mais humanas são uma das reivindicações dos funcionários da Gol, que decidiram semana passada entrar em estado de greve. A decisão de cruzar ou não os braços deve ocorrer depois do dia 20, quando haverá uma audiência de conciliação no Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

Após subirem 10,64% na última sexta-feira, na carona do acordo de fusão entre TAM e LAN, as ações da Gol lideraram ontem as perdas do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Gol caíram 5,77%.

 

 

O Globo
17/08/2010

TAM e LAN unirão programas de milhagem
São 11 milhões de passageiros das duas empresas que poderão ser integrados
Ronaldo D’Ercole

Além da integração das operações de transporte de passageiro e cargas, a união da brasileira TAM com a chilena LAN, anunciada na sextafeira, poderá resultar na unificação dos programas de fidelidade das duas empresas, reunindo 11 milhões de passageiros.

Em teleconferência com analistas, o presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, disse ontem que, embora não exista ainda uma definição, integrar os programas de fidelidade das duas companhias faz sentido: — A Multiplus (braço da TAM para a gestão de programas de fidelização) continuará sob o controle da TAM.

Criada em junho de 2009 para administrar a rede de fidelização e os programas de milhagem da TAM, a Multiplus abriu o capital em fevereiro, numa operação em que captou R$ 622 milhões entre investidores na Bolsa. A TAM S.A., holding da família Amaro que controla a empresa aérea, ainda detém cerca de 70% do capital da Multiplus.

Um executivo profissional (Eduardo Gouveia) foi nomeado para presidir a Multiplus, que deverá ter uma sede própria, fora das dependências da TAM, onde ainda hoje está instalada. A TAM tem sete milhões de clientes nos programas mantidos pela Multiplus, enquanto que a companhia chilena reúne outros quatro milhões no seu LANPass.

Barroso sinalizou que os planos para a Multiplus são de expansão, inclusive nos países hoje atendidos pela LAN: — É uma grande oportunidade de se ter um programa na América Latina.

Barroso e Marco Antonio Bologna, presidente da holding TAM S.A., também presente na teleconferência, disseram estar confiantes na aprovação do negócio pelos órgãos reguladores brasileiros, como o Conselho Administrativo de Defesa econômica (Cade) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

— Entendemos que a operação é sustentável do ponto de vista do marco regulatório, pois atende a todo o arcabouço legal da atual legislação brasileira — disse Bologna, destacando que a família Amaro continuará com 80% do capital votante da TAM S.A.

A LAN e a TAM firmaram um memorando de entendimento, para a criação da Latam, holding que controlará as operações das duas companhias.

A expectativa é que a integração dos negócios esteja concluída num prazo de seis a nove meses, reafirmaram os executivos.

Ontem, a Fitch colocou a avaliação de risco da TAM em “observação positiva”, após o anúncio do plano de fusão. Já o Citibank, em relatório, elevou a recomendação para ADRs (American Depositary Receipts) da TAM para compra e afirmou que “essencialmente a LAN está comprando a TAM” na operação.

VÍTIMA
A CRIAÇÃO da Latam Airlines, pela junção da LAN Chile e da TAM, terá inexoráveis desdobramentos no mercado da aviação comercial.

ROGA-SE que não se esqueçam do usuário dos serviços aéreos, já relegado a segundo plano na administração dos aeroportos.

Latam: CVM investiga

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação sobre o vazamento de informações do acordo de fusão entre TAM e LAN firmado na sexta-feira passada. Os papéis da aérea brasileira tiveram forte alta naquele dia, antes do anúncio oficial da operação, após um site na internet divulgar o acordo em pleno funcionamento do mercado.

A presidente da CVM, Maria Helena Santana, disse que a autarquia solicitou informações para as duas empresas aéreas, que juntas vão criar a Latam Airlines, que será a 11ano mundo em passageiros transportados. Ela frisou que este seria um procedimento padrão: — Estamos investigando. Toda oscilação que precede uma informação relevante, vamos investigar — disse ela, após evento na Câmara Britânica, no Centro do Rio.

Maria Helena acrescentou que não existe data para conclusão das investigações, mas a declaração foi suficiente para inverter a trajetória das ações da TAM na Bovespa. Após subirem até 11,04% pela manhã, os papéis PN (mais líquidos) fecharam em queda de 0,5%.

