Associação dos Mecânicos de Vôo da Varig
Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017
9/71/2130

<< Início   < Voltar  | |  Avançar >   Última >>

Valor Econômico
9/71/2130

Ritmo de oferta e demanda de aéreas é o pior de 10 anos
João José Oliveira e Adriana Meyge

Pela primeira vez em dez anos, as aéreas brasileiras fecharam um semestre com retração de oferta enquanto a demanda teve a menor expansão desde 2003, ano em que o setor sofria com a desaceleração nos Estados Unidos ainda impactados pelos atentados de 11 de setembro de 2001, com a retração das viagens internacionais por causa da gripe aviária e com a intervenção militar no Iraque que encareceu o dólar e o petróleo.

Mas em 2013 a menor oferta é resultado da opção comercial das empresas líderes, que buscam lucratividade em detrimento do crescimento, mas em cenário adverso, de volatilidade cambial e atividade econômica claudicante. Para executivos do setor, a estagnação vai prevalecer ao longo deste ano, pelo menos.

Segundo dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a oferta doméstica medida em assentos-quilômetros oferecidos (ASK) caiu 2,9% em junho ante mesmo mês de 2012, completando dez meses seguidos de retração. A demanda medida em passageiros-quilômetros pagos transportados (RPK) cresceu 2,80% na mesma base de comparação.

Com os dados de junho, a oferta acumulou no primeiro semestre queda de 5,8% ante mesmo período de 2012. A demanda estagnou - subiu apenas 0,09%.

"Os balanços falam por si", disse o principal executivo de uma das quatro maiores companhias aéreas do país. "Não vamos mais crescer por crescer. A sustentabilidade do setor depende da saúde financeira e de margens".

A TAM, líder no transporte doméstico com 40% do segmento, fechou o primeiro trimestre de 2013 com lucro líquido de US$ 42,7 milhões, cerca de metade dos US$ 83,7 milhões registrados em 2012, com dados consolidados das operações internacionais de Lan. A margem operacional foi de 3,4%. A Gol, dona de 38,3% do mercado doméstico, teve no primeiro trimestre prejuízo líquido de R$ 75,3 milhões e margem líquida negativa de 3,6%.

Essas empresas passaram a buscar margens por meio de maior taxa de ocupação das aeronaves, reduzindo oferta. Gol fechou junho com corte de 4,2% na oferta ante junho de 2012; TAM eliminou 11% da disponibilidade na mesma comparação. O que resultou em melhora da taxa média de ocupação de todo o setor, que subiu de 70% para 74%.

"Não há como ter margens sem taxas de ocupação ao redor de 80%", disse o executivo responsável pela estratégia comercial de uma das quatro maiores do país. "Ainda mais em uma ambiente de custos em elevação por causa do dólar".

É que o dólar indexa cerca de dois-terços das despesas operacionais das aéreas. Mais da metade desse impacto é gerado pelos custos de combustíveis, cujo preço é calculado a partir de equação que considera a cotação do petróleo - negociado em dólar.

A média do dólar no primeiro semestre deste ano superou em 9% a média apurada no mesmo período de 2012, saindo de R$ 1,866 para R$ 2,034. "Se o dólar for para R$ 2,40 o governo vai ter que dar algo em troca, ou em diminuição de impostos ou em redução do custo do combustível", disse o diretor financeiro de uma grande companhia do setor.

Cálculos da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) apontam que a querosene de aviação no Brasil custa 17% mais que a média do mercado internacional. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) negocia com Brasília e com governos estaduais formas para redução de impostos.

Em 2003, as empresas aéreas transportavam 26 milhões de passageiros em território nacional, segundo a Anac. Este ano, até junho, 42,2 milhões de passagens foram vendidas, projetando mais de 84 milhões para 2013 - 25% mais que a quantidade de pessoas se deslocando entre cidades em trechos rodoviários.

"O recado para Brasília é esse", afirma o principal executivo de uma das maiores companhias do setor. "Não vai haver crescimento [de oferta] sem margens. O mercado vai estagnar se as condições de infraestrutura, de tributação e de combustíveis não mudar".

Esse executivo diz que o impacto do corte da oferta na percepção dos clientes tem sido amenizado pela economia desaquecida. As projeções de crescimento para 2013 apuradas por meio do Boletim Focus, do Banco Central, com economistas de cem instituições financeiras e consultorias, cederam de 3,5%, em janeiro, para 2,3% agora. "Isso limita o espaço para reajustes nas tarifas. Então, os ganhos de margem têm que vir de redução de custos mesmo", diz o dirigente da empresa aérea.

Segundo números da Iata, o Brasil se tornou em 2012 o terceiro maior mercado aéreo doméstico do mundo, ultrapassando o Japão, ficando atrás da China e dos Estados Unidos.

 

 


<< Início   < Voltar  | |  Avançar >   Última >>

Página Principal