 

 

Valor Econômico
17/08/2010

CVM analisa negócios com ações da TAM
Autarquia avalia transações de sexta-feira que precederam fato relevante
Juliana Ennes e Eduardo Laguna

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está analisando a oscilação de preços das ações da TAM nos momentos que precederam o anúncio do acordo com a chilena LAN. O prêmio embutido na transação, de mais de 40%, beneficiou acionistas que compraram os papéis antes da divulgação do fato relevante. A presidente da autarquia, Maria Helena Santana, disse se tratar de um procedimento padrão. "Toda oscilação que precede a divulgação de uma informação relevante é sempre seguida de uma análise da CVM", afirmou.

Na sexta-feira, as preferenciais subiram 27,6%, com o movimento concentrando no fim da tarde.

A CVM vai pedir à companhia aérea informações sobre os envolvidos nas negociações e também solicitará à Bovespa dados sobre os investidores que operaram o papel. No entanto, é provável que nenhum resultado da investigação saia neste ano. "Geralmente, não divulgamos no mesmo ano. Fazer a investigação rápido demais não é saudável porque podemos ser levados pelo clamor público", observou.

Ontem, durante nova teleconferência com analistas, os executivos da companhia aérea brasileira TAM mostraram confiança de que a fusão com a chilena LAN será concluída já no primeiro semestre de 2011. O presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, disse que o prazo estipulado para o fechamento do acordo - de seis a nove meses ) - é "realista" e baseado em transações parecidas no Brasil e no exterior. O executivo citou a aquisição da Pantanal pela TAM em dezembro, cuja autorização foi obtida em seis meses.

Além da aprovação dos acionistas, o negócio terá que passar pelo crivo da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Se aprovada, a união fará surgir um grupo com receita anual da ordem de US$ 8,5 bilhões, 45,8 milhões de passageiros, além de uma malha que cobre 116 destinos. Em valor de mercado, a Latam é a terceira maior aérea do mundo, atrás apenas das estatais Air China e Singapore Airlines. As sinergias esperadas são de US$ 400 milhões a parir do terceiro ano de fusão. "É a primeira empresa aérea latino-americana com condições de competir no mercado global", afirmou Bologna.

Ontem foi o dia das ações ordinárias da TAM, de baixíssima liquidez, mostrarem valorização. Os papéis subiram 41,9%, para R$ 44,00. Já as preferenciais, as mais negociadas, recuaram 0,5%.

Mas não foram só as ações que deram lucro aos investidores mais atentos. Os direitos de subscrição do aumento de capital que está em andamento também renderam um bom dinheiro.

O papel negociado sob o código TAMM1 na BM&F Bovespa, que dá direito ao seu detentor de comprar a ação da empresa a R$ 25,69 até 31 de agosto, valia R$ 0,11 na manhã de sexta. Em apenas um negócio, às 14h31, um investidor comprou 109,5 mil desses títulos a este preço, o que totalizou pouco mais de R$ 12 mil, de acordo com dados da Bloomberg. No fim daquele dia, o papel já valia R$ 8, e, hoje, às 12h25, era negociado a R$ 11,13. Assim, o bloco em questão valia cerca de R$ 1,2 milhão, um ganho de mais de cem vezes. (Com Bloomberg)

 

 

Valor Econômico
17/08/2010

Novo plano de voo para investidores em aéreas
Alessandra Bellotto

O acordo entre a TAM e a chilena LAN para a criação da Latam Airlines continuou tendo reflexos no pregão. Ontem, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da TAM, que haviam subido 27,64% na sexta, lideraram o volume de negócios no mercado à vista, com R$ 610,5 milhões. Os papéis recuaram 0,50%, a R$ 36,02.
 

Já as ações PN da Gol devolveram parte do ganho do pregão anterior. Depois da alta de 10,64% na sexta, cravaram a maior queda do Ibovespa, ao recuar 5,77%, a R$ 24,50. Mas, antes de falar dos movimento de ontem, vale a pena revisitar o pregão de sexta e tentar entender por que motivo Gol engatou uma alta forte com um negócio que, à primeira vista, só beneficia a TAM.

Há razões técnicas por trás da valorização da Gol. Fernanda Marques, da BB Investimentos, acredita que parte da alta foi motivada por operações de arbitragem entre ações de Gol e TAM. "As duas empresas sempre tiveram uma correlação próxima na bolsa, atraindo investidores de long/short (que buscam ganhos com distorções de preços entre ações)", explica. Como TAM subiu muito, Gol foi na onda, na expectativa de que a diferença de preços iria se ajustar.

Felipe Rocha, da Link Investimentos, diz que as ações de ambas as companhias foram alvo de compras para cobertura de posições vendidas (quando se aposta na queda de preços), numa operação conhecida como "short squeeze". Isso amplificou a alta dos papéis. No caso de TAM, porém, ela foi tão forte que levantou suspeitas (ver página D7).

Ontem, as ações das duas empresas recuaram. No caso da Gol, segundo Fernanda, os investidores perceberam que a correlação com a TAM pode ter perdido validade, diante do negócio com a LAN. Mas as perspectivas para ambas as companhias é favorável.

Do ponto de vista da TAM, os analistas ainda veem espaço para valorização, por conta da relação de troca proposta no acordo, de 1 ação da TAM por 0,9 da LAN. "As ações da brasileira tendem a se equiparar a essa relação", diz Fernanda. Pela cotação de ontem da LAN na bolsa chilena, que fechou a equivalentes R$ 49,00, as ações PN da TAM têm espaço para subir mais de 22%. A estimativa leva em conta um preço potencial para TAM de R$ 44,10, resultado do cálculo de 0,9 do valor da LAN.

Fora isso, os analistas veem o acordo como positivo para a TAM, apesar das incertezas que ainda cercam a negociação - a conclusão deve levar de seis a nove meses. "Consideramos a operação positiva para os acionistas da TAM, em função do prêmio (estimado) oferecido e também pelos benefícios potenciais que esta associação trará", escreveram os analistas da Fator Jacqueline Lison e Luiz Guilherme Fonseca, em relatório. Segundo eles, há um prêmio implícito de 41%.

Rocha, da Link, aponta como uma das principais vantagens do negócio para a TAM a possibilidade de melhora das margens operacionais. "A TAM tem uma estrutura de custos muito pesada." Tanto a Link como a Fator recomendam a adesão dos acionistas minoritários da TAM à oferta de permuta (OPA) de ações.

Para a Gol, as perspectivas no curto prazo são mais positivas, acredita Rocha. A empresa tem melhores margens operacionais e está mais bem posicionada para capturar o aumento da demanda na classe média, por ter preços menores. A Link tem preço-alvo para Gol de R$ 32,00, uma alta potencial de 30%.

Fernanda, da BB, acredita que a Gol deve herdar investidores da TAM que não podem investir em recibos de ações (BDRs), caso de muitos fundos.

O Ibovespa subiu 0,66%, a 66.701 pontos. Vale ON teve alta de 1,31% e a PNA, de 1,14%.

Alessandra Bellotto é repórter de Investimentos. A titular da coluna, Daniele Camba, está de licença.
 

 

 

O Estado de São Paulo
17/08/2010

LAN tem modelo mais eficiente, que não deve ser replicado no País
Em relação à TAM, chilena tem margens de lucro maiores, mas opera em cenário menos competitivo
Melina Costa

A TAM transporta quase o dobro do número de passageiros da LAN e faturou 33% a mais no ano passado - mesmo assim, quando a fusão foi anunciada, a brasileira valia cerca de um terço da companhia chilena na bolsa. "A TAM é uma empresa mais alavancada que a LAN e os credores ficam com boa parte do resultado da empresa. Além disso, a rentabilidade da chilena é maior", diz o analista Caio Dias, do banco Santander. "O valor de uma empresa na bolsa é medido não pelo seu tamanho, mas pelo resultado deixado para o acionista."

No ano passado, a margem de lucro da operação da LAN foi de 12%, contra 2% da TAM. Esses dados refletem o fato de que a LAN consegue cobrar preços mais altos com custos mais controlados.

Isso não significa, porém, que, com a fusão, os resultados da TAM vão se igualar aos da chilena. O ambiente e o modelo de negócios dessas companhias contribuem para os números diferentes.

Para começar, o mercado de aviação doméstico brasileiro - principal fonte de receita da TAM - é mais competitivo que o enfrentado pela LAN no Chile, no Equador e no Peru. Enquanto nesses países a chilena lidera com folga, por aqui a Gol possui quase metade do mercado.

No caso da LAN, a maior parte da receita tem origem nos voos internacionais - em que, tradicionalmente, a taxa de ocupação das aeronaves é maior. Além disso, o serviço da chilena para países da Europa é reconhecido como de alta qualidade, o que permite que a empresa cobre tarifas semelhantes às de companhias europeias. A LAN também tem uma exposição maior ao transporte de cargas, que se recuperou mais rapidamente da crise financeira global.

"Como são cenários distintos, acredito que a TAM até pode ganhar eficiência com a fusão, mas não a ponto de igualar seus resultados aos da LAN", diz Dias.

A grande vantagem da fusão, segundo analistas, está nas sinergias que devem atingir US$ 400 milhões. Quando passarem a operar juntas, as empresas terão maior poder de barganha para comprar aeronaves e terão acesso a empréstimos mais baratos, por exemplo.

Mas isso só se a junção de duas culturas tão diferentes for bem-sucedida. "Nesse estágio, o maior risco para a transação está na probabilidade de as sinergias acontecerem", diz relatório do banco Credit Suisse. "A cooperação será um elemento chave para capturar essas economias. Como as duas empresas continuarão a existir como entidades separadas e o controle da gestão será dividido entre dois acionistas, não podemos excluir potenciais desacordos entre os dois lados, o que poderia ser prejudicial para o negócio."

 

 

Site Âmbito Jurídico
17/08/2010

Companhia aérea indenizará cliente por negativa de embarque

A 1ª Turma Recursal Cível do Estado do Rio Grande do Sul manteve, por unanimidade, a condenação da Varig Linhas Aéreas S.A. ao pagamento de indenização a consumidora diante da justificativa de no show. Apesar de ter se apresentado para o check-in 40 minutos antes do horário de partida do vôo, a passageira teve o embarque negado. Somadas, as reparações pelos danos materiais e morais equivalem a R$ 3.680,00, corrigidos monetariamente.

Caso

A autora ajuizou a ação de indenização alegando que contratou transporte aéreo com a ré, de Curitiba para Porto Alegre mas, ao fazer o check-in 40 minutos antes do embarque, foi informada que o procedimento já havia se encerrado. Afirmou que, em verdade, o que houve foi overbooking (venda de número de passagens superior ao de assentos).

Diante da impossibilidade de embarcar, teve de remarcar o bilhete. No entanto, a companhia aérea ainda lhe cobrou taxa de R$ 90,00. Conseguiu novo voo somente para três horas mais tarde, sendo que a partida atrasou 25 minutos. Alegou que no tempo em que permaneceu no aeroporto, não recebeu assistência da companhia, arcando com despesa de R$ 100,00 em alimentação, telefonia e táxi.              

Em contestação, a Varig referiu que a passageira não compareceu ao check-in com antecedência de 60 minutos, conforme determinado, sendo que o prazo de 30 minutos constante no bilhete é referente ao embarque. Por essa razão, foi declarado no show.

A companhia negou overbooking e afirmou que, em virtude do atraso da passageira para o check-in, lhe foi cobrado o valor de R$ 90,00, que é a taxa pela não-apresentação no guichê em tempo hábil. A Varig alegou ainda que o voo partiu sem atraso e com menos passageiros que sua capacidade máxima. Por essa razão, negou a ocorrência de danos morais e materiais, pedindo pela improcedência da ação. 

Sentença

No Juizado Especial Cível, a sentença destaca a inegável relação de consumo, o que justifica a hipossuficiência da autora e a inversão do ônus da prova. Assim, era dever da ré, em respeito do Código de Defesa do Consumidor (CDC), informar, esclarecer e bem orientar os clientes. Nesse sentido, não há evidência no processo de que a autora tenha sido orientada a se apresentar para o check-in com antecedência de 60 minutos. A única informação disponível era a constante no bilhete de passagem, na qual se observa apenas a fixação do prazo de 30 minutos para apresentação. Indubitável que a conclusão lógica a que chegaria o chamado homem médio era a de que bastava chegar com meia hora de antecedência ao balcão da ré para lograr êxito no cumprimento de sua obrigação, diz a sentença.

No entendimento do julgador, é inadmissível a prática levada a efeito pela ré ao inviabilizar o check-in da autora apesar de esta ter observado o horário agendado no bilhete de passagem, compelindo-a a arcar com despesa não prevista, referente à taxa de remarcação da passagem, e ainda ter de aguardar por um novo voo. Assim, tenho caracterizado o absoluto descaso e desrespeito da ré para com a consumidora, gerando sentimentos de desvalia, impotência e frustração, agravado pelo transtorno de ser compelida a desembolsar o valor da remarcação da passagem.

Recurso

O relator do recurso na Turma Recursal, Juiz de Direito Fabio Vieira Heerdt, salientou a relação de consumo entre as partes: se é dever do passageiro estar no portão de embarque 30 minutos antes da saída do avião, não se pode admitir que o check-in seja encerrado antes mesmo desse horário de embarque, afirmou. Assim, e considerando a ausência de informação quanto ao efetivo horário de apresentação para check-in, certa a responsabilidade da demandada em indenizar a parte autora pela negativa de embarque, em razão da relação contratual mantida.

Também participaram do julgamento, realizado em 24/6, os Juízes de Direito Ricardo Torres Hermann e Heleno Tregnago Saraiva

 

 


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